terça-feira, 5 de outubro de 2010

Agora noos Cinemas: Comer, Rezar, Amar


Liz Gilbert parece ter uma vida extremamente satisfatória: ótimo trabalho [que nunca entendemos exatamente qual é], um casamento 'estável', uma bela casa, alguns amigos que a acompanham não importa o que aconteça. E então, logo nos minutos iniciais do filme, sabemos que ronda sobre ela o mesmo ar que ronda sobre aqueles que sempre juramos ter a vida perfeita: Elizabeth é infeliz, não sabe o que quer da vida e muito menos onde encontrar. Desistindo de seu casamento com seu insosso marido e fracassando em seguida na tentativa de namoro com alguém que não tinha nada em comum com ela, a escritora resolve sair em uma longa viagem pelo mundo em busca de si. Ela quer vida, ela quer o que a satisfaça. Ela quer comer, rezar e amar.

Baseado no livro da verídica Liz Gilbert (que não li, mas dizem que o roteiro é extremamente fiel), o filme é dirigido por Ryan Murphy. Já começa aqui alguma reclamações. Ryan é um cara inteligente e sensível, já provou isso com os seriados Glee, Nip/Tuck e com o subestimado filme Correndo com Tesouras. No entanto, mostra-se quadrado e preso ao esquemão comédia-romântica neste seu novo filme. Para piorar, o diretor acredita que 'inovar' signifique apenas a tentativa de uns ângulos e movimentos de câmera inesperados - e muitas vezes tacaños e desnecessários. Sem falar em seu vício de levantar a câmera ao teto (céu) ao final de qualquer cena com dança (estragando assim o momento mais sensível do filme: o diálogo imaginário entre Liz e seu marido, durante o momento em que ela se perdoa pelas suas atitudes).

O roteiro é outro ponto discutível. O filme é extremamente bem fincado em quatro (!) atos: crise - comer - rezar - amar. Isso faz com que o filme não tenha um ritmo bem definido, e há mudanças bruscas e destacáveis entre cada momento. O problemático início, a agitada Itália, depois caímos na cansativa Índia para terminarmos em uma Bali nada definida. Vemos parte do desenvolvimento da personagem durante essas mudanças, para nos rendermos a um ato final no qual ela surge injustificável - e tentam nos convencer com um conselho clichê do guru espiritual. Em tantas situações, personagens secundários interessantes vão aparecendo, e nunca são bem trabalhados a ponto de gostarmos ou nos importarmos com ele.

Soma-se a esta situação alguns excelentes atores. Julia Roberts retorna encantadora naquilo que ela faz melhor - e sustenta o filme com certa graça (exceto a vexatória cena na qual ela ora pela primeira vez, em desespero). James Franco está hilário com um pequeno e honesto personagem, largado totalmente a segundo plano; e nome mais forte do filme fica com Richard Jenkins, como o supostamente-zen-verdadeiramente-atormentado Richard. Curiosamente, a grande decepção do filme fica com Javier Bardem - especialmente porque o roteiro pouco o ajuda. Ele é o sedutor-sensível-honesto-impulsivo-brasileiro Felipe, arranha algumas palavras com o português, mas está sempre excessivo em quase todas as cenas. Em momento algum conseguimos confiar na 'promessa do destino' chamado Felipe, chegando ao ponto de sequer entendermos porque Liz muda tudo aquilo que construiu para si em prol de uma paixão inesperada.

O filme ainda conta com uma bonitinha fotografia, uma agradável seleção de músicas para sua trilha sonora e aquela sensação de 'volta-ao-mundo-sem-sair-da-poltrona' sempre bem vinda para nos distrair. Ao mesmo tempo, conta também com inexplicáveis 140 minutos de duração, mostrando que o filme não soube se levar menos a sério e aceitar diminuir algumas partes bem desnecessárias. Verdade seja dita, alguém esqueceu de colocar 'sleep' ali no título.

6,0

4 comentários:

Guilherme Primo disse...

Muito obrigado. Já adicionei teu blog na minha lista também!!

abraço

www.cinelise.blogspot.com

iKali disse...

Sério? Minha amiga disse que havia gostado do filme, tmb disse que ele era meio parado, mas enfim... estou querendo ver tmb ^^

Bsos
Ingrid Kali

pseudo-autor disse...

Eu esperava uma baboseira romântica em excesso e acabei me surpreendendo com o filme. E olha que nem fã da Julia Roberts eu sou. O Javier Bardem e o Richard Jenkins estão ótimos!

cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Luka disse...

ola!
Eu estou a ler o livro e estou a adorar.
Claro que vou ver o filme. :)

Bjocas!!