segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Agora nos Cinemas: Do Começo ao Fim


Bom, devo admitir de imediato de que o filme não é fácil nem óbvio em seus questionamentos, e que escrevo agora sem ter muito tempo para pensar sobre. Do Começo ao Fim vem causando polêmica desde o meio do ano, quando seu trailer caiu na net: um filme nacional sobre o relacionamento gay e incestuoso entre dois meio-irmãos. Fácil? Quase nada.

Aluisio Abranches foi extremamente corajoso em sua abordagem, faz dela algo muito natural e óbvio. Seu filme não escandaliza, sequer gasta tempo tentando explicar ou justificar o comportamento dos envolvidos. Ele mostra os eventos como sucessão corriqueira do cotidiano de um casal que se descobre, se apaixona - dando muito mais espaço para discutir o ciúmes e a distância do que a polêmica que ele está propondo. Esta é, inclusive, a principal crítica que a imprensa fez ao filme até agora - sem realizarem de que isto não é só intencional, como uma quase posição política do filme diante seu assunto. No entanto, o mesmo já não pode se esperar da platéia.

Ao tomar esta posição, o roteiro não questiona exatamente o que você acha daquilo, mas uma vez dado os fatos, ele questiona 'por que não?'. Inclusive faz algumas escolhas que parece facilitar a trama, mas ao contrário, eram essenciais para seu desenvolvimento (como uma morte que acontecerá). Algumas pessoas abandonaram a sala do cinema, provavelmente com nojo deste questionamento. Por outro lado, o público gay acatou o filme com heroicidade, por ser um romance gay - algo muito escasso no cinema global, no nacional então nem se fala. No entanto, desta maneira, ligaram um tremendo 'foda-se' para a questão do incesto - o que também não é o essencial que o filme pede. De fato, sem a questão do incesto, Aluisio teria feito um bonito romance gay - mas sem conflito nem razão de ser algum.

Queria deixar claro, não sei exatamente por que, que também não consegui acatar tudo que o filme propunha. Toda aquela naturalidade me soou muito estranha, e sim, o incesto é um tabu que também me prende... No entanto, não sei explicar a razão, não sei o que responder ao filme.

A parte de seus questionamentos, o filme é muito bem realizado, dirigido, e fotografado (por Ueli Steiger). Sua montagem deixa a desejar, o abuso da tela preta entre as cenas irrita. Destaco também a belíssima trilha sonora, apesar de repetitiva. Ainda não descobri, mas creio que é uma faixa do Yann Tiersen (que a Vivi bem observou). Seja como for, apesar de não ser original, foi muito bem utilizada. Os atores estão no geral bem, Júlia Lemmertz (que pensou muito se faria o filme ou não, por também não ter certo nela o que pensava sobre o assunto) se destaca como a mãe das crianças, assim como Lucas Cotrin (que faz Francisco, o filho mais velho, adulto) e João Gabriel Vasconcellos (Francisco criança) estão muito bem. O elo mais fraco fica justamente com os dois atores que interpretam o caçula Antônio, Rafael Cardoso na infância e Gabriel Kaufmann na fase adulta.

É um filme polêmico e sua polêmica provavelmente nunca cessará. Misturar incesto com um relacionamento gay é mexer com coisas demais de uma única vez. As reações provavelmente serão confusas - e isso, ao meu ver, não deixa de ser um dos méritos do filme.

Nota: 7,0

Agora nos Cinemas: Atividade Paranormal


É engraçado que eu me vi obrigado a abrir as críticas de Cloverfield e REC falando sobre o filme A Bruxa de Blair. Agora me vejo obrigado a citá-lo novamente. Principalmente pelo fato de que ele é o responsável pela invenção destes falsos documentários de terror filmado em primeira pessoa. Lá em 1999, A Bruxa de Blair teve uma publicidade tal que muitas pessoas acreditaram que a fita era verídica, e que de fato aquelas três pessoas morreram. Isso foi impossível pelos dois sucessores que citei, especialmente pelo caráter fantasioso de ambos (um monstro no primeiro, zumbis no segundo). Atividade Paranormal segue a receita, mas é o primeiro que retoma por completo o estilo de Blair: contando uma trama absurdamente simples, que se passa entre quatro paredes, o filme de baixíssimo orçamento tentou ser vendido como verídico. Mas agora estávamos vacinados pelo tipo de publicidade.

