quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Agora nos cinemas: Coco Chanel & Igor Stravinsky

No ano passado a França produziu e lançou dois filmes sobre momentos diferentes da vida da estilista mais famosa de todos os tempos- Gabriele "Coco" Chanel. "Coco antes de Chanel", no qual você pode ler minha crítica aqui se tornou um dos meus filmes favoritos do ano passado e de todos os tempos (e é a atual capa do nosso blog uhuuuu hehehehe), e me encantou por tratar da história de Chanel de forma tão delicada e firme. Obviamente que "Coco Chanel & Igor Stravinsky" acaba saindo prejudicado, por ser um filme bem menos divulgado e trabalhado do que o avant chanel e por ter saído depois do longa estrelado por Audrey Tautou. Mas este filme na verdade retrata um outro ponto na vida de Chanel- aqui ela já é uma estilista famosa que tem um caso com o compositor Igor Stravinsky.
A história começa quando Chanel tinha um romance com Arthur "Boy" Capel (que aqui aparece só em umas duas cenas) e ela vai ao teatro assistir ao ballet de Stravinsky, o polemico "A sagração da primavera" que na época de seu lançamento foi duramente criticada. O filme então pula para um intervalo de sete anos depois (aqui eles demonstram que Capel morreu no dia da estréia do ballet do Stravinsky) onde Chanel acaba abrigando Stravinsky e sua familia (incluindo mulher e filhos) na sua casa. E é aí que rola a paixão entre os dois, onde a esposa de Igor, Katarina (a excelente Yelena Morozova) sofre em silencio. O filme ainda mostra como Chanel ajudou a compor o seu clássico perfume "Chanel nº 5" em uma das cenas mais bacanas do filme.
O filme é muito bom (embora não seja tão encantador como "Coco avant Chanel") mas ele acaba se tornando massante por ser um filme extremamente detalhista e lento. A atriz escolhida para viver Chanel também não ajuda, pois embora seja linda, Anna Mouglaglis não tem a força e a impetuosidade necessárias para a personagem. Já o lindo ator dinamarques Mads Mikkelsen está muito bem como Stravinsky, assim como Yelena Morozona que dá um banho como esposa do compositor. Na parte técnica, os figurinos de Chatounne e Fab são maravilhosos, e a trilha de Gabriel Yared é bela e experimental. Mas o problema do filme é realmente que ele acaba se perdendo na sua beleza estética, além de ser muito silencioso e etéreo de modo exagerado.
Mas é um filme belissimo que deve ser apreciado com suavidade e mais do que tudo, sensibilidade. É mais uma bela obra sobre a vida de uma fantastica mulher.

Nota: 8,5

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Agora em dvd: "Partir"

Lembro-me que quando vi o making off de “O fabuloso destino de Amelie Poulain” Jean Pierre Jeunet falou que ele tinha feito o filme especialmente para Emily Watson, mas que, dias antes do filme começar, ela largou o projeto afirmando não conseguir uma boa interpretação se falasse francês. Sempre lembro disso quando vejo Kristin Scott Thomas, grande atriz britânica arrasar em atuações falando em francês como no ótimo “Há tanto tempo que te amo” e este filme o qual eu estou escrevendo agora.

“Partir”, filme de Catherine Corsini (que dirigiu o ótimo “Replay”), é um drama sobre uma paixão enlouquecedora, entre Suzanne uma médica mãe de família, casada, que se apaixona perdidamente por Ivan (Sergi Lopez) que é o mestre da obra do novo consultório dela. Ela então resolve deixar tudo para trás, sua família, marido, para ficar com Ivan, e viver esse amor. Mas será que partir é a melhor solução?

Uma grande paixão pode mudar o mundo...isso definitivamente é uma verdade. Quando estamos apaixonados, estamos cegos, não conseguimos discernir o certo do errado, podemos magoar pessoas que gostamos por uma paixão, e até morrer por isso. O fato é que Suzanne quando conhece Ivan ela está entediada de sua vida, ele então representa um novo horizonte para ela, uma nova opção, uma fuga de seus medos e frustrações. Por um excelente roteiro de Corsini, conseguimos enxergar realmente a personagem principal, e acompanhar cada um de seus passos com atenção e intensidade. Suzanne nos permite isso. Kristin nos permite isso, e, com uma atuação estupenda, consegue entregar ao publico uma grande personagem. Mas o seu co- protagonista também não deixa para menos. Trata-se do excelente ator espanhol Sergi Lopez, famoso por “Uma relação pornográfica” e “O labirinto do fauno”. A dinâmica entre os dois protagonistas é excelente, assim como a presença do ótimo Yvan Attal também é um destaque.

