quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Cinema Musical: A trilha sonora de My Week with Marilyn


Este foi mais um ano produtivo para Alexandre Desplat, que continua sendo o compositor queridinho de Hollywood. Aqui, em parceria com o seu fiel escudeiro Conrad Pope (que orquestra a maioria de seus trabalhos), Desplat e Pope entregam um ótimo trabalho, em um projeto super especial: a história de Marilyn Monroe nos bastidores do longa o qual ela contracenou com Laurence Olivier- “O príncipe encantado”.

Dirigido por Simon Curtis, o filme se baseia no livro de Colin Clark (que no filme é interpretado por Eddie Redmayne) que narra seu relacionamento com Marilyn Monroe (interpretada por Michelle Williams) enquanto esta gravava o filme com Laurence Olivier (feito por Kenneth Branagh). É então o ponto de vista de Colin sobre a diva, que tinha a dualidade como sua principal característica sendo ao mesmo tempo a mais sexy mas também a atriz mais frágil da época. Essa dualidade da personagem se transfere para sua trilha sonora que contem sensibilidade mas também muita energia.

A primeira faixa do score é “Marilyn´s theme” composta por Desplat, que é um belíssimo tema todo executado ao piano, muito emotivo e cuidadoso. Após, tem-se a versão de “When love goes wrong, nothin´ goes right & heat wave” onde Michelle Williams mostra poder nos vocais. Já “Colin runs off to the circus” assinada por Pope é radiante e enérgica, magnificamente executada por cordas. Em “Colin joins the circus/ Mr. Jacobs” Pope traz uma melodia deliciosa e poderosa e jazz, extremamente sexy e cheia de vida, bem como a curtinha “Driving through Pinewood” que soa como uma passagem alegre e graciosa. Depois ouve-se “Paparazzi” de Desplat, que executa com cordas o tema do filme de modo muito romântico e sensível, para no meio da faixa haver uma transformação no ritmo que leva o score à outro patamar. Em “Colin and Vivian”, temos o estilo de Desplat bem marcado (piano com cordas e harpas alternando-se). Tem-se então a versão remasterizada da canção “Memories are made of this”, e após a faixa “Rushes” de Desplat, melancólica e marcada pelo som do oboé que se destaca como instrumento principal aqui. “Lucy” de Pope, é muito bela e tem uma melodia no piano intensa mas também delicada.

Ouve-se então a canção “Uno, dos, três” e a faixa “Arthur and Marilyn” de Desplat, que é mais obscura. Temos o tema de volta em “Marilyn Alone”, mas a vida volta ao score com “Arthur´s notebook” de Pope, uma faixa extremamente bem composta e perfeitamente harmônica. Em “Vivian screens Marilyn” também de Pope, há uma doçura misturada à um sentimento de melancolia muito bem transposto através do piano. “The Getaway” de Desplat, é também outra faixa muito graciosa e muito suave, mais leve e divertida. Segue-se com a canção “You stepped out of a dream” e a faixa de Pope “Eton Schoolyard” marcada mais uma vez por um ritmo de jazz contagiante.

Destacam-se também “Overdose” de Pope, “Colin and Marilyn” de Desplat e “Remembering Marilyn” que traz o tema de volta com o piano e com as cordas, lembrando o estilo das trilhas de Henry Mancini para com os filmes de Audrey Hepburn. A trilha termina ainda com mais uma canção muito bem interpretada por Williams- “that old magic black” onde a atriz mais uma vez sai-se muito bem.

É uma trilha muito boa, que revela o talento de Conrad Pope, um compositor que eu só conhecia como orquestrador, mas que arrasa neste belo e singelo trabalho. Para ouvir e reouvir muitas vezes.

Numero de estrelas : 4

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Agora nos cinemas: Toda forma de amor

Este adorável filme dirigido por Mike Mills baseado em sua própria história, se revela como um dos mais inteligentes, originais, e peculiares do cinema atual. Com uma narrativa que foge dos convencionismos baratos e um elenco brilhante, esta comédia romântica já se estabelece como um dos grandes filmes do ano.

O filme conta, de forma aleatória, a história de Oliver (Ewan Mc Gregor), um cartunista que descobre a homossexualidade do pai Hal (Christopher Plummer), que recentemente perdeu a esposa de câncer (em um casamento que durou 45 anos). O pai, que também está com câncer, tem 75 anos e resolve aproveitar seus últimos momentos, inclusive arranjando um namorado que não é monogâmico (feito por Goran Visnic de modo bem competente). O fato mais curioso é Oliver descobrir que a mae sempre soube da homossexualidade do marido, pedindo o mesmo em casamento e prometendo à ele consertar o seu problema. De qualquer forma, Hal sempre foi fiel à esposa, apenas assumindo sua opção sexual após a morte da mesma. Em contrapartida, vemos em alguns flashbacks a infância de Oliver com a mãe, e partimos para os dias atuais, após a morte do pai, onde ele cuida do cãozinho Arthur que era de seu pai (e aqui temos uma lição de originalidade- Arthur conversa com Oliver, e vemos suas respostas através de legendas que dão um ar ainda mais criativo ao filme). Além disso Oliver se apaixona pela incrível Anna (Melanie Laurent), que vai ajuda-lo a superar seus medos e confusões.

