terça-feira, 27 de abril de 2010

Agora nos Cinemas: Alice no país das maravilhas

Quando foi anunciado que Tim Burton levaria às telas sua versão de "Alice no país das maravilhas" eu pensei- finalmente. Já que, inicialmente ele é o diretor correto pra dirigir tal adaptação. Mas o quão me enganei...o filme é muito comprido, chatinho, e embora divirta, torna-se superficial demais em vários momentos.
Aqui temos uma junção dos 2 livros de Alice, em um roteiro assinado por Linda Woolverton (dos ótimos "A bela e a Fera e O rei Leão), onde Alice vai parar no país das maravilhas ao fugir de sua festa de noivado, o que já mostra que aqui Linda errou feio, alem de termos uma protagonista apática, antipática e nada encantadora, confusa demais quando entra no país das maravilhas e engolida quando está em tela ao lado de Helena Bonham Carter (pra mim o grande trunfo do filme). Johnny Depp aqui surge caricato demais, e é fadado à fazer uma dancinha no final que é humilhante! Anne Hathaway também não está brilhante, mas nomes como Alan Rickman, Stephen Fry e Michael Sheen se destacam em suas dublagens...
Mas, há pelo menos algo de bom no filme- a parte técnica. O filme é um primor tecnico, sejam os figurinos lindos de Colleen Atwood, ou a direção de arte de Robert Stromberg, além da trilha de Danny Elfman e a bela fotografia de Dariusz Wolski.
Enfim, é um filme fraco. E pra ser mais exata superficial. É uma pena, pois eu realmente espero que Tim Burton volte lembrar-se de que é um genio, e volte a agir como tal.

Nota: 6,0


domingo, 25 de abril de 2010

Especial: Resultado Promoção Quincas Berro D´Água



Porque o Duque também quer participar da promoção rsrsrs...


Então gente, como prometido, hoje eu vou divulgar o nome dos vencedores da promoção que vai dar 4 pares de ingressos para ir na pré-estréia do filme "Quincas Berro D´Agua". Como eram 4 vencedores eu fiz o sorteio à mão mesmo e bati fotinhos com os nomes dos vencedores...confiram passo a passo rsrsrs:
Primeiro coloquei o nome dos candidatos (eram 8 ao total)...



Depois cortei os papéis (rsrsrs, óbvio ne, dã, mas confesso que postei essa só pra mostrar minhas unhas recem feitinhas rsrsrs)



Papéis na mesa eeeeeeeeeeeeee.....


Ewerton Rodrigues é o primeiro vencedor:D



Seguido de Alex....

Eduardo....

E Felipe:D


Parabéns a todos e uma boa semana people!!!




Eu fazendo o sorteio enquanto minha tia e minha mãe estavam vendo "when in rome" em dvd (comédia romantica ainda inédita no Brasil)...


Ahhhh, não posso esquecer! Quarta-feira passada, dia 21/04, eu Arthur e Alessandro fizemos um podcast sobre top 5 expectativas 2010...então se quiserem ouvir tá aqui o link:



Resenha de "Alice" terça por aqui...

bjokas,

vivi


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Especial: Promoção Quincas Berro D´Água

É isso mesmo meu povo e minha pova, o Cinefilando vai sortear 4 pares de ingressos para assistirem a pré-estréia do longa Quincas Berro d´Água, que promete ser uma das grandes comédias do ano. Vão ser 2 pares de ingressos em São Paulo e 2 no Rio de Janeiro.
O filme, dirigido por Sérgio Machado e que tem no elenco Paulo José, Marieta Severo, Mariana Ximenes, Flávio Bauraqui, Luis Miranda, Frank Menezes e Vladmir Brichta e conta a história de a história de Quincas Berro D?Agua, o rei dos botecos, bordéis e gafieiras da Bahia, que encontrado morto tem seu corpo levado pelos amigos para uma última noite de bebedeira para que realmente tenha uma morte digna.
Para participar é muito simples, é necessário ser seguidor do Cinefilando, e colocar nos comentários a seguinte frase "quero ganhar ingressos para assistir Quincas Berro d´Água", juntamente com seu nome e e-mail. No dia 25/04 será feito sorteio e neste mesmo dia serão divulgados os vencedores dos prêmios, onde posteriormente entrarei em contato por e-mail.
Então gente é cruzar os dedinhos e participar,
Bjokas,
Vivi