Trata-se aqui de um bom filme, onde temos um roteiro bem preparado e uma grande direção. Seja pelos atores, direção ou historia, definitivamente vale uma locação.

Nota: 8,5

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Especial: Resultado da promoção Festival de Curtas de São Paulo




Gente, desculpe-me pela demora mas é que fiz o sorteio hoje de manhã, e o Kaio Oliveira foi sorteado e não respondeu meu e-mail, sendo então que tive de refazer o sorteio...quem ganhou o kit foi Cida Medeiros, que já entrei em contato e me passou os dados necessários para que eu pudesse enviar a camiseta e o bottom.

Lembrando que este Festival de Curtas é muito legal e vem celebrar o que mais amamos- cinema. Por isso para quem tiver oportunidade. Não deixem de participar- o festival vai do dia 19 à 27 de agosto. Para mais informações entrem no site do kinoforum- http://www.kinoforum.org.br/curtas/2010/

E logo logo o meu amado Tiaguito terá mais informações sobre o festival.

Beijokas à todos,

vivi

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Especial: Promoção 21º Curta Kinoforum - Festival de Curtas-Metragens de São Paulo




Gente, novamente conseguimos uma parceria bem bacana e estaremos fazendo um sorteio de uma camiseta e um bottom aqui no blog em função de um Festival super bacana que irá ocorrer em São Paulo dos dias 19 à 27 de agosto de 2010- o 21° Festival de Curtas de São Paulo...serão nove salas exibindo programação gratuita com produções vindas dos quatro cantos do planeta, num amplo painel com mais de 400 filmes! E a entrada é franca:D
Então vocês não podem perder este festival, que irá trabalhar com ampla diversidade de temas para atingir diversos tipos de público...
se quiserem saber mais sobre o evento é só visitar o twitter, o canal do youtube, o site oficial e a comunidade do orkut...e bora saber como vai rolar a promoção?

É muito simples gente, vocês só tem que:

a) ser seguidor do blog
b) colocar nos comentários- "Participo!" juntamente com nome completo, cidade e e-mail...

e pronto! A promoção vai de hoje 12/08 até 15/08 no domingo quando eu realizarei o sorteio com o felizardo (a) que vai levar esses prêmios bacanas...mas o mais legal mesmo é conhecer esse festival que incentiva o cinema, aumentando a nossa paixão por esta divina arte.

Então é isso, gente, por hoje é só.

Mil bjokas,
vivi

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Origem (spoilers na segunda parte do texto, após a nota)


Algumas pessoas acreditam que para um filme ser verdadeiramente bom, ele não pode ser datado -- ou seja - sua grandiosidade não pode estar ligada apenas às limitações contextuais e tecnológicas de sua época. Já outros acreditam que para um filme ser verdadeiramente bom ele precisa deixar o espectador confuso, incerto em relação ao seu conteúdo, sempre sem saber onde exatamente ele está pisando. Eu acho tudo isso bobeira: um filme é bom porque é bom, bem escrito, bem atuado, nos toca. Há tantos filmes simples, diretos e modestos que são excelentes e clássicos. Mas, é claro, seja lá qual for o motivo que nos faz ficar embasbacado diante da tela do cinema, é difícil não reconhecer um grande filme quando nos vemos diante de um. A Origem, ainda que agora, neste comecinho, certamente será uma das obras mais relembradas desta nova década.

Christopher Nolan, até agora, demonstra-se a vontade em grandes cenários, cenas de ação eletrizantes, e um tanto de tiro espalhado em seus filmes. Mas a principal característica da carreira deste diretor é não deixar que isso lhe tire o foco daquilo que lhe intriga: a mente (ou alma, como preferirem) humana. Até agora, o maior exemplo disso era O Cavaleiro das Trevas, que apesar de ser um filme da franquia Batman, lançava um suspense policial em grande estilo, assim como era um verdadeiro mergulho na vilania do personagem Coringa, e na relação de Batman com seu perseguido. A Origem possui uma variedade de características dos blockbusters comuns, como perseguições, explosões, tiros e dramas, no entanto, tudo isso se transforma em rebuscos - bem vindos - a um complexo, rico e surpreendente texto.