No entanto, se isso é uma qualidade, quase todo o resto do filme é marcado por defeitos profundos. Sua trama é sobre um casal que sofre assombrações todas as noites (barulhos, móveis se mexendo) enquanto dormem, e resolvem comprar uma câmera filmadora para registrar os eventos. A premissa até é interessante, mas o roteiro é absurdamente ruim. Surgem brigas de casais, um especialista em assombração, enfim, todo o drama parece estar deslocado.

Os momentos de tensão até que são bem construídos, mas convenhamos, uma porta se mexendo sozinha não é o ápice de assustador que um público em pleno fim de 2009 pode aguentar. Os momentos tensos ficam escassos, simples e dão lugar a contínuos e sinceros bocejos. Tudo bem, eu poderia estar simplesmente descrevendo um filme de terror que não deu certo. Fico assustado, de fato, por estar falando de um dos filmes que mais recebeu atenção neste ano nos EUA: bem recebido pela crítica e pelo público, e considerado por Steven Spielberg (que raramente faz este tipo de publicidade para terceiros) como um dos filmes mais assustadores que ele já viu. Apesar de ser mais estúpido, aposto que qualquer Pânico da vida assusta mais que este Paranormal.

Uma pena que novamente passamos o Halloween em branco (Jogos Mortais VI até é melhor que o V, mas também não empolga). De todo o filme eu invejava sinceramente o casal, que pelo menos tinha uma cama a disposição para resolver tantos bocejos.

Nota: 4,0

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Agora nos Cinemas: Julie & Julia e Lua Nova

Vou fazer hoje um agora nos cinemas duplo, pelo fato de que só hoje tive tempo de sentar e escrever (na verdade não tenho tempo, mas não posso deixar de escrever sobre estes dois filmes aqui). Então começarei falando de Julie & Julia:






Primeiramente devo salientar que Norah Ephron é antes de qualquer coisa uma roteirista- a sua direção nos filmes é mera consequencia de seus escritos. A roteirista/diretora, escreveu duas das principais comédias romanticas de todos os tempos (Hally e Sally feitos um para o outro, e Sintonia de Amor), mas parecia ultimamente ter perdido a mão (como o apenas satisfatório "A feiticeira") e agora parece ter reencontrado sua luz em um dos filmes mais deliciosos do ano- "Julie & Julia" baseado em dois best-sellers- "Julie & Julia" de Julie Powel e "Minha vida em Paris" de Julia Child. E talvez seja este o unico defeito do filme, por adaptar duas histórias paralelas o qual parecem ser dois filmes diferentes, tornando-se um pouco confuso o vai e volta da história.


A história começa mostrando duas chegadas: à de Julia Child na França e a de Julie Powell para o Queens- ambas procuram um proposito para suas vidas e ambas a encontram na culinária (enquanto Julie se baseia em um livro de Julia para escrever um blog e fazer receitas, Julia na antiga paris enfrenta os franceses e estuda a culinária de lá). Ambas tem um marido compreensivo e ambas enfrentam obstáculos- e tudo isso claro, com muita manteiga e delicias (ja que provavelmente no meio da sessão você terá de pegar mais pipoca com muita manteiga para saciar a vontade). Mas ambas as personagens acabam tendo pouca conexão...o que não prejudica na atuação das mesmas. Amy é a mesma doçura de sempre (embora eu pense que ela poderia ter se esforçado um pouco mais) mas é Meryl que, como disse minha mãe, é o leão da história e mostra o quão é poderosa (e porque é a atriz que o mundo ama tanto): ela muda o tom de voz, a postura, o jeito- tudo isso para lembrar Julia Child e nos entregar uma atuação fantastica.


Na parte técnica, Desplat como sempre ótimo nas trilhas e Ann Roth se destaca nos figurinos de Julia. Sobre a direção de Ephron, está boa, assim como seu roteiro, que não prejudica a pelicula.


Um bom filme que merece ser visto e degustado. E viva Meryl Streep!

