sexta-feira, 30 de julho de 2010

Agora nos Cinemas: Ponyo, uma amizade que veio do mar

Hayao Miayzaki é, sem sombra de dúvidas um dos animadores mais importantes da história do cinema. O japonês que já construiu obras primas como "Meu vizinho Tororó", "A princesa Mononoke" e claro, "A viagem de Chiriro" que lhe rendeu o Oscar de melhor animação. Todos excelentes e extremamente inteligentes. Aqui, com Ponyo temos uma animação mais destinada às crianças pequenas, que foi um grande sucesso de bilheterias em terras orientais, quebrando recordes e se tornando o filme de maior faturamento por lá.
E não é por menos, já que se trata de um filme precioso, mais ou menos uma versão bem infantil da história clássica da pequena sereia, muito colorida, com grande trilha de Joe Hisaishi e com personagens que chegam ao fundo do coração. Aqui tem-se a história de Sosuke um menininho que encontra Ponyo, que é filha do mar e cuida dela quando a mesma tem forma de peixe. Ocorre que eles são separados e, querendo estar perto do seu verdadeiro amigo, Ponyo consegue assumir a forma humana para ficar perto de Sosuke.
Ocorre que aqui temos uma história onde não existem vilões propriamente dito, onde todos os personagens tem suas características que os fazem de algum modo simpático ao público. Seja a mãe de Ponyo, Gran Mamare, até o pai de Sosuke, Koichi, que é navegador, todos eles tem seu valor e apreço para a continuidade da história, onde conseguimos nos identificar com cada um em determinado momento do filme.
Embora não seja tão comovente como "Meu vizinho Tororó", Ponyo é comovente e cantador da forma que é realizado, pela beleza existente em cada cena, e inspiração em cada fala da doce menina peixe. Embora esnobado no Oscar 2010, o filme venceu dois premios no Festival de Veneza e tem sua beleza acima de qualquer situação. É uma obra menor de um gênio que consegue expor toda a pureza e delicadeza da mais preciosa das gerações: a infância.
Nota: 8,5

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cinenews: Stephen Daldry dirigirá a versão cinematográfica de 'Extremamente Alto e Incrivelmente Perto'


Há dois anos uma notícia me arrebatou: iniciava-se certo movimento para a adaptação do livro 'Extremamente Alto e Incrivelmente Perto', segunda obra de Jonathan Safran Foer. O livro de estreia do diretor é 'Tudo se Ilumina', transformado, anos mais tarde, no excelente filme 'Uma Vida Iluminada'.

Minha felicidade era imensa, pois 'Extremamente Alto' é um de meus livros favoritos - se não o mais. O autor do roteiro já havia sido anunciado, Eric Roth - e até então eu não havia me irritado profundamente com ele (o que aconteceu com sua adaptação de O Curioso Caso de Benjamin Button). E hoje, vagando pela net com insônia, me deparo com a notícia no site da uol que a adaptação seria levada a diante.

Para minha maior felicidade, por um de meus diretores favoritos: Stephen Daldry. Acontece - e quem já leu algum livro do autor ou pelo menos assistiu ao filme de Schreiber compreenderá - que a narrativa de Foer é um tanto complexa pois brinca tranquilamente com elementos mágicos e imaginativos sutilmente misturados à realidade. Era assim em Tudo se Ilumina, livro no qual a cachorra tinha sentimentos e imaginações próprias (culminando em sua imaginação sobre o ator pornô), dentre tantos outros exemplos. O toque do fantástico se mistura a temas pesados e extremamente tocantes, levando o leitor a imaginar cenas surpreendentemente belas, irreais e vivas.

Sendo assim, eu realmente temia muito sobre quem dirigiria o filme. Há o risco de se cair no melodrama, há o risco de se cair no ufanismo persecutório dos americanos, há o risco de se perder toda a mágica da narrativa. Mas honestamente, quem conseguiu dar tamanha vida na adaptação de um livro também difícil com As Horas tem currículo suficiente para dirigir este filme.

A notícia ainda fala sobre uma possível participação de Sandra Bullock no projeto. Para aqueles que não gostam da atriz, não se preocupem: o único papel possível para ela seria o da mãe de Oskar, ele é dramático e pequeno.

