sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Agora nos Cinemas: A excelência de "Coco antes de Chanel"

É com muito entusiasmo e felicidade que finalmente, "Coco Antes de Chanel" estreia hoje no Brasil! O filme, sobre a mulher mais chique de todos os tempos, antes de se tornar um mito do mundo da moda, não é bom, é ótimo! E Audrey Tautou finalmente encontra seu lugar ao sol, conseguindo pela primeira vez desde Amelie Poulain, um papel que a destaque como atriz.
Dirigido por Anne Fontaine,o longa traz a infancia e juventude de Gabrielle Chanel, que abandonada pelo pai quando criança, cresce ao lado da irmã Adrienne, e, para ganhar dinheiro, atua como costureira, sendo que à noite canta em um cabaré com a irmã, de onde, aliás, originou-se seu apelido (Coco é o nome do cachorrinho da música que ela canta). O apelido é dado por Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde) inicialmente um fã de Gabrielle, que torna-se amante dela quando sua irmã casa com um barão e ela vai atrás do playboy. O problema é que, Etienne tem vergonha de Gabrielle, não querendo expô-la ao público. Mas a vida de Coco dá uma reviravolta ao conhecer Athur "Boy" Capel (Alessandro Nivola, ótimo) amigo de Étienne, que não só se apaixona por ela, como se apaixona pelo seu estilo, apostando no talento de Coco. O filme ainda conta com a participação de Emanuele Devos, como a atriz amiga de Étienne que encomenda chapéus de Coco.
O filme é ótimo- desde a parte técnica, onde a lindissima trilha de Alexandre Desplat embala a história e a fotografia de Christophe Beaucarne atinge o ápice da beleza do filme na já clássica cena da praia, assim como os perfeitos figurinos de Catherrine Leterrier, passando pelas atuações (Audrey digna de Oscar, Nivola surpreendendo e mais uma vez Benoit saindo-se muito bem), é magnifico ver a história de uma mulher antes do mito, e principalmente, saber que seu estilo a acompanhava anteriormente ao seu sucesso, demonsttrando seu grande talento.
De tal modo que não há como negar que este longa já entra pro rol de grandes de 2009 até agora (ao lado de Bastardos Inglórios, The Young Victoria, Sunshine Cleaning e Tudo pode Dar Certo), e sem dúvidas irá cativar o coração daqueles que, não só se apaixonaram pela Madmoseille Chanel, como também pela sua história.
Nota: 10,0

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Agora em dvd: "Há tanto tempo que te amo"

É incrível a habilidade de Phillipe Claudel na excelente direção de seu primeiro filme- “Há tanto tempo que te amo”, protagonizado pelas sempre ótimas Kristin Scott Thomas e Elsa Zylberstein, onde ambas interpretam irmãs em um drama bem construído e forte.
Quando Juliete Fontaine (Thomas) sai da prisão aos cumprir 15 anos por assassinato, ela, com a ajuda de uma assistente social, reencontra a irmã mais nova Lea (Zylberstein) que é casada e tem 3 filhos, que convida Juliete para ir morar com ela. O filme mostra então a rejeição e sofrimento de uma ex presidiária, desde o medo do cunhado em relação à seus filhos, até as pessoas que vivem no local (o filme se passa em Lorraine, região situada na França). E, aos poucos, vamos conhecendo não só o motivo que levou Juliette à prisão, como o seu grande sofrimento, e, mais do que isso, sua solidão interminável.
O filme é uma jóia, onde Kristin Scott Thomas brilha, eternamente, em um papel que, não só é difícil por ser uma língua diferente da atriz (Kristin é britânica e fala em um francês perfeito no filme), mas também pela personalidade da personagem, muitas vezes inacessível e implícita. Zylberstein também não perde em sua atuação, e traz uma Lea que, embora ame sua irmã, tem de cuidar das inseguranças e da dificuldade de aproximação com a mesma.
Enfim, na minha opinião, ambas trazem papéis dignos de Oscar (injustiça absoluta Kristin ter ficado fora do rol das indicadas deste ano), e Claudel, em um roteiro e direção magníficos, mostra grande aptidão para que, futuramente, ele nos traga novos grandes filmes.
Muito bom filme, que merece realmente uma locação. Mesmo se você não goste de filmes franceses, vale a pena pelas ótimas atuações, que são o ponto central do filme.

Nota: 8,0

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Cinema Musical: A poesia de "Bright Star"


