segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Agora nos Cinemas: Inverno da Alma


Não me lembro se no filme a idade de Ree (Jennifer Lawrance) é revelada em algum momento, seja como for, sabemos que ela é uma garota não muito longe de sua adolescência, responsabilizada pelos cuidados de sua casa, seus irmãos e sua mãe, com alguma doença cognitiva jamais explicada. Seu pai, ex-presidiário, coloca a casa na qual sua família vive como garantia de que obedeceria as regras de sua liberdade condicional, entretanto, desaparece dias antes de ter como obrigação de se apresentar à polícia, fazendo com que a família perca sua casa. A partir disso - apresentado logo nos minutos iniciais da projeção - Ree embarca em uma jornada em busca de seu pai - fabricante de drogas ilícitas no gelado interior do Missori - para que eles não percam sua casa. Após alguns incidentes, ela passa a contar com a ajuda de seu tio Teardrop (John Hawkes).

Debra Granik é uma diretora consideravelmente novata, tendo apenas mais um curta e outro longa em seu currículo. Ainda assim, não deixa de ser interessante o tom que ela imprime em seu filme, dando-lhe diferentes camadas. Há, na somatória total, um drama humano extremamente pesado e depressivo, sem apelar para o sentimentalismo dramalhóide. Não somos manipulados para chorar neste ou naquele momento, mas sentimos um mal estar ao longo de todo o filme, como algo que vai nos incomodando progressivamente, culminando num ápice que dificilmente sairá rápido da cabeça daqueles que assistiram ao filme. Paralelo a este drama, há - ainda que involuntário ou amenizado - um clima western inegável. Não no estilo de Bravura Indômita ou os tradicionais bangs, mas não foram poucos os momentos que o clima sombrio de perseguição e fugra presentes neste filme me lembraram de Onde Os Fracos Não Têm Vez. Por fim, o filme ainda tem o acabamento bem característico do cinema independente americano, dando-lhe uma pincelada final de filme para um círculo alternativo. Creio que se encontra nesta soma parte da riqueza final da obra.

Que se destaca, além da direção precisa, por seu elenco e, especialmente, por Jennifer Lawrance e John Hawkes - ambos indicados ao Oscar de atriz e ator coadjuvante, merecidamente. Apesar de um elenco secundário extremamente correto, são os dois que sustentam o filme nas costas, especialmente a novata atriz que havia me chamado atenção desde que a conheci, no fraco Vidas que se Cruzam. Tendo um personagem extremamente complexo em mãos, uma garota que passa por todas as dificuldades imagináveis para alguém com muito mais idade do que ela e, ao mesmo tempo, parece incapaz de expressar muitas emoções - tendo sempre uma visão prática das coisas. 

E aquilo que eu tomo como o defeito do filme é, de alguma maneira, intencional em sua abordagem, mas não funcionou comigo: exatamente sua frieza. Acho louvável que seu roteiro não caia em um sentimentalismo piegas para provocar uma explosão de choro e pronto. Mas somando-se diversos detalhes de roteiro, direção e atuação, o filme não deixa de causar certo distanciamento de seu público - talvez até como uma defesa deste para os sofrimentos apresentados em tela. Somos extremamente incomodados por aquilo que vemos, mas, ao mesmo tempo, não se mergulha de cabeça naquela intensidade mostrada. Que bom, poderia ser traumático. 

7,0

SAG, DGA e PGA: Crítica x Indústria, Cinemão x Novidade - a temporada 2011



Num ponto decisivo para a disputa, a mesa virou completamente. Não deve ser novidade para ninguém que O Discurso do Rei venceu o sindicato de atores, de diretores e de produtores. Mais do que recomeçar toda a conversa do que achamos ou deixamos de achar de cada filme, direção e atuação - o que já fizemos nos últimos 5 posts com o intuito de comentar os indicados ao Oscar 2011 - vamos em busca dos mitos e verdades por trás de cada premiação.

Comecemos pelos números. Levarei em consideração os últimos 10 a nos de prêmios, de 2000 a 2010.

SAG Awards
Na última década, por 5 vezes o prêmio de melhor elenco não coincidiu com o Oscar de melhor filme: Traffic x Gladiador, Assassinato em Gosford Park x Uma Mente Brilhante, Sideways x Menina de Ouro, Pequena Miss Sunshine x Os Infiltrados, Bastardos Inglórios x Guerra ao Terror. Ou seja, metade.

Sobre os vencedores de melhor ator, 4: Benicio del Toro (Traffic) x Russel Crowe (Gladiador) - sendo que, no Oscar, Benício foi indicado como coadjuvante - e venceu; Russel Crowe (Uma Mente Brilhante) x Denzel Washington (Dia de Treinamento); Daniel Day-Lewis (Gangues de Nova Iorque) x Adrien Brody (O Pianista) e Johnny Depp (Piratas do Caribe) x Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos).

Melhor atriz, 4: Annette Bening (Beleza Americana) x Hillary Swank (Meninos Não Choram); Renée Zellweger (Chicago) x Nicole Kidman (As Horas); Julie Christie (Longe Dela) x Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor) e Meryl Streep (Dúvida) x Kate Winslet (O Leitor, indicada e vencedora do SAG como coadjuvante pelo papel).

Melhor ator coadjuvante, 5: Albert Finney (Erin Brokovich) x Benício del Toro (Trafic, indicado e vencedor do SAG como ator principal pelo filme); Ian McKellen (O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel) x Jim Broadbent (Iris); Christopher Walken (Prenda-me Se For Capaz) x Chris Cooper (Adaptação); Paul Giamatti (A Luta Pela Esperança) x George Clooney (Syriana); Eddie Murphy (Dreamgirls) x Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine).

Melhor atriz coadjuvante, 4: Judi Dench (Chocolate) x Marcia Gay Harden (Pollock - sequer indicada ao SAG), Hellen Mirren (Assassinato em Gosford Park) x Jennifer Connely (Uma Mente Brilhante, indicada ao SAG como protagonista pelo papel); Ruby Dee (O Gângster) x Tilda Swinton (Conduta de Risco) e Kate Winslet (O Leitor, indicada e vencedora do Oscar como protagonista pelo papel) x Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona).

Veredicto: Compatibilidade mediana. Dos anos listados, não houve um único ano em que os 5 vencedores do  SAG bateram perfeitamente com os 5 vencedores do Oscar. E não dá para fincar exatamente o padrão deles, em alguns anos eles consideraram, de fato, o melhor elenco (Bastardos, Miss Sunshine), alguns anos o hype da crítica foi extremamente forte (Milionário). 

Sobre 2011: Pode haver mudanças, assim em como todos os outros. Aparentemente, a grande chance disso acontecer ainda reside na categoria de Atriz, onde a vitória de Bening é sempre uma possibilidade. Uma chance remota é de melhor atriz coadjuvante terminar com Hailee Stenfeld, mas quase impossível. E sobre melhor filme, o SAG já foi considerado o culpado (uma vez que 'responsável' é uma palavra inaplicável ao caso) pela inesperada vitória de Crash - No Limite como melhor filme. Se A Rede Social tivesse vencido, o filme ainda respirava. Mas, ao que tudo indica, o ano é do Rei, mesmo.

---
DGA
Apenas dois desencontros. Rob Marshall (Chicago) x Roman Polanski (O Pianista que, entretanto, perdeu melhor filme para Chicago) e Ang Lee (O Tigre e o Dragão, que venceu melhor filme estrangeiro no Oscar) x Steven Soderbergh (Traffic) - e o curioso: o Oscar de melhor filme não ficou com nenhum dos dois, mas sim com Gladiador.

Veredicto: Compatibilidade considerável.

Sobre 2011: Havia um consenso de se premiar Fincher este ano, e Hopper é um novato. Aqui reside a última chance de A Rede Social levar um dos filmes importantes, mas ainda assim será suado - se acontecer.

---
PGA
4 desencontros: Pequena Miss Sunshine x Os Infiltrados, O Segredo de Brokeback Mountain x Crash - No Limite, O Aviador x Menina de Ouro e Moulin Rouge! Amor em Vermelho x Uma Mente Brilhante. O único filme a vencer tanto o PGA quanto o DGA e o SAG que não manteve o mesmo resultado no Oscar foi Chicago, perdendo apenas diretor.

Veredicto: Compatibilidade mediana.

Sobre 2011: Se apenas o PGA tivesse ido ao Discurso, pouco importaria. Com a trinca principal, o caso é diferente. O ano transformou-se a favor de Hopper e George VI.

O WGA foi propositalmente excluído da lista de sindicatos importantes pois suas regras (excêntricas e estúpidas) para indicação dos roteiros são tão confusas que terminam por excluir vários nomes importantes da briga.

---
E isso tudo é absurdo?

Em partes. O que aconteceu em 2011 foi um aparente retorno de antigos valores. Inicialmente, vamos falar de campanhas. Os irmãos Weinstein são conhecidos por jogarem sujo, pegarem pesado e batalharem pelo seu prêmio a qualquer custo. Entretanto, desde 2003 - quando dois de seus filmes fizeram a limpa nas premiações (Chicago e As Horas) eles vieram amargurando derrota atrás de derrota, crise financeira atrás de crise financeira; a nossa tão querida Miramax foi vendida para e destruída pela DisneyCompany, e a Weinstein Co. não emplacou nenhum grande sucesso. Conseguiu algumas indicações e prêmios - principalmente com O Leitor - mas amargurou sua maior derrota ano passado, com a destruição de sua grande aposta do ano (Nine) e o meio-sucesso de Bastardos Inglórios (o melhor daquela disputa, por sinal). Este ano é como se fosse um grande retorno, não são poucos que estão comparando o percurso de O Destino do Rei com Chicago e, principalmente, Shakespeare Apaixonado. Surge aí a esperança de David Fincher ainda vencer melhor diretor. Entretanto, A Rede Social não é nenhum coitadinho, pois a sua campanha publicitária para os prêmios está sendo a mais cara do ano. Ao que parece, apesar do dinheiro ser menor, Harvey Weinstein ainda tem o know-how e o network necessário. Sem falar que não são poucos os profissionais que devem gratidão ao cara.

