quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Corrida ao Oscar 2011: Canções, trilhas, animações, estrangeiros e documentários


Seguindo nossa análise categoria a categoria:

Canção Original ("I See the Light", Enrolados; "If I Rise", 127 Horas; "We Belong Together", Toy Story 3; "Coming Home", Country Strong)
A maldição do Globo de Ouro voltou a funcionar (na verdade, sabe-se lá como ela deu uma trégua no último ano), e a vencedora deste prêmio sequer foi indicada ao Oscar. O que foi muito injusto. A academia preferiu deixar a categoria com apenas 4 indicados - o que é possível nesta categoria graças às suas novas regras - do que completar a lista com a excelente You Haven't Seen the Last of Me. Preferiram não dar a chance de estampar o dvd de Burlesque com a famosa chamada "Indicado ao Oscar". Seja como for, esta é a pior categoria deste ano, insossa da raíz às pontas.

Quem vence: Qualquer uma. 127 corre o risco de sair de mãos abanando, e não deixa de ser um prêmio consolação; enquanto Enrolados foi preterido na categoria de animação, e pode ter aqui também um prêmio de consolação.
Quem merece: I See the Light, por total falta de opção.

Trilha Sonora (A Rede Social, 127 Horas, O Discurso do Rei, Como Treinar Seu Dragão, A Origem)

Tiago:
Logo de cara, é necessário dizer que duas das melhores trilhas do ano foram desclassificadas. A do genial Clint Mansell para Cisne Negro rodou por se basear bastante na obra de Tchaikovsky, enquanto Carter Burwell foi mais uma vez ignorado, pois sua trilha para Bravura Indômita se sustenta em diversos folks do século XIX. Apesar de um tanto diferente dos indicados ao Globo de Ouro, esta categoria não me pegou de surpresa e foi uma das que gabaritei. O máximo que poderia acontecer seria Alice superar Dragão, o que felizmente não sucedeu. Rahman surge com uma trilha eletrônica que lembra bastante a de Milionário, e isso me agradou bastante, mas isso o deixa longe do prêmio, enquanto a trilha no estilo vicking de Powell é extremamente bem executada. Muito já disse sobre a trilha de Zimmer para A Origem, simplesmente espetacular.

Quem vence: Mas a briga está, novamente, entre os dois queridinhos do ano. Por um lado, o sempre eficiente e talentoso Desplat com uma trilha muito comum e correta - na base do tradicional. Por outro, uma trilha também pouco expressiva, mas com ares mais modernos de A Rede Social. A minha aposta, mesmo, é a trilha de Reznor e Ross, mas a academia deve a Desplat.
Quem merece: Hans Zimmer, A Origem.

Vivi:
Imaginei exatamente estes indicados, embora sinta pela ausencia de "Não me abandone jamais", "O escritor fantasma" e "Tron o legado". Mereciam estar aqui Desplat por "O escritor fantasma", "Rachel Portman por "Não me abandone jamais" e "Herbet Gronemeyer", o ator de "o barco" que virou compositor e fez o score maravilhoso de "Um homem misterioso"; assim como, se o Oscar fosse justo, le nao teria desclassificado os dois melhores trabalhos do ano - Cisne Negro e Io Sono L'Amore. Assim pelo menos Clint Mansell finalmente teria sua indicação ao Oscar.

Quem vence: Aqui fica claro que a disputa ficará dentre o filme mais queridinho- por um lado Trent Reznor e Atticus Ross por um trabalho moderno que papou grande parte dos premios desde então, do outro Alexandre Desplat, quarta indicação em 5 anos, que teve não só um, mas 4 incriveis trabalhos este ano (e aqui incluo sim Tamara Drewe, que é provavelmente a jóia do ano a ser descoberta posteriormente), e que se estabelece como o principal compositor de Hollywood da atualidade e está indicado pela trilha etérea de "O discurso do rei". Mais uma vez o moderno e o clássico se enfrentam, e quem vencerá esta batalha? O representante do Nine Inch Nails ou o rei do Abbey Road (é assim que chamam Desplat na Inglaterra).
 Quem merece? Desplat. Sei que sou suspeita pra falar mas já cansou ele ser indicado todo ano e nunca levar nada. Mesmo que sem trabalho fique aquém do que ele fez em "O escritor fantasma".

