quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2010 em notas!!!

Encerrando de vez nossa atividade de 2010, resolvi postar uma lista do ano e seus números, das notas que os filmes receberam por nós, dividindo entre as postagens da Vivi e as minhas! E vamos ver resumo do ano:

Vivi

Amor sem Escalas - 10,0
Sherlock Holmes - 10,0
Kick Ass - 10,0
O Brilho de Uma Paixão - 10,0
Brideshead - Desejo e Poder - 10,0
Como Treinar seu Dragão - 10,0
A Jovem Rainha Victoria - 10,0
O Escritor Fantasma - 10,0
Casa Comigo? - 10,0
A Vida num Só Dia - 10,0
Os Homens que Não Amavam as Mulheres - 9,5
Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme - 9,0
MicMacs - Um Sonho Complicado - 9,0
Cartas para Julieta - 8,5
O Primeiro Amor - 8,5
Coco Chanel e Igor Stravinsky - 8,5
Partir - 8,5
Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar - 8,5
Sempre ao Seu Lado - 8,5
Bons Costumes - 8,5
Um Homem Misterioso - 8,0
O Sabor de Uma Paixão - 7,5
Um Sonho Possível - 7,5
O Príncipe Persa - 7,5
Centurião - 7,5
Querido John - 7,0
Gente Grande - 6,0
Eclipse - 6,0
Alice no País das Maravilhas - 6,0
Um Olhar do Paraíso - 6,0

Tiago

Tropa de Elite 2 - 10,0
Mary e Max - Uma Amizade Diferente - 10,0
A Origem - 10,0
Onde Vivem os Monstros - 9,0
Baarìa - Porta do Vento - 9,0
Toy Story 3 - 9,0
Nine - 8,0
Tudo Pode Dar Certo - 8,0
A Rede Social - 7,5
Preciosa - 7,0
Minhas Mães e Meu Pai - 7,0
Um Homem Sério - 6,5
Um Sonho Possível - 6,0
Comer, Rezar, Amar - 6,0
Atração Perigosa - 6,0
Shrek 4 - 6,0
Invictus - 5,0
Sex and the City 2 - 4,5
Você Vai Conhecer O Homem dos Seus Sonhos - 4,0
Tetro - 3,5

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Cinema Musical: Top 10 trilhas 2010


Clint Mansell é um dos maiores compositores da atualidade, e seus melhores trabalhos são os feitos em parceria com Darren Aronofosky. Em Cisne Negro Mansell consegue o impossível – adaptar uma peça tão importante para a música clássica como “O Lago dos Cisnes”, e mesmo assim impor a sua própria marca, compondo um suspense carregado de nostalgia, lirismo e paixão. Na narrativa de Cisne Negro a trilha sonora não apenas ajuda a desenvolver os laços da historia, mas também é o olhar do espectador perante a obra que nos é exposta. Todos os sentimentos de Nina são transcritos pela melodia que chora e encanta, neste que é o principal trabalho já feito por Mansell.


2. John Adams - I Am Love
O filme de Luca Guadagnino tem muitas qualidades, e uma delas com certeza é a trilha sonora poderosa de John Adams, o importantíssimo compositor americano, que trata este projeto cinematográfico como uma triste ópera que narra os acontecimentos da poderosa família Recchi, e principalmente da protagonista Emma (Tilda Swinton) – uma estranha dentro da sua própria família, zelosa como mãe e apaixonada como amante. O trabalho de Adams é tão primoroso que toda a trilha é impecável… um dos trabalhos mais bonitos do cinema dos últimos anos.


O que seria de O Escritor Fantasma sem a trilha sonora impactante de Alexandre Desplat? Seu trabalho no assustador longa de Roman Polanski é pura maestria, e sem ele, grande parte do efeito que o filme tem sobre seu público se perderia. Desplat traduz o olhar do protagonista em suas melodias, frio como o ambiente que se encontra, misterioso como as pessoas que o cercam. Um dos grandes trabalhos do compositor francês, que mais uma vez se consolida com o seu talento.


4. Herbert Gronemeyer - Um Homem Misterioso
Esta belíssima trilha sonora passou despercebida para muita gente, que ela é uma das melhores do ano, isso não há duvida. Composta pelo novato Gronemeyer, em um trabalho assustador, a trilha nos transporta para a quebra do silêncio sob o qual vive o personagem de George Clooney, transmitindo o classicismo de uma tragédia de modo único e soberbo. Uma trilha que consegue ser tão grande quanto seu filme, feita por um compositor que com certeza terá um futuro brilhante.

A delicadeza, nostalgia e sofrimentos de Não Me Abandone Jamais não poderia ser melhor orquestrada pela grande compositora Rachel Portman. Conhecida por seus trabalhos sempre muito sensíveis, Portman aqui nos leva para a explosão de sentimentos dos três personagens principais, que sofrem com a conseqüência de suas insensatas vidas. Sempre com um cello marcante, a trilha é delicada mas muito profunda, e emociona pela sua força. Mais um belíssimo trabalho de uma compositora fabulosa.