Então onde surge a surpresa com os resultados de 2011? Na cisão com a crítica. E isso é bem recente. Aconteceu a partir de Onde Os Fracos Não Têm Vez que os filmes com mais cara de oscarizáveis (Sangue Negro, Desejo e Reparação, O Curioso Caso de Benjamin Button e Avatar) decaíram em prol de filmes não tão óbvios, que foram aclamados pela crítica (o citado filme dos Coen, Quem Quer Ser Um Milionário? e Guerra ao Terror). Pode parecer piada, mas três anos seguidos de comunhão indústria-crítica foi tão exótico, que parecia o rumo definitivo da Academia. Agora percebe-se que, pelo contrário, eram apenas filmes certos em momentos certos; e eu digo mais: excluiria Guerra ao Terror tranquilamente desta lista. É o filme de baixo orçamento e de bilheteria pífia sim, entretanto, a Academia é alucinada por filmes de guerra, e a guerra no Iraque estava precisando de seu próprio Platoon. 

Chegamos, então, ao terceiro choque - o tradicional contra o inovador. Os Coen, Boyle e Bigelow não eram tão óbvios e além de seu apoio da crítica, traziam consigo certos ares de inovação para o tão convencional esquema da Academia. Este caráter de inovação não pode ser extremo, há regras. Comédias, dramas intimistas, filmes com cérebro em excesso não podem entrar na lista. Quem encontrava este meio termo de novidade-pero-no-mucho em 2011 era mesmo A Rede Social (visto que Cisne Negro já é excessivo). Por isso acreditava-se mais ainda no filme do Fincher. E então a Academia se rende ao velho estilo. Ah, como eles adoram reconstrução de época, história de superação, trilha sonora que tem seu volume indiscretamente aumentado no momento em que o público deve chorar, certo discurso maniqueísta de vitória e bons constumes que te enchem o peito de orgulho por aquele personagem e o te faz esquecer dele daí 5 minutos. Isso sim é Hollywood em seu melhor estilo. 2008, 2009 e 2010 é que foram exceções.

O que eu acho disso tudo? Veja bem, meus últimos dois favoritos pessoais a vencerem melhor filme foram Chicago e Milionário (isso porque todo ano eu tenho dois favoritos e me satisfaço com ele, no caso, eles partilhavam o posto com As Horas e O Leitor; ano passado, para quem não se lembra, eram Bastardos Inglórios e Amor sem Escalas; e este ano, Cisne Negro e Bravura Indômita), então pouco me importa esta briga entre Fincher e Hopper. O que eu posso dizer é que apesar das inovações, 2008, 2009 e 2010 também foram os anos mais chatos das últimas décadas, pois surpresas eram impossíveis. Não deixa de ser um tanto hilário - pelo fator 'wow', ver a trupe do criador do Facebook chupar os inglesses do período entreguerras. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Corrida ao Oscar 2011: Melhor Filme



E então, com um dia de atraso, chegamos às análises finais dos indicados ao Oscar 2011. E claro, na categoria mais importante. Vamos fazer a crítica de cada um dos indicados conforme eles estrearem nos cinemas (e, nesta semana, já temos O Inverno da Alma), mas ainda assim eu, na minha parte dos comentários, escreverei um parágrafo do que acho de cada um - o que resultará em algumas grandes diferenças com minha companheira de blog, a Vivi (especialmente no que diz respeito ao líder de indicações do ano...)

Melhor Filme

Vivi:
Já era previsivel que os 10 indicados fossem estes, embora eu acreditasse que o ótimo "Atração Perigosa" pudesse triunfar acima do tristíssimo "Inverno da Alma", e, embora eu não goste de "Minhas mães e meu pai" devo admitir que este ano foi do mais altissimo nível... qualquer um dos 10 poderia vencer um Oscar de melhor filme dignamente, embora pessoalmente minhas torcidas sejam para o magnifico "Cisne Negro" (que mostra que não foi tão abraçado assim pela academia, com apenas 5 indicações) e o emocionante "O discurso do rei", líder em indicações, o longa surpreendeu por um lado, ao ser indicado até em categorias como "mixagem de som" mas mostra que a academia pode sim votar com o coração. Do outro lado da disputa está "A rede social" bom filme (mas pra mim não tão bom assim) um filme que, tem muitas diferenças e semelhanças com "O discurso do rei", ambos são filmes sobre gerações, ambos falam de criações que mudaram o mundo (enquanto a rede social fala da explosão da internet, o discurso do rei mostra exatamente a febre do rádio), ambos são sobre homens, de certa forma introspectivos, e que, através de suas diferentes jornadas, triunfam no final...só que, enquanto O rei George VI, ou apenas Bertie, é um herói, muito diferente da maioria dos monarcas ingleses por ser sensível e humilde, Mark Zuckerberg é um vilão, um antipático, que usa os outros como sua escada e quer muito, mas muito poder. O mais engraçado destes dois personagens, é que eles poderiam estar no lugar um do outro- enquanto Mark tem caracteristicas de um monarca absolutista, Bertie tem caracteristicas de um jovem sonhador. De um lado, George é coração, superação, de outro, Mark é calculo, mente, ácido e prepotencia. É dificil dizer quem vai ganhar esta batalha, mas ambos, no final das contas são merecedores por seus reais triunfos. Também poderia ter sido indicado "O escritor fantasma", provavelmente o melhor suspense dos ultimos 20 anos dirigido com ferocidade por um magnifico Roman Polanski.

Quem vence: Em uma das melhores batalhas da história do Oscar, hoje "O discurso do rei" está à frente...mas, nunca se sabe.
Quem merece: Realmente? Cisne Negro. Mas o longa é visceral e obscuro demais para a academia.

Tiago:
Assim como rejeitei ferozmente a idéia no ano passado, eu sigo com a mesma opinião: 10 indicados banalizam a disputa. Primeiro, foca-se toda a atenção à categoria de melhor direção, que passa ter seus indicados como os 'que realmente importam', segundo porque não há necessidade. Eu prefiro a Academia assumindo de vez que não tem colhões pra indicar um blockbuster a melhor filme (ainda que ele se trate de A Origem) do que ficar nessas situações em cima do muro. Entretanto, se no ano passado fomos obrigamos a amargar indicações indigestas como Um Sonho Possível e Up! Altas Aventuras, este ano os indicados - todos os 10 - foram de muito bom gosto. De fato, a lista final dos indicados já era bastante previsível, e meu único temor era que o sonífero Atração Perigosa abocanhasse uma das vagas - o que felizmente não aconteceu, ficando no seu lugar quem realmente merecia: O Inverno da Alma. O resto seguiu o adequado, contemplando-se a cota da animação, a cota da comédia cool, a cota do blockbuster inteligente, e por aí vai. Entretanto, nesta política de cotas, a academia está perdendo sua essência.

Quem vence: Até semana passada estariam todos escrevendo 'A Rede Social' aqui. E aí que O Discurso do Rei venceu o PGA e - sabe-se lá como - o DGA, tornando-se assim o filme a ser batido. Ainda que seja por dois filmes que pouco me convenceram, assumo que  disputa está até emocionante.
Quem merece: Cisne Negro. Mas o que falar disso? Vamos, Aronofsky, não se misture com esta gentalha.

E um breve parágrafo meu sobre cada um dos indicados:

O Discurso do Rei
Engana-se quem acha que 12 indicações seja um sinal de pelo menos um deslumbre visual, como foi o caso de Benjamin Button, Chicago, Gladiador e Shakespeare Apaixonado. O filme é simples, visual simples, trama simples, alguns diálogos interessantes, e parece feito pela BBC. Claro que é um filme interessante - para ser mais um dos indicados. Nunca para 12 indicações e ser o frunt-runner da temporada. Mas os Weinstein precisam provar que estão na ativa - após colecionarem derrota atrás de derrota desde Chicago, culminando no absurdo que foi o massacre em cima de Nine ano passado. A vitória deste filme está me cheirando muito Shakespeare Apaixonado derrotando Soldado Ryan e Além da Linha Inimiga, com a diferença que a comédia de 98 era mais agradável.

A Rede Social
Não é o retrato de uma geração, não é o novo Cidadão Kane, não é o melhor do Fincher, não é o melhor do ano, não é porra nenhuma do que estão falando por aí. Eu chiava bastante com seu favoritismo, só não esperava que ele seria desbancado por outro filme que também não é o que falam. Pelo menos A Rede Social é um filme mais moderno, dinâmico e instigante - e um tanto mais inteligente. Se a disputa é realmente esta, fico com ele. Mas a antipatia de David Fincher está colhendo seus frutos, assim como a arrogância do filme.

Bravura Indômita
Um dos melhores filmes dos Coen até agora, e um dos melhores nesta disputa de melhor filme. Este sim mereceu as 10 indicações que recebeu, conta com atuações excelentes, e não fosse Cisne Negro, teria toda a minha torcida pela vitória. É muito estranho falar isso de um filme dos Coen, mas a sensação final é que Bravura retomou um pouco a tentativa que os filmes dos anos 50 e 60 tinham, que era de abarcar o drama, a comédia, a ação em uma única aura, e fazer um filme com todas as vertentes. E aqui até deu certo.

