segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Agora em dvd: Cartas para Julieta

Com roteiro do indicado ao Oscar Jose Rivera e direção de Gary Winick, “Cartas para Julieta” é uma grata surpresa, sendo um dos filmes mais doces do ano.

O filme conta a história de Sophie (Amanda Seyfried, graciosa como sempre), uma jovem que trabalha em uma editora como caçadora de capas de livros, mas seu sonho mesmo é ser uma grande escritora. Ela está noiva de Victor (Gael Garcia Bernal) um chef de cozinha que a ama mas que ama mais ainda o seu trabalho como chef. Pelo fato de Victor estar trabalhando na inauguração do seu primeiro restaurante, eles viajam para Verona como uma pré lua de mel. Acontece que por lá, Victor prefere ficar vendo comidas e indo em feiras, e deixa Sophie de lado. Mas quando ela vai à casa de Julieta é que sua viagem vai ter uma reviravolta- ela descobre que existe um grupo de mulheres que respondem à todas as cartas que são deixadas para Julieta (uma espécie de tradição dos turistas) e acaba ajudando. Um dia então ela descobre uma carta de mais de 50 anos, e resolve responder. Para sua surpresa, a autora da carta, Claire (Vanessa Redgrave, divina no papel) vai até a Itália para procurar o seu antigo amor e terá a ajuda de Sophie para descobrir...no meio de tudo isto está Charlie (Christopher Egan), neto de Claire, que vai acabar de apaixonando por Sophie.

Este é um filme para os românticos. Independente de ser homem ou mulher, as pessoas que acreditam no amor vão adorar o filme, justamente por ele retratar a esperança de reencontrar alguém que amamos e de passar a mensagem de que o tempo pode ser recuperado, podemos mudar a nossa vida a qualquer segundo. O roteiro de Jose Rivera é ótimo, e é aí que está o poder do filme: tem-se um bom roteiro em mãos. Aqui está então o melhor projeto de Gary Winick até agora (que dirigiu o gracioso “De repente 30” e o fraco “Noivas em Guerra”) em sua totalidade: o elenco é ótimo, a parte técnica muito bem acabada, e a historia bem contada. Vanessa Redgrave está radiante como Claire, e Amanda Seyfried mostra o porque de ser a it girl das comedias românticas do momento. No mais, Gael Garcia Bernal mostra muito pouco de seu brilho mas Christopher Egan está excelente como Charlie.

Mas o que mais me impressionou na parte técnica é que Winick fez questão de chamar em sua maioria profissionais italianos, como o compositor Andréa Guerra e o fotógrafo Marco Pontecorvo que aqui se esbalda com belíssimas paisagens e ótima luminosidade que me lembrou a fotografia de Bruno Delbonel para Eterno Amor.

É um filme fantástico, redondinho, que emociona com facilidade aqueles que o assistem. Um dos melhores do gênero dos últimos tempos, e um filme para ver e rever.

