
Casa Comigo? - 10,0















Gente eu fiz um video bem legal comentando os indicados ao GG mas não sei porque ficou muito baixo, então refarei o post e o colocarei aqui no domingo ok? Por enquanto fiquem com a minha resenha do meu sempre amado e INDICADO AO GLOBO DE OURO Alexandre Desplat por "The King´s Speech":Mais um grande ano para o incrível compositor francês Alexandre Desplat, que mostrou mais uma vez o porque de ser o grande compositor da atualidade. Seus trabalhos em Escritor Fantasma, Tamara Drewe, The Special Relationship, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 e The King´s Speech, figuram mais uma vez dentre os melhores do ano, onde Desplat desta vez nos mostrou a sua versatilidade, fugindo um pouco de seu estilo e criando belíssimas melodias. Ano que vem provavelmente será o seu grande ano, já que finalmente “The tree of life” será lançado e, pelo que foi exposto no trailer do filme, com certeza esta será a sua obra prima. Mas, enquanto “The tree of life” não é lançado, nada melhor do que analisar a ultima trilha lançada este ano pelo francês, pelo filme mais importante o qual ele compôs neste ano- “The King´s Speech”, um dos grandes favoritos ao Oscar 2011.
“The king´s speech” narra a história verdadeira do Rei George VI da Inglaterra, pai de Elizabeth que teve de assumir o trono quando seu irmão abdicou para casar-se com a socialite Wallis Simpson. Bertie, como era mais conhecido, virou rei em pelo estopim da segunda guerra mundial, e além disso, ele tinha um pequeno probleminha- não conseguia falar em público, tendo pânico do mesmo. Para ajuda-lo, sua esposa, a rainha mãe encontra uma pessoa muito especial que não só o ensinará a conseguir falar em público, bem como mudará toda sua vida. Para um filme tão sensível e marcante, uma trilha do mesmo estilo é necessária. E Desplat, mais uma vez, acertou, desta vez apostando no piano como trunfo principal da trilha.
“Lionel and Bertie” é bem clássica, onde as cordas tocam uma melodia saudosista e poderosa, onde posteriormente o piano aparece, muito suave, tocando uma melodia muito sensível, como se fosse uma canção de ninar “The king´s speech” é a melodia tema do filme, toda executada por um piano novamente muito suave e com uma belíssima melodia, com as cordas apenas de fundo bem suaves. Linda faixa.
“My kingdom, my rules” tem o tema novamente mas exposto de maneira diversa, alem de começar muito bem com belíssimos violinos e cellos. Mas é através do piano que conseguimos sentir toda a delicadeza e sutileza do score. “The king is dead”, é triste e forte, como se as cordas estivessem chorando. É uma melodia de lamuria, lágrimas, mas muito bem construída. “Memories of a childhood” é outra faixa mais triste e contida, onde o piano mais uma vez brilha, com uma naturalidade arrebatadora.
“King George VI” é uma faixa mais intensa, que mistura cellos, violinos e violas, criando um som com sobreposições onde o piano aparece pesado e grave, todos em uma dinâmica mezzo forte. “The Royal Household” retoma o tema do filme, que com certeza é a melodia mais bonita e doce já feita para uma trilha sonora neste ano, com muita delicadeza e sensibilidade. “Queen Elizabeth” é outra faixa executada pelo piano, mas que foge do tema com uma melodia mais amorosa e intensa, mas sem deixar de ser bela e afável. “Fear and supicion” também é muito bonita, retoma o tema e encanta. Mas a grande faixa da trilha é mesmo “The Rehearsal” a belíssima faixa vai começando bem suave e pianinho, e após os instrumentos vão se misturando, a intensidade vai aumentando, e no final temos uma mistura de instrumentos e uma explosão de sentimentos. Lindíssima.
“The Threat of war” é a faixa mais “pesada” justamente por tratar de um dos momentos mais tensos do filme, onde os cellos tem mais poder e Desplat constrói uma faixa de suspense e escuridão. Após Desplat adapta duas peças de Beethoven- “Sinfornia nº 7- parte II” e “Concerto para piano nº 5- parte II” onde ambas são executadas de modo mais suave e lento, onde o andamento das mesmas diminui mas a intensidade continua a mesma.
É então uma trilha antes de tudo extremamente sensível, mas que tem sua força pelo lindo tema criado por Desplat e pelo seus contrastes peculiares mas notantes. Uma das trilhas mais lindas do ano, onde mais uma vez o compositor francês demonstra seu talento absurdo, do qual parece nunca se esgotar.
Número de estrelas: 5