Sem revelar muita coisa - o que seria um crime - Cobb (Di Caprio) é o melhor extrator de segredos do subconsciente, o acessando através dos sonhos. Perturbado por eventos de seu passado, especialmente sobre o fim de seu casamento com Mal (Cotillard), ele é contratado por Saito (Watanabe) para um último trabalho: desta vez, ao invés de extrair algum segredo, sua tarefa será implantar uma nova idéia no subconsciente de alguém, no caso, o empresário Robert Fischer (Murphy). Para tal missão, além de seus parceiros habituais, ele contrata Ariadne (Ellen Page), uma arquiteta para construir o cenário do sonho.

Infelizmente não há como resumir a sinopse do filme em um parágrafo. E, para aprofundar, eu teria que revelar a trama. Mas dá para falar sobre a genialidade do texto e da linguagem narrativa adotada por Nolan sem grandes revelações. Pouco preocupado com justificativas psicanalíticas ou psicológicas para o que ele toma por subconsciente, Nolan encontra total liberdade (textual e visual) para lidar com o assunto, focando em um acesso específico: os sonhos. O filme não perde tempo em justificar ou explicar muito do que é trabalhado, o espectador precisa entrar naquele universo sem ressalvas, sem grandes dúvidas - e a veracidade do texto é tamanha que em poucos momentos desejamos justificativas. Uma vez trabalhando os sonhos, as metáforas e rimas entre texto e imagem são impressionantes. A sensação de estranhamento, a relação entre eventos da realidade (como barulhos e movimentos) com o efeito disso no sonho é espetacular - vide a cena desta imagem, um dos melhores momentos do filme. Para não citar o jogo de sonhos dentro de outro sonho - algo raro, mas que provavelmente já aconteceu com todos - e que gera boa parte do mistério sobre o desfecho do filme.

O mundo onírico, no entanto, não surge aqui como uma fuga fantasiosa da realidade, com imagens impensáveis. Ao contrário, a importância de um cenário real é extremamente embasada, e assim alguns 'detalhes' que quebram essa realidade são inseridos - e, quando em excesso, causam estranhamento e defesa do subconsciente daquele que sonha. Ainda assim, a parte técnica do filme é espetacular, criando imagens de tremendo poder - como a tão famosa cena da cidade se dobrando sobre si e do mar destruindo outra cidade. Logo, não há como não elogiar a direção de arte, os efeitos especiais, a fotografia e o som. Um show a parte fica por conta da brilhante trilha sonora Hans Zimmer - tensa, presa em algo que se assemelha a um pesadelo, respeitando o clima onírico e de suspense.

Leonardo di Caprio é mais um ator que maneja de maneira centrada sua carreira, trabalhando com diferentes diretores - resultado em ótimos trabalhos. Sua interpretação aqui lembra muito o que vimos no recente A Ilha do Medo, mas é ainda melhor. Marion Cotillard, que até bem pouco tempo atrás era uma desconhecida de Hollywood, soube não cair na maldição do Oscar e já surgiu com três excelentes interpretações desde Piaf - Um Hino ao Amor, e aparentemente já não precisa mais lutar por um espaço. Dos demais - todos ótimos - destaco Ellen Page, que foge do seu estilo descolado visto nos filmes anteriores e surge como uma garota forte, e que usa sua sensibilidade para lidar com tudo aquilo que lhe é pedido ou confidenciado.

Mas se este filme tem um dono, um nome a se destacar, como já evidenciei antes, fica mesmo por conta de Christopher Nolan, tanto no cargo de diretor como no cargo de roteirista. É um filme tão autoral - apesar da parafernália que nos distrai - que a obra parece ser impossível de ser concebida na cisão entre texto/direção. Fosse este o primeiro filme do diretor, ele certamente seria mais barato e com menos atrativos visuais, mas o poder de seu texto estaria lá, e ele seria considerado um dos nomes mais cools do meio alternativo/intelectualóide. E que fique claro, A Origem não é um filme baseado num final 'efeito a-ha!', ou seja, não se trata de uma grande surpresa que significará todo o restante de maneira diferente. O filme tem um final em aberto, que deixa espaço para diferentes compreensões - que cada espectador defenderá veementemente - mas não se enganem: todas as possibilidades são possíveis.