Nota: 8,5

sábado, 16 de outubro de 2010

Agora nos cinemas: Wall Street- O dinheiro nunca dorme

Quando "Wall Street- poder e cobiça" foi lançado no final da década de 80, Oliver Stone estava no auge de sua carreira, e chocou muitos ao criar um personagem que dizia- "a ganancia é boa". O personagem em questão era Gordon Gekko, interpretado com maestria por Michael Douglas, papel que acabou lhe dando o Oscar de melhor ator. O seu pupilo era interpretado por Charlie Sheen, que acabou se revelando, anos depois, um comediante nato. 23 anos depois, com direito à uma decaída considerável na carreira de Stone, ele finalmente volta com um filme que tem realmente substância, e se o mundo mudou, Gordon Gekko também o fez, e agora, no lugar de Charlie Sheen, temos o queridinho de Steven Spielberg como protagonista: o inteligente e carismático Shia La Beouf.
O filme começa com a saída de Gekko da prisão, e claro, não há ninguem o esperando fora da cadeia. Sua filha, Winnie, o odeia, e está à frente de uma ONG que vai contra tudo que seu pai prega. Mas ela está namorando um jovem investidor, Jake Moore (Shia) que quer vingar-se de Bretton James (Josh Brolin) um banqueiro que levou seu mentor, Louis Zabel (Frank Langella, sempre excelente) ao suicídio. Eis que temos aqui então um encontro de interesses: Jake procura Gordon a fim de que este o guie em sua vingança pessoal enquanto Gordon ajuda Jake porque...bem, não vou contar, mas é algo digno de uma figura gananciosa como Gordon Gekko. Em contrapartida, a mãe de Jake que é interpretada por Susan Sarandon, virou uma viciada em apostas de ações, o que a leva à bancarrota financeira. E através de toda essa conexão de personagens, que temos aqui uma mensagem de Oliver Stone que vai contra tudo que o protagonista Gordon Gekko prega: que por mais que sejamos dependentes do dinheiro, a família sempre vem em primeiro lugar. E no final das contas eu concordo com a visão de Oliver, já que, não importa se sejamos ricos ou pobres mas, se não formos amados por ninguém, nada adianta ter o prestigio e o poder.
Ao contrário do que muita gente reclamou, gostei muito de Carey Mulligan como Winnie, ela dá a humanidade necessária à sua personagem, e tem nivel suficiente pra trabalhar de cabeça erguida ao lado de Michael Douglas. Shia também está muito bem, mas ele deveria ser um pouco mais denso em seu papel. Susan Sarandon e Frank Langella estão bem em suas pontas, assim como Josh Brolin prova que mais uma vez é um grande ator ao interpretar o grande vilão do filme. Mas os melhores momentos da narrativa com certeza são os que Michael Douglas está em cena, o ator, que está em um grande ano profissional (mas não pessoal já que está sofrendo gravemente de um cancer) interpreta Gekko de olhos fechados e assume uma postura fantástica em cena. Na parte técnica, destaco a fotografia de Rodrigo Prieto bem como a trilha de Craig Armstrong com as canções de Brian Eno.
É, sem sombra de dúvidas o melhor filme de Stone em anos, e, embora não seja o melhor filme do ano, é uma arte de interpretação. Realmente, um filme que merece ser visto.
Nota: 9,0

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Especial: Os melhores da década (Tiago) - Atuações masculinas em papéis coadjuvantes

É interessante como desde que eu comecei as listas de melhores das décadas, esta de atuações masculinas coadjuvantes foi a primeira a ficar pronta. Da nona a primeira posição, eu tinha certeza de todos aqueles que fariam parte da lista, e o que tive que resolver depois foram suas colocações. Diferentemente das demais listas de atuação (elenco, masculina em papel principal, feminina em papel principal e coadjuvante), esta lista tinha um corpo óbvio muito forte para mim - ainda que soubesse que outras grandes atuações ficariam de fora.

A grande briga e grande confusão foi o empate que cismava em acontecer na décima posição. De um lado, um personagem complexo, denso, comandado de maneira extremamente sensível por um ator pouco destacável. De outro, um dos personagens mais marcantes e comentados do cinema na década, um grande vilão, interpretado por um dos atores mais interessantes da atualidade. Sinto que minha decisão não agradará muito...


10. Jake Gyllenhaal, Jack Twist em O Segredo de Brokeback Mountain

Todos entenderam que a briga estava entre ele e Javier Bardem por Onde Os Fracos Não Têm Vez né? Pois bem, Ang Lee conduziu de maneira excelente todo o filme, especialmente seu elenco, fazendo com que um nome fraco como o de Jake resultasse em uma excelente atuação. Acontece que eu tenho sérios poblemas com este filme dos Coens, não entendo direito sua proposta e acho Anton Chiguhr unilateral e pouco complexo. Ele é mal, e ponto. Mata os outros com um cilindro de ar comprimido. Nada demais. Jake tem em mãos um personagem que apresenta certa facilidade ao assumir sua homossexualidade e sua paixão por Ennis del Mar, tentando mostrar a este um contraponto a seus medos e angústias. Sensível, sem cair em momento algum em estereótipos, sedutor na medida do que lhe cabia, acabou sendo uma atuação que corresponde a altura no excelente duelo travado com Heath Ledger.


9. Benício del Toro, Jack Jordan em 21 Gramas

Três grandes atuações: Toro, Penn e Watts em um filme extremamente denso e perturbado do Iñárritu (mas ainda prefiro seu subestimado Babel).






8. Christoph Waltz, coronel Hans Landa em Bastardos Inglórios

Vamos falar de vilões marcantes? O que Waltz faz neste filme é simplesmente delicioso, e não a toa isso lhe garantiu trocentos prêmios, como o SAGs, o globo de ouro, o Oscar e o prêmio de melhor ator em Cannes. Sarcástico, cruel, arrogante e sedutor, Waltz rouba a cena sempre que aparece nesta fantasia absurda sobre o combate ao nazismo comandada por Tarantino. That's a bingo!



