
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Agora nos cinemas: Centurião

domingo, 21 de novembro de 2010
Agora nos Cinemas: Minhas Mães e Meu Pai

sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Agora nos cinemas: Um Homem Misterioso

sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Cinema Musical: A sutileza de Michael Giachinno em "Let me in"

É complicado falar de uma trilha sonora que faz parte da releitura de um dos melhores filmes de horror da história – o incrível Deixa Ela Entrar (Let The Right One In), cujo score é um dos mais belos já compostos para o gênero. Michael Giacchino então teve a difícil tarefa de compor uma partitura que fosse tão convincente quanto a original, e no final das contas ele foi bem sucedido à sua maneira, já que a trilha consegue ser tocante mas bem diferente da escrita por Johan Söderqvist.
A história deste Let Me In é clássica – Owen é um garoto de 12 anos que sofre de bullying e que tem a sua vida modificada quando conhece Abby, sua nova e misteriosa vizinha que na verdade é uma menina vampira de mais de 200 anos. Nasce entre os dois uma verdadeira amizade, que passará por cima de todas as suas diferenças. Este é um outro olhar sobre o livro de sucesso que deu origem ao longa original sueco, já que revela não ser uma refilmagem e sim um outro ponto de vista da história. Assim também ocorre na trilha, que é forte, nostálgica e extremamente eficiente em 28 faixas intensas e calorosas.
“Hammertime” soa como uma introdução: apenas com voz e violão, é obscura e marca extremamente o início da história. “Los Alamos” é feita de silêncio, cellos, órgãos e cordas, perfeita para a atmosfera de horror que envolve a narrativa. “Sins Of The Father” é extremamente nostálgica e triste. Aliás, isso é algo que podemos notar em muitosscores de terror / horror – há sempre melancolia, tristeza, saudosismo, pelo menos em algum momento da trilha. Esta faixa é um ótimo exemplo disso e consegue ser bela, mas é uma beleza triste, murcha. Já “Peeping Owen” é mais suave, com cordas em pianinho misturadas a um piano onde os instrumentos vão se sobrepondo e criando uma linda melodia. Após, Giacchino adiciona vozes infantis de coral que dão um toque mais refinado à faixa. Já “Bully Thy Name” tem sua força nos violinos e nos trompetes.
Outras faixas que se destacam são “The Back Seat Killer”, extremamente sombria, “The Asphalt Jungle Gym”, extremamente melódica e angelical, “At Your Disposal”, poderosa e melancólica que dedilha através do piano parte da melodia principal da trilha, e “Neighbors Of Love”, uma belíssima faixa onde o violino ganha voz ao narrar a história de amor e amizade dos dois protagonistas.
“First Date Jitters” é bem delicada e sutil, com sua melodia encantadora e saudosista. “Killer In-Stinks” é uma faixa clássica de filmes de horror, misturando todos os elementos importantes para o gênero, incluindo a utilização poderosa do cello combinado aos violinos em som agudo, assim como “Acid Test Dummy”, que explora mais os violinos criando essa desarmonia proposital para o efeito da faixa. “Visitation Rights” é um pouco longa demais, e talvez caia até no exagero, mas é salva a partir da utilização da voz de um jovem menino mais ao final da faixa. “New Day On An Old Lake” é ótima, bem delicada e foge da atmosfera obscura das outras faixas. Já “Polling For Owen” é um autêntico exemplar de trilhas de horror e observo que nesse score Giacchino usa e abusa de todos os instrumentos do gênero que possam dar um ar mais obscuro à obra, como que seguindo extremamente os passos do magnífico Jerry Goldsmith.
Nesse padrão as faixas vão se alternando: “Owen Remember Thy Swashing blow” é poética, a seguinte, “Blood By Any Other Name” é extremamente pesada e sombria. E isso se mantém em toda a trilha – há uma alternância de estilos nas melodias, assim como há uma alternância de sentimentos do protagonista da trama. Talvez por isso este trabalho seja tão eficiente, já que temos aqui a transcrição musical da alma de Owen, e sua reação aos acontecimentos que narram sua triste saga. É o retrato de um jovem que se apaixona por um ser completamente diferente, que o tira de sua vida comum e sofrível.
As melhores faixas da trilha chegam realmente por último: “Trained and Steady”, seja na versão do filme ou na original de Giacchino, nada mais é que a alma do score, a explosão da história através do violino e das cordas da orquestra. Mas é “End Credits” a única faixa que consegue duelar, digamos assim, com o tema da trilha de Deixa Ela Entrar – “Eli’s Theme”. A diferença é que “Eli’s Theme” toca no ápice do filme, enquanto “End Credits”, como seu título indica, é ouvida no final da trama. Mas ambas são apaixonantes, belas e nostálgicas, embora eu acredite que em “End Credits” haja muito mais obscuridade e melancolia. Aliás, a trilha de Giacchino é mais sombria e por ela podemos ter uma idéia de como será o filme, talvez mais sombrio e triste que o original.
Mas Giacchino merece aplausos. Claro que o fato dele ter trabalhado nas trilhas incidentais da série Lost o torna muito bem preparado para a tarefa, mas aqui é diferente. Temos uma autêntica tragédia, um conto de amor trágico que é bem diferente dos outros filmes e séries de vampiros que existem por aí… É mais forte, melancólico, apaixonante, intenso, e, claro, inocente – já que mesmo Abby tendo 200 anos, ela na verdade nunca deixou de ser jovem e desejar o amor de alguém. Let Me In é uma das melhores trilhas do ano justamente por conseguir o que eu julgava quase impossível: lançar um outro olhar sobre esta linda e fatídica história de amor.
Número de estrelas: 5
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Agora nos Cinemas: Micmacs- um sonho complicado