Zimmer, sempre muito competente, aqui tem um dos trabalhos de sua vida neste filme incrível de Cristopher Nolan, que se dedica ao máximo para que possamos acompanhar os sonhos de Cobb, através de uma trilha que tem como ponto de partida a música de Edith Piaf, até que possamos mergulhar no mundo dos sonhos através deste fabuloso score. Um trabalho primoroso, que estabelece Zimmer como um dos melhores compositores do mundo.

7. John Powell – Como Treinar o Seu Dragão
A trilha de Como Treinar o Seu Dragão é uma trilha competente ao extremo, sendo que Powell foi aos confins da música celta para transmitir sua própria marca nesta produção tão especial que é esta animação. A saga de Soluço e seu dragão banguela é mostrada como uma grande aventura através de sua trilha tão especial e única. Com ela, Powell mostra que chegou à maturidade em suas trilhas para animações, se consolidando como um dos melhores do ramo.


8. A.R. Rahman – 127 Horas
Rahman ganhou dois Oscars há dois anos com o score e canção de Quem Quer Ser Um Milionário. Em 127 Horas, porém, ele vai em uma vertente diferente ao ter de ajudar, através de sua trilha, a contar a verdadeira história do aventureiro que fica 127 horas com o braço preso em uma pedra, aqui interpretado por James Franco. Também dirigido por Danny Boyle, 127 Horas tem o melhor da parceria entre Rahman e Boyle, onde o compositor indiano segue uma linha mais dramática que agrada em cheio. Destaque também para a canção “If I Rise”, de Rahman com a cantora Dido.

Quem diria que uma das grandes trilhas do ano viria de nomes que estão por trás da banda Nine Inch Nails: pois em A Rede Social a dupla sai-se muito bem, misturando o clássico com o moderno, através de uma dinâmica trilha eletrônica. O que se esperava de Daft Punk em Tron: O Legado, obtem-se na trilha de A Rede Social, muito competente e bem feita. A trilha é um grande trabalho, bem como seu filme.


10. Michael Giacchino – Let Me In
Era difícil de acreditar que Giacchino conseguiria ultrapassar a genialidade de Johan Soderqvist nesseremake do já clássico Deixa Ela Entrar. Mesmo não conseguindo ser melhor que a trilha original, a de Giacchino tem como grande característica a sua beleza, ultrapassando os confins do mistério que envolve a narrativa. É um score muito bem preparado e completo, que merece e, muito, estar na lista das melhores do ano.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Videocast GG indicados 2010

Gente finalmente consegui postar o video sobre os indicados nas categorias trilha/canção ao GG 2011! O vídeo está aqui:




sábado, 25 de dezembro de 2010

If you just believe!


Quem me conhece sabe que não raro estou a reclamar do natal. Não gosto de natais num geral, e não me perguntem a razão. Acho uma data meio tensa. Normalmente, associam a tristeza do natal a falta de alguém querido nas comemorações, dor que felizmente ainda não conheço mas, cedo ou tarde, saberei o seu peso. Talvez, aí então, eu valorize mais o natal. Mas de resto, acho uma data um tanto falsa. Sim, engrosso o coro batido e óbvio de que é um tanto consumista - e olha que, devido a minha pouca religiosidade, nem quero pregar que há um verdadeiro sentido espiritual por trás disso tudo. Mas é meio sem nexo, dezembro voa em função do que se precisa organizar até o natal, para, então, tudo em uma noite ir pelos ares: comidas, embrulhos, luzinhas, brinquedos, crianças. E a união - aquela que deveria ser comemorada - vira em si um problema: sempre se junta na mesma mesa aqueles dois que não se bicam, ou, em outra alternativa bem viável, sempre se deram bem mas estão a ponto de explodir em uma guerra, assim sem mais, sem se saber a razão ou algo que o valha.

Há, entretanto, duas coisas que me encantam no natal: as crianças e as ruas. As primeiras são aquilo que temos de mais autêntico em tais comemorações: ignorando que é feio gostar de presentes, dinheiro e barulho, elas se entregam de coração ao melhor que os três tem a oferecer, cutucam a ceia com total deselegância em horário inconveniente para a ignorar nos momentos de pompa, nunca dão ouvido a discurso algum - e isso invejamos secretamente - para, no fim, dormirem com a sensação de que aquele fora o melhor dia do ano, e valera a pena esperar. Isso, claro, com a magia que lhes é permitida a acreditar que tudo aquilo é verdadeiro.