E, respondendo a algumas bobeiras que fui obrigado a ouvir no final do ano passado, diria que aqueles que tentaram buscar um sucessor para Matrix encontraram, enfim, um nome para se considerar - e não aquela bobeira dos ets azuis. A Origem é o grande Sci-Fi contemporâneo, justamente por não ser apenas isso.

10,0

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Comentários sobre interpretações possíveis - CUIDADO: SPOILERS

E, então, o que é realidade e o que não é no filme de Nolan? Há três interpretações básicas possíveis: ou exatamente tudo o que vimos durante a projeção eram sonhos e sonhos e sonhos do personagem Cobb, ou os eventos aconteceram com dois finais possíveis: ele não conseguir sair do sonho, no final, e ficar preso ou o final ser aquilo mesmo e tudo termina bem.

Pistas para as três possibilidades estão espalhadas em todo o filme. Há a cena na qual o senhor de idade que trabalha junto com o químico comenta 'o sonho virou realidade' - e juntando-se isso a diversas partes do roteiro e como o filme foi trabalhado - essa possibilidade é válida - especialmente quando pensamos que o totem de Cobb esteve presente em alguns sonhos - e mais, ele não era totalmente secreto, Mal o conhecia. Mas então, o que seria a vida de Cobb? E mais, por que ele estava preso? Seria ao contrário, Mal conseguiu se livrar do limbo enquanto Cobb ainda estava preso? Mas, se ela conseguiu, o suicídio de Mal também seria algo que Cobb já não distingue mais entre realidade e sonho.

A possibilidade do final feliz, ao meu ver, é a menos justificável. Nolan demonstrou certo sarcasmo na resolução de seu filme, tudo termina bem demais e sem nenhuma justificativa, conversa ou situação que demonstre verdadeiramente as conseqüências do implante. Além disso, tudo é extremamente artificial, do sorriso de seus companheiros ao serviço de imigração, culminando na artificialidade de rever seus filhos - com fisionomia e roupas extremamente semelhantes à sua última memória - acompanhado apenas de Miles, e não da avó das crianças que o odiava.

Ou, por fim, Cobb realizou seu serviço, mas seguiu preso no limbo. É bem possível, uma vez que ele construa seu mundo, ele construa daquela maneira - reencontrando seus filhos, com o trabalho funcionando (veja bem, na alternativa do trabalho ter sido realizado e o desfecho seja apenas uma construção de Cobb, talvez o trabalho tenha fracassado). Mas então fica a dúvida: se ele opta por ficar, se ele reconstrói suas lembranças e aceita viver no mundo fantasmagórico, por que não seguir com Mal nele? Veja bem, a única possibilidade de Mal estar viva é na alternativa de tudo serem sonhos - o que já não é mais o caso. Mal, aqui, surge como o grande arrependimento de Cobb - aquilo que ele carrega de mais pesado nele. Logo, seria compreensível que seu mundo onírico seja construído a partir da aceitação do suicídio de Mal, sem a presença dela. Sendo assim, o uso da música Je Ne Regrette Rien, de Edith Piaf, ganha uma função narrativa ímpar, não sendo apenas uma música aleatória escolhida por Nolan para soar excêntrico e homenagear a atriz francesa ao mesmo tempo.

Eu ainda me vejo na dúvida de qual interpretação seguir. Se era tudo um sonho ou se ele apenas ficou preso em uma nova construção. Creio que assistir ao filme novamente, com olhar extremamente atento aos totens e a Mal me fará ter uma conclusão definitiva - e individual. Como disse na primeira metade da crítica, as três interpretações são possíveis, e o que Nolan fez foi deixar o espectador na dúvida - não haverá certeza do que é real ou não. O filme é, enfim, o limbo do espectador.