Cisne Negro
Meu grande favorito do ano, um Aronofsky por excelência. E desde quando isso implica em um filme acadêmico? Nessa tentativa da AMPAS parecer inteligente, acertaram em cheio ao indicá-lo a diretor, mas deixá-lo fora de roteiro, mixagem de som, atriz coadjuvante, dentre outras coisas é um sinal de que não estavam tão preparados assim. Espero que Portman não amargure uma derrota.

O Vencedor
Engana-se quem acha que é um filme de luta tradicional, ou mais uma daquelas ladainhas de superação. É um drama familiar por excelência, tendo o boxe como pano de fundo - e isso me conquistou. Mas é bem tradicionalzão, e além de seu elenco, pouca coisa chama atenção. Teve indicações em excesso.

A Origem
Junto com Cisne Negro e Bravura Indômita, o filme do Nolan termina a minha trinca de irretocáveis do ano. Seu lançamento cedo, fora da temporada de disputa, o fato de ser um blockbuster, o fato de ter um roteiro extremamente diferente e que dividiu um tanto as opiniões afastou o filme da briga. Paciência, ele continua sendo um dos melhores do ano.

127 Horas
Outro dos meus pimpolhos queridinhos, que por mim teria uma vaga em direção. Filme diferente, um roteiro extremamente bem elaborado, enfim, provando que Danny Boyle é um diretor para nunca se perder de vista.

Minhas Mães e Meu Pai
Já fiz crítica deste filme no ano passado, mas resumindo um pouco nesta corrida, é a comédia cool independente do ano. Muito atrás de obras como Pequena Miss Sunshine, Encontros e Desencontros e Amor sem Escalas (que sim, considero neste gênero), mas pelo menos muito melhor que Juno, com um elenco excelente e um roteiro interessantesinho. Caso alguém tenha se interessado pelo tema, recomendo o sueco Patrick Idade 1,5 - muito mais interessante.

Toy Story 3
Estou torcendo para que a cota de animação do ano não vá sempre para a Pixar de maneira automática. Mas este ano eles mereceram. O fim da trilogia dos brinquedos é o seu melhor momento, extremamente tocante e bem sacado. Mas não tenham dúvidas, eu sempre terei pra mim que A Bela e a Fera foi a única animação indicada a melhor filme, e isso só irá mudar se algum dia algum outro desenho for indicado entre os 5 finalistas.

O Inverno da Alma
Todo mundo tem um primo de esquerda que se preocupa um mínimo com questões sociais (no caso da minha família, eu). Este daqui é o primo socialista dos indicados rs. Um olhar seco e frio no que há de pior na sociedade norteamericana, em uma trama pesada de uma adolescente que precisa sustentar sua casa. Farei uma crítica do filme ainda esta semana, mas é bom ver a Academia cedendo espaço para este tipo de filme - baixo orçamento, alternativo, inteligente, e que enfia o dedo na ferida. Ele só não é um dos meus queridinhos do ano porque, apesar de sua boa vontade, tem seus defeitos. 

--
Não percam esta semana críticas de O Inverno da Alma, Deixe-me Entrar, O Amor e Outras Drogas e Um Lugar Qualquer.



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Corrida ao Oscar 2011: Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante


UPDATE 22:49 - Annette Bening é a atual presidente do departamento de atores da Academia. Já estou confeccionando minha plaquinha de 'É marmelada!'

Vale ressaltar que este post está sendo publicado dois dias antes do SAG's, que podem definir ou pelo menos refletir os rumos definitivos das categorias. Minhas apostas, por aqui, são as mesmas que para o SAG's.

Seguindo meus extensos elogios à temporada 2010/2011, vemos 20 selecionados para essas 4 categorias nos brindando com atuações de alto nível e algumas delas memoráveis, enterrando de vez a má experiência da temporada passada. Vamos aos comentários!

Ator (Jeff Bridges - Bravura Indômita, Colin Firth - O Discurso do Rei, James Franco - 127 Horas, Jesse Eisenberg - A Rede Social, Javier Bardem - Biutiful)

Tiago:
E que lista! A última vaga era um suspense, Ryan Gosling de Blue Valentine chegou a esboçar uma indicação, alguns esperavam que todo o elenco elogiadíssimo de O Vencedor fosse indicado, adicionando Mark Whalbergh na categoria e Robert Duvall pelo nem tão comentado Get Low também chegou perto. E então o sempre excelente Bardem surpreende com uma indicação sem muitos precedentes, exceto a destacável vitória de melhor ator em Cannes, e reza a lenda que Julia Roberts não poupou esforços para ajudar o amigo. Colin Firth surge como franco favorito pelo seu George VI, o rei gago - em uma excelente interpretação que, não bastasse, está colhendo os frutos pela derrota que o ator teve o ano passado com sua delicada interpretação em O Direito de Amar, de fato, o melhor ator do Oscar do ano passado. Jesse Eisenberg surge delicioso com seu Mark Zuckerberg autista e arrogante, James Franco carrega nas costas toda a dramática de 127 Horas sozinho, e nos deixa grudado em sua trama e, por fim, Jeff Bridges divide toda a aura de Bravura Indômita com Hailee Steinfeld. Alguns reclamam de Bridges, o acham canastrão neste filme. Bobeira, seu personagem é rico, multifacetado, e o ator nos comove e nos faz gargalhar em questão de minutos - o considero a melhor interpretação do ano. Vale lembrar que ele foi o vencedor do ano passado, por Coração Louco, o que destrói todas as suas chances.

Quem vence: Colin Firth, pelos motivos citados acima e por estar em um dos filmes queridinhos da temporada.
Quem merece: Alguém duvida que qualquer um que vencer terá feito por merecer? Já que Bridges já venceu ano passado, eu realmente tendo a dar meu voto para Jesse Eisenberg, também pelos motivos citados acima. Mas a Academia jamais premiaria um jovem.

Vivi:
A única surpresa aqui foi Javier Bardem por Biutiful, já que, além dele falar em espanhol no filme, ele quase não foi citado nas premiações (e olha o poder do Bafta aí)...E isso me faz lembrar que eu tenho que ficar amiga da Julia Roberts logo, já que foi a moça quem deu um empurrãozinho pra indicação do amigo, ao celebrar um jantar com produtores em homenagem à ele, passando o filme pra galera ver... Poderiam estar aqui Robert Duvall, pelo bacana "Get Low" e Ryan Gosling, interpretando um homem sofrendo por amor em "Namorados para sempre" (não se assustem pelo titulo brega, o filme é muito mais que uma sessão emotion da TNT). E se o oscar fosse justo ele iria prestar atenção em MAIS filmes estrangeiros e indicar Eric Elmosnino por "Gainsbourg- Vida heroica" ou Andy Serkis, assustador no excelente "Sexo; drogas & rock'n'roll".

Quem vence: Colin Firth por O discurso do rei. Muita gente diz que Colin estava melhor ano passado, que é quando deveria ter vencido e etc. O fato é que talvez seja porque o personagem de Colin, à primeiro plano, seria fácil de interpretar. O que na verdade é ao contrário. George VI é tão complexo quanto a Nina Sawyers de Cisne Negro. Seu personagem é traumatizado, sensivel, carente, rejeitado, gago e esquisitão. E sim, ele interpreta um futuro REI da Inglaterra, o cara que colocou aquela joça pra funcionar e mandou o Hitler catar minhocas na segunda guerra!!!!! Por isso, nunca subestimem um rei, por mais introspectivo que ele seja... 
Quem merece: Firth, pela atuação de sua vida, e por conquistar cada pedacinho do seu coração ao longo dos 110 minutos de "O discurso do rei". Por mais que você não goste do filme, é impossivel não gostar do protagonista.



Atriz (Nicole Kidman - Reencontrando a Felicidade, Michelle Williams - Blue Valentine, Jennifer Lawrance - O Inverno da Alma, Annette Bening - Minhas Mães e Meu Pai, Natalie Portman - Cisne Negro)

Tiago:
Quem acompanhou a corrida deste ano sabe que esta foi a primeira categoria importante a ser definida, meses atrás. A última vaga aberta era dada, de início, para Williams em Blue Valentine. Desde então ela já dividiu atenção com Julianne Moore, pelo mesmo filme que indicou Bening, Hillary Swank em Conviction, Halle Berry e Leslie Manville. Até Sally Hawkins foi cogitada tempos atrás. Eis que, no final da corrida, chegou ela mesma. Moore está em uma 'situação Kate Winslet' já, ou seja, não vale mais a pena indicá-la se não for para premiá-la, e isso a afastou de indicação tanto este ano quanto ano passado, como coadjuvante por O Direito de Amar. Chegou-se a cogitar, por fim, que Hailee Steinfeld seria indicada na categoria correta - uma vez que ela é líder absoluta em Bravura Indômita e foi promovida como coadjuvante, algo que a Academia consertou uns dois anos atrás quando indicou Winslet como protagonista por O Leitor, a despeito da promoção enquanto coadjuvante. A novata Lawrance está arrasado no deprimente O Inverno da Alma, em um papel pesado mas muito grato, pois levado a sério, o que ajudou a chamar bastante atenção para a atriz. Kidman volta a uma atuação de destaque, e sua indicação foi meio automatizada, como um 'bem vinda de volta', mas ela está bem. A briga está mesmo entre as duas finais. Bening surge na comédia cool do ano, em um papel nada sutil que a atriz empresta certa graça e maturidade. Sua personagem Nic tinha o risco de ser por demais estereotipada como a lésbica masculinizada, chefe de família, mas a sensibilidade de Bening faz com que o estereótipo seja desfacelado e outras facetas como a traição, a tentativa de agradar sua mulher e não se entregar apenas ao trabalho e a angústia ao ver sua família indo pelos ares foi muito bem trabalhado. Ah se fosse em outro ano... Mas não tem como! Nina Sawyers é a personagem do ano, defendida com bravura e perfeição por Natalie Portman, em uma atuação que precisará de toda uma crítica ao filme para ser descrita - o que será feito perto da estréia do mesmo. Mas o seu confuso papel de bailarina em busca da perfeição, cada vez mais mergulhada no imaginário violento e sexual que lhe é necessário é arrebatador.