Preocupa-me agora, no projeto, apenas a seleção de elenco (é necessário uma criança extremamente expressiva e verdadeira para o papel de Oskar, dois senhores e uma senhora de idade avançada que precisarão trabalhar boa parte do filme apenas com o olhar), e, claro, Eric Roth, que eu costumava respeitar antes do filme de Fincher. O livro de Jonathan já conta com situações de auto-descoberta através do descobrimento de novos e passageiros personagens. Roth terá que se contentar com isso de maneira mais velada, e não querer exagerar enlouquecidamente em cima do tema. Sim, temo que o roteirista faça aqui uma nova versão de Forrest Gump.

Para quem quiser saber a sinopse do livro, que eu realmente recomendo:

Nunca é possível reconhecer o último momento de felicidade que antecede uma tragédia. Seja ela o ataque às torres do World Trade Center, seja o cruel bombardeio aliado sobre Dresden, que arrasou a cidade e a população civil da histórica cidade alemã na Segunda Guerra Mundial. Portanto, dificilmente há tempo de verbalizar o amor que se sente pelas pessoas próximas que, por um golpe do destino, tornam-se distantes. Esta constatação e os dois acontecimentos históricos guiam 'Extremamente alto & incrivelmente perto'. O principal narrador do livro, Oskar, é um menino extremamente inteligente de 9 anos de idade, sofre com a morte do pai, uma das vítimas do ataque ao World Trade Center, que estava no local da tragédia por um mero acaso - uma reunião no Windows of the World, o restaurante no último andar de uma das torres. A dor de Oskar não vem só da perda, mas do fato de julgar ser o único a ouvir as últimas palavras emitidas pelo pai, deixadas numa secretária eletrônica.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Agora em DVD: Nine


Page one, page one... Page nothing.

Guido tranca-se no estúdio de seu novo filme, 'Itália', encarando o fato de não conseguir escrever seu roteiro. E então, ocorre a overture. O estúdio se ilumina de maneira imprecisa, e Claudia - sua grande musa - surge para lhe dar um beijo que soa a piedade. Inicia-se o coro das mulheres e, aos poucos, aparecem Luisa, Carla, Lilli, Mamma, Stephanie e Saraghina - as mulheres de sua vida que se dividem entre esposa, amante, amiga, mãe, admiradora e prostituta. Muito mais que estes óbvios papéis, as mulheres de Nine são fundamentais para se compreender o cerco no qual Guido está preso: enquanto ele não souber o que fazer com sua vida, o bloqueio criativo certamente continuará.

Muitas acusações foram feitas sobre o filme ser uma refilmagem de 8 1/2 de Fellini. Na verdade, o filme é uma adaptação do musical homônimo de Arthur Kopit e Maury Yeston, que se inspiraram no filme italiano. Linguagens e origens distintas, torna-se meio superficial tentar forçar a comparação entre o filme de Marshall com o de 8 1/2.

Marshall apresenta-se menos sóbrio se comparado com sua direção de Chicago, no entanto, algumas características do diretor seguem inabaláveis, como um apuro estético elogiável, liberdade por trabalhar como quiser o material original (ele cortou muita coisa do segundo ato de Chicago para em Nine cortar quase todo o segundo ato mesmo, criando novas músicas e novas situações, excluindo todas as intermináveis partes do musical nas quais Guido filma 'Casanova'), e sua visível influência e admiração por Bob Fosse. Inclusive, é necessário elogiar quase todas as coreografias do filme, especialmente A Call from the Vatican, Cinema Italiano, Take it All, Overture e, principalmente, Be Italian que funciona quase como um show próprio. Caso vocês queiram mais informações sobre a trama do filme, podem ler este Preview.

Do elenco, destacam-se Penélope Cruz, no papel da apaixonada, inconseqüente e destratada amante Carla; assim como Daniel Day-Lewis no papel principal. Mas o filme tem uma dona: Marion Cotillard. A francesa dona de uma das mais absurdas atuações femininas que já vi (como Edith Piaf em Piaf - Um Hino ao Amor) interpreta Luisa, esposa de Guido, de maneira sublime e extremamente comovente, fazendo com que sua canção Take it All seja facilmente o melhor momento do filme. Kate Hudson é encantadora, canta e dança de maneira surpreendente, mas seu personagem pouco tem a acrescentar, assim como o de Nicole Kidman. O mesmo pode se dizer da cantora Fergie, que defende muito bem sua breve participação. Judi Dench é apenas mais um nome a se somar na lista (e infelizmente sua canção, um dos melhores momentos do musical original, é completamente desinteressante no filme). A única vaia fica por conta de Sophia Loren em uma participação curta mas embaraçosa como a mãe de Guido.

