sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Agora nos cinemas: Centurião

Me interessei pela história de "Centurião" filme que estreia hoje no país quando tive acesso à trilha sonora do filme no incio do ano, composta pelo sempre competente Ilan Eskheri. Mas o que mais me fez assistir o filme foi o fato dele ser protagonizado por um dos atores mais brilhantes que surgiram nos últimos anos: Michael Fassbender, que encantou a nós cinefilos ao viver Bobby Sands em "Hunger" e ao viver o fiapo de esperança na vida da jovem Mia em "Fish Tank". Em "Centurião" Fassbender mais uma vez mostra seu inegável talento que talvez sem ele não conseguisse se tornar um filme tão peculiar e original.
O longa, dirigido e roteirizado por Neil Marshall (do excelente "Abismo do medo") conta a história de Quintus Dias (Fassbender) soldado romano que se torna o único sobrevivente ao ataque de uma tribo escocesa (qual realmente existe até hoje!!!!!). A responsável pelo ataque é Etain (a belissima Olga Kurylenko, de Quantum of Solace que não tem sua beleza exposta aqui) que estava servindo de escrava para o grupo romano atacado por sua tribo. Etain nao fala mas possui caracteristicas poderosas de uma guerreira que é uma excelente estrategista. Quintus, com a ajuda de outros da força romana (sendo este grupo formado por atores ingleses do momento como David Morrisey e J.J. Field, além de Dominic West muito gordo aqui) vai tentar combater a tribo de Etain, mas esta não será uma tarefa fácil.
O filme é violento, mas sua violencia é contrastada com uma belissima fotografia (do ingles Sam Mc Curdy) e a excelente direção de arte (de Jason Jnox Johnston um dos responsaveis pela direção de arte de INCEPTION)...e tem ainda uma brechinha pequenininha para um mezzo romance entre o protagonista e uma jovem feiticeira local interpretada por Imogen Poots.
Enfim é um filme bacana, que comprova o talento de Marshall e mais uma vez aponta Fassbender como uma estrela ascendente.
Vale a pena conferir.

nota: 7,5

domingo, 21 de novembro de 2010

Agora nos Cinemas: Minhas Mães e Meu Pai



Todos que acompanham com maior atenção a indústria cinematográfica em épocas de premiação (e podemos considerar novembro e dezembro, nos EUA, como o período chave para o que se desenrolará no início do ano seguinte), perceberam que este ano a coisa está um tanto... Diferente. Para não dizer morno. Mas, curiosamente, não parece estar morno pela baixa qualidade dos filmes envolvidos - o que fez da temporada 09/10 uma das mais esquecíveis dos últimos anos. Mas a temporada 10/11 está sendo marcada por uma campanha singela, nada tão chamativa, poucos filmes que se destacaram em uma campanha absurda. Os filmes que se destacaram até agora o fizeram por festivais e exibições-chaves nas quais foram extremamente elogiados. E o que percebemos até agora é que será um ano de dramas e de destaque para atuações femininas.

Neste cenário, a comédia Minhas Mães e Meus Pais se destaca por ser um dos únicos exemplares do gênero a ter chamado bastante atenção. Com todos os ares que os independentes norteamericanos clamam para si (texto sobre questões familiares levadas ao extremo, foco no texto e nas atuações, baixo orçamento e conquista rápida da simpatia do público), o filme é mesmo bem interessante e cativante, mas algumas ressalvas precisam ser feitas.

Na sua trama, Nic e Jules (Annette Bening e Julianne Moore, respectivamente) formam um casal aparentemente bem sucedido e aceito pela sociedade, mães de Joni (Mia 'Alicedetimburton' Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson, envelhecendo mas com o mesmo ar de criança encantadora dos filmes que fez na sua infância), através do processo de inseminação artificial a partir do esperma de um doador desconhecido. Quando completa a maioridade - idade que lhe daria o direito de pedir informações sobre seu pai biológico para a 'empresa' responsável pelo processo - Joni não tem a menor vontade de conhecer seu pai, mas acata o pedido de seu irmão - com 15 anos - que não deseja esperar a sua vez para poder conhecer seu pai. E é assim que Paul (Mark Ruffalo, em seu melhor momento até agora), o pai biológico, aparece para a família.