Nota: 8,0


Agora vamos falar do ame ou odeie mais popular da atualidade: Lua Nova, a segundfa parte da saga Crepusculo chegou chegando nas bilheterias (no primeiro final de semana faturou r$ 270 milhões no mundo), e foi arrasado pela critica (sua nota no imdb é 4.5), no final das contas uma sacanagem se formos analisar que o filme é bem melhor que a primeira parte da saga- "Crepusculo". Aqui temos um filme com cara de arrasa quarteirão, onde há participações de luxo do porte de Michael Sheen, Graham Greene e Dakota Fanning, produção que conta com nomes como Alexandre Desplat e Javier Aguirressarobe e a direção de Chris Weitz (que falem o que falem dirigiu e roteirizou o incrivel "Um grande garoto", que lhe valeu uma indicação ao Oscar) que deu uma guinada no filme em termos gerais, desde a estética até o conteúdo.

O problema do filme é, temos que admitir, os atores. Eu juro que não entendo como Robert Pattinson, um ator que mostrou tamanha desenvoltura como Salvador Dali em "Little Ashes", como atuar de modo tão morno assim como Edward Cullen! E Kristen Stewart? Menina bacana, que esse ano nos deu de presente a querida Em Lewin de "Adventureland- férias frustradas de verão" pode ser tão apática ao ponto de não conseguir demonstrar toda a frustração de Bella ao perder Edward! No final das contas, sobra para Taylor Lautner um papel mais digno, onde mesmo muito jovem, ele tenta trazer para si o melhor de Jacob Black.

No final das contas, o grande destaque do filme que é bom (mas não tão bom) é a trilha sonora que eu já comentei por aqui (o ápice da qualidade de Desplat) que mostra o porque dele ser o grande compositor do momento.

Para os cinéfilos que viram o nariz o filme serve pelo menos para degustar o score de Desplat. Para os fãs da saga, uma adaptação muito mais digna que a do primeiro filme. Resta-nos então esperar Eclipse.

Nota: 7,0


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cinema Musical: A belissima trilha de "Lua Nova"