Quem vence: A briga está muito dividida, e essa pode ser a categoria mais surpreendente da noite. Natalie Portman é tida como favorita absoluta e irrevogável, pois sua atuação venceu quase todos os prêmios de destaque até agora. Entretanto, eu digo tranqüilamente que sua briga com Bening está 50% a 50%. Bening foi indicada há mais de uma década por Beleza Americana e perdeu para uma atriz jovem (na verdade, desconhecida), com um papel dramático carregado - Hillary Swank, em Meninos Não Choram. E então, indicada de novo anos mais tarde, perdeu para uma atriz jovem em um papel dramático carregado. A mesma Hillary Swank, dessa vez em Menina de Ouro. Dar-lhe uma terceira derrota para uma atriz jovem em papel dramático carregado é quase anunciar uma guerra ou assinar o atestado de ódio à atriz. E a Academia adora prêmios de consolação...
Quem merece: Natalie Portman, Cisne Negro.

Vivi:
Aqui tinha-se uma ideia de quatro das indicadas (Portman, Benning, Lawrence e Kidman) tendo uma vaga em aberto. Eu apostei até o ultimo segundo que eles colocariam a mão na consciencia e indicariam Hailee Stenfield na categoria o qual ela realmente merecia uma indicação, o que não aconteceu. Sobrou então para Michelle Williams ser indicada, pelo seu incrivel trabalho em "Namorados para sempre". Este ano foi ótimo em atuações, mas duas atrizes em produções estrangeiras também poderiam figurar na categoria: Tilda Swinton, pelo fantastico "I am love" e Noomi Rapace por "Os homens que não amavam as mulheres". Tilda provavelmente não foi indicada porque além dela já ter um Oscar (o que relaxa a academia de ter a obrigação de indicá-la), "I am love" infelizmente não foi o escolhido da Itália para representá-la na categoria de melhor filme estrangeiro (conselho para Itália- parem de se influenciar pelas novelas brasileiras da globo e voltem à focar suas produções em projetos como este, que retomam o verdadeiro cinema italiano). Já Noomi, pelo simples fato da trilogia Milennium estar sendo refilmada, e sua indicação acarretaria uma pressão enorme em Rooney Mara, o que não seria muito legal pra menina. Julianne Moore também poderia estar aqui, mas foi prejudicada pelo buzz da parceira em cena Benning.

Quem vence: Por mais que "Cisne Negro" não tenha sido tão bem quisto assim pela academia, não consigo imaginar outra pessoa vencendo este oscar de atriz do que Natalie. A atriz, além de ser ótima em qualquer projeto, está suprema no papel de Nina, a doce bailarina que perde o controle ao conseguir protagonizar o balé "O lago dos cisnes". E por mais que Annete Benning seja sim uma das minhas atrizes favoritas, quero ve-la ganhando quando merece, e não quando ela divide de igual pra igual um papel com Julianne Moore quando esta foi totalmente esnobada em "Minhas mães e meu pai". A batalha é entre as duas mas ainda tenho grandes certezas da vitória de Portman. 
Quem merece: Portman, a alma e poder do conto de fadas gótico "Cisne negro".

Ator Coadjuvante (Christian Bale - O Vencedor, Geoffrey Rush - O Discurso do Rei, John Hawkes - O Inverno da Alma, Jeremy Renner - Atração Perigosa, Mark Ruffalo - Minhas Mães e Meu Pai)

Tiago:
Esta categoria está um tanto interessante. Jeremy Renner não merece nem precisa estar aqui, mas chegou. Mark Ruffalo é sempre ignorado pela crítica, apesar de bons desempenhos (e destaco tranquilamente Ensaio Sobre a Cegueira), e muito se falou sobre as mulheres de Minhas Mães, mas acontece que o 'Meu Pai' em questão também tem uma atuação muito boa, e quem sabe a indicação não dê um up na carreira do ator. John Hawkes também foi lembrando, o que me deixou extremamente feliz, porque seu papel não tem tanto destaque assim. Alguns juram de pés juntos que Geoffrey Rush tem a melhor atuação da categoria e eu realmente ainda não achei onde, mas foi uma boa indicação. Por fim Bale, também com excelentes trabalhos nas costas e sempre ignorado pela Academia (alguém aí falou Sobrevivente ou O Operário?). Alguns lamentaram a ausência de Andrew Garfield nesta categoria. É uma boa atuação, mas de fato sua presença some quando está por perto de Eisenberg - e eu realmente acho que não superei minha raiva pelo ator desde Não Me Abandone Jamais, então não lamentei muito a esnobada. Honestamente falando, eu vibraria mais com uma indicação a Vicent Cassell por Cisne Negro, o que nunca foi cogitado.

Quem vence: Christian Bale. É um tour-de-force, uma atuação bem expressiva e destacável. A única chance dele perder este prêmio se deve ao fato do ator ser tido como um babaca que ninguém gosta - o que é um tanto pesado e conta muito contra. Entretanto, não vejo outra atuação fazendo frente ao ator, e qualquer outra vitória seria uma grande surpresa.
Quem merece: Christian Bale. 

Vivi:
Já se sabia aqui que eram mais atores disputando do que vagas disponiveis, então de qualquer jeito, ia sobrar a batata quente de ficar de fora para algum deles. O que não se imaginava porém, é que quem ficaria de fora seria um dos queridinhos do ano - Andrew Garfield, que é único personagem mais humanizado de "A rede social". Em seu lugar, um desconhecido John Hawkes, interpretando o tio da protagonista de "Inverno da Alma" tão bom quanto a jovem. Poderiam ser indicados Andrew Garfield, já que ele está excelente em "A rede social", bem como Armie Hammer, também de "A rede social". Matt Damon também poderia ser lembrado por "Bravura Indomita" bem como Vincent Cassel por "Cisne Negro". Mark Ruffalo, por "Minhas mães e meu pai", não vence de jeito nenhum, pois sua indicação já foi um presente e tanto para o ator canastrão. Se o Oscar fosse justo ele iria indicar e premiar Flavio Parenti, que interpreta Edoardo Recchi, o filho de Tilda Swinton em "I am love". Sua atuação é uma das melhores dos ultimos anos.

Quem vence: Christian Bale tem levado todos os premios por "O vencedor", mas talvez o fato dele ser antipático o prejudicará na corrida final. Do outro lado da linha tem-se então Geofrey Rush, o poderoso ator australiano que já tem um Oscar (e também um Emmy e um Tony, só faltando um Grammy pra ele se tornar um daqueles artistas mais poderosos do circuito), mas que está impactante em "O discurso do rei". 
Quem merece: Geoffrey Rush, absurdo em "O discurso do rei".

Atriz Coadjuvante (Amy Adams - O Vencedor, Melissa Leo - O Vencedor, Hailee Steinfeld - Bravura Indômita, Jacki Weaver - Animal Kingdom, Helena Bonham Carter - O Discurso do Rei)

Tiago:
Ah, como é gostoso ver que Helena Bonham Carter descobriu que há vida própria além Tim Burton. Mas, curiosamente, eu prefiro sua atuação em Alice, onde eu simplesmente não conseguia parar de dar risada. Amy Adams é uma gracinha né, e de gracinha em gracinha vai sendo indicada assim, sem mais. E quando ela vai deixar de ser coadjuvante? E quando ela vai deixar a carinha de sofredora dela? Dizem que Jacki Weaver tem a grande atuação da categoria, mas honestamente, quase ninguém viu, inclusive os votantes. Sobram Melissa Leo, que até sua indicação por Rio Congelado dois anos atrás ninguém conhecia, que está muito bem em O Vencedor e que é a front-runner até agora. E então temos Hailee Steinfeld, com sua pouquíssima idade, segurando com louvor as pontas em Bravura Indômita. O que conta a favor é que a Academia adora papéis coadjuvantes que tenham grande destaque em seu respectivo filme - mas o que pesa contra é a obviedade é que ela é lead e não deveria estar indicada aqui. Por outro lado, seria a chance de dar um prêmio de destaque para Bravura Indômita, o segundo filme mais indicado da noite. Por outro lado, a Academia não gosta muito de premiar crianças. Por outro lado, seria uma boa criança a se dar o prêmio (uma vez que recusaram a premiar a brilhante Saoirse Ronan por Desejo e Reparação). E olha que a garota roubou a indicação de Mila Kunis, que eu tanto queria. E ainda assim continuo torcendo por ela.

Quem vence: Melissa Leo, O Vencedor. Por outro lado, Hailee Steinfeld, Bravura Indômita...
Quem merece: Hailee Steinfeld. E olha que não gosto dessas indicações em categoria errada.

Vivi:
Bem como na categoria de atores coadjuvantes, a categoria de atriz coadjuvante tinha muita candidata pra pouca vaga, mas neste caso realmente eram pelo menos 10 atrizes para cinco vagas!!!! De todas as indicadas porém, estranhou-se a ausencia de Mila Kunis em "Cisne Negro"....embora em seu lugar, uma incrivel Jacki Weaver tenha aparecido, justamente, em seu lugar por "Reino Animal". A protagonista de "Bravura Indomita" a jovem e talentosa Hailee Stenfield foi submetida à coadjuvante, o que tornam as coisas ainda mais interessantes... Mereciam ser indicadas, caso houvesse espaço, a dupla de Cisne Negro- Barbara Hershey e Mila Kunis, a dupla de "O garotos de Liverpool"- Anne Marie Duff e Kristin Scott Thomas (mais uma vez subestimada pela academia) e Olivia Williams, por "O escritor fantasma".