As ruas, ah, as ruas. Elas ficam com encantadora ressaca. Claro, as ruas formam grande paixão minha, não a toa meu mestrado é sobre elas também. Não digo de sua beleza forçada dos enfeites luminosos - ainda que seja encantador quando bem realizado. Mas as tardes dos dias 24, 25 e 26 são verdadeiramente poéticas! Saem na rua aqueles despreocupados com a cozinha e os afazeres, com a cumplicidade secreta que deveriam estar ajudando em algo, mas estão ali se esticando, para não atrapalharem. Boa parte dos estabelecimentos se permitem à preguiça e se fecham, mas em um clima de familiar exclusão das atividades cotidianas, como se respirassem por algumas horas. Aqueles que abrem, seguem em espírito descompromissado e ritmo mais sutil (exceto, claro, supermercados, shoppings e os principais por destruirem o clima), recebendo de coração aberto os transeuntes perdidos, nessas alturas, sua família por alguns minutos. Não há dia mais gostos para se caminhar do que esses.

Sabe, devo admitir, há uma última parte do natal que me alegra: a família. Não sou nada carola nas tradições familiares, rejeito boa parte delas. Me irrita profundamente tais situações de se colarem aqueles que não se entendem no mesmo espaço e tempo e ainda lhes obrigarem o tom festivo. Mas há avó, os pais, e alguns tios e primos que gostamos com mesma honestidade. E entendemos que seja lá qual esforço nos levou ali, de alguma maneira vale a pena.

Quando era criança, com uns seis anos de idade, tive inegável prova de que papai noel existia. Estando eu viajando com meus pais, pelo sul do país - um lugar que não conhecia até então - na noite de natal, enquanto estávamos em algum restaurante estranho escolhido pela guia turística, papai noel foi no meu quarto do hotel e colocou sobre a minha cama um Baby Dino, da extinta Família Dinossauro. E ele falava! E não havia mais ninguém por ali para lhe ser seu cúmplice secreto. Era Papai Noel! Não dormi aquela noite.

Creio que seja essa a verdadeira magia do natal. Mas ainda não entendi o que ela significa. Seria a honestidade em se acreditar ou se acreditar na honestidade? Há gritante diferença entre ambos, e não captei ainda qual é a verdadeira essência e qual urge em ser mais necessário. Natal é fé, e não necessita ser a religiosa e muito menos a cristã. Natal é a fé de que aquilo que fazemos, que nos fazem, e que se faz em larga escala está a nos unir, e não a nos distanciar.

If we just believe...









Infelizmente, anos mais tarde, quando soube que Papai Noel não existia, eu ainda aleguei tal evento da viagem ao Sul como prova incontestável. Meu pai me contou que fora a própria agente de viagem, assim que descíamos para o passeio. Honestamente falando? Isso não se faz...

Feliz Natal a todos!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Especial: Os melhores de 2010 - Tiago


É isso aí pessoal, como ficou bem visível, estou encerrando hoje as minhas atividades de 2010 no blog (como deu pra ver pela absurda série de 5 críticas seguidas, e olha que quase postei Harry Potter, mas fiquei na dúvida se ele não era da Vivi). E, então, nada melhor do que a tradicional listinha de melhores de 2010.

E digo: a lista deste ano está porca. Porca porque foi um ano que não fui tanto ao cinema como de costume, perdi lançamentos importantes (Como Treinar Seu Dragão, dentre tantos outros), assim como perdi filmes que tinha muita vontade de ver (José e Pilar foi o mais sentido dentre eles). Não apenas, os filmes que vi não me inspiraram enormemente, e dei o braço a torcer que a lista do ano passado está muito mais interessante. E, para completar, não consegui organizar um raciocínio limpo e claro sobre todas as categorias, optando por omitir quase todas das técnicas. Em suma, como disse: uma lista porca. Por outro lado, é minha humilde listinha, de tantas desventuras cinematográficas e pessoais que este ano se tornou... 2010 não foi um ano de grandes filmes ou algo deste tipo, mas foi um ano de grandes decepções. Enfim, parar de enrolação e ir direto aos fatos.

Na lista de melhores filmes, aqueles cujas críticas foram feitas por mim eu coloquei em link, caso alguém queira conferir.

Melhores Filmes

6 - Amor sem Escalas
7 - Direito de Amar
10 - Hanami - Cerejeiras em Flor

Direção
1 - Christopher Nolan, A Origem
2 - José Padilha, Tropa de Elite 2
3 - Adam Elliot, Mary e Max - Uma Amizade Diferente
4 - Tom Ford, Direito de Amar
5 - Spike Jonze, Onde Vivem os Monstros

Ator
1 - Wagner Moura, Tropa de Elite 2
2 - Colin Firth, Direito de Amar
3 - Michael Stulbargh, Um Homem Sério
4 - Elmar Wepper, Cerejeiras em Flor
5 - Jesse Einsenberg, A Rede Social

Atriz
1 - Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai
2 - Gabourey Sidibe, Preciosa
3 - Hannelore Elsner, Cerejeiras em Flor
4 - Julianne Moore, Minhas Mães e Meu Pai
5 - Soledad Villamil, O Segredo dos seus Olhos