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Agora em dvd: Finalmente no Brasil "Brideshead Revisited"

Quando vi o trailer de “Brideshead Revisited”, que no Brasil terá o nome de “Brideshead- Desejo e Poder”, não dei tantos créditos...mas ao assistir ao longa, no início do ano passado, me apaixonei perdidamente pela trama, o que subsequentemente me fez ler o livro de Evelyn Waugh e ver a série da ITV de 1981 com Jeremy Irons e Anthony Andrews (e que é considerada na Inglaterra a maior série já feita na história do país, sendo que sua audiência só foi igualada com o funeral ao vivo da Lady Dy). Embora a série, que tem 11 capítulos, tenha sido muito mais fiel à trama original, o filme, através do famoso roteirista inglês Andrew Davies, consegue um verdadeiro milagre ao transpor a idéia original entrelaçando um livro tão detalhista quanto Brideshead é.

Pois bem, o filme se passa na década de 30, e conta as memórias de Charles Ryder (Mathew Goode) e seu envolvimento com a família Marchmain, principalmente com os irmãos Sebastian (Ben Whishaw, digno de Oscar) e Julia (Hayley Atwell) , Charles conhece Sebastian e logo ambos ficam amigos, embora Sebastian se apaixone perdidamente por Charles que acaba se envolvendo com Julia. Mas as coisas ficam complicadas quando Lady Marchmain (Emma Thompson, dando um show) a matriarca da família extremamente católica aparece tentando manipular a todos em seu redor. O filme antes de mais nada, é um grande questionador nos conflitos referentes à religião, pois Charles é ateu, e suas diferenças religiosas com a família Marchmain serão fundamentais para a conclusão da trama. Outro fator a ser observado é justamente por se tratar de uma família inglesa tradicional e católica, lembrando que na Inglaterra em sua maioria são protestantes. Mas não dá de acreditar como este filme, brilhantemente dirigido por Julian Jarrold foi totalmente esquecido pelo academia ano passado, principalmente por tratar-se de um longa rico em parte técnica e em atuações.

Mas de todo o elenco o melhor é de longe Ben Whishaw...ele que recentemente causou alvoroço por interpretar o poeta John Keats no cinema no filme “O brilho de uma paixão” de Jane Campion traz aqui toda a sensibilidade existente no personagem Sebastian, principalmente por tratar-se de um personagem famosíssimo na Inglaterra, interpretado na série por Anthony Andrews que levou diversos prêmios de melhor ator (incluindo o Globo de Ouro e o Bafta), e interpretou Sebastian de modo magistral, mas bem diferente da abordagem de Ben que foi por uma via mais sensível do personagem, principalmente quando se trata do conflito interior do mesmo pelo fato dele ser gay. Mathew Goode também não faz feio, trazendo uma abordagem bem parecida com a que Jeremy Irons fez na série. Já Emma Thompson atua tão bem quanto Claire Bloom, mas interpreta Lady Marchmain com mais dureza e maquiavelismo. Hayley Atwell também está muito bem como Julia Flyte, e Michael Gambon também marca presença como Lord Marchmain (na série o personagem foi interpretado por ninguém menos que Laurence Olivier, que venceu o emmy naquele ano por sua participação).

A parte técnica também é formidável...a fotografia semppre precisa de Jess Hall, lembra muito os trabalhos de Tony Pierce Roberts para “Vestígios do Dia” de James Ivory, e a trilha sonora de Adrian Johnston é sem sombra de duvidas a melhor do ano passado, sendo melancólica, clássica e poderosa. Vale lembrar que todo o contexto do filme lembra muito os filmes de James Ivory (principalmente por ter sua musa Emma Thompson no elenco), e o longa demonstra um classicismo de alto nível supremo.