Quem vence: Melissa Leo tem vencido todos os premios, mas é a presença de Hailee Stenfield, que faz tudo estremecer. Hailee está soberba em "Bravura Indomita" e mostra muito de seu talento aqui. Acredito que uma das duas vença o premio final. 
Quem merece? Stenfield, que move de modo incrivel tudo à sua volta em "Bravura Indomita".

--

E amanhã encerramos nossas análises com a tão esperada categoria Melhor Filme.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Corrida ao Oscar 2011: Roteiro Original, Roteiro Adaptado e Direção


Chegamos às categorias mais importante. Antes de comentar uma a uma, gostaria de ressaltar que estas três categorias (que, de alguma forma, resultam nos 10 indicados a Melhor Filme) demonstram como a temporada 2010/2011 foi feita por uma variedade de filmes divididos entre ótimos e excelentes, nunca caindo no 'morno' ou insosso ou ruim. Apesar das polêmicas, esta é uma das melhores temporadas que já tivemos nos últimos 10 anos.

Roteiro Original (A Origem, O Discurso do Rei, Minhas Mães e Meu Pai, Another Year, O Vencedor)

Tiago:
Há um erro de extremo mal gosto nesta categoria. A quinta vaga era uma disputa entre o tradicional O Vencedor, o queridinho Mike Leigh com seu Another Year e, em uma aposta longínqua, uma surpresa com Blue Valentine. O que não era tido como possibilidade era a ausência de Cisne Negro nesta categoria. Deu no que deu. O roteiro do filme de Aronofsky é simplesmente brilhante, merecendo o prêmio máximo - e olha que enlouqueço pelo roteiro de A Origem. Mas o estilo do filme - que comentarei melhor quando for comentar os dez indicados a melhor filme - acabou distanciando ele desta indicação. Não duvidem: é daqueles filmes (e roteiros) bons e inteligentes demais para boa parte dos votantes - e só isso justifica a sua ausência. Tirando isso, temos um mindfucker que se transformou em blockbuster como o melhor roteiro dentre os indicados; o queridinho do ano; o roteiro alternativo cool (que, ao contrário de Encontros e Desencontros e Pequena Miss Sunshine, em anos anteriores, é um tanto fraco); e outro bem tradicional sem grande necessidade de indicação O Vencedor.

Quem vence: O Discurso do Rei. É o filme queridinho do ano, ao lado de A Rede Social, e os dois polarizam os prêmios. Entretanto, enquanto o roteiro de Sorkin merece o prêmio de melhor adaptado, o roteiro de Discurso é bom, com alguns diálogos inteligentes, mas nada que o destaque perante os outros concorrentes.
Quem merece: Cisne Negro Dos indicados, A Origem. Mas todos entendemos que a Academia detesta o Nolan, certo?

Vivi:
Em uma das categorias mais disputadas pelos grandes, quem acabou conseguindo mais uma indicação, sua sétima, foi Mike Leigh pelo quase não falado "Another Year". Sobrou então para "Cisne Negro" ficar de fora, o que foi uma grande injustiça, uma vez que a reinvenção da história clássica foi mais que genial. Pelo menos aqui Christopher Nolan tenha sido indicado. Quem não vence de jeito nenhum: "Minhas mães e meu pai" cuja indicação já foi muito mais do que realmente merecido.

Quem vence: Com a ausencia de "Cisne Negro", quem acabou se dando bem foi David Seidler, com o roteiro com melhores diálogos do ano de "O discurso do rei".
Quem merece: Fico entre "A origem" e "O discurso do rei". O trabalho de Nolan é intenso, mas os diálogos de "O discurso" são os melhores do ano.

Roteiro Adaptado (A Rede Social, Toy Story 3, Bravura Indômita, O Inverno da Alma e 127 Horas)

Tiago:
A maior prova de que este ano está espetacular é ver que os indicados que têm apenas a função de 'completar a lista' sejam da qualidade de Toy Story 3 e O Inverno da Alma. 127 Horas é um excelente roteiro com a dificuldade de sustentar um longa-metragem em um único personagem e seus devaneios. Sem diálogos, sem grandes mudanças de situação, sem uma trama. É um homem, em uma fenda, preso, arrependido. E quase não respiramos durante todo o seu desenrolar. Bravura Indômita é o trabalho mais 'certinho' dos Coens até agora que, entretanto, ainda mantém a assinatura estética e narrativa dos irmãos. Mas não há quem negue que o roteiro de Sorkin para A Rede Social não é menos que genial: ágil, inteligente, bem estruturado, jocoso, cínico e bem direto em alguns momentos.

Quem vence: A Rede Social. Não há chances de acontecer nenhuma surpresa.
Quem merece: A Rede Social. Em outro ano, com outros concorrentes, 127 Horas provavelmente teria minha torcida. 

Vivi:
Aqui era onde eu acreditava em uma indicação para Roman Polanski, por "O Escritor Fantasma", o que infelizmente acabou não acontecendo. Em seu lugar, o roteiro trágico de "Inverno da Alma", mostrando que os indies também tem o seu valor - entretanto, sem nenhuma chance de vitória. Outro que merecia uma atenção maior era "Atração Perigosa"

Quem ganha: "A rede social". Este é provavelmente o Oscar mais barbada de todas as categorias, e se não vencer será muito estranho. Mas, não é impossivel já que ano passado "Amor sem escalas" ganhou todos os premios possiveis e impossiveis mas na hora H, perdeu o Oscar para "Preciosa".
Quem merece: O roteiro impactante de Danny Boyle e Simon Beaufoy para 127 horas.

Direção (Darren Aronofsky - Cisne Negro, Tom Hopper - O Discurso do Rei, David Fincher - A Rede Social, Ethan Coen e Joel Coen - Bravura Indômita, Christopher Nolan - A Origem David O. Russell - O Vencedor)

Tiago:
Vamos colocar corretamente os pingos nos is. É verdade que os irmãos Coen foram os que apareceram 'de surpresa' na lista, uma vez que não apareceram nem nos Globos nem no sindicato dos diretores. Entretanto, até onde entendi, o filme não tinha sido exibido para os votantes até então. É um dos melhores trabalhos dos irmãos até agora, e sua indicação foi mais que justa. Se há alguém roubando a vaga de Nolan por aqui é Russell. O Vencedor é outro filme que ninguém tinha muita fé até vê-lo crescendo absurdamente em premiações anteriores. É um filme interessante, com excelente elenco, mas mais do mesmo. Outro que eu também acho que a indicação não era essencial é Tom Hopper. Sem dúvidas O Discurso é um ótimo filme, entretanto, ele é 'bem feitinho' e carregará para sempre esse 'inho' na sua aura: é um filme sem nenhum grande destaque, nenhuma pulsação viva que nos marque a fundo. Pelo menos Cisne Negro, esnobado em roteiro, trouxe o reconhecimento merecido para Aronofsky. Além disso, digo tranqüilamente que Danny Boyle também poderia ter aparecido nesta lista. 

Quem vence: David Fincher, ainda que seu filme perca. É um bom diretor, com excelentes trabalhos (Seven, Clube da Luta), e não tão querido. Foi extremamente deselegante com seu ar de reprovação quando perdeu o Oscar pelo insuportável O Curioso Caso de Benjamin Button e, curiosamente, ninguém o tachou de arrogante ou mala. É o cara do momento.
Quem merece: Darren Aronofsky, Cisne Negro. Simples assim. O filme fala por si.

Vivi:
Fiquei realmente impressionada quando percebi que M´onique não havia declarado o nome de Christopher Nolan por "A origem". O filme, excelente em todos os sentidos, tem uma direção afiada e bem conduzida, por um homem que ama o que faz e se dedica ao máximo em seus projetos. Em contrapartida, a academia mostra seu amor aos irmãos Coen, em um filme no qual considero o melhor da carreira deles, e mostra a tendência de que este ano ela quer celebrar os velhos tempos, e nada melhor do que um filme de faroeste muito bem conduzido e sucedido para demonstrar essa vontade flashback. No mais, muito feliz por Aronofosky, que finalmente foi entendido pela academia, e por Tom Hooper, que dirige "O discurso do rei" com a elegancia de quem conduz uma orquestra. Danny Boyle por "127 horas" também merecia a indicação, bem como Roman Polanski com uma direção absurdamente perfeita em "O escritor fantasma".

Quem vence: Por enquanto tudo aponta para David Fincher, já que ele venceu a maioria dos premios da temporada, mas se a Academia decidir que o seu queridinho do ano é "O Discurso do Rei", Tom Hooper pode levar o careca dourado. 
Quem merece: Darren Aronofosky. Sua direção em "Cisne negro" é algo absurdamente perfeito, uma obra notória de muita qualidade e profundidade.

---
Amanhã: Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Corrida ao Oscar 2011: Canções, trilhas, animações, estrangeiros e documentários


Seguindo nossa análise categoria a categoria:

Canção Original ("I See the Light", Enrolados; "If I Rise", 127 Horas; "We Belong Together", Toy Story 3; "Coming Home", Country Strong)
A maldição do Globo de Ouro voltou a funcionar (na verdade, sabe-se lá como ela deu uma trégua no último ano), e a vencedora deste prêmio sequer foi indicada ao Oscar. O que foi muito injusto. A academia preferiu deixar a categoria com apenas 4 indicados - o que é possível nesta categoria graças às suas novas regras - do que completar a lista com a excelente You Haven't Seen the Last of Me. Preferiram não dar a chance de estampar o dvd de Burlesque com a famosa chamada "Indicado ao Oscar". Seja como for, esta é a pior categoria deste ano, insossa da raíz às pontas.

