Este adorável filme dirigido por Mike Mills baseado em sua própria história, se revela como um dos mais inteligentes, originais, e peculiares do cinema atual. Com uma narrativa que foge dos convencionismos baratos e um elenco brilhante, esta comédia romântica já se estabelece como um dos grandes filmes do ano.
O filme conta, de forma aleatória, a história de Oliver (Ewan Mc Gregor), um cartunista que descobre a homossexualidade do pai Hal (Christopher Plummer), que recentemente perdeu a esposa de câncer (em um casamento que durou 45 anos). O pai, que também está com câncer, tem 75 anos e resolve aproveitar seus últimos momentos, inclusive arranjando um namorado que não é monogâmico (feito por Goran Visnic de modo bem competente). O fato mais curioso é Oliver descobrir que a mae sempre soube da homossexualidade do marido, pedindo o mesmo em casamento e prometendo à ele consertar o seu problema. De qualquer forma, Hal sempre foi fiel à esposa, apenas assumindo sua opção sexual após a morte da mesma. Em contrapartida, vemos em alguns flashbacks a infância de Oliver com a mãe, e partimos para os dias atuais, após a morte do pai, onde ele cuida do cãozinho Arthur que era de seu pai (e aqui temos uma lição de originalidade- Arthur conversa com Oliver, e vemos suas respostas através de legendas que dão um ar ainda mais criativo ao filme). Além disso Oliver se apaixona pela incrível Anna (Melanie Laurent), que vai ajuda-lo a superar seus medos e confusões.
Com uma trilha sonora soberba, e atuações magníficas, o filme dá ao lendário Christopher Plummer a chance de mostrar aquele que talvez é seu personagem mais humano e sensível, já que seu Hal embora seja alegre e espirituoso, também tem dificuldade de lidar com a doença, escondendo dos novos amigos por exemplo, o quão está doente. Já Melanie Laurent como sempre está ótima, em um papel que tem muito mais complexidades do que se aparenta ter. Mas é Ewan Mc Gregor que realmente me surpreendeu. Embora seja fã do ator desde a época em que ele fazia parcerias com Danny Boyle, nos últimos anos parecia-me que ele havia perdido o brilho como ator. Como eu estava enganada, pois aqui ele dá uma das melhores performances de sua carreira, fazendo um personagem que, embora introspectivo, seja extremamente aberto em suas emoções. Palmas também vão ao roteiro do diretor, que mistura estratégias a lá Amelie Poulain com uma historia que é sentimental mas também realista, de modo muito diferente com que estamos habituados a ver hoje no cinema atual, onde tudo se copia e há remakes por todo o lado.
É então um filme magnífico, bem feito, que merece ser conferido por sua competência e autenticidade, e que desde já coloca Christopher Plummer como o franco favorito (merecidamente) à melhor ator coadjuvante na corrida ao Oscar do ano que vem. Sensacional.
Nota: 10,0
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