Dá pra não amar Nolan depois disso?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Especial: Os melhores da década (Tiago) - Canção Original


A segunda lista com os melhores da década foi antecipada para hoje em caráter excepcional, pois terça feira (e sim, apenas lá) postarei a crítica de A Origem, o filme mais falado do momento. Então, já para a lista de canções originais! E sim, novamente digo que é de acordo com meu gosto pessoal... E, como ficará evidente, sou meloso com as canções.

10º - Falling Slowly
(Apenas Uma Vez)

Não sou grande fã deste filme querido [e superestimado] pela crítica. Mas esta canção é realmente poética e inspiradora.

9º - Porque era ela, porque era eu
(A Máquina)

Não é uma grande tradição dos filmes nacionais alguma canção marcante, mas nesta década algumas surgiram - além desta canção de Chico Buarque para o filme de João Falcão, não devemos esquecer de Esperando na Janela, de Eu Tu Eles e Você não me Ensinou a te Esquecer, de Lisbela e o Prisioneiro. Curiosamente, estas duas últimas fizeram muito mais sucesso que esta que citei na lista - mas esta música do Chico é indescritível, assim como este belíssimo filme baseado no livro de Adriana Falcão.

8º - Belleville Randez-Vous
(As Bicicletas de Belleville)

Com uma melodia frenética, sons retirados de instrumentos inusitados (inclusive, claro, muitas peças de bicicletas), sua letra é divertida e empolgante - destoando totalmente do clima geral desta animação. Dica: coloquem esta música como despertador de seu celular. Ou você acorda de bom humor, ou leva um baita susto com os sons iniciais (o que sempre acontecia comigo, me fazendo mudar para a calminha versão de Somewhere Over the Raibow do seriado Glee).

7º - In the Deep
(Crash - No Limite)

Belíssima e triste canção utilizada no momento em que entendemos todos os nós ligando os personagens deste drama divisor de opiniões. Sim, sou fã do filme, e o acho extremamente bem escrito e realizado, assim como sua canção. Para quem duvida do poder dela, há um episódio de House (me desculpem, não lembro o nome, o número ou a temporada) que a canção é utilizada também no desfecho do episódio, servindo novamente para criar um momento melancólico.

6º - Come What May
(Moulin Rouge! - Amor em Vermelho)

Em um musical jukebox frenético, com a junção de diversos nomes famosos do pop/rock mundial, criaram uma tocante balada romântica para uma cena sobre como o amor do casal Christian e Satine se seguia, enquanto proibido. A música é linda, e chama bastante atenção para si. Só não concorreu (e venceu) o Oscar pela regra boba da Academia - na verdade a música fora composta para o filme anterior de Baz (Romeu + Julieta), mas acabou sendo inutilizada.

5º - Take it All
(Nine)

Minha primeira reação ao ouvir a música foi não gostar, pois sabia que ela substituiria a impactante Be on your own do musical original. Mas ao ver o caráter geral do filme, prestar delicada atenção à letra e à melodia, fui cedendo. Quando vi a absurda interpretação de Marioon Cotillard para a canção, sabia que aquela era a melhor cena de todo o filme, e que a música de fato tinha um impacto enorme - sendo a melhor canção em trama. E então, depois de diversos problemas pessoais este ano, ela virou quase que um hino.

4º - Avant la Haine
(Em Paris)

Eu sou um grande fã deste filme do Honoré, que não foi lá grande sucesso com público ou crítica. Mas esta música... Esta cena... Inexplicáveis, me deixaram sem ar, sem reação - apenas algumas lágrimas - na cadeira do cinema.

3º - Guaranteed
(Na Natureza Selvagem)

Lógico, para encerrar um filme tão melancólico e triste como este, apenas uma canção a altura. Eddie Veder mandou bem de mais, e criou o encerramento perfeito para o filme. Vivo dizendo que torço o nariz para as músicas de crédito, mas não há como fugir de algumas... Inclusive a que vem a seguir...

2º - Burn it Blue
(Frida)

Mais uma canção de créditos, a segunda da lista. Mas esta música é extremamente bonita, sensível, e condiz com perfeição ao ritmo dado para a cinebiografia de Frida Kahlo dirigida por Julie Taymour.


