
Eu tenho uma queda considerável pelo diretor Tornatore. Não conheço todos os filmes do diretor, mas Cinema Paradiso e Estamos Todos Bem me comovem imensamente, e só Malena eu considero apenas mediano. E agora voltei a essa fase de extrema satisfação com seu novo filme, indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro (eles adoram um nome famoso), mas recebido de maneira morna pela crítica internacional.
O filme é, acima de tudo, uma grande saga de uma família - a família de Peppe Torrenuova e Malinna. Peppino é um homem humilde Sicília, que no decorrer de sua maturidade, envolver-se-á com o partido comunista italiano e as lutas pela reforma agrária e outras questões sociais. Para quem não sabe, também é um filme autobiográfico, pois se trata da saga da família do diretor - ele será o filho mais velho de Peppe.
O filme com a duração próxima a duas horas e meia, pode ser dividido em três partes - e a primeira delas é simplesmente encantadora e apaixonante. Focando a vida de Peppe desde sua infância, Tornatore trabalha pequenas narrativas visuais da comunidade na qual o personagem vive. Nisso há diversas cenas e situações, de inúmeros personagens que sequer chegam a ter outra importância no filme que erroneamente foram entendidas como falta de foco da narrativa, mas pelo contrário, é o ponto alto do filme, extremamente comovente, que demonstra o fascinante contexto da vida de Peppe. A sensação que tive foi de total imersão daquele povoado, que gerou quase verdadeira paixão, e relutância quando o filme muda seu foco - destaque para as sensacionais seqüências que tratam sobre a Segunda Guerra Mundial. Na sua segunda hora, focando nas questões políticas que envolvem o personagem principal. Há certo desconforto sobre o discurso notadamente comunista, um tanto defensor - que, pelo menos, trás algumas críticas que eles sofreram em alguns momentos. No entanto, se o filme é sobre um comunista, feito por alguém que se educou neste contexto, acho nada menos que justificável esta abordagem. Por fim, ao abordar a realidade da infância e juventude dos filhos de Peppe, novamente temos uma breve imersão na sociedade na qual eles vivem, que trás alguns choques (muito bem ressaltados) entre aquele momento e o anterior. Em alguns momentos o filme me lembrou muito a sensação que tive com Um Violinista no Telhado.
Contando com um conjunto de elenco interessantíssimo, especialmente os atores infantis e Francesco Scianna, o filme conta com uma eficiente (mas nem tão original) trilha sonora de Ennio Morricone e com uma belíssima fotografia Enrico Lucidi.
Foi um bom ano para filmes estrangeiros, e este é mais um bom exemplar. Merecia ter recebido uma atenção da Academia...
Nota: 9,0
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