É interessante como desde que eu comecei as listas de melhores das décadas, esta de atuações masculinas coadjuvantes foi a primeira a ficar pronta. Da nona a primeira posição, eu tinha certeza de todos aqueles que fariam parte da lista, e o que tive que resolver depois foram suas colocações. Diferentemente das demais listas de atuação (elenco, masculina em papel principal, feminina em papel principal e coadjuvante), esta lista tinha um corpo óbvio muito forte para mim - ainda que soubesse que outras grandes atuações ficariam de fora.
A grande briga e grande confusão foi o empate que cismava em acontecer na décima posição. De um lado, um personagem complexo, denso, comandado de maneira extremamente sensível por um ator pouco destacável. De outro, um dos personagens mais marcantes e comentados do cinema na década, um grande vilão, interpretado por um dos atores mais interessantes da atualidade. Sinto que minha decisão não agradará muito...

10. Jake Gyllenhaal, Jack Twist em O Segredo de Brokeback Mountain
Todos entenderam que a briga estava entre ele e Javier Bardem por Onde Os Fracos Não Têm Vez né? Pois bem, Ang Lee conduziu de maneira excelente todo o filme, especialmente seu elenco, fazendo com que um nome fraco como o de Jake resultasse em uma excelente atuação. Acontece que eu tenho sérios poblemas com este filme dos Coens, não entendo direito sua proposta e acho Anton Chiguhr unilateral e pouco complexo. Ele é mal, e ponto. Mata os outros com um cilindro de ar comprimido. Nada demais. Jake tem em mãos um personagem que apresenta certa facilidade ao assumir sua homossexualidade e sua paixão por Ennis del Mar, tentando mostrar a este um contraponto a seus medos e angústias. Sensível, sem cair em momento algum em estereótipos, sedutor na medida do que lhe cabia, acabou sendo uma atuação que corresponde a altura no excelente duelo travado com Heath Ledger.

9. Benício del Toro, Jack Jordan em 21 Gramas
Três grandes atuações: Toro, Penn e Watts em um filme extremamente denso e perturbado do Iñárritu (mas ainda prefiro seu subestimado Babel).

8. Christoph Waltz, coronel Hans Landa em Bastardos Inglórios
Vamos falar de vilões marcantes? O que Waltz faz neste filme é simplesmente delicioso, e não a toa isso lhe garantiu trocentos prêmios, como o SAGs, o globo de ouro, o Oscar e o prêmio de melhor ator em Cannes. Sarcástico, cruel, arrogante e sedutor, Waltz rouba a cena sempre que aparece nesta fantasia absurda sobre o combate ao nazismo comandada por Tarantino. That's a bingo!

7. Heath Ledger, Coringa e Batman - O Cavaleiro das Trevas
O que Nolan fez pela série Batman diretor algum fez por outra série baseada em HQs. Simples: ele levou o material a sério, apostando na densidade e na complexidade do que tinha em mãos. E como não se apaixonar pelo psicopata anarquista interpretado com total autoria por Ledger? Infelizmente, falar sobre isso ainda me remete a morte precoce do ator, que de fato foi extremamente desagradável. Ledger não só tinha um futuro promissor, como já era um dos nomes mais destacáveis de sua geração.

6. Casey Affleck, Robert Ford em O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford
Minha única grande questão em relação a esta atuação é considerá-la coadjuvante ou principal... Seja como for, Casey (o irmão 'talentoso', mas aparentemente sem noção de Ben Affleck) arrasa com um personagem extremamente ambíguo e confuso, destrutivo e covarde. Aliás, o elenco deste filme merece considerável atenção.

5. Eddie Marsan, Sott de Simplesmente Feliz
Não morro de amores por este superestimado filme, não. Assim como não me encantei tanto por Sally Hawkins, muito comentada no papel de Poppy. Mas Marsan está excelente como o sisudo paranóico instrutor de direção, forçado a suportar Poppy. Mais um caso de um considerável duelo no qual um dos lados é completamente ignorado.