Ator Coadjuvante
1 - Guillermo Francella, O Segredo dos seus Olhos
2 - André Mattos, Tropa de Elite 2
3 - Irandhir Freire, Tropa de Elite 2
4 - Mark Ruffalo, Minhas Mães e Meu Pai
5 - Andrew Garfield, A Rede Social

Atriz Coadjuvante
1 - Mo'Nique, Preciosa
2 - Marion Cotillard, Nine
3 - Patricia Clarkson, Tudo Pode Dar Certo
4 - Anna Kendrick, Amor Sem Escalas
5 - Helena Boham Carter, Alice no País das Maravilhas

Roteiro Original
1 - A Origem
2 - Mary e Max - Uma Amizade Diferente
3 - Cerejeiras em Flor
4 - Soul Kitchen
5 - Minhas Mães e Meu Pai

Roteiro Adaptado
1 - A Rede Social
2 - Amor sem Escalas
3 - Direito de Amar
4 - Tropa de Elite 2
5 - Toy Story 3

Fotografia
1 - Tetro
2 - Baaria - Porta do Vento
3 - Nine
4 - Onde Vivem os Monstros
5 - A Origem

Direção de Arte
1 - Alice no País das Maravilhas
2 - Baaria - Porta do Vento
3 - Harry Potter e as Relíquias da Morte, Parte I
4 - A Origem
5 - A Jovem Rainha Victória

Figurinos
1 - Alice no País das Maravilhas
2 - A Jovem Rainha Victória
3 - Nine
4 - Direito de Amar
5 - O Brilho de uma Paixão

Edição
1 - A Origem
2 - Tropa de Elite 2
3 - Nine
4 - A Rede Social
5 - Harry Potter e as Relíquias da Morte, Parte I

Trilha Sonora
1 - A Origem
2 - Direito de Amar
3 - Onde Vivem os Monstros
4 - Harry Potter e as Relíquias da Morte
5 - Baaria - Porta do Vento

Canção Original
1 - Take it All, Nine
2 - We Belong Together, Toy Story 3
3 - All is Love, Onde Vivem os Monstros
4 - Cinema Italiano, Nine

Lamento, mas este ano não teremos Maquiagem, Som, Efeitos Visuais e Piores.

Concordo, lista chata de um ano chato.

Para quem tiver curiosidade, aqui se encontram a lista de 2009 (muito mais interessante, e olha que aquele ano eu reclamava) e de 2008 (até doeu o coração agora).

Agora nos Cinemas: Tropa de Elite 2


Para falar do novo filme do Padilha, me vejo obrigado a comentar alguns pontos importantes sobre a polêmica em torno da primeira parte. Tropa de Elite não se propôs a uma profunda reflexão sobre o treinamento dos soldados para fazerem parte do BOPE, ao contrário do livro que deu origem ao filme. Sua proposta era mostrar por alto como era a vida destes soldados, partindo exclusivamente do ponto de vista do Capitão Nascimento. Essa centralização narrativa é essencial para se compreender o espírito da obra: a partir de Nascimento, o restante do Rio de Janeiro e suas mazelas sociais são mostrados. Em um raciocínio bruto e tacanho, bandido bom é bandido morto, os intelectuaizinhos de esquerda são um monte de merda, a juventude que reclama do crime é a mesma a consumir as drogas que originam todo o caos de violência e por aí vai. Um certo senso-comum muito bem estabelecido em nossa sociedade, e Nascimento, junto com sua tropa, vai se transformando cada vez mais em uma máquina de matar.

Veja bem, e eu repito, tudo isso a partir do ponto de vista de Nascimento. O problema que se seguiu com o filme deve-se ao seu formato visivelmente pop, de entretenimento, que caiu rápido no gosto do povo. E vamos deixar de lado toda a conversa sobre a pirataria. Aquilo que era o discurso exclusivamente de um personagem, que poderia ser visto como um sociopata, um louco ou um alienado foi absorvido com caráter de heróico e verídico. Ferrou, Tropa não só teve suas poucas reflexões ignoradas, como passou a autenticar um discurso absurdo que não era seu. Nisso choveu polêmica. Por um lado, os defensores ferrenhos do raciocínio bopeístico da coisa, onde o extermínio passa a ser louvável e amplamente justificável. De outro, os intelectuais que se sentiram bem ofendidos com o 'de merda', mais a esquerda, também pouco se importaram que o discurso não era verdadeiramente do filme, e caíram em cima. No centro, alguns cansados que simplesmente reclamavam da explosão da música do Tihuana e pediam um pouco de bom senso com a frase 'é ficção, gente...'

E então duas coisas conjuraram para a existência de uma seqüência: o direito à resposta de Padilha, Mantovani e Moura - um tanto incomodados com a repercussão do filme e o charme financeiro dos rendimentos da obra original. Mais ou menos dignos, eram bons motivos.