1º - I've Seen it All
(Dançando no Escuro)

A primeira vez que vi este filme de von Trier - já em dvd - eu realmente não sabia sobre o que se tratava, e era meu primeiro contato com alguma obra do diretor. Estranhava um pouco a linguagem, não sabia sobre o Dogma e sobre como este musical quebrava o movimento proposto pelo diretor. O que sei, resumindo, é comecei a chorar na cena desta música e não parei mais, até muito depois dos créditos. Obviamente, por todo conteúdo do filme. Mas creio ser uma das - se não a mais bonita letra já escrita para um filme. Fiquem com ela:

I've seen it all, I have seen the trees,
I've seen the willow leaves dancing in the breeze
I've seen a friend killed by a friend,
And lives that were over before they were spent.
I've seen what I was - I know what I'll be
I've seen it all - there is no more to see!

You haven't seen elephants, kings or Peru!
I'm happy to say I had better to do
What about China? Have you seen the Great Wall?
All walls are great, if the roof doesn't fall!

And the man you will marry?
The home you will share?
To be honest, I really don't care...

You've never been to Niagara Falls?
I have seen water, its water, that's all...
The Eiffel Tower, the Empire State?
My pulse was as high on my very first date!
Your grandson's hand as he plays with your hair?
To be honest, I really don't care...

I've seen it all, I've seen the dark
I've seen the brightness in one little spark.
I've seen what I chose and I've seen what I need,
And that is enough, to want more would be greed.
I've seen what I was and I know what I'll be
I've seen it all - there is no more to see!

You've seen it all and all you have seen
You can always review on your own little screen
The light and the dark, the big and the small
Just keep in mind - you need no more at all
You've seen what you were and know what you'll be
You've seen it all - there is no more to see!


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Alguns comentários: fico feliz de ver diversos musicais na lista, com merecimento. Assim como - apesar de Guaranteed e Burn it Blue - é muito bom ver canções realmente belas e marcantes sendo usadas ao longo do filme, e não apenas nos créditos finais. O que muito me deixa triste é ver que a Disney (que provavelmente domina e encabeça a lista de canções da década de 90) tenha perdido sua tradição - a única canção que chegou a ser considerada para a lista foi So Close, de Encantada. A propósito, Jai Ho! (Quem Quer Ser Um Milionário), Society (também de Na Natureza Selvagem) e Listen (Dreamgirls) brigaram até o fim para um lugar na lista.

A próxima lista será de Efeitos Especiais, a ser publicada na quinta.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Especial: Os melhores da década (Tiago) - Parte 1 - Animações


Pessoal, estou fechando finalmente a minha lista de melhores da década passada. Confesso que tudo está dando muito trabalho, muitos filmes a serem (re)vistos, muita coisa a ser ponderada. A idéia é postar duas categorias por semana, provavelmente às terças e quintas, tentando englobar diversas categorias. Ressalto, como sempre, que todas as listas seguirão o meu gosto pessoal, estando eu aberto a comentários e argumentos. E sim, assumo que ao realizar as listas, diversos filmes podem ficar de fora pelo simples motivo que não os vi. Ou porque resolvi excluir mesmo. Sobre as confusões das datas. Sim, está extremamente confuso, não só pela ampla discussão sobre quando se começa a década (Wikipédia e várias pessoas juram que é a partir de 2000, enquanto outras diversas pessoas juram que segue a mesma regra da contagem de séculos, ou seja, a partir do ano 1), quanto também pelas diferenças na estréia original e no Brasil. Vocês perceberão que eu tentei ser razoável e considerar muita coisa.

Inicio, então, por uma das categorias que me foi mais fácil: Animação. Junto com cada filme e sua colocação, segue um breve texto comentando a razão do filme aparecer na lista.

10º - Irmão Urso
(Brother Bear, de Aaron Blaise e Robert Walker, EUA, 2003)

Creio ser este o último grande filme da animação clássica da Disney. O filme não foi um grande sucesso nem de público, quiçá de crítica. Ao meu ver, uma trama belamente elaborada que lida com assuntos complexos para as crianças e diversos adultos, como o xamanismo e a espiritualidade. No entanto, boa parte da fórmula básica Disney (personagens que precisam de uma grande lição de vida para se reinventarem, seja através do amor, da amizade ou da fraternidade) está presente, e utilizada de maneira cativante. É um filme que merecia ser redescoberto.