7. Heath Ledger, Coringa e Batman - O Cavaleiro das Trevas

O que Nolan fez pela série Batman diretor algum fez por outra série baseada em HQs. Simples: ele levou o material a sério, apostando na densidade e na complexidade do que tinha em mãos. E como não se apaixonar pelo psicopata anarquista interpretado com total autoria por Ledger? Infelizmente, falar sobre isso ainda me remete a morte precoce do ator, que de fato foi extremamente desagradável. Ledger não só tinha um futuro promissor, como já era um dos nomes mais destacáveis de sua geração.



6. Casey Affleck, Robert Ford em O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford

Minha única grande questão em relação a esta atuação é considerá-la coadjuvante ou principal... Seja como for, Casey (o irmão 'talentoso', mas aparentemente sem noção de Ben Affleck) arrasa com um personagem extremamente ambíguo e confuso, destrutivo e covarde. Aliás, o elenco deste filme merece considerável atenção.


5. Eddie Marsan, Sott de Simplesmente Feliz

Não morro de amores por este superestimado filme, não. Assim como não me encantei tanto por Sally Hawkins, muito comentada no papel de Poppy. Mas Marsan está excelente como o sisudo paranóico instrutor de direção, forçado a suportar Poppy. Mais um caso de um considerável duelo no qual um dos lados é completamente ignorado.


4. Chris Cooper, John Laroche em Adaptação

Mais um elenco arrebatador, dividido entre Cooper, Streep e o insosso Cage - simplesmente sensacionais neste filme. Não sei muito o que comentar neste caso.






3. Paul Dano, Eli Sunday em Sangue Negro

O tanto que o trabalho deste garoto foi ignorado é surpreendente. Veja bem, o excelente filme de Paul Thomas Anderson é centrado em um duelo inimaginável: o veterano e arrebatador Daniel Day Lewis contra o novato e cada vez mais destacável Dano. E o resultado é simplesmente surpreendente, o garoto não desaparece diante do monstro uma vez sequer. Aí consideram a atuação de Day Lewis a principal de sua carreira e uma das - se não a - melhores da década (merecidamente), e ignoram completamente o show dado por Paul. Acho isso simplesmente absurdo, ele é dono do filme tanto quanto o outro.


2. Ed Harris, Richard Brown em As Horas

Falando em elencos espetaculares, antecipo que, obviamente, As
Horas já tem o prêmio de melhor elenco da década. Este filme é extremamente denso, e tenho considerável afeto pela personagem Richard. Poeta reconhecido, sofre com sua doença fatal e com os fantasmas de sua juventude e de sua infância. É um filme tão bem escrito e atuado que é impossível destacar uma ou outra cena como a mais memorável, mas certamente Harris protagoniza algumas das tantas destacáveis.


1. Jackie Earle Haley, Ronnie McGorvey em Pecados Íntimos

Pecados Íntimos é um soco no estômago que se digere aos poucos, e conta com duas soberbas atuações: esta e a de Kate Winslet. Pedófilo que tenta se reintegrar a sociedade, Ronnie é um homem de meia idade que se percebe completamente sem razão de existir - ainda dependente de sua mãe - que não consegue 'se curar' de seu terrível mal. Perseguido eternamente pela culpa, ele não tem como fugir dos constantes e aparentemente justificáveis ataques de seus vizinhos, que resultarão em situações ainda mais absurdas. É uma subtrama do filme sobre a hipocrisia sexual e ética das 'pequenas crianças' daquele subúrbio americano, mas tenho a sensação que Haley simplesmente consegue criar um filme próprio, e esquecemos do resto quando ele surge em cena. Ah, e só para lembrar, este ano ele concorreu ao Oscar com Eddie Murphy - que só por gritar e cantar em Dreamgirls deram o direito a ele de se considerar favorito ao prêmio e ambos perderam para o vovô zureta de Pequena Miss Sunshine, interpretado por Alan Arkin. Ainda que ame o filme de Dayton e Faris, e ache o seu elenco um dos melhores da década também, alguém me explica qual ácido a academia toma pra conseguir uma viagem dessas?

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Ainda que a lista seria essa, e ponto final, merecem especial atenção Javier Bardem por Onde Os Fracos Não Têm Vez (expliquei sua ausência na décima posição), Joaquim Phoenix por Gladiador, e Steve Carrell - aí sim - por Pequena Miss Sunshine.