Antes de qualquer coisa, para aqueles que não conhecem o trabalho de Alexandre Desplat (o que é muito difícil, já que estamos falando do compositor mais requisitado do momento), Desplat é um compositor francês magnífico, que já regeu orquestras de porte como a Berlin Philarmonic Orchestra e London Philarmonic Orchestra (sendo esta a que ele geralmente trabalha em seus filmes), tem duas indicações ao Oscar (por A Rainha e O Curioso Caso de Benjamin Button), ganhou um Globo de Ouro (pela trilha sublime de O Despertar de uma Paixão) e é o grande queridinho de Hollywood no momento, sendo que só em 2009 foram sete scores (Cheri, Julie & Julia, Coco Antes de Chanel, A Arma do Crime, Um Profeta, O Fantástico Sr. Raposo e Lua Nova).
Para aqueles que já o conhecem, sabem que seus trabalhos são sempre de extrema qualidade, e que nos últimos cinco anos não houve um score seu que não fosse no mínimo ótimo. Então os fãs da saga Crepúsculo, podem se acalmar- além da trilha do filme ter ficado em excelentes mãos, temos aqui o trabalho de um mago digno de Oscar (o que sabemos que não irá ocorrer já que outros de seus scores tem mais buzz perante a academia, até pelo fato de Lua Nova ser um filme massacrado pelos críticos), mas que, acima de tudo, consegue transmitir todas as emoções do filme de modo assustadoramente perfeito. Os fãs já tinham tido um gostinho do score quando saiu o soundtrack com as canções do filme em outubro. A faixa contida naquele CD, “New Moon- The Meadow”, trazia o tema do filme ao piano, e encantou meio mundo.
É com essa melodia, que lembra o estilo nostálgico e romântico de Francis Lai em Love Story e o dinamismo de Maurice Jarre, que a trilha começa, onde “New Moon” é sem sombra de dúvidas uma melodia que já se tornou um sucesso mundial (pela primeira vez em anos um score está vendendo tanto, “New Moon - The Score” será lançado dia 24 d novembro mas na pré venda já bateu recordes, assim como o filme que em três dias arrecadou mais de R$ 140 milhões de dólares nos EUA). A segunda faixa, “Bella Dreams”, é tensa e fecha exatamente com o clima do sonho de Bella que inicia o livro, e consequentemente o filme. “Romeo & Juliet” é outra faixa de destaque, romântica, doce, que no filme é empregada de modo bem discreto e suave (quem não conhece a trilha pode pensar até que trata-se de uma faixa do score de Nino Rota para Romeu e Julieta) mas é o toque de Desplat que mais uma vez faz a diferença em uma cena tão delicada. “Volturi Waltz” é outra excelente faixa, com ares de suspense, com o uso do oboé e de cellos, que trazem uma atmosfera assustadora e atrativa. “Blood Sample” é feita na medida exata para um dos momentos mais tensos do filme, o estilo desta faixa lembra-me outra trilha de Desplat, Inquietudes. “Edward Leaves” tem a melodia principal do longa de modo mais fragmentado, com a nostalgia do piano combinado à orquestra. Já em “Werewolves” é muito interessante notar que Desplat utilizou outra melodia sua para compor a base desta faixa - trata-se de “Kitty's Theme” do filme O Despertar de uma Paixão, inserida aqui de modo muito suave e crucial, adequando-se perfeitamente ao clima dos lobisomens.
Algumas outras faixas de destaque (todas elas são ótimas, diga-se de passagem) são “I Need You”, “Break Up” , “Victoria” , “Almost a Kiss” e principalmente “Adrenaline”, a belíssima faixa que reconstrói a melodia de “The Meadow”, de forma tão doce que os corações mais frágeis e apaixonados vão se encantar por esta faixa - principalmente as fãs jovens e sonhadoras que gostariam de ser Bella Swan. “Dreamcatcher” também é belíssima, e tem um ar meio oriental, com uma melodia que poderia se encaixar em outro filme no qual Desplat trabalhou (lembrando que esta melodia não tem nada a ver com o filme o qual citarei, na verdade ela só se encaixaria muito bem neste filme) - Desejo e Perigo de Ang Lee, o qual trata-se também de uma historia de amor, suspense e perdas. “To Volterra” é adrenalina pura - tensa, forte, soberba, altiva, ela traz todas as emoções do longa ao mesmo tempo que este ocorre, sendo cativante, obscura e bela. “You Are Alive” também é excelente, épica e romântica (tendo de fundo suaves notas do score que Carter Burwell fez para o primeiro filme da saga). Passando pela ótima melodia de “The Volturi”, “The Cullens” e “Marry Me Bella” (esta reprisando com a orquestra a melodia de “Dreamcatcher”) chegamos ao final do score com “Full Moon”, quase idêntica à “New Moon” com a orquestra a todo vapor e uma melodia que gruda na cabeça, que traz os scores novamente à popularidade com o público de um filme. Finalmente, a conclusão que chegamos é que esta trilha original não precisa de um Oscar para ser considerada uma obra-prima, e, mesmo que você não goste do filme, não deixe de ouvir um dos trabalhos mais inspirados do melhor compositor do Cinema da atualidade. Se antes Desplat era ouvido por poucos, agora, finalmente, alcançou o status de um gênio - a popularidade, tão sonhada por muitos, de um compositor que tem alma, humildade, inteligência e muito, mas muito talento.
Nota: 10,0
p.s: E daqui a pouco, sai o cine review de "Lua Nova":)

sábado, 21 de novembro de 2009

Agora nos Cinemas: 2012


Acho que um dos pontos mais divertidos (e, devo confessar, mais imbecis) das obras-catástrofes de Emmerich (2012, O Dia Depois de Amanhã e Independence Day) é que independente do que vai acontecer, acontecerá em uma semana. Pode ser o derretimento de todo o gelo terrestre, a destruição da sua crosta, uma nova era glacial... Se passar muito de 3 dias já foi incompetente. 2012 também será sustentado por essa postura. Seguindo o ponto dos absurdos, o filme se sustenta na [suposta] profecia maia sobre o final do mundo, mas não gasta nem 30 segundos para explicar em que se baseia tal profecia. Por fim, algo que o diretor já havia feito em 10.000 AC, ele flerta com diversas teorias científicas, esotéricas e conspiratórias que, a fundo, até poderiam ser interessantes, mas de maneira tão superficial que a solução encontrada é a mais honesta possível: assuma logo no começo do seu texto que aquilo que propõe é absurdo ou impossível. Isso contentará a todos.