Esta é uma película que merece ser vista e revista e que vai deixar uma sensação de melancolia em seu final...um daqueles longas que merecem serem apreciados em sua totalidade...pra quem gostar, recomendo também o livro e a serie, ambos também excelentes.

Nota: 10,0

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Como se fala um amor [ou o que (des)aprendemos com o cinema ou o maior problema do cinema]


Já faz um tempo que eu queria te escrever um som. Mentira. Já faz um tempo que não durmo, isso é mais verdade. Já faz um tempo que queria escrever sobre isso no blog, talvez uma de minhas postagens mais pessoais e catárticas - e justamente hoje, que eu sequer esperava ou queria escrever isso, é que me vi sentado aqui, em mais uma noite insone. Seja como for, a mensagem não tem destinatário além de mim.

Mentira, de novo.

Clementine entra completamente insegura no apartamento de Joel e é obrigada a levar facadas ruidosas dos motivos que o levaram a apagá-la de sua memória. Dentre tantas, seu charme vulgar de sexo blasé e inseguro, e ela tenta pedir uma bebida pra dizer que estava tudo bem. Não estava. Ela sai, enfim, andando pelo corredor - ir embora - ao que Joel finalmente percebe que não pode deixar aquilo se repetir. Ele já não sabia mais dele, apagou; ela sabia um pouco mais dela por uma fita de memórias retorcidas pelo ressentimento. Apagar é mesmo bem difícil. A segura cambaleante no meio do corredor, ao que Clementine é obrigada a lembrá-lo como ele a odiava, os motivos, e como nada deveria dar certo. Ela precisava dizer isso para si, na realidade. E a resposta que se obtém é um sorriso confuso mas honesto com o valor de 'tudo bem, eu não ligo'.

Cedo ou tarde nos pegamos pensando na morte de Winslet, Kaufman, Gondry e Brion.

Luisa quebra, por fim, o resto de esperança que tinha ao ver que um de seus momentos mais queridos e íntimos com seu incorrigível marido não passava de uma arma de sedução dele, usada repetidamente com fins outros e baratos. Como o contido é sua obrigação, ela solta uma lágrima sobre como sua vida ganhava ares de mentira. Mas os musicais irrompem a realidade quando ela, por si, não permitiria. Que bom. Vemos uma luva surgir por entre uma cortina. Luisa, a contida, surge de espartilho em um show de strip, num cabaré imaginário ao qual nos submetemos por algumas vezes. Você quer meu amor? Tome tudo. Não restará nada de mim. Explodimos.

Também queremos matar Marion.

E então, Hoje não vai ter treino não. Nem treino, nem ensaio. E Antônio, pobre moço que sufocava a sonhadora Karina, resolve buscar o mundo para ela, por todos os caminhos que se poderia imaginar. Devo confessar que Adriana e João são um casal dos mais cruéis: ela fez seu belo crime em livro, ele o transformou em peça; não contentes, fez-se o filme. E Antônio termina num hospício para, um dia, viajar no tempo de novo. Antônio do passado encontra Antônio louco, que o ensina enfim como driblar seu destino. Ah, Autran. Antônio volta ao passado e consegue mudar seu destino: guarda sua vida a escrever por e para Karina. Eita moça difícil essa. O tempo de Antônio já não é longe pra trás, longe só que a gota. Distância, o que quer que ela signifique, é sempre mais longe que a gota, ainda que ali.

Prendam os Falcãos, por favor.