Filmes tão doces e originais que nos remetem à infância estão em extinção nos dias atuais...então quando aparece um filme que consegue captar toda a inocência e beleza de uma época perdida, há de se comemorar. Em “O primeiro amor”, o diretor Rob Reiner volta às raízes contando uma magnífica história de amor contada pelos dois lados da moeda, isto é, pelos dois protagonistas, que vão contando a sua versão da historia um após o outro.
E a história é mais simples possível- Bryce se muda com a família para um novo bairro e logo conhece Juli, sua vizinha, que será, durante os próximos anos, uma pessoa muito importante na sua vida. Ocorre que a família de Juli é mais humilde e o pai de Bryce tem preconceito com a família da garota, o que acaba resultando em um preconceito do próprio garoto perante a menina, onde os sentimentos de ambos se misturam, passando do amor ao desprezo até conseguirem chegar à maturidade de seus sentimentos.
O filme tem todo um clima de saudosismo- dos artistas que fazem os pais de Bryce e Juli (Anthony Edwards, Aidan Quinn, Penélope Ann Miller e Rebecca de Mornay) até a ambientação da história na década de 50, passando pela bela trilha de Marc Shaiman. Os atores também que interpretam o casal principal, Madeline Carroll como Juli e Callan McAluffe como Bryce, são excelentes, demonstrando muita naturalidade e confortabilidade em seus personagens.
É um filme muito bom, que emociona com facilidade e conquista todos aqueles que o vem, percebendo que um tempo como aquele, infelizmente não existe mais. É para assistir e relembrar da infância, um dos melhores filmes de 2010.
Nota: 8,5

Que Clint Mansell é um grande compositor, isso todo mundo sabe. Seus trabalhos em “Réquiem para um sonho” e “Fonte da vida” são mais do que clássicos. Em sua quinta parceria com o diretor Darren Aronofosky, Clint teve uma missão um pouco diferente- adaptar o balé de “O lago dos cisnes” no contexto de “Cisne Negro” não perdendo a essência do balé original mas colocando sua própria característica na trilha. E isso ele consegue, de modo sensacional.
A primeira faixa, “Nina´s dream”, nada mais é que a introdução do Lago dos Cisnes na essência de Tchaikovsky, sendo esta uma das introduções mais bonitas da historia da música clássica. “Mother me” é mais uma adaptação onde o oboé brilha através desta faixa que serve como “passagem” para a terceira faixa- “The new season” esta totalmente de Mansell, onde temos um aspecto urbano executado através dos violinos, do piano e da sonoridade seca e áspera, que resulta em uma belíssima faixa.
“A room of her own” é mais uma original de Clint Mansell, mas o interessante nesta faixa (e na verdade em toda a trilha) é o cuidado que Mansell tem em fazer do score o mais homogêneo possível, tentando ao máximo fazer com que seu trabalho siga o estilo de Tchaikovsky. É mais uma faixa encantadora, onde as cordas e o piano, em um andamento andante e dinâmica mezzo piano. “A new swan queen” também segue esta linha onde o piano serve de metrônomo das cordas. Mas o que mais impressiona nesta faixa, é a sua mudança de aspecto no meio do seu desenvolvimento, onde piano e cordas assumem uma atmosfera de suspense e o piano brilha com através da melodia sombria.
“Lose Yourself” mistura o clássico ao mais moderno ao adicionar instrumentos eletrônicos à faixa, terminando a mesma com um fragmento do balé. “Cruel mistress” brilha através do piano pessimista e do andamento adágio onde logo é seguido por uma bela melodia triste que é acompanhada com força pelos violinos em tremolo, onde aos poucos ela vai diminuindo novamente o andamento. “Power, seduction, cries” é belíssima, sendo seu estilo mais nostálgico e triste. Segue-se então “The double”, outra faixa que mistura beleza e suspense, caracterizada sempre pelo estilo sombrio que Mansell impõe em cada melodia.
“Opposites atract” mistura todos os elementos sombrios da trilha que agem juntos aqui e culminam em um clímax fortíssimo através de um solo de violino magnífico. “Night of terror” provavelmente a faixa que mais consegue misturar a trilha de Mansell ao balé, onde vemos alternâncias da suíte de Tchaikovsky à beleza sombria das melodias de Mansell. Um verdadeiro tours de force delicioso através de mais de 8 minutos de duração. “Stumbled beginnings” é mais uma faixa que mistura o balé à trilha original conseguindo misturar sentimentos de angustia e emoção através do excelente trabalho de Mansell, que culmina no tema de “O lago dos cisnes”.
“It´s my time” mais uma vez utiliza desta metamorfose que Mansell fez no balé, uma grandiosa faixa que serve de preparo para a estupenda “A swan is born” onde a melodia principal é executada de modo mais rápido e intenso. “Perfection” já se traduz através de seu nome- é uma melodia, perfeita, imutável, emotiva, incrível, arrebatadora, onde o clássico e o moderno se unem através de dois gênios de épocas completamente diferentes. A ultima faixa “A swan song (for nina)” é o tema do lago dos cisnes executado em piano tem um aspecto mais gótico e melancólico.
Dizer que está é possivelmente a melhor trilha do ano e o melhor trabalho de Mansell, é algo obvio, pois a busca pela perfeição não tomou conta apenas da personagem principal, mas sim de um grande compositor que finalmente terá o seu talento reconhecido através de uma trilha que respira emoção e encontra a perfeição musical. Uma obra prima para ficar na historia do cinema.
Numero de estrelas: 5