A parte técnica do filme é espetacular. É difícil justificar a brincadeira da fotografia modificar-se entre colorido e preto-e-branco ao longo do filme (qualquer tentativa de se dizer que a monocromática fica por conta do passado ou da imaginação vai por água abaixo na seqüência de Cinema Italiano), mas ainda que não exista razões, eu achei uma brincadeira divertida. A edição é frenética e ágil, e muitos não gostaram disso. Os figurinos são belíssimos, mas sem cair no excesso. Infelizmente a mixagem de som poderia ter sido um pouco melhor, as gravações ficam evidentes.

O ponto mais questionável do filme fica por conta do roteiro. Optando pelo fluxo de consciência de Guido, os roteiristas Minghella e Tolkin criam uma trama fragmentada, que parece desconexa entre diversos personagens - criando diversas situações sem um fio condutor óbvio. Apesar de não dificultar a compreensão final, certamente atrapalha no envolvimento do público, assim como impede um caráter mais unitário do filme. Bill Condon, creio eu, faria um trabalho melhor por aqui.

No final das contas, Nine é um filme belo e que sem dúvidas merece ser visto. Passeia tranquilamente entre diferentes dramas individuais, assim como cria uma metalinguagem eficiente. Entretanto, apesar do gênero musical combinar facilmente com diversos outros gêneros, nesta década quando vimos o seu reaparecimento, ele está fadado a juntar-se com o gênero cômico (desde a deliciosa sátira de Chicago até a comédia mais banal como em Mamma Mia!) ou o romântico. Aqueles que quebraram isso normalmente encontraram maior resistência com o público, o que aparentemente também aconteceu com Nine.

8,0

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Agora nos Cinemas: Eclipe e O Escritor Fantasma



Eclipse
Confesso à vocês que demorei para expor à minha opinião sobre este filme por pura falta de vontade. E também pelo fato de que, diferente dos outros 2 primeiros livros da saga, o qual eu tinha amado e lido rapidamente, nunca consegui terminar de ler "Eclipse" por achá-lo muito bobo e pitoresco. Além deste fato, uma das grandes características dos dois primeiros filmes foram suas excelentes trilhas sonoras, e, embora tenhamos aqui o magnifico Howard Shore como compositor, desta vez ele errou um pouco à mão e me decepcionou (fora de que a faixa principal Jacob´s theme é muito parecida com o tema de Romeu e Julieta do longa de 68 composto por Nino Rota), mas, enfim, fui ver o filme mesmo assim, já que no final das contas sabemos que na mão de um bom diretor um filme pode sofrer mudanças maravilhosas. Infelizmente, embora eu goste muito de David Slade, aqui ele fez o que pode e o que não pode pra tentar melhorar o livro adaptado mas...não deu muito certo. Claro que, todos os leitores que gostaram do livro gostaram do filme, mas eu não consegui me apegar nem à um, nem à outro.
Aqui temos Bella e Edward juntos, mas ameaçados pela vampira Victoria (onde entra em cena desta vez a ótima Bryce Dallas Howard, mas totalmente desperdiçada em um papel chinfrim), que resolve fazer um exército de novos vampiros para acabar com a mocinha que causou a morte do seu parceiro James. É então que, lobisomens e vampíros se unem pra salvar Bella e trazer paz à Forks. Ocorre que, Kristen Stewart mais uma vez é totalmente inexpressiva como Bella (e dá de acreditar que uma atriz tão bacana como ela só não consiga atuar NESTES filmes da saga?) e se antes já era dificil de acreditar que a moça era disputada por dois galãs, agora mais do que nunca fica IMPOSSÍVEL entender tamanha paixão dos moços! E se a cena da barraca é digna de vergonha alheia, pior ainda é a cena de dor de Jacob (Taylor Lautner que peguei abuso após sua entrevista ao David Letterman) lindo, quentinho, aconchegante (rsrsrs) estar morrendo de amor pela sem sal da protagonista! De qualquer forma, o lado positivo do filme é que os efeitos melhoraram MUITO, Javier Aguirresarobe continua arrasando na fotografia do longa e temos uma pontinha ótima de Dakota Fanning novamente (embora não se possa dizer o mesmo pela ponta idiota da excelente Catalina Sandino Moreno).
De qualquer forma é um filme de entretenimento mas que não acrescenta nada na vida de ninguém. Uma parte sem sal e obscura de uma Saga que está (muito) longe de acabar...pois, enquanto continuar levando milhares de jovens enloquecidos ao cinema, independente de sua qualidade, Eclipse e companhia estarão muito bem preservados.
Nota: 6,0