Quem vence: Qualquer uma. 127 corre o risco de sair de mãos abanando, e não deixa de ser um prêmio consolação; enquanto Enrolados foi preterido na categoria de animação, e pode ter aqui também um prêmio de consolação.
Quem merece: I See the Light, por total falta de opção.

Trilha Sonora (A Rede Social, 127 Horas, O Discurso do Rei, Como Treinar Seu Dragão, A Origem)

Tiago:
Logo de cara, é necessário dizer que duas das melhores trilhas do ano foram desclassificadas. A do genial Clint Mansell para Cisne Negro rodou por se basear bastante na obra de Tchaikovsky, enquanto Carter Burwell foi mais uma vez ignorado, pois sua trilha para Bravura Indômita se sustenta em diversos folks do século XIX. Apesar de um tanto diferente dos indicados ao Globo de Ouro, esta categoria não me pegou de surpresa e foi uma das que gabaritei. O máximo que poderia acontecer seria Alice superar Dragão, o que felizmente não sucedeu. Rahman surge com uma trilha eletrônica que lembra bastante a de Milionário, e isso me agradou bastante, mas isso o deixa longe do prêmio, enquanto a trilha no estilo vicking de Powell é extremamente bem executada. Muito já disse sobre a trilha de Zimmer para A Origem, simplesmente espetacular.

Quem vence: Mas a briga está, novamente, entre os dois queridinhos do ano. Por um lado, o sempre eficiente e talentoso Desplat com uma trilha muito comum e correta - na base do tradicional. Por outro, uma trilha também pouco expressiva, mas com ares mais modernos de A Rede Social. A minha aposta, mesmo, é a trilha de Reznor e Ross, mas a academia deve a Desplat.
Quem merece: Hans Zimmer, A Origem.

Vivi:
Imaginei exatamente estes indicados, embora sinta pela ausencia de "Não me abandone jamais", "O escritor fantasma" e "Tron o legado". Mereciam estar aqui Desplat por "O escritor fantasma", "Rachel Portman por "Não me abandone jamais" e "Herbet Gronemeyer", o ator de "o barco" que virou compositor e fez o score maravilhoso de "Um homem misterioso"; assim como, se o Oscar fosse justo, le nao teria desclassificado os dois melhores trabalhos do ano - Cisne Negro e Io Sono L'Amore. Assim pelo menos Clint Mansell finalmente teria sua indicação ao Oscar.

Quem vence: Aqui fica claro que a disputa ficará dentre o filme mais queridinho- por um lado Trent Reznor e Atticus Ross por um trabalho moderno que papou grande parte dos premios desde então, do outro Alexandre Desplat, quarta indicação em 5 anos, que teve não só um, mas 4 incriveis trabalhos este ano (e aqui incluo sim Tamara Drewe, que é provavelmente a jóia do ano a ser descoberta posteriormente), e que se estabelece como o principal compositor de Hollywood da atualidade e está indicado pela trilha etérea de "O discurso do rei". Mais uma vez o moderno e o clássico se enfrentam, e quem vencerá esta batalha? O representante do Nine Inch Nails ou o rei do Abbey Road (é assim que chamam Desplat na Inglaterra).
 Quem merece? Desplat. Sei que sou suspeita pra falar mas já cansou ele ser indicado todo ano e nunca levar nada. Mesmo que sem trabalho fique aquém do que ele fez em "O escritor fantasma".

Animações (Como Treinar Seu Dragão, Toy Story 3, O Mágico)
A única mudança nas regras da academia mais urgente que o retorno a 5 indicados a melhor filme é estabilizar a categoria de animação com 5 indicados. A variação entre 3 e 5 se deve de acordo com o número de filmes inscritos para concorrer a uma vaga - o que é uma pena, uma vez que quantidade e qualidade pouco tem em comum. É gostoso perceber que a academia não tem nenhuma dificuldade com filmes estrangeiros nesta categoria, como provam Chihiro, Belleville, Bashir e Persépolis. Lamento a ausência de Enrolados, não pelos concorrentes que a substituem, mas por esta regra boba.

Quem vence: Toy Story 3, ao contrário do bobo e superestimado Up! merece esta vitória, mas é triste perceber que ela ocorrerá de maneira automatizada pela hegemonia da Pixar. É muito difícil não votar na animação indicada a melhor filme. Enquanto essas regras não forem repensadas ou tal hegemonia não ser encarada com uma postura crítica, a Pixar sempre terá essa vitória fácil.
Quem merece: Excelentes indicados, qualquer um seria um prêmio justo.

Filme Estrangeiro (Biutiful - México; Dogtooth - Grécia; Em Um Mundo Melhor - Dinamarca; Incendies - Canadá; Fora da Lei - Algeria)

Tiago:
Não assisti a nenhum dos filmes indicados para ter uma posição mais concreta. O que eu posso falar é sobre alguns dados para além do filme. Por um lado, Iñárritu conquistou certo espaço perante a Academia - sendo indicado a melhor diretor e melhor filme pelo internacional Babel - mas nunca nenhum filme seu ganhou algum prêmio de destaque, nem mesmo Amores Brutos. Outro dado interessante é que raramente a Academia e a HFPA optam pelo mesmo filme e, por fim, vale ressaltar que o Oscar nos últimos anos vêm surpreendendo na categoria, escolhendo filmes que não eram esperado. Não deixa de ser uma disputa interessante.

Quem vence: Às cegas, ainda apostaria em Biutiful.
Quem merece: Não sei.

Vivi:
Até o final acreditei na indicação de Dogtooth e...não é que aconteceu? Muito feliz por este que é um dos melhores filmes do ano, entretanto, sem nenhuma chance de vitória porque é forte demais para a Academia, já foi um mérito indicá-lo. Uma pena a Itália não ter escolhido Io Sono L'Amore como seu representante, pois não só o filme seria indicado, como venceria a categoria.

Quem vence: "Em um mundo melhor" da Dinamarca ou "Biutiful" do Mexico, apenas simplesmente por serem dirigidos por dois cineastas importantes e conhecidos nos EUA.
Quem não vence de jeito nenhum: "Dogtooth"- porque é forte demais para a Academia, já foi um mérito indicá-lo.
Quem merece: Dogtooth, porque é o melhor filme com a temática da filosofia da história, e porque Platão deve estar muito feliz no túmulo por ver que seus conterraneos REALMENTE entenderam o mito da caverna.

Documentário (Lixo Extraordinário, Exit Through the Gift Shop, GasLand, Restrepo, Trabalho Interno)
Chegamos naquela categoria que ninguém entende nada, a não ser quando se há uma campanha publicitária fortíssima para se fazer de um documentário algo pop e histriônico (um beijo para Al Gore e Michael Moore). O comentário óbvio é a felicidade pela indicação do semi-brasileiro Lixo Extraordinário, sobre o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz. E o pior é que o documentário é o segundo que mais tem chances de ganhar, tendo que bater o grande favorito: Exit Through the Gift Shop. E sim, estranhei a não indicação de um dos favoritos do ano (Waiting for Superman).

Quem vence: Exit Through the Exit Shop.
Quem merece: Não sei.

--
Amanhã: Roteiro Adaptado, Roteiro Original e Direção.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Corrida ao Oscar 2011: As categorias técnicas



Bem, caros leitores do nosso Cinefilando. Provavelmente é chover no molhado enumerar os indicados ao Oscar 2011, pois todos nossos leitores provavelmente já se inteiraram do assunto. Optamos por fazer uma série de postagens com comentários detalhados sobre cada categoria, o que se sucedeu, o que ficou faltando, o que foi surpresa e por aí vai, a fim de cobrirmos decentemente esta que é uma das melhores temporadas em anos - independente dos erros da Academia. 

Num aspecto geral a Academia mandou muito bem em 2011 (exceto, claro, seus erros - que apesar de poucos, foram gravíssimos). A sensação final é que em cada categoria havia 4 filmes certos e uma vaga aberta, e num geral foi surpreendente o escolhido para esta última vaga. Mas é prazeroso ver que num ano de 10 indicados - algo que continua banalizando a coisa - 7 são de extrema qualidade e disputariam a tapa as 5 vagas tradicionais, e os 3 restantes são ótimos filmes.

Comecemos, então, pelas categorias técnicas! Delas a polêmica quase ficou longe.

Fotografia (A Origem, Bravura Indômita, Cisne Negro, O Discurso do Rei, A Rede Social)
Eram certos nesta categoria A Origem, Bravura Indômita e Cisne Negro. O Discurso do Rei muito provavelmente abocanharia a quarta vaga muito mais por ser um filme de época do que por merecimento. A quinta vaga eu apostava em 127 Horas, que seria merecedor. Não foi. Indicaram o queridinho do ano, em uma indicação injustificável.

Quem vai vencer: Bravura Indômita. O filme, apesar de ser o segundo mais indicado da noite, tem poucas chances de vitória, e é uma bela fotografia.
Quem merece: Cisne Negro, mas Bravura Indômita também é um bom vencedor.

Direção de Arte (Alice no País das Maravilhas, A Origem, O Discurso do Rei, Bravura Indômita, Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1)
Esta era uma categoria certeira, sem uma quinta vaga em aberto (exceto para aqueles que não acreditavam na primeira parte do desfecho das bruxarias). Todos os indicados eram esperados.