Por outro lado, se esse amontoado de situações ridículas tiram - claro - boa parte do impacto do filme, o diretor sabe como repor com outras doses. Seu cinema é puro entretenimento, mais vide-game que pipoca. Se você se dá ao trabalho de sair de casa para ver um filme do Emmerich e em seguida reclamar que o filme é cientificamente ou, enfim, artistica e culturalmente inútil, você merece apanhar. O cara assume desde os trailers e as fotos que seu único comprometimento é entreter. E isso faz com gosto. Somos submetidos a prédios, aviões, terremotos, vulcões, tsunamis (bem na moda), de todos os tipos. As cenas de aviões e carros normalmente nos dá a tremenda vontade de estar segurando um controle e fugindo dos obstáculos.

É aqui que mora uma curiosidade minha: se se assume tão fácil este lado da coisa, por que raios se faz tanta questão de dramas pessoais? Eles nunca são convincentes, sempre soam como desnecessários e chatos. É o pai ausente, os filhos que não terão tempo de despedir de seus pais, o casal em crise, e claro, as fraldas com 8 (ou 11, não lembro) anos de idade. É aqui que o filme realmente se perde, muito mais do que em seu descomprometimento com a realidade. Além dos dramas humanos, o filme se perde um tanto em algumas mensagens que ele pretende passar. A sensação final foi de moralista em algumas partes, bem quadradão quando discute família, casamentos e traições. Ao mesmo tempo é um tanto louco ao louvar o trabalho semi-escravo de chineses para a salvação de... americanos. E russos - nada aleatória a escolha de um russo para ser um dos seres mais repugnantes do filme.

Falar de atuações é um tanto difícil, parte porque não gosto tanto assim de John Cusack, parte porque todas elas são um tanto fracas e nada marcantes, e parte porque não perdemos tempo vendo isso quando há todo um prédio espelhado desmoronando enquanto o metrô sai do túnel para cair no nada. Seja como for, vale ressaltar que apesar de sua beleza, Amanda Peet realmente deveria buscar uma nova vocação.

No entanto, a parte que realmente importa se faz presente: os efeitos visuais e sonoros são impressionantes. Sim, Avatar promete chegar no fim do ano para jogar tudo isso no lixo. Que seja. Mas até novembro, 2012 tem os melhores efeitos visuais do ano. Há apenas algumas cenas noturnas do avião na China.

Contando com um terceiro ato totalmente gratuito, 2012 ainda se dá ao luxo de reler algumas cenas de Titanic, o melhor filme recente sobre um desastre. As saídas encontradas para o final do filme soam burocráticas e decepcionantes, mas talvez um dos momentos mais lógicos do filme. A música final também é uma tentativa deslavada de se conseguir alguma coisa com uma música sobre problemas ambientais(seguindo os passos de Wall-E que por sua vez seguiu Uma Verdade Inconveniente). Ao seu final 2012 soa muito mais longo que o necessário, mas em momento algum deixa de divertir. Cabe a nós sermos coerentes com aquilo que buscamos. Quer cultura vá ver outra coisa, fato.

Nota: 6,0

Agora nos Cinemas: (500) Dias com Ela


Indo bem direto ao assunto, (500) Dias com Ela chegou aos cinemas este ano com a pompa do filme independente cool do ano que arrebatou a crítica americana, tendo como antecessores foram Pequena Miss Sunshine, fantástico, e o mediano Juno. Infelizmente o filme do estreante diretor Marc Webb segue à risca os maiores defeitos enfrentados pelo filme da menina grávida. Tom (Joseph Gordon Levitt - o mais elogiável participante do projeto) é um garoto começando a tocar sua vida, em um emprego de criar cartões e mensagens que não faz jus a um suposto talento do garoto para arquitetura. Summer é uma garota consideravelmente perdida em seus sentimentos e suas indecisões. E aí acontece o que a frase do trailer deixa bem claro: ele se apaixona por ela. Ela não.