9º - Ratatouille
(Idem, de Brad Bird, EUA, 2007)

Como vocês notarão, considero um dos melhores da Pixar, que de fato definiu parte do que foi o cenário de animações nesta década. A empresa, apesar de errar e/ou exagerar a mão diversas vezes (como na animação que eu imagino que será uma das polêmicas da lista com sua exclusão consciente), no entanto é inegável que em seus momentos inspirados, seus animadores acertam em cheio. Com exuberância visual, a trama do rato que sonhava em ser cozinheiro é encantadora em seu texto.

8º - Procurando Nemo
(Finding Nemo, de Andrew Stanton, EUA, 2003)

Além da já comentada exuberância visual da Pixar, e a qualidade de seus textos, Nemo provavelmente conta com os dois personagens mais inesquecíveis do grande público dentre as animações desta década: a dupla de peixes protagonista: Marlin, o pai mau humorado, e Dory, sua acompanhante desmemoriada. A Pixar também apresenta uma encantadora preocupação com a realidade biológica dos animais apresentados no filme.

7º - As Bicicletas de Belleville
(Les Triplettes de Belleville, de Sylvain Chomet, França, 2003)

Primeira animação não-americana e adulta da lista. Com uma estética singular, este belo filme provoca certo sentimento de solidão e melancolia. Belíssima trama, embalada em um ritmo mais lento e introspectivo, e excelente trilha sonora.

6º - Valsa com Bashir
(Vals Im Bashir, de Ari Folman, Israel, 2008)

Vamos lá, um documentário sobre a guerra do Líbano feito em animação, também com um visual singular e um roteiro inteligentíssimo. Não há razões para ficar justificando a entrada do filme na lista, este que foi provavelmente um dos melhores filmes de 2008.

5º - Monstros S.A.
(Monsters Inc., de Pete Docter, EUA, 2001)

O meu Pixar favorito até os dias de hoje, de quando a empresa ainda conseguia encantar e captar a inocência infantil sem ter o apelo excessivo às grandes lições de vida e, obviamente, aos prêmios da temporada-ouro. A trama dos monstros que trabalhavam através do medo infantil é encantadora, assim como os personagens Boo, Mike e Sully também são inesquecíveis, marcando para sempre todos que, assim como eu, são apaixonados pelo filme.

4º - O Fantástico Sr. Raposo
(Fantastic Mr. Fox, de Wes Anderson, EUA, 2009)

Tentando resumir o que disse nesta crítica, o mundo de frustrações e excentricidades de Wes Anderson caiu bem melhor em uma animação que por si só já quebra um tanto da realidade. Vai-se embora as limitações do mundo humano, e todos se sentem mais a vontade de colocar o dedo na ferida (algo em comum a 3 dos 4 melhores cotados na lista). Excelente roteiro, excelente animação, excelente trilha sonora.

3º - A Viagem de Chihiro
(Sen to Chihiro no kamikakushi, de Hayo Miyazaki, Japão, 2001)

Que belíssima, metafórica e complexa trama do único exemplar japonês nesta lista. Miyazaki é extremamente eficiente e sutil e sua fábula sobre o abandono da infância e a necessidade de amadurecer. É um daqueles filmes para se rever inúmeras vezes, sempre tentando captar algo que ficou perdido nas tentativas anteriores.

2º - Happy Feet! O Pingüim
(Happy Feet, de George Miller, EUA, 2006)

Eu realmente acreditei que Happy Feet encabeçaria esta minha lista - algo que mudou apenas recentemente. A trama do pingüim que não sabia nem queria cantar - algo obrigatório para sua espécie - mas sim dançar é simplesmente arrebatadora. Tudo está lá de maneira nem tão sutil, mas extremamente honesta: a crítica ambiental, o preconceito, a alienação religiosa. Tudo isso em um musical jukebox (sim, assumo tranquilamente que o filme me ganha por isso também), com trilha sonora de excelente qualidade.