Quem vai vencer: O Discurso do Rei. Mas Alice no País das Maravilhas pode surpreender, assim como A Origem.
Quem merece: Excelente categoria, qualquer um seria um grande vencedor.

Figurinos (Alice no País das Maravilhas, Bravura Indômita, Io Sono l'Amore, O Discurso do Rei, A Tempestade)
A Academia optou por ignorar solenemente o musical Burlesque - gênero, aliás, que costuma ter sorte nesta categoria. Quem entrou em seu lugar, de maneira inesperada, foi o italiano Io Sono L'Amore. A Tempestade, apesar de massacrado pela crítica, manteve-se na categoria - não é novidade que os filmes de Julie Taymor (Frida, Across the Universe) têm um apelo visual admirável.

Quem vai vencer: Segue-se os favoritos da categoria anterior, mas de maneira invertida. Alice está a frente na briga, com O Discurso logo atrás. 
Quem merece: Alice no País das Maravilhas. Tenho uma queda enorme pela liberdade que o gênero fantasia dá à categoria, e a reconstrução de época de O Discurso do Rei não é tão chamativa assim.

Maquiagem (Minha Versão para o Amor, O Lobisomem, Caminhos da Liberdade)
Peter Weir é um diretor que merece um Oscar há tempos, e seu filme mais recente, apesar de muito bem elogiado, só recebeu esta indicação. O Lobisomem, um filme bem mediano, também foi lembrado - depois de meses. Por fim, o vencedor do Globo de Ouro de melhor ator em comédia ou musical também encontrou aqui sua única indicação. Resumo? Três filmes que no geral foram ignorados.

Quem vai ganhar: Caminhos da Liberdade, por ser o único nome de peso. 
Quem merece: Ao meu ver era Alice no País das Maravilhas, e não entendi a sua não indicação.

Efeitos Visuais (Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1, A Origem, Alice no País das Maravilhas, Além da Vida, Homem de Ferro 2)
Inicialmente, vale parabenizar a academia por finalmente fincar em 5 o número de indicados aqui. O que todos se perguntaram, obviamente, foi cadê Tron: O Legado - e essa pergunta permanece sem resposta. Quem surpreendentemente entrou em seu lugar foi o tsunami de Além da Vida, último da safra sentimental de Eastwood.

Quem vai vencer: A Origem, que provavelmente ficará com os reconhecimentos técnicos.
Quem merece: A Origem, que merecia muito mais.

Edição de Som (A Origem, Toy Story 3, Tron: O Legado, Incontrolável, Bravura Indômita)
A se reclamar desta categoria apenas o imediatismo de Toy Story 3 como a animação a ser reconhecida, uma vez que Como Treinar Seu Dragão merecia ainda mais esta indicação. O restante está bem indicado.

Quem vai vencer: Novamente, A Origem, pelo mesmo motivo anterior.
Quem merece: A Origem, Tron: O Legado e Incontrolável seriam bons vencedores.

Mixagem de Som (A Origem, Salt, Bravura Indômita, A Rede Social, O Discurso do Rei)
Das técnicas, esta categoria foi, provavelmente, a mais imbecilizada. Me digam o que Quem Quer Ser Um Milionário?, O Curioso Caso de Benjamin Button, Avatar e Guerra ao Terror nos ensinaram? Que os dois favoritos do ano serão indicados nesta categoria, recentemente transformada em 'enche lingüiça' de indicações. Entretanto, enquanto cada um dos quatro filmes citados anteriormente mereceram suas indicações  (sendo que Milionário e Avatar eram merecedores de vitória), nada - e eu repito NADA - justifica a indicação de A Rede Social e O Discurso do Rei aqui. E, para completar, eu ainda esperava Incontrolável como a ação recordada, e não Salt. Também é extremamente lamentável a ausência do magnífico desenho de som de Cisne Negro.

Quem vai vencer: Se seguirem o bom senso, A Origem. Se seguirem a tradição dos anos anteriores, A Rede Social. Se seguirem a necessidade de distribuição de prêmios, Bravura Indômita.
Quem merece: A Origem.

Edição (O Discurso do Rei, Cisne Negro, O Vencedor, A Rede Social, 127 Horas)
Parecia tudo certo que A Origem era presença obrigatória nesta categoria - sendo um forte concorrente a vencedor - e que a quinta vaga seria disputada por Bravura Indômita e 127 Horas. Sabe-se lá como, conseguiram esnobar o soberbo trabalho de Lee Smith e dos irmãos Coens, preferindo indicar o insosso trabalho de Pamela Martin por O Vencedor. Este foi um dos maiores erros do ano. 

Quem vai vencer: A Rede Social. Este prêmio é dele, é uma excelente edição, e apenas A Origem tinha fôlego para concorrer. Tinha.
Quem merece: Apesar de A Rede Social não ser um mal vencedor, ainda fico com a excelente edição de Cisne Negro. 

---

Amanhã: Trilha Sonora, Canção Original, Animação, Documentário e Estrangeiro. Com os palpites de nossa querida Vivi!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Agora nos Cinemas: "O turista" - Porque it´s all about Angelina after all...

Quando vi o trailer de "O turista" pela primeira vez fiquei encantada, Angelina parecia estar mais bela do que nunca, e o filme parecia ser um ótimo entretenimento. E o é. Só não é uma comédia como o Globo de Ouro apontou, embora o filme seja muito bom.
O longa é a refilmagem de um filme francês (que mostra mais uma vez a obsessão dos EUA de quererem ser tão bons quanto os franceses no quesito cinema), que passou por mãos de diretores como Lasse Hallstrom e já teve Charlize Theron envolvida no projeto...mas finalmente foi o diretor Floriel Henckel von Donnersmarck (que dirigiu o excelente "A vida dos outros") quem deu continuidade ao projeto e conseguiu Angelina e Johnny como protagonistas...uma dupla que parecia ser imbativel mas que infelizmente não combina muito em tela.
A história foca Elise, que é esposa de um estelionatário que é procurado no mundo inteiro e, ao seguir ordens dele, escolhe um homem comum para que a policia confunda o homem com o marido da moça. O escolhido é Frank (Depp) um mero professor de matemática que fica encantado com a beleza da diva e aceita ser enredado pela mesma, até em circunstancias estranhas. O problema é quando a policia, encabeçada pelo inspetor John (Paul Bethany, ótimo) encontra Frank e começa a caçá-lo, fazendo com que ele se meta nas mais terriveis situações. E Angie claro, vai ajudá-lo.
Com um final surpreendente (como no longa original), figurinos fabulosos (da sempre ótima Colleen Atwood) e uma trilha soberba (Newton Howard substituiu Yared no longa, que teve a sua trilha recusada), o filme é 10 como entretenimento, é pura diversão, despreocupação e fascinio através de um roteiro mirabolante. O único pequeno problema é Angelina, já que sua beleza está tão grandiosa que ofusca qualquer coisa que esteja perto dela, neste caso, JOHNNY DEPP. Eu não sei se ele ficou petrificado com a beleza da deusa ou algo parecido, só sei que aqui ele não atua muito bem, talvez por não ter captado o requisito diversão que era necessário ao longa. "O turista" é um filme pra entreter, não para ser levado tão à sério...e o fato de Johnny levar seu personagem em contra partida do que o filme representa, prejudica e muito o filme.
Já Angelina, ao contrário, não se preocupa em impressionar (e nem precisa já que é o filme que ela está mais bonita), nem se esforçar na atuação mas, por entender a proposta do filme, sai-se muito bem em sua personagem.
É um filme gostoso de assistir, um ótimo passatempo, que seria muito melhor se Johnny Depp tivesse acertado o tom...mesmo assim, provavelmente entrará na história daqui uns 50 anos, como o filme no qual a atriz mais bela da história esteve mais bonita.

nota: 7,5

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Globo de Ouro 2011: A monotonia.

Vamos agora aos comentários da noite que se seguiu.

Tiago:

Todo ano, a chance de algo surpreendente ou inesperado acontecer cabe ao Globo de Ouro. Normalmente, a HFPA não se deixa pressionar tanto por hype ou pelo desejo de antecipar o vencedor do Oscar, e acaba criando uma festa ao seu estilo próprio. Assim vemos alguns excelentes filmes vencendo por aqui, como Desejo e Reparação, Babel e O Segredo de Brokeback Mountain. Entretanto, em alguns anos o favoritismo é tão absoluto que fica difícil fugir da obviedade, como foi com Quem Quer Ser Um Milionário - praticamente sem um concorrente a altura - e agora este ano com A Rede Social. O que me entristece é que este ano havia sim diversos concorrentes que superavam o vencedor. Pelo menos podemos respirar aliviado pois se não ganhou o melhor, pelo menos ganhou um muito bom. Nada de Avatar este ano!

E todas as categorias foram se assentando como se esperava. O que me entristece foi ver A Origem sair desmerecidamente de mãos abanando. Sua trilha sonora não só era a melhor entre as indicadas, como seria um bom prêmio de consolação. A categoria comédia, dilacerada pelas indicações, encontrou bons rumos para os prêmios, e aqui surge outro comentário sobre a HFPA: eles indicam o que der na telha pra melhorar o ibope da festa, mas na hora de votar o vencedor eles levam a coisa a sério. E juro que, apesar do massacre da crítica, estou ansioso por Burlesque. As atuações foram todas coerentes e merecidas, e um certo mal estar começa a me afligir... Apesar de ser tranquilamente a melhor em sua categoria, Natalie Portman tem seu prêmio ameaçado pela "veterana-sempre-preterida" Annette Bening. Se isso acontecer que fique claro: não será justo. A exceção disso, canção original e algum rearranjo na categoria de atriz coadjuvante (mas que dificilmente acontecerá), não consigo imaginar grandes mudanças para o Oscar.

