
É curioso ver como um dos seriados mais queridos no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 acabou virando uma franquia de filmes prolixos e vazios, definitivamente aquém dos textos que, ainda na mesma temática, diversas vezes surpreendiam por sua qualidade. Para piorar, Sex and the City 2 já não tem mais o apelo nostálgico de se encarar qualquer coisa para ver aquelas quatro mulheres juntas de novo. Não é o caso, pois o primeiro filme não deixou os fãs com esse gostinho de quero mais na boca.
Dois anos depois, e seguimos vendo os rumos que as vidas de Carrie, Miranda, Samantha e Charlotte tomaram, e o mote do filme é muito simples: uma hora, bem ou mal, cansamos de ser quem estávamos acostumados a ser e precisamos fugir. Em uma fuga provida pelo emprego de Samantha, as quatro garotas vão para Abu Dhabi, em um paradisíaco hotel, para ficarem uma semana, e é aí que a história se desenrola.
Para os fãs da série, o filme não deixa de ter suas surpresas agradáveis. As leves mudanças nas posições de todas elas caíram bem, nos remetendo a episódios nos quais as personagens jogavam tudo para cima e mudavam de postura. De longe, a melhor parte do texto e o melhor trabalho de atuação ficam mesmo com Miranda e Cynthia Nixon, nos momentos mais naturais e preciosos do filme. Além dessas mudanças, os personagens secundários serem assumidos como completamente secundários (leia-se quase todo o elenco masculino, excetuando-se claro Chris Noth) foca o filme naquilo que merece ser focado. E, claro, os figurinos continuam exuberantes e nos divertindo imensamente.
As qualidades páram por aí. A mudança de Nova Iorque para Abu Dhabi não é nada sutil ou agradável, uma vez que a cidade era um personagem orgânico no seriado. Entendo eles fugirem do óbvio, mas definitivamente não souberam trabalhar o tema - criando ainda momentos de vexame puro com tamanho desrespeito à cultura muçulmana, ainda que tentassem insistentemente explicar as diferenças entre ocidente e oriente. Além disso, o roteiro é prolixo, arrastado, com incontáveis partes ilógicas que jamais deveriam ter existido. As cenas exageradas, apesar de também condizerem com a idéia geral do que era a série, são vexatórias (e lista-se aqui quase metade da projeção, incluindo o horroroso casamento do início - apesar de um apoio claro ao casamento gay ser algo positivo) e, por fim, é inevitável reclamar do excesso de participações especiais que não tomam rumo algum. Qual o sentido em se lutar tanto para ter Liza Minelli e Penélope Cruz no filme se elas não serão nada além de breves participações para se dizer que ambas participaram da filmagem. Adoro Liza, mas vê-la cantar e dançar Single Ladies me deu uma sensação de vergonha alheia.
Também é curioso notar que um seriado que tratou de maneira delicada os eventos do 11/09 - reduzindo drasticamente sua quinta temporada - seja tão leviano e artificial na tentativa de abordar a crise financeira americana. Há reclamações para que, no final do filme, elas se transformem em um elogio no estilo "melhor aquela loucura do que esta loucura". O filme que também tentou mostrar algum respeito pelos muçulmanos manda tudo pelos ares em seu desfecho.
Respeito. Esta é a palavra de ordem sobre o que se faltou na seqüência do filme. Não, não o respeito aos fãs, mas respeito à própria série e às personagens. Aquilo que nos fascinou, ao longo de seis temporadas, transforma-se em algo desinteressante, chato e dispensável. É uma pena. Honestamente? Fiquem com a série, e evitem o filme.
Nota: 4,5