Com uma trilha sonora soberba, e atuações magníficas, o filme dá ao lendário Christopher Plummer a chance de mostrar aquele que talvez é seu personagem mais humano e sensível, já que seu Hal embora seja alegre e espirituoso, também tem dificuldade de lidar com a doença, escondendo dos novos amigos por exemplo, o quão está doente. Já Melanie Laurent como sempre está ótima, em um papel que tem muito mais complexidades do que se aparenta ter. Mas é Ewan Mc Gregor que realmente me surpreendeu. Embora seja fã do ator desde a época em que ele fazia parcerias com Danny Boyle, nos últimos anos parecia-me que ele havia perdido o brilho como ator. Como eu estava enganada, pois aqui ele dá uma das melhores performances de sua carreira, fazendo um personagem que, embora introspectivo, seja extremamente aberto em suas emoções. Palmas também vão ao roteiro do diretor, que mistura estratégias a lá Amelie Poulain com uma historia que é sentimental mas também realista, de modo muito diferente com que estamos habituados a ver hoje no cinema atual, onde tudo se copia e há remakes por todo o lado.

É então um filme magnífico, bem feito, que merece ser conferido por sua competência e autenticidade, e que desde já coloca Christopher Plummer como o franco favorito (merecidamente) à melhor ator coadjuvante na corrida ao Oscar do ano que vem. Sensacional.

Nota: 10,0

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cinema Musical: War Horse

Que John Williams é o compositor mais importante da história do cinema isso todo mundo sabe...mas o que muitos se questionam é porque Johnny tão importante e com tantas trilhas incríveis só tem 5 Oscars...seria azar, concorrência forte ou falta de amor da academia? Independente do que seja, ele tem grandes chances de adicionar mais um Oscar neste ano, por causa da belíssima trilha de “War Horse” (Cavalo de Guerra).

Baseado no livro de Michael Morpurgo, que deu origem à peça que levou 5 premios tony neste ano de 2011, o filme trata conta a história do jovem Albert (Jeremy Irvine) e seu cavalo Joey, que é vendido para a unidade de cavalaria do exercito britânico para ser utilizado em combate durante a Primeira Guerra Mundial. Albert então parte para a França atrás de seu cavalo, enfrentando o mundo para poder reencontrá-lo. Dirigido pelo mestre (e sempre parceiro de Williams) Steven Spielberg, o filme já é considerado um dos grandes contenders para o Oscar 2012, bem como claro, sua trilha sonora. A lindíssima trilha é um deleite para os ouvidos, e com certeza já se consagra como um dos principais trabalhos do compositor.

“Dartmoor, 1912” é extremamente épica e poderosa, onde exalta o tema do filme lembrando as composições do saudoso Maurice Jarre (mestre das trilhas épicas). Mas o que chama atenção na faixa é a vivacidade da mesma, onde cordas atuam energicamente paralelamente à um oboé mais suave. Posteriormente ouve-se a faixa “The Auction” onde novamente o oboé tem papel de destaque, e aqui o ritmo é mais lento, em algumas partes há dinâmica pianinho, dando um ar etéreo à faixa. Já “Bringing Joey home, and bonding” começa com um jogo de cordas que de modo sarcástico e divertido, mas que em dado momento dá lugar ao tema da trilha, mais uma vez muito emocionante e marcante, sendo que no final temos o jogo de notas de volta fazendo da faixa um quebra cabeça musical. “Learning the call” é outra faixa que merece destaque, por trazer melodias sobrepostas que vão se complementando e resultando em um único e distinto som. “Seeding, and horse vs. Car” é muito forte e ao mesmo tempo tem um ritmo muito rápido, onde as flautas brilham soando como os sentimentos dos personagens. “Plowing” traz inicialmente o tema do filme executado uma oitava à baixo da melodia original, trazendo uma atmosfera mais pesada para o score até um dado momento, se traduzindo como uma faixa muito sóbria e inteligente. “Ruined Crop, and Going to War” é triste, mas muito bem executada, onde as cordas parecem traduzir em notas a sensação de uma forte tempestade. “The Charge and Capture” é tumultuada e agitada no inicio, mas, dado um momento da faixa ela diminui o ritmo trazendo os sons de sopro de modo mais gentil e seguro, terminando de modo mais delicado.

Outra faixa de destaque é “The desertion” que também começa intensa e vai diminuindo o ritmo e a sonoridade até ficar sem som algum. E se “Joey´s new friends” é radiante e cheia de vida, “Pulling the Cannon” é gigantesca e áspera. Já “The Death of Topthorn” embora seja mais nostálgica é belíssima e encantadora. “No man´s land” também é muito bem feita, embora muito obscura. Já “The reunion” é toda mágica onde há a execução do tema novamente, com melodias extraídas do fundo do coração do mestre. Em “Remembering Emilie, and finale” o destaque fica pelo uso do piano, que brilha na faixa. Mas é “The homecoming” que merece o titulo de melhor faixa do score- agindo como uma suíte que resume todas as melodias importantes da trilha, onde o destaque maior fica para a flauta misturada às cordas que resultam em uma faixa magnífica.

Por fim, não há muito o que dizer: é uma das melhores trilhas da carreira de John Williams e, embora ainda não se possa concluir qual é a melhor trilha do ano, esta já fica definitivamente entre as melhores. Ganhando o Oscar ou não, este score é magistral. Mais um trabalho absurdo do maior mestre das trilhas sonoras, digno de emoção, lagrimas, beleza e que me lembra o que porque de amar tanto o cinema e as trilhas sonoras: pela magia e felicidade que só esta arte pode trazer por completo.

Numero de estrelas: 5

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cinema Musical: Compositores contenders para o Oscar 2012



Gente, depois de tanto tempo sem postar eu volteeeeeeeei:D
Aqui está um video que eu fiz para comentar sobre os contenders na categoria de trilha sonora para o Oscar 2012.
Espero que gostem...
mil bjus,
vivi