O Escritor Fantasma

Ah...agora sim estamos diante de um filme de verdade. Sou profunda admiradora de Roman Polanski, acho injusta sua prisão no ano passado (se a própria vítima já perdoou ele e ficou feliz pela sua libertação) e fiquei muito feliz por ele ter sido solto semana passada. Mas acima de tudo, fico muito feliz em afirmar que "O escritor fantasma" não é só uma das suas melhores direções, mas também um dos melhores filmes de sua carreira, e o melhor filme do ano até a presente data. É um suspense à lá Hitchcock, muito bem realizado, adaptado e com ótimo elenco.

O filme gira em torno de um escritor fantasma (interpretado por Ewan Mc Gregor) -que nunca tem seu nome revelado durante a narrativa do longa- que se encarrega de escrever as memórias do primeiro ministro ingles Adam Lang (Pierce Brosnan, ótimo) após a morte inexplicável do escritor anterior. Tudo começa em uma atmosfera de dúvida, e, somos apresentados à casa de Lang de modo frio, desconhecido e estranho do mesmo modo que sentimos o que o escritor sente ao se deparar pela primeira vez com o lugar. O problema é que, logo após o escritor aceitar seu papel, Adam é acusado de fazer parte de um esquema de armas que envolve a Guerra do Iraque, e tudo fica sobre tensão. O escritor então, tem apenas a colaboração de Amelia (Kim Catrall), que é secretária de Lang, e os olhares nada inocentes da esposa do politico, Ruth (Olivia Williams, digna de Oscar), sem sombra de dúvida a personagem mais intrigante de todo filme. O escritor começa ir atrás de muitos segredos que envolvem a vida de Adam, e descobre que a verdade tarda mais não falha hehehe.

Temos aí um filme completo, muito bem amarrado, com um roteiro soberbo de Robert Harris (que também é responsável pelo livro que deu origem ao filme) e Polanski. Os dois fazem com que nós, o publico, se coloque no lugar do protagonista e, cada vez que ele descobre uma nova pista sobre a solução dos mistérios sobre a vida de Adam, nós também descobrimos. E se a fotografia de Pawel Edelman ajuda à criar uma atmosfera sombria, é a trilha do meu amado Desplat que se torna peça chave para o suspense completo (lembrando que já fiz a resenha aqui da trilha na coluna "Cinema Musical"). A trilha inserida no filme é magistral, e praticamente se torna a condutora do enredo misterioso (tanto que, logo após a apresentação dos atores nos créditos o nome de Desplat é que aparece primeiramente na parte tecnica, demonstrando a importancia que a música tem para o tom do filme). Mas o que para mim é mais fantástico é saber que Polanski conduziu a pós produção desse filme na cadeia, acompanhando tudo de longe, tentando conduzir o melhor possível sua peça final. E talvez seja encantador ver tamanha força e inteligencia em sua direção, que é muito bem acabada em todos os sentidos.

Filme de qualidade, que deixa quem assiste com vontade de ver novamente e se deliciar com uma produção que é boa demais para passar despercebida. Até agora, o grande filme do ano.

Nota: 10,0

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Agora nos Cinemas: Shrek 4


Quando, há alguns anos, a franquia Shrek surgiu nos cinemas, tudo era novidade e muito bem vindo. Personagens carismáticos que revertiam os contos de fadas em tramas parodiais e hilariantes, não faltando boas doses de ataque à Disney, um humor satírico mas que não perdia o seu apelo às crianças. Tudo parecia encantador. E sim, o Ogro verde e suas estripulias divertem qualquer platéia, mas verdade seja dita, o que a franquia Shrek trouxe para o cinema não é lá grande novidade. Desde o início eu soltei um leve grito "é blefe!", mas ninguém me ouviu. E assim, sabe-se lá como, ele tirou o Oscar de Animação - em sua primeira edição - do excelente Monstros S. A.