Próxima lista? Vamos respirar um pouco e dar uma olhada nas montagens.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Especial: Os melhores da década (Tiago) - Direção de Arte

Está aqui uma de minhas categorias favoritas. Como deu para perceber, me amarro no cuidado visual de um filme, na criação de mundos, épocas, eras, lendas em seus menores e mais ricos detalhes. Foi isso que, num geral, me fez considerar mais no assunto 'Direção de Arte'. Então vamos à lista!

10. Memórias de uma Gueixa

Rob Marshall tem um apelo estético muito grande em seus filmes. Chicago quase entrou para esta lista, Nine é o mais acanhado neste sentido e Gueixa, sem sobra de dúvidas, é o mais chamativo. As vilas japonesas foram brilhantemente construídas - e fotografadas, diga-se de passagem.

9. O Labirinto do Fauno

Contraste interessante entre o mundo fantasioso de Ofelia com a Espanha fascista da década de 40.

8. King Kong (2005)

Tudo bem que o desenho da floresta é interessantíssimo. Mas o que me hipnotiza neste filme é, na verdade, o retrato de NY no começo da década de 30, desde a decadência pós-crise até aquele espírito da velha Broadway e seus teatros luminosos e fantasioso.

7. O Aviador

Visual interessantíssimo, mas nem tenho muito o que comentar.

6. O Curioso Caso de Benjamin Button

Não gosto do filme, como vivo deixando claro. Mas a parte técnica dele é simplesmente espetacular. Tanto seus belíssimos figurinos, sua fotografia romântica, quanto sua excelente direção de arte que realmente merece palmas.

5. O Fantasma da Ópera

A obra de Andrew Lloyd Webber é over. Partitura over, trama over, e ainda assim o mundo reclama do tom excessivo que Joel Schumacher deu ao musical - como se fosse possível fugir desta lógica. Seja como for, o fato é que o visual do musical é estarrecedor, e muito melhor que o musical original. Mas sim, é completamente trabalhado no excesso.

4. Harry Potter - a série

Jogue a primeira pedra aquele que teve a sorte de ler a série em sua infância e não ficou de queixo caído com o mundo mágico criado por Rowling. Transpô-lo ao cinema não deve ter sido uma tarefa fácil, e que bom que a autora palpitou em quase tudo. Criar Hogwarts e todos os demais ambientes que envolvem a trama foi uma louvável tarefa da série, ainda que ela tenha perdido o seu interesse com o decorrer do tempo.

3. Piratas do Caribe - trilogia

Mantenho o que disse sobre os efeitos visuais e a maquiagem: todo o visual desta trilogia me fascina.

2. Moulin Rouge! - Amor em Vermelho

Ah, como foi difícil dar o braço a torcer e tirar sua pole position. Seja como for, a Paris romântica da virada do século XIX para o século XX, os cenários grandiosos e oníricos, o desenho perfeito dos palcos do musical - é uma das mais encantadoras direções de arte desta década, e ficou um bom tempo empatado em primeiro lugar... Mas...

1. O Senhor dos Anéis - Trilogia

Mas aparece novamente a saga do anel comandada por Peter Jackson e seu excesso de mundos, detalhes, cenários, cidades que são impossíveis de serem ignorados. A recriação dos mundos de Tolkien é simplesmente perfeita e estarrecedora.

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Direção de arte foi um pouco difícil de ser definida. Chicago, Cold Mountain, O Clã das Adagas Voadoras, Gladiador, Sangue Negro, Frida, Desejo e Reparação, Star Wars (nova trilogia) e Inteligência Artificial apareceram bastante na briga - e acabaram saindo depois de considerável reflexão. Mas fica aí a menção honrosa.

Próximo? Vamos esquentar as coisas, partindo para uma categoria de grande destaque: atuação masculina em papel coadjuvante.

Agora noos Cinemas: Comer, Rezar, Amar


Liz Gilbert parece ter uma vida extremamente satisfatória: ótimo trabalho [que nunca entendemos exatamente qual é], um casamento 'estável', uma bela casa, alguns amigos que a acompanham não importa o que aconteça. E então, logo nos minutos iniciais do filme, sabemos que ronda sobre ela o mesmo ar que ronda sobre aqueles que sempre juramos ter a vida perfeita: Elizabeth é infeliz, não sabe o que quer da vida e muito menos onde encontrar. Desistindo de seu casamento com seu insosso marido e fracassando em seguida na tentativa de namoro com alguém que não tinha nada em comum com ela, a escritora resolve sair em uma longa viagem pelo mundo em busca de si. Ela quer vida, ela quer o que a satisfaça. Ela quer comer, rezar e amar.