Deprimido há tempos pelo fim de seu casamento, Paul volta a casa de seu pai, dividida com seu irmão mais novo, por não ter muito onde ir. Tenta o suicídio e tudo. Uma noite e o resto é mais forte, Paul não resiste e liga para Anna. O que surge aí é simplesmente um dos momentos mais belos que já vi no cinema. Ele, deitado de cueca na cama, a encontra também de roupas íntimas, maquiagem borrada - e nunca sabemos a razão das lágrimas. Encaixe aqui o que quiser, querendo ou não fugir do óbvio. Saiba minha linda, que os amores mais brilhantes são apagados pelo sol do dia a dia; tive uma idéia que pode parecer absurda, mas acho melhor terminarmos antes da raiva. Não, eu te beijo e isso passa, você sabe bem. Eu prefiro as tempestades do inevitável à sua idéia destrutiva. Antes do ódio, antes dos golpes, você diz para terminarmos; mas eu te abraço, e isso passa, você sabe bem. Não se livre de mim assim. Os singelos refrões alternados entre um e outro transforma a música simples em um diálogo profundo e inconclusivo.

Adicionemos Honoré à lista de morte.

Não se fala o amor; se sente. Isso sempre foi óbvio, ainda que se relute. Nada é mais encantador que uma paixão, aquela que nos faz acordar e dormir e acordar de novo e dormir de novo por querer que os dias passem mais rápido graças ao desejo que o dia não acabe nunca. O tempo se suspende do óbvio, vira pessoal, fazemos o que queremos. Estamos ao lado. Entregamos a graça do cotidiano ao outro, que nos invade a vida - uma invasão permitida, desejada, secreta. Se a paixão é correspondida, vira o estar junto. Veja bem, não é nem o relacionamento nem o amor ainda. Estar junto na noite de frio, no cinema, na rua. Arrepiamos pelo efêmero e etéreo roçar de braços e coxas, assim sem querer, com um mínimo contato. Como se os beijos não existissem. Se se segue, aí vai virando o resto. E se forma o amor, sem nunca sabermos quando ou como, e onde ele vai. Ele vai, e perdemos o controle que nunca tivemos.

O sol do dia a dia é sujo? Qual é? Compartilhar, dividir, construir. Não é sujeira. Há limites, há dificuldades, há cansaço. É sujeira quando vira banal, é sujeira quando se quer sempre o inatingível mais só por ser inatingível e mais. Torne-se atingível, pega-se o mais; e perde-se o que havia antes. Que bica. A monotonia vai de cada um, de seus secretos desejos e expectativas. Só sabemos que isso também não foi compartilhado quando nos vemos dando tchau. Aí é fato, a guerra de ilusões e desilusões seguem às estrelas e ao asfalto, o tempo que for necessário, para dizer que não é assim. Não? É sim. Não depende de um. Nunca dependeu. E aí o que se diz do egoísmo? Ah, como as grandes lições ficam para o fim. A piada é nunca saber quando e o que acabou ou não. Acabam algumas coisas, mas a vida segue, e o dom do homem é de ser fluxo por falta de escolha.

Enfia-se o carinho onde? Em si. É seu. É meu, devo assumir primeira pessoa novamente. Não se muda o que viveu. Se muda o que vive, e é do presente ser efêmero. O ruim disso é ser só uma ilusão, o presente pode se arrastar interminavelmente. E o futuro só existe para aqueles que ousam querer pensar nele. Merda, sou um desses. É sem ponto, vive-se melhor ignorando o futuro. Ele não existe por si, de num jocoso cansaço ele também só existe por si. Não é necessário o jogo de críticas e acusações - belamente pulamos esta parte. Já fazemos suficiente contra nós. E aí isso vira um pequeno muro que se tenta construir, orgulhando e debochando de nosso egoísmo, de nossa entrega, de nossos sonhos. Somos ricos ao sermos complexos, somos belos ao sermos nós. Cada um na sua própria bolha de ar, diria a menina. Que saco.