Mas o tempo vai passando, e a cada novo filme, novos personagens, novas situações, somos envolvidos e nos divertimos gratuitamente com os personagens. Isso já é um grande mérito da série, criar personagens que cativam o público a cada novo filme. Desta vez, Shrek está em um dia estressante, cansado com sua rotina e com a monotonia que sua vida se encontra. Em sua cabeça, daria tudo para ser um ogro violento e temido de novo. Em um ataque de fúria durante o aniversário de seus filhos, ele foge e assina um malfadado contrato com o trambiqueiro Rumpelstiltskin, interessado em tomar o reino para si, que colocará a vida (ou, melhor dizendo, o passado e o futuro) de Shrek em risco.

Contando cada vez menos com gags que fazem referências a filmes e cenas famosos, Shrek 4 aposta em sua trama, até interessante - inclusive para os adultos (na famosa temática 'e se pudéssemos jogar tudo para o alto por um momento de alívio?') -, e na 'redescoberta' de velhas situações e personagens. Tendo Shrek perdido o seu passado, há uma nova situação sobre como ele e Burro ficam amigos, o Gato de Botas e Fiona são completamente diferentes daquilo que estamos acostumados. Interessante? Talvez. No entanto, ficamos com a clara sensação de "estamos revendo a mesma velha trama?". O filme, no final das contas, é isso, um blefe no qual há um cansativo repeteco de velhas situações.

Que, obviamente, divertem e distraem as crianças. E os adultos também. Em uma semana corrida, dias estressantes, talvez se aliviar com uma hora e meia de bobeira com um final bonitinho valha a pena. Mas talvez há tantas coisas melhores para se fazer com tal tempo. Definitivamente, é uma série que merece ser encerrada.

6,0

PS: Entretanto, 'Faz o urro!' ganha como uma das melhores piadas do ano.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Agora em dvd: O clássico das animações: Dumbo

Gente, eu sei que tenho que postar minhas resenhas sobre Eclipse e Shrek 4, mas hoje, ao escrever esta resenha de Dumbo para o site dvd magazine (www.dvdmagazine.com.br) me empolguei tanto que achei que valia a pena postar aqui no blog também...então com vocês: Dumbo!!!!

Quando estamos lidando com um dos grandes clássicos da primeira era de ouro da Disney (1937-1942), é impossível duvidar da qualidade de um desses longas. Mas não se pode deixar de observar que cada filme desta época (Branca de Neve e os Sete Anões, Pinóquio, Dumbo, Fantasia e Bambi) tem características extremamente individuais que fazem com que esses filmes se tornem únicos. Enquanto Branca de Neve retrata mais que perfeitamente através de seus nuances o bem e o mal, Pinoquio a mentira e a influencia de outras pessoas, Fantasia o experimentalismo para uma nova arte e Bambi o grave sentimento de perda e amadurecimento, Dumbo talvez seja o filme entre estes que tenha o tema mais espinhoso: a exclusão. Ninguém gosta de ser rejeitado e muito menos de ser alvo de piadinhas e, para os mais desavisados de plantão que chamam de Dumbo aquele que tem orelhas grandes, Dumbo nada mais é que um dos personagens mais corajosos da historia da Disney, de tal modo que, a pessoa que é alvo desse tipo de piada deveria orgulhar-se. Infelizmente, por ser um filme antigo e visto muito no inicio da infância, crianças e adultos se esquecem da mensagem principal de um dos filmes da disney de maior bilheteria (em termos de correção monetária claro) e mais ovacionados.