A partir daí, surge Tropa 2 com um subtítulo ignorado, porque horrível, mas bem coerente: o inimigo agora é outro. E é mesmo. Volta Nascimento, indubitavelmente mais cansado, mas amadurecido com o tempo, um pouco mais previnido em suas ações, vendo uma das iniciativas do BOPE virar escândalo nacional. Num rearranjo meramente político, ele sai do comando do BOPE e passa para a secretaria de segurança do governo estadual - lembrem-se: é ficção - como um cargo que, a priori deveria ser simbólico, mas que o raciocínio prático e viciado em trabalho de Nascimento não compreendeu.

Resumindo todo o [excelente] conteúdo do filme, sem estragar as surpresas, Tropa 2 é o movimento de Nascimento para ir de capitão sangüinolento a, enfim, homem de novo - e aí sim poder ser visto como herói. Sem um discurso meramente piegas e burocrático, o personagem irá percebendo, aos poucos, as vicissitudes e limitações daquilo que ele acreditava ser uma máquina imponente e perfeita; cedendo aos poucos à lógica política e se desdobrando para a coerência humana de buscar outras maneiras mais lícitas para resolver seus problemas. Parece que o recado dado por Padilha e Mantovani é "Não, ele não era um herói. Mas pode vir a ser, vamos acompanhar esta possibilidade."

Se há alguma reclamação a fazer do filme - impecável em sua parte técnica - é que ele ainda lida com estereótipos. Os deputados safados, o apresentador sensacionalista de televisão, o intelectualzinho de esquerda, e por aí vai. Novamente, como brigar contra isso se basta ligar a televisão e vemos todos os estereótipos bem definidos? (Aquele abraço, Record...). Novamente, há um mal estar sobre tudo ser culpa do 'sistema', de uma maneira abstrata e bem vinculada ao senso comum. E aqui se faz necessária toda aquela observação acerca do primeiro filme: é tudo o raciocínio bronco de Nascimento. Só que desta vez, ele está no caminho certo. Ainda que o filme não mude este ponto de vista, ele traz uma rede de eventos mais propícia a um posicionamento crítico de seu público.

O elenco do filme é simplesmente espetacular, iniciando por Moura que encarna Nascimento de maneira visceral, conduzindo impressionantemente o envelhecimento e processo de cansaço de seu personagem. Não muito atrás ficam André Mattos, delicioso no debochado apresentador sensacionalista de televisão (Aquele abraço, Record... [2]) e Irandhir Santos.

10,0

Agora nos Cinemas: Atração Perigosa


Ben Affleck não era um ator tão limitado assim, quando bem dirigido. É bem verdade que ele se destacou poucas vezes dos papéis no qual chamava atenção pela pinta de galã e seu elogiável porte físico, mas ainda assim, com um pouco de boa vontade, dava pra se imaginar certo futuro para o ator. Foi um tanto surpreendente a reviravolta em sua carreira quando ele começou a se dedicar à direção, estreando com o excelente Medo da Verdade. E agora ele faz seu segundo trabalho enquanto diretor, mas desta vez atuando também.

O filme é um thriller um tanto interessante. Um grupo de assaltantes de banco, encabeçados por Doug (Affleck) domina a segue com seus trabalhos pouco dignos quando, por acidente momentâneo, seqüestram Claire (Rebecca Hall). A partir deste mal entendido, surgirá uma paixão entre ambos - claro, sem que a mocinha saiba a verdadeira identidade de seu pretendente.

O filme se divide entre boas cenas de ação, especialmente as que envolvem os assaltos (e quase toda a ação final do filme) e intermináveis bocejos relacionados ao inverossímel relacionamento amoroso entre o casal principal. Nisso tudo, destaca-se a atuação de Hall, capaz de dar vida a qualquer personagem que tenha em mãos, e o difícil e ingrato papel que coube a Jeremy Renner, com um anti-herói inescrupuloso e irritante que, graças ao ator, surge de maneira extremamente humana devido ao ator.

É um bom filme, mas sem superlativos. Não entendo o sucesso estrondoso de crítica que se originou desde seu lançamento, inclusive do despontando com um dos possíveis indicados ao Oscar 2011. E o pior: corre-se o risco mesmo, na falta de 10 indicados, ele aparecer completando a lista. Que fique claro, não merece. Que fique claro, novamente, que os atores que se destacam são mesmo Renner e Hall, mas que nenhum merecia especial atenção pelo filme. Por fim, o filme indica que Ben pode continuar se divertindo atrás das câmeras - e ele também se saiu bem como ator neste filme - mas que preste um pouco mais de atenção no roteiro com o qual trabalha, para não criar filmes prolixos e um tanto vazio.

6,0

Agora nos Cinemas: Tetro


É meio difícil comentar a carreira de Francis Ford Coppola: se por um lado ele dirigiu algumas das obras mais memoráveis do cinema, como por exemplo a trilogia Chefão, por outro ele é responsável por alguns deslizes vexatórios - especialmente em suas obras mais recentes. A este impasse, prefiro o meio termo de reconhecer a importância de algumas de suas obras passadas, mas é impossível assistir a Tetro sem vários suspiros de lamentação.