O problema do cinema não é sua discussão sobre o que é arte ou não. Isso é insuportável é só tem mínima graça quando argumentado por quem entende muito. Esqueçam a briga alternativo ou blockbuster. O problema do cinema é quando ele consegue seu maior trunfo: ser extremamente humano. Ele se dá o direito a isso, enquanto nos damos o direito de entendermos como pessoal, afinal, também somos humanos e achamos isso como justificativa sensata para nos entregarmos às outras humanidades. O que é de outrém vira nosso, o que é além torna-se aqui, o que é francês agora é só meu. Nos pegamos agradecendo secretamente aos outros quando nos vemos chorando no cinema. Como ele é lindo. Não. A beleza está em nós. E são poucas as coisas que atingem nossa beleza. Isso é sensualidade. A sensualidade do óbvio que foge de si, de um ato qualquer que nos atinge. A sensualidade de Duris e Preiss, ao piano.

O verdadeiro nome deste post deveria ser a você. Melhor. A você que não lerá isso. Deixamos de nos ler - em grandes partes. Mas algumas coisas nunca nos lemos. Não é agora que isso muda. É agora que isso intensifica. A vida é sarcástica. Somos fortes quando dobramos isso. Esse sarcasmo me doeu. Não é só seu, é meu também. Problemas e culpas só minhas. Que fique cada um com que é de si, e se segue.


Sais-tu ma belle que les amours
Les plus brillantes ternissent
Le sale soleil du jour le jour
Les soumet au suplice

J'ai une idée inattaquable
Pour éviter l'insupportable

Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là s'il te plait

Mais je t'embrasse et ça passe
Tu vois bien
On s'débarrasse pas de moi comme ça

Tu croyais pouvoir t'en sortir,
En me quittant sur l'air
Du grand amour qui doit mourir
Mais vois-tu je préfère
Les tempêtes de l'inéluctable
A ta petite idée minable

Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là dis-tu

Mais tu m'embrasses et ça passe
Je vois bien
On s'débarrasse pas de toi comme ça

Je pourrais t'éviter le pire

Mais le meilleur est à venir

Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout

Brisons-là s'il te plait

Mais je t'embrasse et ça passe
Tu vois bien

Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout

Brisons-là dis-tu

Mais tu m'embrasses et ça passe
Je vois bien

On s'débarrasse pas de toi comme ça

On s'débarrasse pas de toi comme ça


Assinado eu.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Cinema Musical: Entrevista com o compositor Tyler Bates


No inicio do ano, tive a oportunidade de entrevistar o compositor Tyler Bates (conhecodio pela trilha de "300" e "Madrugada dos Mortos" para o site Scoretrack.net (www.scoretrack.net)...agora, divido esta entrevista com vocês, sobre o trabalho dele, seus planos e seu modo de composição.

Viviana Ferreira – Quando você realmente percebeu que queria ser um compositor?

Tyler Bates – Eu voltei para a minha cidade natal Los Angeles em 1993, para escrever canções e produzir discos. No processo, fui convidado para compor a trilha sonora de um filme de baixo orçamento, e isso deu origem a 15 trilhas em 3 anos. Com a minha banda, Pet, assinei um contrato com a Atlantic Records, e a experiência de compor para o filme Sem Limite (The Last Time I Committed Suicide), para o diretor Stephen Kay, eram minhas metas a longo prazo como músico e compositor. Após fazer turnês por uns 2 anos, senti mais falta de compor e gravar diariamente do que de me apresentar ao vivo para as plateias do continente. Quando voltamos da nossa última turnê em 1997, decidi direcionar minha energia para a música de cinema, além de aprender tudo o que pudesse sobre a realização de filmes. Naquela altura não tinha mais volta para mim.

VF Como foi o início de sua carreira como compositor de trilhas sonoras?

TB – O começo da minha carreira foi um pouco estressante devido à minha falta de experiência no ramo cinematográfico, e também por não conhecer a mim mesmo como um compositor de trilhas sonoras da maneira que eu me conhecia como um compositor de canções e músico. Demorei quinze filmes até fazer um trabalho respeitável que realmente representasse quem eu era como artista na época. Tive muitos altos e baixos ao longo do caminho, mas no geral, eu realmente amo o processo de colaboração com as grandes pessoas com quem tive a sorte de trabalhar ao longo dos anos. Eu me sinto como se ainda estivesse no início da minha carreira.