A historia que muitos conhecem nem que seja de modo superficial, se inicia com a chegada da cegonha (e aí uma sacada de gênio de Walt, que traz no filme uma explicação muito utilizada na época de como existiam os bebês- assistindo o filme, a criança não mais faria o questionamento aos seus pais- pelo menos não na década de 40), que traz os bebes para suas mamães. O problema surge quando o lindo bebezinho elefante mostra suas orelhas e...elas são enormes claro. Isso traz à Dumbo toda depreciação possível e impossível, incluindo o aprisionamento de sua mãe por tentar defende-lo, à claro, sua humilhação por fazer parte de uma minoria. Mas Dumbo tem o ratinho Timóteo como fiel escudeiro, e não vai desistir de realizar os seus sonhos, e ainda se tornará um herói.

Como o tema da exclusão é um tema eterno (sempre haverão grupos excluídos seja por cor, raça, credo, opção sexual) Dumbo é então um filme que chega ao fundo do coração do espectador, onde talvez em algumas situações o publico possa se enxergar no personagem principal. Quem nunca foi alvo de alguma piada? Excluído de algo durante algum momento da sua vida? Se sentiu sozinho e magoado? Por essas situações que acontecem com todo mundo, o filme se torna então um verdadeiro clássico cinematográfico, sendo que ganhou, em 1947, o premio de melhor filme animado em Cannes. O longa ainda ganhou o Oscar de melhor trilha sonora (composta pelos lendários Franck Churchill e Oliver Wallace) e concorreu à melhor canção com a triste Baby Mine. Mas independente dos títulos conquistados, o filme tornou-se muito mais do que isso. Simplesmente é uma obra-prima, que permanecerá no coração de diversas gerações para sempre, por explicar de modo bem doce que todos nós passamos por dificuldades, obstáculos e decepções, mas que, se tivermos pessoas que nos aceitam como realmente somos, conseguiremos seguir em frente.

Nota: 10,0

domingo, 11 de julho de 2010

Agora em dvd: Dobradinha Amy Adams- A vida num só dia e Casa Comigo?

Casa Comigo?

Se existe uma atriz que está no meu rol de favoritas de todos os tempos, é Amy Adams. A atriz, nascida na Itália e naturalizada americana, Amy foi notada pelo mundo do cinema pela primeira vez, ao atuar no longa “Junebug- retratos de família” em 2005, onde sua atuação lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Mas o público só foi conhecer a atriz em “Encantada” longa da Disney que se tornou um sucesso mundial em 2007, e lhe deu notoriedade. Desde então, Amy vem participando de ótimos projetos como “Dúvida” (que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar), “A vida num só dia” (onde atuou ao lado de Francês Mc Dormand) e “Julie & Julia” (onde interpretou Julie Powell). Em “Casa Comigo?”, Amy faz o que sabe de melhor- a arte de ser adorável, e nos entrega mais uma ótima atuação, no longo mais doce do ano (até agora).
No longa Amy interpreta Anna, uma decoradora de apartamentos que tem uma vida corretamente perfeita e namora há anos o médico Jeremy (Adam Scott). Quando Jeremy vai participar de uma conferencia em Dublin, na Irlanda, Anne, por causa de um conselho de seu pai Jack (John Lithgow, sempre ótimo), resolve ir atrás de Jeremy pois, segundo uma lenda irlandesa, as mulheres em ano bissexto podem pedir seus namorados em casamento na data de 29 de fevereiro. Só que claro, algo acontece no caminho e Anna vai parar no país de Gales, onde conhece Declan (Mathew Goode, sempre competentíssimo), homem totalmente diferente dela que terá a missão de levar a jovem até Dublin...mas muitas coisas ainda irão acontecer durante o caminho.
O filme é uma delicia...com ótimas atuações, onde Amy claro, brilha mais uma vez (e ela e Goode tem ótima química), e o roteiro da dupla Deborah Kaplan e Harry Efront (de “O melhor amigo da Noiva” e Josie e as gatinhas”) não compromete. Mas na parte técnica, os destaques vão mesmo pra linda trilha de Randy Edelman (de o ultimo dos moicanos) e a fotografia de Newton Thomas Sigel (fotografo sempre presente nos projetos de Bryan Singer).
O longa é gracioso justamente por ser doce. E, por mais que possa ser previsível e cheio de clichês, quando trata-se de um filme que consegue ser previsível mas adorável, não se nota tanto seus defeitos. E por favor Academia, providenciem um Oscar pra Amy Adams rápido!! Simplesmente ótimo.