Vicent Gallo (aliás, por que ninguém gosta dele?) é o personagem-título, misterioso americano erradicado em Buenos Aires sobre quem temos parcas informações, a não ser um passado cuja revelação está sempre porvir, prometendo ser o ápice do filme, e que ele é um gênio sem nenhuma grande realização, fugindo da sombra de seu autoritário, genial e mal caráter pai. Sua pacata vida ao lado de sua mulher Miranda (Maribel Verdú) é extremamente incomodada quando surge seu meio-irmão mais novo Bennie (Alden Ehrenreich, encantador e não pelo seu talento), quem traz consigo todas as lembranças do passado que Tetro gostaria de esquecer.

O filme é absurdamente sem ritmo e perigosamente centrado no conflito de Tetro com seu passado - o que gera certa expectativa no público sobre o que virá por aí. Quando a trama vai se desenrolando através de um corpo operístico e dramático em excesso, sem justificativa alguma, é inegável a sensação de frustração por parte de qualquer um que o assiste. Algumas reflexões sobre a arte, alguns comentários sobre a vida familiar, mas enfim, um porre sem tirar nem por, sem chegar em ponto algum.

Desta irreparável perda de tempo, há que se destacar ao menos a trilha sonora de Osvaldo Golijov (quem?) e a soberba fotografia de Mihai Malaimare Jr, sem dúvida a melhor do ano. O resto é resto, creiam vocês ou não.

3,5

Agora nos Cinemas: Você Vai Conhecer O Homem dos Seus Sonhos


Woody Allen se tornou uma experiência desafiante: vamos ao cinema sabendo que sairemos de lá ou muito satisfeito com o que vimos ou extremamente decepcionados. O que agrava a situação do diretor é que, pelo menos nos últimos 10 anos, as boas experiências (encabeçada, nos seus filmes mais recentes, por Vicky Cristina Barcelona) são cada vez mais parcas diante tanta obra chinfrim como esta.

Helena (Gemma Jones) foi deixada pelo seu marido Alfie (Anthony Hopkins) porque este recusa o seu processo de envelhecimento. Enquanto ela tenta superar sua dor através da vidente charlatã Cristal, ele resolve evidenciar a busca pela sua juventude viril com um apartamento típico de solteiro, até se casar com uma garota de programa. Filha de ambos, Sally (Naomi Watts) encara um casamento em um período crítico, passando necessidade pois seu marido aspirante a escritor, Roy (Josh Brolin) nem consegue um emprego nem escreve um livro. Enquanto ela se esforça em seu emprego numa galeria de artes, chefiada por Greg (Antonio Banderas), por quem ela se apaixona, ele se vê cada vez mais enfeitiçado pela atraente e misteriosa garota de vermelho (Freida Pinto) que se mudou para o apartamento em frente a sua janela.

Trama interessante com elenco de encher os olhos? Não se engane. O filme tinha em mãos um material bem interessante para fazer uma comédia agridoce naquilo que se propõe, ou então, trabalhado de outra maneira, seria passível até de um dramalhão mexicano. Mas Allen, mais apático do que nunca, escolhe semelhante tom para conduzir sua trama entediante e sem ponto. Não há como se envolver com nenhum de seus fracassados e idiotas personagens ou as situações vividas por eles, assim como não há como se divertir ou ser tocado pelo resultado da obra.

O ponto de partida - até que interessante - é demonstrar como todos nós vivemos a base de ilusões infundáveis na realidade, e como encará-las é extremamente difícil. A conclusão (até interessante) é que apenas consegue a felicidade aquele que assume viver a custa de tais ilusões, e não tenta ter um posicionamento crítico diante delas (no caso, Helena). Mas vai ser chato no desenvolvimento de um tema assim longe, viu.

4,0

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Cinema Musical: A riqueza de Alexandre Desplat em "The king´s speech"

Gente eu fiz um video bem legal comentando os indicados ao GG mas não sei porque ficou muito baixo, então refarei o post e o colocarei aqui no domingo ok? Por enquanto fiquem com a minha resenha do meu sempre amado e INDICADO AO GLOBO DE OURO Alexandre Desplat por "The King´s Speech":

Mais um grande ano para o incrível compositor francês Alexandre Desplat, que mostrou mais uma vez o porque de ser o grande compositor da atualidade. Seus trabalhos em Escritor Fantasma, Tamara Drewe, The Special Relationship, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1 e The King´s Speech, figuram mais uma vez dentre os melhores do ano, onde Desplat desta vez nos mostrou a sua versatilidade, fugindo um pouco de seu estilo e criando belíssimas melodias. Ano que vem provavelmente será o seu grande ano, já que finalmente “The tree of life” será lançado e, pelo que foi exposto no trailer do filme, com certeza esta será a sua obra prima. Mas, enquanto “The tree of life” não é lançado, nada melhor do que analisar a ultima trilha lançada este ano pelo francês, pelo filme mais importante o qual ele compôs neste ano- “The King´s Speech”, um dos grandes favoritos ao Oscar 2011.