VF Além do seu trabalho como compositor de cinema, como foi a experiência na banda chamada Pet, que você formou com a compositora Lisa Papineau?

TB – Houve muitas coisas boas sobre a experiência na Pet. Ela realmente me fez entender o que eu queria da música como um todo. Lisa Papineau e eu tivemos uma química intensa como parceiros criativos, que às vezes, foi realmente emocionante. Ambos crescemos muito a partir desse momento em nossas vidas. Lisa cantou no meu score para Watchmen, o que nos levou a recomeçar a escrever músicas juntos. Estamos muito perto de completar nosso primeiro novo trabalho em conjunto. É muito diferente da música que costumávamos tocar, e estamos agora muito mais em condições de apreciar nosso processo colaborativo de criação do que antes.

VF Em 2004, você compôs a trilha sonora de Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead), atraindo a atenção de fãs (deste tipo de filme) e críticos. Desde então você está compondo trilhas mais para este tipo de filme. Qual é a sua inspiração para compor a trilha sonora de um filme de suspense / horror?

TB – A visão do diretor para o filme é o primeiro aspecto que me guia no desenvolvimento do conceito do score, especialmente em filmes de gênero. A qualidade textural do filme e a forma como várias cenas são enquadradas pela fotografia são fatores muito reveladores do estilo do diretor, o que geralmente é uma melhor informação do que discutir trilhas ou músicas específicas. Os atores em seus papéis também determinam uma abordagem, em certa medida. Por exemplo, no filme de Rob Zombie Rejeitados pelo Diabo (The Devil’s Rejects), a qualidade da imagem é granulada e muito dos tons azuis foram retirados, criando uma predominância dos tons de terra, o que me sugeriu que as músicas deviam refletir o ambiente quente e empoeirado das tomadas externas feitas de dia. Com isso, eu trabalhei com sons análógicos e distorcidos que foram criados no meu estúdio. O objetivo era tornar a música uma grande extensão do próprio filme, o quanto fosse possível. A natureza perversa dos personagens e dos seus diálogos abriu a porta para criar sons extremamente perturbadores no contexto de seu ambiente natural.

VF Você trabalha com frequência com o diretor Zack Snyder… compondo a música para Madrugada dos Mortos, 300, Watchmen… o que você tem a dizer sobre a parceria nesses projetos?

TB – Eu não tenho palavras para dizer o quanto eu gosto de trabalhar com Zack e toda a equipe de pessoas que ele reuniu ao longo dos anos. Levamos nosso trabalho muito a sério, mesmo assim nos divertimos muito mesmo nas circunstâncias mais estressantes. Zack inclui uma cultura de arte e experimentação como parte do processo para dar vida a todos os seus filmes. Ele tende a ser muito aberto sobre a maneira como algo é colocado musicalmente, assim como no sound design. Somos fãs do trabalho um do outro, portanto há uma grande camaradagem entre nós. É ótimo trabalhar com o Zack!

VF - Falando sobre Watchmen, seu score para este filme é considerado por muitos como um dos melhores de 2009. Como você se sente por ter participado de um projeto tão importante?

TB – Fico lisonjeado quando o público ou os meus colegas apreciam meu trabalho. Embora, sinceramente, eu nunca fui motivado pela bajulação em qualquer nível. Meu primeiro objetivo é criar a melhor trilha sonora de que sou capaz, para cada projeto que faço. Claro, eu quero que o diretor e os produtores fiquem satisfeitos com ela. E, quando chegamos a esse ponto, fico feliz por alguns minutos, então analiso o meu trabalho e aprendo com meus erros e os momentos em que realmente funcionou bem, e levo isso para o meu próximo projeto. Estou muito grato pela oportunidade de trabalhar com ótimas pessoas. Eu acho que esse é o aspecto mais gratificante do meu trabalho.

VF Você também compõe para a série Californication. Como é a experiência de trabalhar em uma série de TV?