Destacando já as qualidades óbvias do filme, pode-se dizer que é provavelmente um dos melhores elencos desta temporada. Os dois jovens estão bem naquilo que lhes cabe, mas o destaque fica mesmo com o trio principal. Mark Ruffalo é um ator que me intriga, extremamente competente em alguns papéis (este, Ensaio Sobre a Cegueira e Ilha do Medo como exemplos mais recentes), não entendo porque ainda não foi levado a sério como merece. Julianne Moore está divertidíssima em um papel diferente daquilo que está habituada: leve, descontraída, com ares de indecisão e arrependimento por escolhas erradas. Quase uma Clementine lésbica de meia idade. Mas é mesmo Annete Bening quem rouba a cena. Fazendo uma mistura complexa de woorkholic, durona, sensível e magoada, ela marca com presença impressionante a sua mal compreendida Nic.

Entretanto, o que acaba por atrapalhar de leve o filme é seu roteiro e sua direção. A direção por ser singela e nada destacável, mas o roteiro por ter altos e baixos muito definidos. Há que se destacar a naturalidade com a qual ele conduz uma trama que poderia ser narrada com histrionismo ideológico considerável, por outro lado - e talvez até por essa buscada 'neutralidade' - ele falha ao apostar no piegas modelo de "lésbica masculinizada" ao qual Nic se encaixa. Não bastasse, concordo que ao filme falta um conflito mais interessante. A vinda de um membro não convidado a família poderia ter sido trabalhada de maneira muito mais original que não fosse SPOILER o envolvimento de Jules com ele, criando assim uma traição absurda e completamente fora dos contextos apresentados até então. Mas, superado isso, o roteiro brinda com aquelas gracinhas adoráveis do cinema independente norteamericano, com algumas boas piadas e reflexões sobre o tema (as melhores, sem dúvida, sobre tudo que envolve um filme pornô não tão esperado para a situação).

Leve, divertido e interessante - apesar de suas falhas - o filme acaba servindo como base para discussões familiares, com certo ar pedagógico, sobre se há mesmo fronteiras a enquadrar facilmente os relacionamentos, o amor e a família. Isso claro, se não levarmos em consideração os homofóbicos que provavelmente reagirão violentamente ao seu conteúdo.

7,0

Apostas:
Oscar: Filme (10 indicados...), Atriz (Annete Bening), Ator coadjuvante (Mark Ruffalo) e roteiro original.
Globo de Ouro: Filme Comédia ou Musical, Atriz Comédia ou Musical (Annete Bening), Atriz Comédia ou Musical (Julianne Moore), Ator coadjuvante (Mark Ruffalo).

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Agora nos cinemas: Um Homem Misterioso


Antes de mais nada devo confessar que sou fã declarada de George Clooney...desde a época que eu era criança e via o Dr. Doug Ross em "Plantao Médico", adquiri profunda admiração por ele...após quando deslanchou na carreira de ator e explodiu como diretor e roteirista, fiquei muito feliz por seu exito...desde então, pelo menos na maioria das vezes, ele está acertando em ótimos papéis e filmes, e "um homem misterioso" é mais um grande projeto que sem sombra de dúvidas, dá muito certo.
Mas não pensem que aqui vemos mais um filme como qualquer outro sobre assassinos profissionais...o filme é detalhista, minimalista e segue a linha de "imagens falam tudo" tendo muito pouco diálogo durante toda a sua projeção. Então, talvez por isso, e por Clooney fugir de seu tipo usual, muitos irão estranhar o tipo do filme. Mas para aqueles que, como eu, apreciam o cinema em sua pura forma, "um homem misterioso" é uma obra magnifica.
O filme conta a história de Jack/Edward (porque ele utiliza esses dois nomes durante a narrativa) que vai até a Itália para esperar executar mais um trabalho que lhe fora delegado. Jack/Edward é um assassino profissional, mas nao faz ideia inicialmente do que terá de fazer desta vez. Então o que ele faz é observar o local, olhando para tudo e à todos com desconfiança. Quando chega na cidade, Pavel (Johan Leysen) seu chefe/inimigo já lhe alerta- não faça amizades. Mas este pedido é em vao, pois logo de cara o assassino irá se aproximar do padre Benedetto (Paolo Bonacelli) e da prostituta Clara (Violante Placido) enquanto conhece Matilde (Thekla Reuten) para quem ele está montando as armas. A partir daí o que se sucede são situações que fazem com que o protagonista chega ao limite diversas vezes, e quase que por vagamente passa pela paranóia. Falar mais estraga já que aqui trata-se de um filme que deve ser apreciado aos poucos, através de suas imagens e significados incognitos.
Agora sobre o filme em si, ele é dirigido por ninguém menos que Anton Corbijin, renomado fotógrafo que antes havia dirigido o excelente "Control". Aqui o trabalho de Anton é mais comedido mas com certeza o elemento que mais se destaca é o da fotografia de Martin Ruhe (a mais bela do ano), que agem quase que como pinturas de quadros para destacar as situações da trama. A trilha, também muito boa, é de Herbert Gronemeyer e vai se destacando mais e mais ao longo do final da coletiva.
O elenco também é bacana- Clooney cumprindo o que promete, Violante Plácido e Thekka Reuten) vão muito bem e o veterano ator de comédia Paolo Bonacelli etá ótimo como o padre. Talvez o que se criticaria no filme é a lentidao dos acontecimentos devido seu estilo o qual muito reclamam. Mas eu nao, penso que filmes assim não se fazem mais hoje em dia, e que "o escritor fantasma" e "i am love" sao filmes que vem para preencher um pouco desta lacuna.
De tal forma que, de modo conclusivo, aprovo a perspicácia de "Um homem misterioso". Aqui nao trata-se de apenas mais uma história de espionagem, mas sim dos aspectos de um homem consumido por este trabalho e entregue, mais uma vez, à um brilhante projeto.