Animações (Como Treinar Seu Dragão, Toy Story 3, O Mágico)
A única mudança nas regras da academia mais urgente que o retorno a 5 indicados a melhor filme é estabilizar a categoria de animação com 5 indicados. A variação entre 3 e 5 se deve de acordo com o número de filmes inscritos para concorrer a uma vaga - o que é uma pena, uma vez que quantidade e qualidade pouco tem em comum. É gostoso perceber que a academia não tem nenhuma dificuldade com filmes estrangeiros nesta categoria, como provam Chihiro, Belleville, Bashir e Persépolis. Lamento a ausência de Enrolados, não pelos concorrentes que a substituem, mas por esta regra boba.

Quem vence: Toy Story 3, ao contrário do bobo e superestimado Up! merece esta vitória, mas é triste perceber que ela ocorrerá de maneira automatizada pela hegemonia da Pixar. É muito difícil não votar na animação indicada a melhor filme. Enquanto essas regras não forem repensadas ou tal hegemonia não ser encarada com uma postura crítica, a Pixar sempre terá essa vitória fácil.
Quem merece: Excelentes indicados, qualquer um seria um prêmio justo.

Filme Estrangeiro (Biutiful - México; Dogtooth - Grécia; Em Um Mundo Melhor - Dinamarca; Incendies - Canadá; Fora da Lei - Algeria)

Tiago:
Não assisti a nenhum dos filmes indicados para ter uma posição mais concreta. O que eu posso falar é sobre alguns dados para além do filme. Por um lado, Iñárritu conquistou certo espaço perante a Academia - sendo indicado a melhor diretor e melhor filme pelo internacional Babel - mas nunca nenhum filme seu ganhou algum prêmio de destaque, nem mesmo Amores Brutos. Outro dado interessante é que raramente a Academia e a HFPA optam pelo mesmo filme e, por fim, vale ressaltar que o Oscar nos últimos anos vêm surpreendendo na categoria, escolhendo filmes que não eram esperado. Não deixa de ser uma disputa interessante.

Quem vence: Às cegas, ainda apostaria em Biutiful.
Quem merece: Não sei.

Vivi:
Até o final acreditei na indicação de Dogtooth e...não é que aconteceu? Muito feliz por este que é um dos melhores filmes do ano, entretanto, sem nenhuma chance de vitória porque é forte demais para a Academia, já foi um mérito indicá-lo. Uma pena a Itália não ter escolhido Io Sono L'Amore como seu representante, pois não só o filme seria indicado, como venceria a categoria.

Quem vence: "Em um mundo melhor" da Dinamarca ou "Biutiful" do Mexico, apenas simplesmente por serem dirigidos por dois cineastas importantes e conhecidos nos EUA.
Quem não vence de jeito nenhum: "Dogtooth"- porque é forte demais para a Academia, já foi um mérito indicá-lo.
Quem merece: Dogtooth, porque é o melhor filme com a temática da filosofia da história, e porque Platão deve estar muito feliz no túmulo por ver que seus conterraneos REALMENTE entenderam o mito da caverna.

Documentário (Lixo Extraordinário, Exit Through the Gift Shop, GasLand, Restrepo, Trabalho Interno)
Chegamos naquela categoria que ninguém entende nada, a não ser quando se há uma campanha publicitária fortíssima para se fazer de um documentário algo pop e histriônico (um beijo para Al Gore e Michael Moore). O comentário óbvio é a felicidade pela indicação do semi-brasileiro Lixo Extraordinário, sobre o trabalho do artista plástico brasileiro Vik Muniz. E o pior é que o documentário é o segundo que mais tem chances de ganhar, tendo que bater o grande favorito: Exit Through the Gift Shop. E sim, estranhei a não indicação de um dos favoritos do ano (Waiting for Superman).

Quem vence: Exit Through the Exit Shop.
Quem merece: Não sei.

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Amanhã: Roteiro Adaptado, Roteiro Original e Direção.

2 comentários:

Wallace Andrioli Guedes disse...

Eu realmente espero que LIXO EXTRAORDINÁRIO surpreenda e vença. É um filme muito bonito, e acho que toda a sua carga emocional pode acabar pesando no momento final. Torçamos.

Tiago. disse...

Curiosíssimo pra ver!