Baseado no livro da verídica Liz Gilbert (que não li, mas dizem que o roteiro é extremamente fiel), o filme é dirigido por Ryan Murphy. Já começa aqui alguma reclamações. Ryan é um cara inteligente e sensível, já provou isso com os seriados Glee, Nip/Tuck e com o subestimado filme Correndo com Tesouras. No entanto, mostra-se quadrado e preso ao esquemão comédia-romântica neste seu novo filme. Para piorar, o diretor acredita que 'inovar' signifique apenas a tentativa de uns ângulos e movimentos de câmera inesperados - e muitas vezes tacaños e desnecessários. Sem falar em seu vício de levantar a câmera ao teto (céu) ao final de qualquer cena com dança (estragando assim o momento mais sensível do filme: o diálogo imaginário entre Liz e seu marido, durante o momento em que ela se perdoa pelas suas atitudes).

O roteiro é outro ponto discutível. O filme é extremamente bem fincado em quatro (!) atos: crise - comer - rezar - amar. Isso faz com que o filme não tenha um ritmo bem definido, e há mudanças bruscas e destacáveis entre cada momento. O problemático início, a agitada Itália, depois caímos na cansativa Índia para terminarmos em uma Bali nada definida. Vemos parte do desenvolvimento da personagem durante essas mudanças, para nos rendermos a um ato final no qual ela surge injustificável - e tentam nos convencer com um conselho clichê do guru espiritual. Em tantas situações, personagens secundários interessantes vão aparecendo, e nunca são bem trabalhados a ponto de gostarmos ou nos importarmos com ele.

Soma-se a esta situação alguns excelentes atores. Julia Roberts retorna encantadora naquilo que ela faz melhor - e sustenta o filme com certa graça (exceto a vexatória cena na qual ela ora pela primeira vez, em desespero). James Franco está hilário com um pequeno e honesto personagem, largado totalmente a segundo plano; e nome mais forte do filme fica com Richard Jenkins, como o supostamente-zen-verdadeiramente-atormentado Richard. Curiosamente, a grande decepção do filme fica com Javier Bardem - especialmente porque o roteiro pouco o ajuda. Ele é o sedutor-sensível-honesto-impulsivo-brasileiro Felipe, arranha algumas palavras com o português, mas está sempre excessivo em quase todas as cenas. Em momento algum conseguimos confiar na 'promessa do destino' chamado Felipe, chegando ao ponto de sequer entendermos porque Liz muda tudo aquilo que construiu para si em prol de uma paixão inesperada.

O filme ainda conta com uma bonitinha fotografia, uma agradável seleção de músicas para sua trilha sonora e aquela sensação de 'volta-ao-mundo-sem-sair-da-poltrona' sempre bem vinda para nos distrair. Ao mesmo tempo, conta também com inexplicáveis 140 minutos de duração, mostrando que o filme não soube se levar menos a sério e aceitar diminuir algumas partes bem desnecessárias. Verdade seja dita, alguém esqueceu de colocar 'sleep' ali no título.

6,0

domingo, 3 de outubro de 2010

Cinema Musical: Top 20 Trilhas dos Últimos 20 anos

Em homenagem aos vinte anos de aniversário do IMDB, o mais popular site sobre cinema da web, decidi fazer uma lista com as minhas 20 trilhas favoritas dos últimos 20 anos, que além de serem belas são primordiais para seus respectivos filmes. Segue abaixo meu top 20:

1- Alexandre DesplatDesejo e Perigo:

Não há duvidas de que Alexandre Desplat foi o compositor desta década. Tendo o primeiro trabalho de destaque em Hollywood em 2003 (embora já tivesse na Europa mais de 50 scores), hoje em dia o francês assume o posto de compositor mais importante do mundo, alem de ser o mais requisitado. Considero Desejo e Perigo seu principal trabalho, bem como o melhor trabalho de uma trilha dos últimos 20 anos justamente por tratar-se de um longa cuja música consegue ser um componente essencial para que a trama se desenvolva, sendo também ponto fundamental para a tensão sexual entre os personagens principais. “Wong Chia Chi’s Theme” se releva uma obra prima, e “Dinner’s Waltz” é uma peça em piano que capta todo o tom dramático da narrativa. Por causa de sua trilha, assistir Desejo e Perigo se torna uma experiência que desafia os sentidos, eleva o espírito e aquece o coração. É por esses e outros motivos que ela ocupa a primeira posição deste top 20.

