
Rachel Portman é, sem sombra de duvidas, a compositora mais bem sucedida mundialmente. A primeira mulher a ganhar um Oscar de melhor trilha sonora, e a única a se estabelecer totalmente na nata dos compositores de Hollywood, Rachel tem como característica sua doçura habitual, e criou muitos dos mais belos scores de filmes dos últimos anos, como Oliver Twist, A Casa do Lago, Grey Gardens e A Duquesa, o qual considero o melhor trabalho de sua carreira. Mas em Never Let Me Go Rachel também arrasa em uma trilha dramática, belíssima e nostálgica, que se estabelece como a melhor trilha do ano até agora (conseguindo superar até mesmo a belíssima A Origem).
Never Let Me Go é um filme baseado no best seller de Kazuo Ishiguro que aqui no Brasil tem o nome de “Não Me Abandone Jamais”, que conta a historia de três amigos que crescem juntos em um colégio interno, que tem um segredo e que quando crescem devem enfrentar o mundo, a dor, o crescimento, a perda e, claro, a morte. O longa, protagonizado por Carey Mulligan, Andrew Garfield e Keira Knightley, é dirigido por Mark Romanek (de Retratos de uma Obsessão) e estreia aqui no final do ano, sendo que, na maioria das críticas, a música de Portman vem sendo elevada como um dos melhores valores do filme.
A primeira faixa da trilha, “The Pier” é composta pelo tema do filme, que é executado por cellos e violinos de maneira inigualável, sendo um tema triste, romântico e dramático sem ser exagerado. Em “Main Titles” ouvimos o tema do longa de forma mais completa onde, além das cordas (com o cello sempre em destaque), temos um piano suave e harmônico. Aliás, esta belíssima trilha sonora parece estar narrando um sonho, devido ao seu lirismo e beleza.
“Bumper Crop” é extremamente clássica, onde os violinos lembram um pouco do estilo de Portman em A Duquesa, em um andamento moderato que dá o contorno correto à faixa. Já “To The Cottages”, poética e suave, consegue ser sensível e serena ao mesmo tempo. “The Boat” expõe mais uma vez um dos temas do longa, onde o violino brilha elevando a faixa a um tom ainda mais chique e poderoso. “Madame is Coming” é uma faixa tensa mas de maneira sutil, onde instrumentos como oboé e viola conseguem chamar atenção. Nesta faixa há o efeito “pingos d’água”, onde o piano e as cordas criam um som cristalino dentro de sua atmosfera musical.
“Ruth’s Betrayal” é uma faixa que denota mais acidez e peso, onde ao longo da faixa um violino executa o tema principal novamente. Já “Making Tea” realmente expõe uma tensão em uma intensidade mezzo forte, onde os violinos são sobrepostos pelo oboé. “Evening Visit” também é tensa e tem um piano que age como o responsável por criar o clima de tensão e tristeza na faixa. “Kathy And Tommy” também é outra eficiente composição, onde o violino toca lentamente a melodia de todo o score, complementado pelas cordas de fundo.
“Kathy Watches Behind Screen” também é outra bela faixa mas que se sobressai um pouco menos, é um pouco mais comedida em seu total mas mesmo assim piano e cordas se destacam. Em “Life As A Career” as cordas dominam de forma poderosa e grandiosa. Já “Kingsfield Recovery Centre” traz um maior tom de nostalgia, tendo tristeza em sua nota e harmonia. “Unseen Tides” relembra novamente o tema central, novamente com o cello que dá maior dramaticidade à faixa.
“The Worst Thing I Ever Did” é outro destaque, por ser extremamente sofrida e frágil. “Souls At All” é outra faixa magnífica, como se fosse um preparo para o ponto alto da trilha. Tensa, angustiante, sombria, ela é pesada e forte no ponto certo para chegar à explosão de sentimentos que é “We All Complete”, que para mim é a grande faixa instrumental do ano, onde o clímax do filme e da trilha acontecem e resgatam a alma da história. Incrível, soberana, poética, intensa, onde o cello compõe a melodia do traçado de uma alma de perda e coragem. Fantástica e absurdamente bela. Temos ainda mais duas faixas no álbum: as canções “Hailsham School Song”, que é cantada no colégio interno das crianças, e “Never Let Me Go”, de mesmo nome do filme.
Cabe ressaltar que, embora o tema tenha sido relembrado algumas vezes ao longo de todo o score, ele sempre foi executado com variações, causando um sentimento diferente cada vez que se fez presente. É uma trilha magnífica, que chega ao fundo do coração, e extremamente emocionante e tocante. É a melhor trilha de Rachel ao lado de A Duquesa, e sem sombra de dúvidas, a melhor do ano até agora.
nota: 10,0
2 comentários:
Olha, parece mesmo ser obrigatória! Ansioso.
Amnelie... fantástico!! gostei muito desse filme!!
Bjocas!! :)
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