“The king´s speech” narra a história verdadeira do Rei George VI da Inglaterra, pai de Elizabeth que teve de assumir o trono quando seu irmão abdicou para casar-se com a socialite Wallis Simpson. Bertie, como era mais conhecido, virou rei em pelo estopim da segunda guerra mundial, e além disso, ele tinha um pequeno probleminha- não conseguia falar em público, tendo pânico do mesmo. Para ajuda-lo, sua esposa, a rainha mãe encontra uma pessoa muito especial que não só o ensinará a conseguir falar em público, bem como mudará toda sua vida. Para um filme tão sensível e marcante, uma trilha do mesmo estilo é necessária. E Desplat, mais uma vez, acertou, desta vez apostando no piano como trunfo principal da trilha.

“Lionel and Bertie” é bem clássica, onde as cordas tocam uma melodia saudosista e poderosa, onde posteriormente o piano aparece, muito suave, tocando uma melodia muito sensível, como se fosse uma canção de ninar “The king´s speech” é a melodia tema do filme, toda executada por um piano novamente muito suave e com uma belíssima melodia, com as cordas apenas de fundo bem suaves. Linda faixa.

“My kingdom, my rules” tem o tema novamente mas exposto de maneira diversa, alem de começar muito bem com belíssimos violinos e cellos. Mas é através do piano que conseguimos sentir toda a delicadeza e sutileza do score. “The king is dead”, é triste e forte, como se as cordas estivessem chorando. É uma melodia de lamuria, lágrimas, mas muito bem construída. “Memories of a childhood” é outra faixa mais triste e contida, onde o piano mais uma vez brilha, com uma naturalidade arrebatadora.

“King George VI” é uma faixa mais intensa, que mistura cellos, violinos e violas, criando um som com sobreposições onde o piano aparece pesado e grave, todos em uma dinâmica mezzo forte. “The Royal Household” retoma o tema do filme, que com certeza é a melodia mais bonita e doce já feita para uma trilha sonora neste ano, com muita delicadeza e sensibilidade. “Queen Elizabeth” é outra faixa executada pelo piano, mas que foge do tema com uma melodia mais amorosa e intensa, mas sem deixar de ser bela e afável. “Fear and supicion” também é muito bonita, retoma o tema e encanta. Mas a grande faixa da trilha é mesmo “The Rehearsal” a belíssima faixa vai começando bem suave e pianinho, e após os instrumentos vão se misturando, a intensidade vai aumentando, e no final temos uma mistura de instrumentos e uma explosão de sentimentos. Lindíssima.

“The Threat of war” é a faixa mais “pesada” justamente por tratar de um dos momentos mais tensos do filme, onde os cellos tem mais poder e Desplat constrói uma faixa de suspense e escuridão. Após Desplat adapta duas peças de Beethoven- “Sinfornia nº 7- parte II” e “Concerto para piano nº 5- parte II” onde ambas são executadas de modo mais suave e lento, onde o andamento das mesmas diminui mas a intensidade continua a mesma.

É então uma trilha antes de tudo extremamente sensível, mas que tem sua força pelo lindo tema criado por Desplat e pelo seus contrastes peculiares mas notantes. Uma das trilhas mais lindas do ano, onde mais uma vez o compositor francês demonstra seu talento absurdo, do qual parece nunca se esgotar.

Número de estrelas: 5

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Especial Videocast: Indicações ao Globo de Ouro 2011!

Eba!!! Nada como novidades! Para comentários dos indicados ao Globo de Ouro de 2011 eu, Tiago, resolvi fazer um videocast com meus palpitecos. Peço desculpas pela baixa qualidade do filme, eu tinha feito um muito melhor, com qualidade de imagem e tals, mas que ultrapassou o limite permitido pelo blog, então acabei refazendo de uma maneira mais rápida e qualidade inferior, o que deixou o vídeo bem ruim rs. Mas é só um teste! Espero que gostem! Achei legal vocês verem a cara e a voz de alguém que ajuda a fazer o blog (ainda que tenha abandonado um pouco a coisa).

Beijos a Vivi que imagino deixar seus comentários aqui em breve!



video

domingo, 12 de dezembro de 2010

Agora em dvd: "O primeiro amor"

Filmes tão doces e originais que nos remetem à infância estão em extinção nos dias atuais...então quando aparece um filme que consegue captar toda a inocência e beleza de uma época perdida, há de se comemorar. Em “O primeiro amor”, o diretor Rob Reiner volta às raízes contando uma magnífica história de amor contada pelos dois lados da moeda, isto é, pelos dois protagonistas, que vão contando a sua versão da historia um após o outro.