Não? Pois é. Isso fica evidente tarde demais no filme. Corajosamente estruturado em uma narrativa não-linear, que passeia (em uma certa lógica implícita) entre os bons e os maus dias dentre os tais 500, tendo um contador de dias um dos poucos guias para o público. Apesar de corajosa a escolha, ela não ajuda tanto assim a narrativa. Acompanhamos tantos altos e baixos que em momento alguma frase de abertura do filme parece ser sincera; além disso, tais idas e vindas dificultam uma maior ligação entre o espectador e os personagens.

Mas não mora aí o único ou o maior problema do filme. A sensação final ao assistir ao filme foi resumida em uma única palavra que não me saia da cabeça: excessivo. É um excesso de doce, inclusive nos momentos que o filme tenta ser cruel (o que nunca é tão verdadeiro); fazendo com que Zoey Deschanell soa quase como um pleonasmo cansativo. É um excesso de indecisões, é um excesso de idas e vindas. Até certo ponto é igual à vida de qualquer um, mas extrapola. Mas o pior excesso do filme é na sua tentativa cansativa e irritante em ser cool. De situações excêntricas ('penis' 'penis' 'PENIS') e deslocadas (que, claro, soam facilmente como descoladas) até a um excesso de trilha sonora alternativa (engraçado, vendo a playlist do filme achei a trilha uma delícia, mas ao vê-lo vi que as músicas se encaixaram terrivelmente mal), tudo no filme grita pedindo atenção para uma excentricidade e originalidade que acabam por cair no artificial... excessivo. É exatamente aqui que 500 Dias me lembro imediatamente Juno: um discurso adolescente alternativo que se repete infinitamente até tornar-se desinteressante. Pelo menos 500 Dias não pretende tratar assim nenhum assunto mais tenso do que uma paixão juvenil.

Ainda assim, alguns momentos do filme de fato são divertidos ou interessantes, como o 'número musical' que Tom cria após sua primeira noite com Summer e a tocante montagem em paralelo que exibem as expectativas e a realidade vivida por Tom em um mesmo evento. A trilha sonora, em separado, chega a ser interessante, e Zoey faz naturalmente aquilo que parece ser. O roteiro ainda aposta forte em uma ausência de resposta final como um dos seus maiores sinais de inteligência, enquanto não consegue, com isso, convencer sobre o que se passava.

Curiosamente o filme foi um sucesso estrondoso de crítica - uma das melhores cotações do ano. Isso quase o certifica na categoria de comédia ou musical nos Globos de Ouro, assim como sua indicação ao Oscar de melhor roteiro original é muito provável. Por outro lado, ele não parece ter conquistado a força que seus antecessores conquistaram. Razoavelmente interessante e divertido, é mesmo um dos exemplares mais diferentes do gênero comédia romântica em uns bons anos, mas está longe de ter algum poder revolucionário por isso.

Nota: 6,0

sábado, 14 de novembro de 2009

Séries da BBC: Emma

Série que passou neste mês passado na BBC, "Emma", adaptação do clássico de Jane Austen (o roteiro ficou à cargo da sempre competente Sandy Welch), este é, segundo a BBC a ultima serie de época que eles farão durante algum tempo (pelo menos por enquanto) e com certeza é uma das séries mais bacanas produzidas pelo canal. Protagonizada por Romola Garai, mais conhecida entre os cinéfilos por ter interpretado uma das Brionys de "Desejo e Reparação" aqui ela atua com toda a sua alma, e se torna, até o presente momento, a melhor Emma de todas as adaptações. No elenco também estão Michael Gambon (como Mr. Woodhouse) e Johnny Lee Miller (como Mr. Knightley). A história gira em torno de Emma Woodhouse uma jovem que tem a inclinação para juntar casais, e para isso, toma até decisões não muito boas para os seus escolhidos. Emma é, de longe, a heroína mais antipática de Jane Austen, mas também era a mais querida por ela...e não é dificil descobrir o por quê: Em contraste com a sua arrogancia, Emma tem um grande coração, e grande apreço por todos em sua volta.
A série tem 4 capitulos (onde Romola brilha incansavelmente) e é uma série leve e gostosa de se assistir. Johnny Lee Miller também está ótimo como Knightley (e continua lindo rsrsrs) tendo uma notável quimica com Romola. No mais parte técnica impecável (destaque para o figurino impecável de Rosalind Ebbut) e ótima direção de Jim O´Hanlon.
Pra quem já viu ou não alguma adaptação do clássico, vale muito a pena conferir esta série. Para ver e rever!
Nota: 9,0

