Johnny Marco (Stephen Dorff) é um ator por volta de seus 35 anos, sedutor, de corpo definido, rico, fútil e completamente sem razão de existência. Tendo sua vida completamente administrada por seus assistentes, e apenas um ou dois amigos verdadeiros - com os quais joga guitar hero, e mais nada, ele vive entre seu mundo profissional e o apart hotel no qual mora. Como um dado aleatório, ele também tem uma filha, com quem se importa pouco, mas é obrigado a passar algumas semanas com a garota porque sua mãe, antigo caso do ator, resolvera viajar e não estava com vontade de ter que ficar com a menina. É assim que Cleo (Elle Fanning) aparece na trama. Trama, por sinal, inexistente. A partir deste instante acompanhamos pai e filha em algumas situações, jantares, entrevistas, programas televisivos em língua extrangeira (desta vez italiano), até que, aos poucos, Marco perceba aquilo que é evidente: ele é um completo idiota, indiferente para qualquer outra pessoa no mundo que não fosse sua filha - quem ele não dava a mínima atenção. E a epifania ainda conduzirá o filme a um dos finais mais artificiais e tosco da recente temporada.
Bom, já na sinopse eu não consegui esconder meu descontentamento com o filme. Mas acontece que, além de ser um profundo tédio que testa a paciência do espectador do início ao fim da projeção, pode-se dizer que é um assunto já tratado anteriormente, de maneira muito mais eficiente por outros cineastas. Mas a conclusão mais estranha é que Um Lugar Qualquer parece ser o primeiro rascunho do argumento de Encontros e Desencontros. Um homem com crise em relação a sua identidade, que não encontra prazer em quase nada que o cerca, uma garota anos mais nova que compartilhará com ele desses momentos, a vida sem referências entre hotéis e viagens, a fama internacional e o deslocamento demonstrado via programas de tv em outra língua - basicamente todos os elementos do melhor filme de Coppola estão presentes neste novo. O que o torna ainda mais cansativo e decepcionante.
Contando com uma estrutura bem intimista mas, desta vez, completamente vazia, Sofia nos desafia com um filme que a despeito de sua ausente trama, o pouco carisma de seu protagonista, o encanto de Fanning e o final absurdamente artificial não há mais nada a ser comentado. O que é uma pena, uma vez que ela é uma diretora quase sempre interessante, com abordagens inteligentes de temas característicos - como a solidão e a busca por algum sentindo em vidas aparentemente banais. Se todos os três primeiros filmes dela eram no mínimo ótimos, Um Lugar Qualquer se mostra como seu primeiro grande erro.
4,0

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