Sobre a festa num geral, algumas várias reclamações. Bale resolveu continuar interpretando um viciado em drogas ali em pleno palco, no seu discurso de agradecimento; alguns apresentadores estavam sem sinal vital (Sandra Bullock). Por outro lado, alguns momentos muito divertidos como a apresentação de Robert Downey Jr para melhor atriz de comédia, o discurso de Robert de Niro agradecendo o seu prêmio especial e os belos discursos de agradecimento feito por Chris Colfer, Jane Lynch e Annette Bening. Mas não há comentário sobre esta festa que tenha sido mais destaque do que este que eu também engrosso agora: Ricky Gervais foi um babaca. Ele iniciou a festa já em tom ácido, mas parecia divertido. O que era ácido tornou-se impiedosamente inconveniente, sempre com comentários deselegantes e totalmente dispensáveis sobre qualquer um que pisasse no palco. Não duvidem, ele provavelmente não retornará ano que vem. Ninguém gostou.

Ah, e Sofia Vergara - provavelmente a musa da noite - tem 38 anos. Não consigo acreditar nisso até agora.

---

Vivi:

Carlos vencendo merecidamente, fabuloso ver uma produção de Olivier Assayas vencendo um premio nos eua. Chris Colfer vencendo, impossível não se emocionar, fantástico em Glee.

Trilha esperada, fãs de Nine Inch Nails podem comemorar, mas será que vai concorrer ao Oscar? Ainda tenho duvidas, e muitas. Melhor canção tbm esperada, Menken tem 7 GG e Diane nenhum, então entende-se. Mas pra mim o Oscar de melhor canção é da Dido.

Filme estrangeiro foi uma surpresa, realmente não esperava que o filme dinamarquês levasse, achava que o premio ficaria entre I am love e Biutiful, mas deve ser muito bom, quero logo conferir. Ator comedia musical tbm não esperava Giamati que parece estar excelente em “Minha versão para o amor”. De resto tudo já esperado, Natalie merecidamente levando atriz drama, Firth idem e A Rede Social se consagrando como grande vencedor da noite, onde entendo o sucesso do mesmo mas não consigo adora-lo como muitos. Destaque também para os prêmios de The Fighter mas acho que Melissa Leo só leva este Oscar se a maravilhosa menina Hailee Stenfield não for indicada, pois esta está excelente e promete surpreender.

Premiação bacana, só achei Ricky Gervais felino demais este ano e achei lindo Jolie tão amorosa com Brad Pitt. Como mesmo disseram, eles são a rainha e o rei de Hollywood. E espero que ano que vem ele seja o premiado ali com a atuação que promete muito no já super esperado a “Árvore da vida”.

E que venha o Oscar!!!!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Corrida ao Ouro 2011: O Globo de Ouro


É curioso ter ficado tempo fora do blog neste início de ano, uma vez que estou literalmente preso em casa sem nada para fazer (e quem vos escreve agora é o Tiago). Aconteceu duas coisas curiosas: primeiro os filmes relevantes não estrearam até agora e não tive paciência para resenhar filmes como 72 Horas. Segundo, e mais importante, esta é a mais gostosa temporada de prêmio que temos em anos, por dois motivos básicos: algumas tantas categorias estão em suspense, e a qualidade das obras está surpreendente.

Não que o ano não tenha seu favorito. A Rede Social com seus ares de atualidade, ritmo ágil e clima inteligente, com certa campanha ofensiva nunca antes vista (55 milhões de dólares, quando o normal gira em torno de 10% disso) surge como o favorito óbvio do ano, e dificilmente lhe tiram este prêmio. Uma pena. Não que o filme seja ruim, mas há tantos filmes este ano, que A Rede fica bem longe de um pódio dos 3 primeiros lugares. Cisne Negro, de Aronofsky felizmente foi reconhecido e é mesmo arrebatador. A Origem seguiu firme nas lembranças, O Lutador, ao contrário do que eu esperava, é um belo filme e merece seu reconhecimento. Junto a isso, dizem que, em outros tempos, O Discurso do Rei teria todas as qualidades necessárias para vencer. 127 Horas é mais um excelente trabalho de Boyle (e mais um que eu colocaria acima de A Rede facilmente) e, por fim, dizem que Bravura Indômita dos Coens é excelente. Não bastasse este cenário, temos como filmes coadjuvantes da temporada obras muito boas como Minhas Mães e Meu Pai, O Inverno da Alma, Reencontrando a Felicidade (sim, esta foi a tradução de Rabbit Hole) e Toy Story 3.

Um ano de roteiros fortes, como há tempos não se via - prometendo ser a categoria de ouro do ano. De atuações, Eisenberg e Franco detonam em cena, e aguardo com ansiedade para conferir Firth. Renner e Ruffalo com boas performances, assim como Kunis em papéis coadjuvantes. Mas o ano parece ser mesmo das mulheres. Adams e Leo brigam no mesmo filme para mostrar quem se saiu melhor, o prêmio deve ficar entre uma das duas (sendo que no Oscar a novata Steinfeld pode surpreender), enquanto Kidman, Lawrance e Bening chegam com atuações inspiradas. Mas não adianta, o ano teve dois donos - do que pude conferir até agora: a inacreditável performance de Natalie Portman em Cisne Negro e a atuação em papel coadjuvante de Christian Bale, em O Lutador. Será um grande absurdo qualquer prêmio que estes dois percam, e ambos correm o risco: talvez a Academia sinta vergonha de ignorar Bening de novo, assim como a fama de intragável e idiota de Bale pode pesar contra.

E claro, como o post é mais voltado aos Globos, preciso reafirmar que a sua parte de comédia ou musical está completamente perdida, e dá até desânimo de comentá-la.

Para esta prévia do GG, Vivi e eu preparamos um esqueminha. Em cada categoria, listaremos nossa ordem de preferência, daquilo que pudemos ver até agora e, no fim, indicamos nossa aposta. E vamos às fichas!!!

Filme Drama
Tiago: Cisne Negro > A Origem > A Rede Social > O Lutador. Vence: A Rede Social
Vivi: Cisne Negro > A Origem > A Rede Social. Vence: A Rede Social

Filme Comédia ou Musical
Tiago: Minhas Mães e Meu Pai > Alice no País das Maravilhas. Vence: MMEMP.
Vivi: O Turista > Red - Aposentados e Perigosos > Minhas Mães e Meu Pai > Alice. Vence: MMEMP.

Diretor
Tiago: Aronofsky > Nolan > Fincher = Russel. Vence: David Fincher.
Vivi: Aronofsky > Nolan > Fincher. Vence: David Fincher.

Roteiro
Tiago: A Origem = A Rede Social = 127 Horas > Minhas Mães e Meu Pai. Vence: A Rede Social
Vivi: A Origem > A Rede Social > Minhas Mães e Meu Pai. Vence: A Rede Social

Ator - Drama
Tiago: Jesse Eisenberg > James Franco > Mark Walbergh. Vence: Colin Firth.
Vivi: James Franco > Jesse Eisenbergh. Vence: Colin Firth.

Ator - Comédia ou Musical
Tiago: Oi? Vence: Kevin Spacey.
Vivi: Kevin Spacey > Johnny Depp (O Turista) > Johnny Depp (Alice). Vence: Kevin Spacey.

Ator Coadjuvante
Tiago: Christian Bale > Andrew Garfield > Jeremy Renner. Vence: Christian Bale.
Vivi: Michael Douglas > Andrew Garfield > Jeremy Renner. Vence: Christian Bale.

Atriz - Drama
Tiago: Natalie Portman > Jennifer Lawrance = Nicole Kidman. Vence: Natalie Portman.
Vivi: Natalie Portman > Nicole Kidman > Jennifer Lawrance. Vence: Natalie Portman.

Atriz - Comédia ou Musical
Tiago: Annette Bening > Julianne Moore. Vence: Annette Bening.
Vivi: Emma Stone > Julianne Moore > Annette Bening > Angelina Jolie. Vence: Annette Bening.

Atriz Coadjuvante
Tiago: Amy Adams = Melissa Leo > Mila Kunis. Vence: Melissa Leo.
Vivi: Jacki Weaver > Mila Kunis. Vence: Melissa Leo.

Trilha Sonora
Tiago: A Origem > 127 Horas > Alice no País das Maravilhas > A Rede Social. Vence: A Origem.
Vivi: O Discurso do Rei > A Origem > 127 Horas > A Rede Social > Alice. Vence: A Rede Social.

Canção Original
Tiago: Me abstenho. Nem ouvi ainda. Vence: You Haven't Seen the Last of Me, Burlesque.
Vivi: I See the Light (Enrolados) > There's a Place for Us (Nárnia) > Coming Home (Country Strong) > Bound to You (Burlesque) > You Haven't Seen the Last of Me (Burlesque). Vence: You Haven't Seen the Last of Me (Burlesque).

Animação
Tiago: Toy Story 3 > Como Treinar Seu Dragão. Vence: Toy Story 3.
Vivi: Como Treinar Seu Dragão > Enrolados > Toy Story 3. Vence: Toy Story 3.

Filme Estrangeiro
Tiago: Não sei. Aposta às cegas: Biutiful.
Vivi: I Am Love > O Concerto. Vence: I Am Love.

--

Aproveito para avisar que provavelmente não terei como fazer o liveblogging (mas o garanto para o Oscar), entretanto, estarei comentando a cerimônia no meu twitter @t_niram - e depois posto os melhores tweets aqui! E claro, segunda feira estaremos aqui comemorando ou lamentando os prêmios!