E a história é mais simples possível- Bryce se muda com a família para um novo bairro e logo conhece Juli, sua vizinha, que será, durante os próximos anos, uma pessoa muito importante na sua vida. Ocorre que a família de Juli é mais humilde e o pai de Bryce tem preconceito com a família da garota, o que acaba resultando em um preconceito do próprio garoto perante a menina, onde os sentimentos de ambos se misturam, passando do amor ao desprezo até conseguirem chegar à maturidade de seus sentimentos.

O filme tem todo um clima de saudosismo- dos artistas que fazem os pais de Bryce e Juli (Anthony Edwards, Aidan Quinn, Penélope Ann Miller e Rebecca de Mornay) até a ambientação da história na década de 50, passando pela bela trilha de Marc Shaiman. Os atores também que interpretam o casal principal, Madeline Carroll como Juli e Callan McAluffe como Bryce, são excelentes, demonstrando muita naturalidade e confortabilidade em seus personagens.

É um filme muito bom, que emociona com facilidade e conquista todos aqueles que o vem, percebendo que um tempo como aquele, infelizmente não existe mais. É para assistir e relembrar da infância, um dos melhores filmes de 2010.

Nota: 8,5

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cinema Musical: uma obra prima chamada "Black Swan"

Que Clint Mansell é um grande compositor, isso todo mundo sabe. Seus trabalhos em “Réquiem para um sonho” e “Fonte da vida” são mais do que clássicos. Em sua quinta parceria com o diretor Darren Aronofosky, Clint teve uma missão um pouco diferente- adaptar o balé de “O lago dos cisnes” no contexto de “Cisne Negro” não perdendo a essência do balé original mas colocando sua própria característica na trilha. E isso ele consegue, de modo sensacional.

A primeira faixa, “Nina´s dream”, nada mais é que a introdução do Lago dos Cisnes na essência de Tchaikovsky, sendo esta uma das introduções mais bonitas da historia da música clássica. “Mother me” é mais uma adaptação onde o oboé brilha através desta faixa que serve como “passagem” para a terceira faixa- “The new season” esta totalmente de Mansell, onde temos um aspecto urbano executado através dos violinos, do piano e da sonoridade seca e áspera, que resulta em uma belíssima faixa.

“A room of her own” é mais uma original de Clint Mansell, mas o interessante nesta faixa (e na verdade em toda a trilha) é o cuidado que Mansell tem em fazer do score o mais homogêneo possível, tentando ao máximo fazer com que seu trabalho siga o estilo de Tchaikovsky. É mais uma faixa encantadora, onde as cordas e o piano, em um andamento andante e dinâmica mezzo piano. “A new swan queen” também segue esta linha onde o piano serve de metrônomo das cordas. Mas o que mais impressiona nesta faixa, é a sua mudança de aspecto no meio do seu desenvolvimento, onde piano e cordas assumem uma atmosfera de suspense e o piano brilha com através da melodia sombria.

“Lose Yourself” mistura o clássico ao mais moderno ao adicionar instrumentos eletrônicos à faixa, terminando a mesma com um fragmento do balé. “Cruel mistress” brilha através do piano pessimista e do andamento adágio onde logo é seguido por uma bela melodia triste que é acompanhada com força pelos violinos em tremolo, onde aos poucos ela vai diminuindo novamente o andamento. “Power, seduction, cries” é belíssima, sendo seu estilo mais nostálgico e triste. Segue-se então “The double”, outra faixa que mistura beleza e suspense, caracterizada sempre pelo estilo sombrio que Mansell impõe em cada melodia.

“Opposites atract” mistura todos os elementos sombrios da trilha que agem juntos aqui e culminam em um clímax fortíssimo através de um solo de violino magnífico. “Night of terror” provavelmente a faixa que mais consegue misturar a trilha de Mansell ao balé, onde vemos alternâncias da suíte de Tchaikovsky à beleza sombria das melodias de Mansell. Um verdadeiro tours de force delicioso através de mais de 8 minutos de duração. “Stumbled beginnings” é mais uma faixa que mistura o balé à trilha original conseguindo misturar sentimentos de angustia e emoção através do excelente trabalho de Mansell, que culmina no tema de “O lago dos cisnes”.

“It´s my time” mais uma vez utiliza desta metamorfose que Mansell fez no balé, uma grandiosa faixa que serve de preparo para a estupenda “A swan is born” onde a melodia principal é executada de modo mais rápido e intenso. “Perfection” já se traduz através de seu nome- é uma melodia, perfeita, imutável, emotiva, incrível, arrebatadora, onde o clássico e o moderno se unem através de dois gênios de épocas completamente diferentes. A ultima faixa “A swan song (for nina)” é o tema do lago dos cisnes executado em piano tem um aspecto mais gótico e melancólico.

Dizer que está é possivelmente a melhor trilha do ano e o melhor trabalho de Mansell, é algo obvio, pois a busca pela perfeição não tomou conta apenas da personagem principal, mas sim de um grande compositor que finalmente terá o seu talento reconhecido através de uma trilha que respira emoção e encontra a perfeição musical. Uma obra prima para ficar na historia do cinema.

Numero de estrelas: 5