Ano de 1999, o diretor francês Jean Pierre Jeunet estava a todo vapor envolvido com o processo de produção e gravação do filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain”. Um dia, ao pegar um táxi, Jean ouve uma música no carro que lhe chama a atenção: é um misto de sentimentos, instrumentos e emoções. A canção que estava tocando era “Monochrome” faixa de sucesso do álbum “Le Phare” do multi instrumentista Yann Tiersen. Jeunet ficou maravilhado, procurou Tiersen, comprou os direitos autorais de todos os seus cds e ainda de quebra contratou Tiersen para compor uma trilha sonora especial para o filme. O resultado foi uma das trilhas mais queridas pelo público e Tiersen ficou conhecido nomundo todo. Também pudera, “La Valse d’Amelie” é uma obra prima assim como toda trilha, que pincela de modo verdadeiro o lúdico a alma da protagonista titulo. Uma obra inesquecível.

Não há duvidas que John Williams é o compositor mais importante da história do cinema. Vencedor de 5 Oscars e responsável por clássicos como E.T., Star Wars eTubarão, John, embora continue imbatível, diminuiu bastante seu ritmo de trabalho, hoje trabalhando basicamente apenas com Steven Spielberg. Memórias de Uma Gueixa, um trabalho que teria a direção de Spielberg, claro, também contaria com Williams na composição da trilha. Quando Spielberg teve que abandonar a direção, ficando apenas na produção do longa, muitos pensaram que Williams iria querer sair do projeto. Mas, pela paixão ao livro, Williams topou numa boa continuar no filme, e trabalhou pela primeira vez com Rob Marshall, que tinha acabado de dirigir o vencedor do Oscar Chicago. E Williams não só deu de presente ao publico uma trilha de tirar o fôlego, mas também nos deu uma de suas melhores criações, onde através das notas nostálgicas e suaves docello de Yo Yo Ma e do violino de Itzhak Pearlman, conseguiu compor a alma de Sayuri de uma maneira única e inexplicável. É uma obra magnífica, que só não rendeu mais um Oscar ao compositor, porque no mesmo ano ele também foi indicado com outra trilha, a do longa Munique, este sim dirigido por Spielberg, o que acabou gerando umadivisão de votos. Mas independente de qualquer premiação, o score de Memórias de Uma Gueixa é uma das trilhas mais lindas já compostas para um filme.

4- Dario Marianelli – Orgulho e Preconceito:
O ano de 2005 realmente foi especial para as trilhas. Além da trilha de Memórias… o score de Orgulho e Preconceito, de Dario Marianelli, foi uma obra extremamente especial, onde o italiano conseguiu transpor de modo extremamente romântico e clássico a historia de amor escrita por Jane Austen. É uma trilha dinâmica, elegante, emotiva e bem preparada, que consegue ser certeira ao narrar a historia de Elizabeth e Darcy com delicadeza e suavidade. Uma obra fantástica e apaixonante.

5. Alexandre Desplat – O Despertar de Uma Paixão:
Foi em 2006 que Desplat conquistou de vez Hollywood com dois belíssimos trabalhos:A Rainha, que lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar de melhor trilha, e este O Despertar de Uma Paixão, filme de John Curran que rendeu a ele o Globo de Ouro de melhor trilha musical. “The Painted Veil” é um trabalho extremamente bem arquitetado e conta a história de amor e perdão de Kitty e Walter, este médico, que vai para os confins da China cuidar de uma epidemia de cólera e leva Kitty, sua esposa junto pelo fato desta ter traído ele. E lá, ambos amadurecem e descobrem o amor verdadeiro, através das belas paisagens e da trilha magnífica do francês, que fez um trabalho de gênio ao contar esta historia de amor através de um score encantador, inteligente e intenso. Mais uma prova da genialidade do compositor francês.

6- Alan Menken - Aladdin:
A década de 1990 foi dominada pelo magnífico compositor norte-americano Alan Menken, que colocou as animações da Disney em um nível mais alto - no patamar de comédias musicais. Por seus trabalhos Menken faturou 8 Oscars, e 2 deles (trilha e canção) pelo seu trabalho em Aladdin, onde incorporou elementos musicais da década de 1930 misturados a arranjos árabes, que criaram uma combinação perfeita e original para contar a história de Aladdin de modo divertido e afetuoso. É o melhor score de Menken e merece muito estar no top 20.