nota: 8,0

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cinema Musical: A sutileza de Michael Giachinno em "Let me in"


É complicado falar de uma trilha sonora que faz parte da releitura de um dos melhores filmes de horror da história – o incrível Deixa Ela Entrar (Let The Right One In), cujo score é um dos mais belos já compostos para o gênero. Michael Giacchino então teve a difícil tarefa de compor uma partitura que fosse tão convincente quanto a original, e no final das contas ele foi bem sucedido à sua maneira, já que a trilha consegue ser tocante mas bem diferente da escrita por Johan Söderqvist.

A história deste Let Me In é clássica – Owen é um garoto de 12 anos que sofre de bullying e que tem a sua vida modificada quando conhece Abby, sua nova e misteriosa vizinha que na verdade é uma menina vampira de mais de 200 anos. Nasce entre os dois uma verdadeira amizade, que passará por cima de todas as suas diferenças. Este é um outro olhar sobre o livro de sucesso que deu origem ao longa original sueco, já que revela não ser uma refilmagem e sim um outro ponto de vista da história. Assim também ocorre na trilha, que é forte, nostálgica e extremamente eficiente em 28 faixas intensas e calorosas.

“Hammertime” soa como uma introdução: apenas com voz e violão, é obscura e marca extremamente o início da história. “Los Alamos” é feita de silêncio, cellos, órgãos e cordas, perfeita para a atmosfera de horror que envolve a narrativa. “Sins Of The Father” é extremamente nostálgica e triste. Aliás, isso é algo que podemos notar em muitosscores de terror / horror – há sempre melancolia, tristeza, saudosismo, pelo menos em algum momento da trilha. Esta faixa é um ótimo exemplo disso e consegue ser bela, mas é uma beleza triste, murcha. Já “Peeping Owen” é mais suave, com cordas em pianinho misturadas a um piano onde os instrumentos vão se sobrepondo e criando uma linda melodia. Após, Giacchino adiciona vozes infantis de coral que dão um toque mais refinado à faixa. Já “Bully Thy Name” tem sua força nos violinos e nos trompetes.

Outras faixas que se destacam são “The Back Seat Killer”, extremamente sombria, “The Asphalt Jungle Gym”, extremamente melódica e angelical, “At Your Disposal”, poderosa e melancólica que dedilha através do piano parte da melodia principal da trilha, e “Neighbors Of Love”, uma belíssima faixa onde o violino ganha voz ao narrar a história de amor e amizade dos dois protagonistas.

“First Date Jitters” é bem delicada e sutil, com sua melodia encantadora e saudosista. “Killer In-Stinks” é uma faixa clássica de filmes de horror, misturando todos os elementos importantes para o gênero, incluindo a utilização poderosa do cello combinado aos violinos em som agudo, assim como “Acid Test Dummy”, que explora mais os violinos criando essa desarmonia proposital para o efeito da faixa. “Visitation Rights” é um pouco longa demais, e talvez caia até no exagero, mas é salva a partir da utilização da voz de um jovem menino mais ao final da faixa. “New Day On An Old Lake” é ótima, bem delicada e foge da atmosfera obscura das outras faixas. Já “Polling For Owen” é um autêntico exemplar de trilhas de horror e observo que nesse score Giacchino usa e abusa de todos os instrumentos do gênero que possam dar um ar mais obscuro à obra, como que seguindo extremamente os passos do magnífico Jerry Goldsmith.