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Agora nos Cinemas: Os Fantasmas de Scrooge


A Christmas Carol, de Charles Dickens, deve ser uma das obras mais adaptadas e readaptadas para todas as mídias que existe. Até a Turma da Mônica, ano sim ano não, no Natal, vem com alguma história dos três fantasmas. Por isso, apesar de amar imensamente o texto original, acreditei que mais uma versão para a trama era gratuito e desnecessário. Felizmente isso não passou de um mero preconceito.

Zemeckis já havia demonstrado habilidade com um tema natalino no excelente, e extremamente doce O Expresso Polar. Sua união com a Disney para esta nova adaptação de Dickens não me animava, também, pela centralização em Jim Carey como nome principal do projeto. Mas o filme chega para surpreender. Com pelo menos cinco anos de intervalo, a tecnologia da captura de movimentos já andou alguns passos (apesar de ainda ser a forma de animação que menos me chama a atenção), propiciando um visual muito mais realista e detalhado do que antes. É claro que o visual estonteante de Os Fantasmas de Scrooge impressiona, mas a força do filme está mesmo em sua trama.

O diretor optou por ser fiel à Dickens, tanto em conteúdo quanto em alma. Apesar de teoricamente ser voltado ao público infantil, Zemeckis abusa da morbidade de diversas passagens, o que deixa o clima extremamente denso e assustador - vide todos os momentos que envolvem o terceiro espírito e o fantasma de seu sócio. Mas também equilibra com momentos de beleza extrema e sensível. A concepção de todos os fantasmas foi genial - desde o delicado e pacífico fantasma do passado, passando pela inteligente visão de cena do espírito do presente culminando na assustadora Morte como fantasma do futuro. Outra característica muito forte de Zemeckis também se faz presente: o cuidado do diretor com os mínimos detalhes da produção faz com que a direção de arte desta animação seja mais destacável do que muito filme live action. O visual belíssimo do filme vai muito além dos efeitos especiais de vôo, mas estão nos detalhes da reconstrução de época, nas passagens da juventude, na sombria cidade do futuro de Scrooge.

A trilha sonora é extremamente competente, dando grandiosidade a alguns eventos, no entanto não cria nenhum tema marcante o suficiente para ser memorável. A canção interpretada por Andrea Bocelli é um tanto estranha - parece capaz de se tornar em um novo tradicional cântico de Natal, se não fosse o fato de ser levemente incompreensível. O trabalho de atuação do elenco é brilhante. Eu que normalmente não suporto Jim Carey fiquei extremamente convencido pelo seu trabalho em todos os 9 personagens que faz, e consigo perceber a carga diferente que ele deu para cada um. Estou para dizer que deve ser a atuação dele que mais me agradou até agora.

É assim que Os Fantasmas de Scrooge me surpreendeu e muito, enterrando de vez a desagradável experiência que foi A Lenda de Beowulf - último trabalho de Zemeckis antes de Scrooge. Seguindo muito mais um estilo de Coraline do que do fraco Up! - Altas Aventuras (para falar de animações deste ano), ele não se preocupa se causará estranhamento nas crianças ou não. Somando este respeito à obra original, que em momento algum impediu de Zemeckis criar algo autoral, a sua perfeição técnica, esta nova versão da Disney se mostra uma grata surpresa, tanto para o cenário de animações em 2009 quanto diante de todas as adaptações já existentes do texto. Uma pena que tenha sido recebida de maneira tão fria nos EUA. Isso faz sua indicação ao Oscar de animação ser extremamente incerta.

Nota: 9,0

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Agora nos Cinemas: This Is It


Quarta feira passada os cinemas do mundo inteiro abriram suas portas para o letreiro que dizia "Para os fãs", e então os ensaios de Wanna Be Starting Something surgiam na tela. O máximo de apelo emocional barato que o filme faz (se é que podemos considerar isso) está nesta abertura; ou seja, nada de muito problemático. O mesmo já não digo de sua campanha de marketing. Deixar o filme apenas 15 dias em cartaz é um sinal de que o comprometimento não é exatamente com os fãs, mas sim com a tentativa de criar um filme-evento - de última hora sim, mas com a "ajudazinha" da morte mais falada do ano. A venda deste filme sim é um tanto quanto suja, mas a sua realização não, vamos analisar agora os motivos.