7- Zbigniew Preisner – A Fraternidade é Vermelha:
O polonês Zbigniew Preisner em parceria com Kristof Kieslowski compôs seus melhores trabalhos, embora seu trabalho mais conhecido seja o do filme “O jardim secreto”. Em “A fraternidade é vermelha” Zbigniew está no auge do seu talento, com uma trilha que algumas vezes lembra o bolero de Ravel e por outras à de um balé de Tchaikovsky. É um trabalho estupendo, muito bem composto, onde as peças são do nível dos maiores compositores clássicos da historia, assim como o filme, é uma obra indispensável pra quem gosta ou tem interesses em trilhas sonoras.

8- John Barry - Chaplin:
John Barry é um dos compositores mais importantes do cinema, também tem 5 Oscars e clássicos no seu currículo como A História de Elza, as trilhas do 007 e o score deDança com Lobos, entre tantos outros. Com Chaplin, John Barry teve sua última indicação ao Oscar de melhor trilha e compôs um dos scores mais bonitos de sua carreira. Incorporando algumas partes da música de Chaplin para Luzes da Ribalta e um score próprio criado para delinear a vida do ícone cinematográfico, a trilha consegue ter uma nostalgia bela, e ser um dos pontos altos desta incrível obra de Richard Attenborough.

9- Jan A. P. Kaczmarek – Em Busca da Terra do Nunca:
Considero esta obra de Kaczmarek a última a ter ganho justamente um Oscar de melhor trilha (Oscar 2005), onde o polonês Jan Kaczmarek conquistou Hollywood e nos deu de presente uma obra belíssima, lúdica e inocente, perfeita para um filme tão doce e verdadeiro quando Em Busca da Terra do Nunca, a história de James Barrie e de como ele criou seu maior sucesso: “Peter Pan”. O auge desta trilha são os solos de piano, que conseguem toda explosão de emoções dos personagens principais. Trilha etérea, sensível e eterna.

10- Johan Söderqvist – Deixa Ela Entrar:
Este filme incrível filme sueco, que conta a triste história de amizade entre um garoto de 12 anos e de uma jovem vampira, necessitava de uma trilha que fosse sensível e marcante. Johan Söderqvist, compositor sueco famoso, conseguiu um feito: o de criar a melhor trilha do ano de 2008 e uma das trilhas de horror mais bonitas de todos os tempos. Seu trabalho em Deixa Ela Entrar lembra e muito as peças românticas feitas por Jerry Goldsmith em momentos mais suaves de A Profecia, e o próprio filme consegue fazer com que nos concentremos no relacionamento de Oskar e Eli e acabarmos nos afeiçoando pela jovem vampira, até mesmo aceitando o fato de ela ter que matar pessoas para sobreviver. E quando toca “Eli’s Theme”, sentimos tanta falta da personagem quanto Oskar. Tanto o filme quanto sua partitura são simplesmente magníficos.

Badalamenti é um dos compositores mais queridos do meio, sendo parceiro habitual do mestre David Lynch e também de Jean Pierre Jeunet, colaborando com as trilhas dos filmes Ladrões de Sonhos e Eterno Amor - com certeza o seu melhor trabalho desta parceria, que lhe rendeu o World Soundtrack Awards de melhor compositor. A trilha de Eterno Amor é dramática e triste, mas ao mesmo tempo esperançosa e bela, sendo um grande reflexo da própria história do filme. É uma grande obra que merece ser reconhecida e apreciada.

12- John Corigliano – O Violino Vermelho:
Corigliano é um dos compositores clássicos mais respeitados dos Estados Unidos, e quando ele aceitou a tarefa de compor o score de O Violino Vermelho, toda a classe cinematográfica ficou em polvorosa. E com razão, a trilha além de belíssima se adequa perfeitamente à historia e “Anne’s Theme” se tornou um clássico no mundo erudito, e claro, Corigliano acabou levando o Oscar de melhor trilha sonora em 2000. Um novo e grandioso clássico.

13- Stephen Warbeck – Shakespeare Apaixonado:
Shakespeare Apaixonado é um sucesso do final da década de 1990 que conta a historia fictícia de uma paixão de Shakespeare que inspirou seu maior clássico – “Romeu & Julieta”. O filme, que mistura doses de romance e comédia, tem uma trilha linda, bem adaptada à época e com peças magníficas, onde os violinos brilham e o classicismo impera lindamente. Já considero esse score um clássico, bem como o filme.