Nesse padrão as faixas vão se alternando: “Owen Remember Thy Swashing blow” é poética, a seguinte, “Blood By Any Other Name” é extremamente pesada e sombria. E isso se mantém em toda a trilha – há uma alternância de estilos nas melodias, assim como há uma alternância de sentimentos do protagonista da trama. Talvez por isso este trabalho seja tão eficiente, já que temos aqui a transcrição musical da alma de Owen, e sua reação aos acontecimentos que narram sua triste saga. É o retrato de um jovem que se apaixona por um ser completamente diferente, que o tira de sua vida comum e sofrível.

As melhores faixas da trilha chegam realmente por último: “Trained and Steady”, seja na versão do filme ou na original de Giacchino, nada mais é que a alma do score, a explosão da história através do violino e das cordas da orquestra. Mas é “End Credits” a única faixa que consegue duelar, digamos assim, com o tema da trilha de Deixa Ela Entrar – “Eli’s Theme”. A diferença é que “Eli’s Theme” toca no ápice do filme, enquanto “End Credits”, como seu título indica, é ouvida no final da trama. Mas ambas são apaixonantes, belas e nostálgicas, embora eu acredite que em “End Credits” haja muito mais obscuridade e melancolia. Aliás, a trilha de Giacchino é mais sombria e por ela podemos ter uma idéia de como será o filme, talvez mais sombrio e triste que o original.

Mas Giacchino merece aplausos. Claro que o fato dele ter trabalhado nas trilhas incidentais da série Lost o torna muito bem preparado para a tarefa, mas aqui é diferente. Temos uma autêntica tragédia, um conto de amor trágico que é bem diferente dos outros filmes e séries de vampiros que existem por aí… É mais forte, melancólico, apaixonante, intenso, e, claro, inocente – já que mesmo Abby tendo 200 anos, ela na verdade nunca deixou de ser jovem e desejar o amor de alguém. Let Me In é uma das melhores trilhas do ano justamente por conseguir o que eu julgava quase impossível: lançar um outro olhar sobre esta linda e fatídica história de amor.

Número de estrelas: 5

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Agora nos Cinemas: Micmacs- um sonho complicado

Jean Pierre Jeunet é provavelmente hoje o diretor roteirista mais criativo do mundo. O francês que ficou famoso logo na sua película de estréia- "Delicatessen" mas que alçou vôos mais altos com a obra prima "O fabuloso destino de Amelie Poulain" tem, em "Micmacs- um sonho complicado" talvez sua obra mais rápida, engenhosa e criativa.
O filme, que é protagonizado pelo adorado humorista Dany Boon, conta a historia de Bazil um homem que tem sua vida marcada pela tragédia por causa de armas (seu pai morreu por causa de uma bomba e o proprio Bazil é vitima de uma bala perdida). Após sair do hospital por causa do acidente da bala perdida, ele chega em casa e sua casa já foi tomada por outras pessoas, bem como suas roupas e pertences distribuidos entre os vizinhos!!!! Sem familia nem dinheiro (já que ele é demitido da locadora onde trabalhava por causa do acidente) ele acaba sendo adotado por uma estranha familia encabeçada por Tambouille (Yolande Moreau) e Placard (Jean Pierre Marielle) que vivem em um ferro velho e onde todos os membros da familia além de terem uma especialidade são pessoas que ficaram sozinhas por algum motivo. Acolhido, Bazil acaba colocando eles no seu plano de se vingar das duas empresas de armas que sao encabeçadas por Nicolas Fouillet (Andre Dussolier, ótimo sempre) e François Marconi (Nicolas Mairé) e daí em diante, é só confusão e se eu contar mais estrago as surpresas...
O filme tem várias caracteristicas básicas de Jeunet- fotografia marcante, mixagem de som em alta qualidade, um roteiro cheio de "estrategias" e peculiaridades e a presença sempre constante de Dominique Pinon, o muso de Jeunet hehehehe. Além disso o filme tem uma ótima trilha sonora que mistura os acordes de Raphael Beau à trilha de Max Steiner para o filme "A beira do abismo", dando uma ótima mistura de estilos. Além disso, Jeunet também homenageia seus filmes anteriores dedicando pequenas cenas aos mesmos. E Dany Boon, assim como todo o elenco está fantástico, brilhando em cada cena de um jeito original e muito natural.
Eu gostei muito do filme, achei uma ótima volta de Jeunet e é mais um ótimo filme frances, que demonstra a força dos filmes franceses neste ano de 2010 (outros grandes filmes franceses do ano são "The Concert", "A arma do crime", "Heartbreaker" e "Of Gods and Men"). Uma ótima pelicula que deve ser absorvida em todos os sentidos. Para ver e rever.

nota: 9,0