4. Chris Cooper, John Laroche em Adaptação
Mais um elenco arrebatador, dividido entre Cooper, Streep e o insosso Cage - simplesmente sensacionais neste filme. Não sei muito o que comentar neste caso.

3. Paul Dano, Eli Sunday em Sangue Negro
O tanto que o trabalho deste garoto foi ignorado é surpreendente. Veja bem, o excelente filme de Paul Thomas Anderson é centrado em um duelo inimaginável: o veterano e arrebatador Daniel Day Lewis contra o novato e cada vez mais destacável Dano. E o resultado é simplesmente surpreendente, o garoto não desaparece diante do monstro uma vez sequer. Aí consideram a atuação de Day Lewis a principal de sua carreira e uma das - se não a - melhores da década (merecidamente), e ignoram completamente o show dado por Paul. Acho isso simplesmente absurdo, ele é dono do filme tanto quanto o outro.

2. Ed Harris, Richard Brown em As Horas
Falando em elencos espetaculares, antecipo que, obviamente, As
Horas já tem o prêmio de melhor elenco da década. Este filme é extremamente denso, e tenho considerável afeto pela personagem Richard. Poeta reconhecido, sofre com sua doença fatal e com os fantasmas de sua juventude e de sua infância. É um filme tão bem escrito e atuado que é impossível destacar uma ou outra cena como a mais memorável, mas certamente Harris protagoniza algumas das tantas destacáveis.

1. Jackie Earle Haley, Ronnie McGorvey em Pecados Íntimos
Pecados Íntimos é um soco no estômago que se digere aos poucos, e conta com duas soberbas atuações: esta e a de Kate Winslet. Pedófilo que tenta se reintegrar a sociedade, Ronnie é um homem de meia idade que se percebe completamente sem razão de existir - ainda dependente de sua mãe - que não consegue 'se curar' de seu terrível mal. Perseguido eternamente pela culpa, ele não tem como fugir dos constantes e aparentemente justificáveis ataques de seus vizinhos, que resultarão em situações ainda mais absurdas. É uma subtrama do filme sobre a hipocrisia sexual e ética das 'pequenas crianças' daquele subúrbio americano, mas tenho a sensação que Haley simplesmente consegue criar um filme próprio, e esquecemos do resto quando ele surge em cena. Ah, e só para lembrar, este ano ele concorreu ao Oscar com Eddie Murphy - que só por gritar e cantar em Dreamgirls deram o direito a ele de se considerar favorito ao prêmio e ambos perderam para o vovô zureta de Pequena Miss Sunshine, interpretado por Alan Arkin. Ainda que ame o filme de Dayton e Faris, e ache o seu elenco um dos melhores da década também, alguém me explica qual ácido a academia toma pra conseguir uma viagem dessas?
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Ainda que a lista seria essa, e ponto final, merecem especial atenção Javier Bardem por Onde Os Fracos Não Têm Vez (expliquei sua ausência na décima posição), Joaquim Phoenix por Gladiador, e Steve Carrell - aí sim - por Pequena Miss Sunshine.
Próxima lista? Vamos respirar um pouco e dar uma olhada nas montagens.
5 comentários:
Tirando o Jake Gylenhaal, a lista é ótima. Meus preferidos são o Ledger, o Del Toro e o Christoph Waltz.
Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com
Lista perfeita.
me fez lembrar de filmes maravilhosos.
http://cinespaco.blogspot.com/
Não assisti a todos os filmes da lista, mas dos que vi gostei das citações, principalmente da lembrança de Casey Affleck, que provou ser grande ator "O Assassinato de Jesse James".
Abraço
Lista excepcional, mas nunca que eu consideraria Jake Gyllenhaal coadjuvante em "O Segredo de Brokeback Mountain". Para mim, ele é protagonista junto com o Heath Ledger.
Também considero um erro (não seu) dizer que Jake Gyllenhaal é coadjuvante em "O Segredo de Brokeback Mountain". O personagem dele tem o mesmo peso que o de Ledger, creio.
http://antena-livre.blogspot.com/
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