É engraçado citar Horner nesta lista por um filme tão diferente de Titanic. E embora eu goste muito da trilha de Titanic (que é o maior sucesso do compositor e vendeu 26 milhões de cópias em todo o mundo, além de lhe render 2 Oscars- de melhor trilha e canção), para mim é em O Menino do Pijama Listrado que Horner entrega seu melhor trabalho em uma trilha que precisa ser “degustada” para ser realmente apreciada. O filme tem muitas peças de piano, que são delicadas e tristes ao mesmo tempo, dando o tom perfeito para a história de um garoto, filho de um general nazista, que fica amigo de um menino judeu dentro de um campo de concentração. O muro de arames os separam, mas a inocência e beleza das crianças irão prevalecer sob suas diferenças. E com a trilha espetacular de Horner, temos um pequeno grande filme, que brilha ainda mais com este score certeiro.

15. Alan Menken – A Bela e a Fera:
Embora não seja o melhor score de Menken, A Bela e a Fera é o seu clássico, e é a sua obra mais tradicional, mais romântica e musical. A canção tema do filme é um clássico até hoje, e a animação, que foi a primeira na história a concorrer ao Oscar de melhor filme, em uma época que não existia a categoria de melhor animação, foi transposta posteriormente para a Broadway, ficando em cartaz mais de 10 anos, e conquistando o público também nos palcos. É uma trilha emotiva e sensível, que tem lindas canções e faixas instrumentais.

16. Rachel Portman – A Duquesa:
A historia da duquesa de Devonshire, Georgianna Cavendish, foi lindamente transposta para as telas em 2008, onde, com uma produção afinada vimos Keira Knightley interpretar a personagem titulo ao som do score assustador de Rachel Portman, que tem aqui seu melhor trabalho e que compõe com o coração. As faixas são belíssimas, e a trilha, com destaque para as cordas, é romântica e saudosista. Rachel Portman atingiu o ápice da poesia através de seu score, e conseguiu transpor todo o lirismo do filme.

17. Paul Cantelon – A Outra:
O violinista Paul Cantelon surgiu em meados de 2004 com a trilha de “Uma vida iluminada”, mas foi em 2007, com a trilha de “O escafandro e a borboleta” que ele chamou atenção em Holywood e foi convidado para compor a trilha de “A outra” adaptação do best seller de Phillipa Gregory que tem um outro foco sob a historia de Ana Bolena. Com uma trilha dramática e poderosa, Cantelon fez a sua grande obra através destra trilha, que é passional e forte. Com certeza, um grande triunfo.

18. Clint Mansell – A Fonte da Vida:
Parceiro habitual do diretor Darren Aronofosky, Clint Mansell compôs belíssimas trilhas nesta década passada. Mas nenhuma foi mais amada, mais preparada, mais dramática e mais apaixonante que a trilha de A Fonte da Vida, obra máxima de Arenofosky que conta uma história de amor e morte e dos mistérios após a vida. A trilha de Mansell é digna a ser estudada, por ser tão filosófica e cheia de detalhes. É uma obra estupenda, que colocou Clint no patamar dos compositores mais importantes de Hollywood. Simplesmente maravilhosa.

19. Alexandre Desplat – Reencarnação:
Esta provavelmente é a trilha mais clássica de Desplat, que compõe toda a surreal trilha de Reencarnação como se estivesse compondo uma ópera. É obra incrível, que lida com o mistério da reencarnação (o filme conta a historia de um menino que afirma ser a reencarnação do marido falecido da personagem de Nicole Kidman) e a trilha sonora do filme é extremamente atemporal, e acredito que futuramente possa ser posta no rol de clássico no ramo das trilhas.


20. Adrian Johnston – Brideshead Revisited:
O filme Brideshead Revisited, baseado no best seller de Evelyn Waugh, não foi um sucesso de critica por causa da força da série baseada na mesma obra que se tornou um clássico na Inglaterra, e até hoje é a principal serie de época já feita no país. Mas, mesmo assim, além do filme ser muito bom e relembrar os clássicos de James Ivory, a trilha de Adrian Johnston é um achado, uma verdadeira jóia, muito sentimental e doce, mas sem exageros. É uma trilha que deixa uma sensação forte na alma, com um clima saudosista e ao mesmo tempo triste. É uma das trilhas mais belas que já ouvi, e talvez no futuro tenha seu valor reconhecido. Mas aqui no top 20, ela já tem o seu valor.

Bom gente, esperam que tenham gostado, essa matéria também está presente no site scoretrack- www.scoretrack.net
bjokas e boa semana a todos,
vivi