TB - Californication é diferente da maioria dos programas de televisão. A música é um pouco crua e imprudente por vezes, no espírito do personagem principal, Hank Moody, interpretado por David Duchovny. Há também muitos momentos de emoção que são musicados no estilo de uma canção, ao contrário da trilha incidental tradicional, o que é realmente refrescante para fazer. Eu venho de uma experiência de estar em bandas, de escrever, produzir e gravar as canções, de modo que esta abordagem é uma segunda natureza para mim. Obviamente a série é muito popular e divertida, o que torna ainda melhor estar nela. A melhor parte de fazer a série é a oportunidade de trabalhar com o meu bom amigo, Tree Adams, e para Tom Kapinos, o criador do programa, que é simplesmente o melhor!

VF Quem é o seu compositor favorito do cinema? E qual sua trilha sonora predileta?

TB - Devo dizer que Jerry Goldsmith e Bernard Herrmann são meus compositores favoritos. Adoro O Planeta dosd Macacos (Planet of The Apes) de Jerry Goldsmith, e também sua trilha para No Limite (The Edge). Tudo que Bernard Herrmann compôs foi inspirador para mim. As partituras de Don Ellis para os filmesOperação França (The French Connection) foram ótimas. Adoro a dissonância deliberada da orquestra. O efeito geral funcionou muito bem nas sequências de ação do filme.

VF E para terminar, quais projetos de Tyler Bates serão lançados em 2010?

TB – A trilha sonora do videogame Army of Two: 40th Day, foi lançada em meados de janeiro. Ela foi muito bem recebida. A trilha do videogame Transformers Origins será lançada em abril. Quanto aos filmes, estou trabalhando no momento em dois projetos, e vou começar outro em março. Mas por enquanto não posso falar mais sobre eles. Parece que vai ser um bom ano!


bjokas a todos e bom findi,

vivi

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Agora nos Cinemas: Como treinar o seu dragão


Quando Chris Sanders e Dean De Bois saíram da Disney e foram para a Dreamworks, nunca imaginei que ambos iriam realizar o grande trabalho de suas carreiras na mesma. Totalmente despretensioso e rico em mensagens, o filme encanta pela honestidade e doçura. Baseado na novela de Cressida Cowell, o mundo de "Como treinar o seu dragão" se passa na época dos vikings, e narra a trajetória de Soluço, um jovem filho do grande viking da vila, que tem problemas de relacionamento com o pai por não ter uma natureza feroz e bruta como o pai gostaria.
Soluço é a chacota da vila, simplesmente por não conseguir enfrentar dragões que são os grandes inimigos do local. É então que a vida de Soluço muda ao encontrar um dragão raro, e inicialmente perigoso que vai se tornar o seu melhor amigo- Banguela (nome dado por Soluço por ele achar inicialmente que o animal não tinha dentes) é simplesmente um dos melhores personagens de animação de toda história e, embora tenha uma pequena semelhança com o Stitch de "Lilo & Stitch" ele é muito mais encantador, honesto e carismático. Quando Soluço encontra Banguela, ele encontra a verdadeira amizade, e juntos, ambos vão lutar para demonstrar que a união desfaz as diferenças.
O filme em sua totalidade é um show- tem um visual bacana, bons dubladores, ótimo em sua caracteristica 3-d e uma trilha e efeitos sonoros de tirar o fôlego. Mas o que realmente o faz ser diferente de outras animações, é o fato dele ser totalmente envolvente em sua parte emocional, fazendo com que o expectador se ligue muito aos personagens principais, e se apaixone perdidamente por Banguela. É lindo, inteligente, muito bem adaptado e uma grande lição para crianças e adultos.
Pra mim com certeza está entre os melhores do ano, e sem sombra de dúvidas acabou tornando-se a maior obra da Dreamworks, em uma obra que parecia não oferecer nada, mas ao mesmo tempo dar tudo de si. Simplesmente magnifico.

Nota: 10,0