Nota: 10,0


A Vida Num Só Dia

“A vida num só dia” talvez seja uma das comédias mais injustiçadas nas premiações do circuito 2008-2009. O longa, dirigido por Bharat Nalluri (famoso por fazer filme da bbc pra tv), é uma comédia divertidíssima que é composta por um grande elenco e tem excelente parte técnica.
O filme é centrado em Guinevere Pettigrew (Frances Mc Dormand, mais uma vez excelente) , uma governanta que, após perder mais um emprego, consegue, através de um pequeno “engano” ir parar na casa de Delysia Lafosse (Amy Adams, como sempre maravilhosa) uma jovem atriz que é mantida pelo charmoso, porem perigoso Nick Cordorelli (Mark Strong, sempre ótimo como vilão). Ocorre que a vida de Delysia é mais disputada do que parece e, além de Nick, ela joga seus charmes para Phil (Tom Payne) que é filho de um famosos dramaturgo, e Michael (Lee Pace, sempre uma graça) um pianista promissor que na verdade é o grande amor da jovem atriz. Mas nem só das desventuras amorosas de Delysia viverá Miss Pettgrew...ela ainda irá chamar a atenção do rico estilista Joe (Ciarán Hinds) e a ira da noiva dele, Edythe (Shirley Handerson). E em apenas um só dia, Miss Pettgrew irá viver mais do que sua vida inteira.
O elenco dispensa comentários...Frances e Amy estão ótimas juntas, mas todos os atores do elenco principal conseguem brilhar. O roteiro do vencedor do Oscar Simon Beaufoy também se destaca, por ser divertido e inteligente ao mesmo tempo. O figurino de Michael O´Connor só não era o melhor de 2008 porque perdia pro outro figurino do mesmo- “A Duquesa” (que rendeu à Connor o oscar em 2009), e a trilha d Paul Englishby é pura energia, assim como a direção de arte de Sarah Greenwood (que já foi indicada ao Oscar por “Orgulho e Preconceito”, “Desejo e Reparação” e “Sherlock Holmes”). Enfim, é um longa maravilhoso em todos os sentidos, onde a alegria do filme é contagiante justamente por sua energia e ótima condução.
Longa que merece ser visto e revisto, por ser tão caprichado e bem feito, onde tudo se encaixa perfeitamente, e há um grande produto de entretenimento de grande qualidade.

Nota: 10,0

terça-feira, 6 de julho de 2010

Agora em dvd: O sabor de uma Paixão

Quando soube da morte de Brittany Murphy no ano passado nunca pude deixar de chorar. Uma das atrizes mais queridas da minha geração, Brittany protagonizou longas deliciosos como “Grande Menina, Pequena Mulher” e “Amor e outros desastres”. Neste longa, dirigido por Robert Allan Ackerman (conhecido por dirigir filmes pra tv, e famoso por ter dirigido o maravilhosa biografia de Judy Garland), temos Murphy engraçada no ponto certo, e, mesmo o filme não sendo lá nenhuma brastemp, só de vê-la atuando no seu ramo mais famoso- o das comédias românticas, já é gostoso de assistir o filme.

O filme narra a história de Abby, uma jovem americana que vai parar no Japão por conta do namorado e claro, ele deixa a menina a ver navios. Em um país totalmente estranho (o que faz com que sua personagem lembre a de Scarlett Johansson no clássico “Encontros e Desencontros”) ela encontra a redenção ao se tornar discípula de Maezumi (o ótimo Toshiyuki Nishida), dono de um restaurante especializado em ramen (prato japonês composto por massa, legumes, caldo e peixe ou carne de porco e que dá titulo ao longa em inglês- The Ramen Girl) que a torna uma estudiosa neste prato que é cheio de tradicionalismos. Através do seu aprendizado, Abby vai descobrir a amizade, o afeto e um novo amor.

O filme é daqueles tipos que incluímos como “uma gracinha” e Brittany está carismática ao extremo. A trilha do italiano Carlo Sillioto também se destaca mas é a relação Abby- Maezumi, que mistura os enredos de “Ratatouille” e “Encontros e Desencontros” que faz com que o filme seja tão especial.

Bom longa, ótimo entretenimento, mas que passa uma mensagem e nos dá de presente uma bela atuação de uma atriz que deixou cedo demais o mundo do cinema.

Nota: 7,5