1º - Mary e Max - Uma Amizade Diferente
(Mary and Max, de Adam Elliot, Austrália, 2009)

Também recomendo esta crítica caso alguém queira saber mais sobre o filme. Mas a encantadora trama da improvável amizade entre uma garota de oito anos australiana com um homem solitário que vive em Nova Iorque é simplesmente irretocável, e provavelmente um de meus filmes favoritos (esperem, traquilamente, ele reaparecer na lista dos melhores filmes de 2010). Infelizmente ela foi pouco divulgada, e então, pouco conhecida. Mas é um filme obrigatório, rico, de realização extremamente sensível. Merece, sem sombra de dúvida, a primeira colocação na minha lista.

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Merecem menção e chegaram a ser cogitados para a lista: Lilo e Stitch, Shrek, O Expresso Polar, A Noiva Cadáver, Fuga das Galinhas e Wallace e Groomit.

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A próxima lista, até onde eu consegui me organizar, será canção original.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Cinema Musical: A experiencia alucinante de "Inception"

Hans Zimmer está com certeza na minha lista de top 10 de compositores. Compositor inteligente e criativo, ele vem atravessando sua melhor fase compondo trilhas cada vez mais bem preparadas e de qualidade. Em “Inception”, que no Brasil se chamará “A origem”, ele faz uma trilha que inicialmente é simples por não ter variações em termos de notas, mas consegue nos passar o mistério e a fantasia necessários para a trama, tornando seu score inesquecível e já se pondo como a grande trilha do ano até o presente momento. Para a execução da trilha, Hans chamou o guitarrista e ex membro do grupo The Smiths, Johnny Marr, o que dá um nível a mais na produção do score.

A trilha começa com a faixa “Half Remembered Dream” que mistura o tema da trilha à violoncelos e instrumentos de sopro pesados que após dão lugar à violinos em andamento pianinho com a trilha novamente em um crescente no final. Em “We Built our own world” as cordas aparecem em uma melodia tensa mais nostálgica onde há um piano de fundo assim como suaves instrumentos eletrônicos para “pesar” um pouco mais a harmonia da faixa. Já em “Dream is Collapsing” há plena participação de Johnny Marr onde através de sua guitarra misturada à orquestra e à sintetizadores eletrônicos que criam uma atmosfera de mistério e apresentação do desconhecido através de suas notas. “Radical Notion” é outra faixa de destaque por alternar pausas à execução crescente das notas, onde o oboé fica ao fundo criando base para a parte instrumental.

“Old Souls” também é belíssima, justamente por misturar o contemporâneo da guitarra ao eletrônico e ao piano dando um tom épico ao ritmo da faixa (lembrando um pouco o estilo de Marco Beltrami e Buck Sanders na trilha de “Guerra ao Terror”).

Já “528491” é tensa e enigmática onde a beleza fica pelos violinos que executam a parte dramática da faixa em uma mistura de sons e sentimentos. “Mombassa” também é excelente por ser extremamente ácida poderosa e ter seu andamento totalmente em um ritmo frenético. “One Simple Idea” lembra o estilo de Zimmer em outros scores seus como “O código Da Vinci” e “Frost/Nixon”, através das cordas instigantes. E “Dream within a dream” lembra muito pra mim o tema de “Réquiem for a dream” de Clint Mansell pelo drama da melodia executada.

Mas a grande estrela desta trilha é “waiting for a train” pela explosão de notas e melodias e por ainda ter samples de “non je ne regrette rien” de Edith Piaf já se percebendo que se trata de uma faixa importante para a trama. “Paradox” também é importante por sua esfera obscura e fechada, mas é “Time” que realmente se torna o grande trunfo deste score. A ultima faixa da trilha começa suavemente com um piano pianinho, tocando o tema do longa, onde após violoncelos começam a acompanhar a melodia nostálgica e apaixonante que, de tão simples utiliza sua pureza para chegar ao fundo do coração do ouvinte, aparecem após os violinos e violas, uma voz de fundo e claro, a guitarra de Johnny Marr, onde juntos, orquestra, guitarra, voz e piano, ecoam como um oceano tempestivo e pulsante para chegar à alma de uma trilha que consegue o feito de ser emocionante, técnica, visionária, incrível e acima de tudo bela. Independente de qualquer premiação que venha a receber, Zimmer conseguiu um grande feito- compor uma das melhores trilhas de sua vida com a mistura do velho do novo, da razão e da emoção, atingindo em cheio os confins do universo pessoal de cada ouvinte.

Numero estrelas: 5