A morte de Michael Jackson foi um tanto de surpresa. Nem mais os escândalos do rei do pop andavam em alta, o show This Is It, que supostamente encerraria sua carreira, estava perto e ser realizado mas é a típica informação que só um fã poderia saber. E então o rei do pop está morto. O que se seguiu foi impressionante. Novos fãs, estouro de vendas de discos, manifestações no mundo todo, luto, e a imprensa que teve aí sua razão de viver - e isso, vale ressaltar, aconteceu em questão de horas. O funeral foi um espetáculo a parte. Queen Latifah entregou o jogo dizendo que nem conhecia o homenageado, mas sem dúvidas ele era importante. Isso era o melhor que ela podia fazer mesmo. Chora Brooke Shields, chora a filha do cantor, todos odeiam seu pai. Sem falar nas teorias que comprovam, quase científicamente, que o rei está vivo - e soturnamente ganhando dinheiro, enfim. This Is It, o show, morre dias antes de nascer. Sabiamente, as filmagens dos ensaios são compradas para serem acopladas em um documentário.

Sim, como disse inicialmente, há todo o lado financeiro em questão. Mas ao assistir a This is It, a sensação foi que, apesar de tudo, o filme era mesmo necessário. Pelo que podemos ver ao longo de duas horas organizadas pelo diretor Kenny Ortega (também diretor de produção do show e, já que estamos falando disso, também diretor do funeral de Michael) mostram que a turnê This Is It realmente tinha uma importância de ser: fosse ela o final da carreira de Michael, além de sua aposta para salvar parte de suas dívidas, ela seria responsável por um retorno triunfal, belíssimo, que não calaria a boca da imprensa em relação aos escândalos, mas ao menos mostraria ao mundo que ele poderia voltar a ser o que ele fora antes: um excelente músico pop com um considerável conhecimento sobre a indústria do entretenimento. Ver This is It sabendo que ele nunca chegou a se realizar, e que Michael morrera basicamente por exaustão é uma constatação muito cruel de quão irônica pode ser a vida. O mal estar ao longo de toda a projeção é inevitável.

Morrer o rei antes de seu retorno virou uma piada muito cruel. Ao ver o filme entendemos que de fato ele deu a vida ao seu show - era, no mínimo, desgastante a realização. Desgastante por ser excelente. This Is It pode não reinventar a indústria do entretenimento (que, confesso, me fascina), mas era um dos seus melhores exemplares: era tudo o que se pode imaginar, levado a uma potência fascinante. Novos arranjos, shows de bailarinos, músicos, cenários e efeitos de todas as formas, refilmagem do clipe Thriller, filmes feitos para Smooth Criminal e Earth Song. Enfim, um show com tudo que a palavra possa englobar.

Um show que foi, por assim dizer, enterrado. Ninguém no mundo saberia o que estava prestes a acontecer. Isso não era justo com Michael Jackson, mas também com o próprio show em si. Está ali o suor de muitas e muitas pessoas, entre técnicos, diretores, iluminadores, enfim, uma gama inexplicável de gente que teria em This Is It um dos pontos mais altos do currículo. O exato show que ninguém mais sabe o que seria. O filme foi, em última instância, justo.

Agora fica a dúvida de saber como classificá-lo enquanto filme. Fiquei embasbacado, nem vi as duas horas passarem, mas dei mais créditos ao show do que ao filme. Então tive que pensar. Há documentários que retratam coisas fascinantes de maneira pobre e pouco animadora. Há outros que tratam coisas fúteis ou estranhas de maneira tão impressionante que nos agradam em cheio. Ortega não cria muitos floreios, a edição é bem marcada por números musicais, a mixagem de som é perfeita (única chance se a Academia resolver dar um agrado), e o "roteiro", por assim dizer, é coerente com o que pretende o filme - que, por outro lado, é bem quadradão. Fico com uma nota que acho realmente honesta.

7,5