O novo filme de Jane Campion, Bright Star, sobre o relacionamento do lendário poeta inglês John Keats e Fanny Brawne, vem sendo ovacionado desde que estreou em Cannes em Maio deste ano. Além do filme e das atuações de Ben Whishaw e Abbie Cornish, a curta trilha sonora do filme, composta pelo até agora desconhecido Marc Bradshaw, vem sendo apontada como um dos melhores scores do ano. E não é para menos. A trilha, extremamente original e etérea, tem como instrumento central o violino, que transpõe em notas a poesia que foi a vida de John Keats.
A bela “La Belle Dame Sans Merci”, começa com a voz de Abbie e Ben recitando uma poesia - no meio inicia-se aos poucos um leve som de órgão, tocando uma melodia doce, singela... após surge o som do violino (que sai de modo um pouco arranhado- propositalmente) para que as cordas façam o fundo e completem essa belíssima faixa.
Em “Return” segue o tom poético do score, onde o violino é o centro e principal elemento da faixa (aliás nota-se que o violino é a alma desta trilha). Já “Human Orchestra” é composta por vozes que se harmonizam de acordo com o estilo musical o qual a época se passa, onde a faixa transborda em beleza e classicismo.
Seguindo o alto nível de qualidade da trilha, se destaca “Convulsion”, que tem em si uma melodia incrível, absoluta, poderosa e sublime. Assim como a faixa que leva no nome o titulo do longa “Bright Star”, onde Abbie Cornish, através da personagem Fannie Brawne, recita a poesia titulo do filme com uma tristíssima melodia de violino ao fundo.
A doce “Letters” se destaca pela narração das cartas de John Keats e Fannie Brawne, e mais uma vez a melodia inicial do longa aparece, compondo um dos temas mais fantásticos do ano, ao lado de “JD Dies” de Inimigos Públicos e “Labandon” da trilha de "Coco avant chanel" de Alexandre Desplat. Em “Yearning”, a melodia maravilhosa dessa faixa soa como a poesia de John Keats sendo transmitida em notas musicais.
Concluindo a trilha tem-se então “Ode to a Nagthingale”, uma bela faixa, com um cello e vozes ao fundo da poesia declamada, demonstrando toda a amorosidade e profunda suavidade existente em tão doce trilha.
De tal modo, não há como negar a mágica existente nestas faixas, tão belas, suaves e sensíveis, chegando ao fundo do coração de um dos maiores poetas de todos os tempos, e ao fundo de uma trama tão incrível quanto triste e nostálgica. Uma das trilhas não só mais belas do ano, como mais belas da década e de todos os filmes de época. Obra-prima de verdade.
Nota: 10,0
p.s: Quem vos escreve é a Vivi e não o Tiago hehehehehe:)

sábado, 17 de outubro de 2009

Agora nos Cinemas: Distrito 9


Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. (A Metamorfose, Franz Kafka).

A violência muitas vezes ocorre nesse intervalo entre a constatação da diferença e o imperativo de ter de coexistir com ela que se impõe no convívio público. Ela se instaura ante a constatação de que o convívio com as diferenças é inevitável, e acaba por fazer parte das estratégias de que se lança mão para suprimi-lo, adiá-lo ou negá-lo. (A Violência no Coração da Cidade, Paulo Cesar Endo).

Sinto não ser nenhuma filosofia gratuita o fato destes livros (um literário e outro psicanalítico) me virem à mente logo nos dez minutos iniciais deste filme. Não, sequer estou falando do que acontece com o personagem principal. Mas ao ver os "camarões" e a reação da sociedade, a extrema segregação, esta idéia de maisvalia do corpo e maisvalia do ser foi instantânea. Isso foi logo de cara a pista essencial para sacar que não, não estamos falando de extraterrestres.

Há 20 anos uma nave extraterrestre parou sobre Johannesburg. Após certo desespero, a humanidade entra em contato, e descobre que ali estavam seres fracos, doentes, sofridos e subnutridos em busca de ajuda. A reação imediata foi trancafiá-los no Distrito 9, uma espécie de favela 'isolada'. Claro que a situação vira alvo de extrema politicagem, por outro lado, alguns grupos críticos e preocupados com os 'direitos humanos' dos extraterrestres surgem. Aqui há uma metáfora direta a duas organizações, uma que equivaleria a ONU (a MNU) caso ela fosse do mal, querendo dominar o mundo, e outra que equivale de fato à própria ONU (a OIU). Após todo este tempo, chegamos a uma situação tal que os extraterrestres só desejam voltar para a casa - e já viraram prisioneiros -, enquanto os humanos preparam uma espécie de 'campo de concentração' para eles. Tudo vai por água abaixo quando um dos principais responsáveis pela ação dos humanos se contamina.

A questão da segregação racial é tão crua e visceral que, apesar do distanciamento que a imagem bizarra dos extraterrestre nos proporciona, nos preocupamos de maneira quase que automática com a situação deles. Posso destacar, para justificar isso, o extremo desconforto que (espero que) todos sentem ao ouvir os barulhos e o comentário sobre a tal 'pipoca'. Este primeiro ato do filme (longe de ser um prólogo) é tão bem construído que a admiração pelo filme é quase imediata (daí a ovação da crítica americana por ele). Toda esta abordagem sobre divisão racial remete, de maneira quase que instantânea e automática, ao Apartheid, apesar de o diretor negar.

No entanto, o enrendo ainda se transforma. No segundo ato assistimos uma espécie de A Experiência, só que de fato inteligente. O problema com a trama é justamente com seu desfecho. Não revelarei, mas concordo com os finais dados aos personagens. O que achei ridículo e desnecessário foi a aposta em uma ação frenética e excessiva, em uma situação Transformers injustificável. Sim, isso me fez ficar um tanto desapontado, pois mostrou que o filme saiu do patamar que ele se lançou e caiu na megalomania hollywoodiana. Enfim, nada que comprometa o restante do filme.

Inteligentemente abordado em um estilo de documentário, o filme se mostra um interessante início de carreira do diretor Neil Blomkamp, também sulafricano (o que deixa ainda mais óbvio as referências do filme ao Apartheid). A técnica do filme é impressionante, seja sua edição, seu som, e até mesmo seus efeitos especiais. A única coisa que demorou a me convencer foi justamente o estilo adotado para os alienígenas. Inclusive acredito em algumas indicações técnicas ao Oscar, e não fosse este deslize do final, eu realmente torceria com minhas entranhas por uma indicação a roteiro original. Enfim, creio que se o ano não for tão forte, isso também pode acontecer. Por fim, gostaria de ressaltar o trabalho de Sharlto Copley na pele de Wikus Van De Merwe, um pesonagem ambíguo e complexo, que facilmente poderia ser pintado por uma caricatura, mas que o ator o defende de maneira extremamente honesta.

Distrito 9 pode ser um filme com um leve deslize em seu desfecho, mas ele toca em feridas tão profunda e de maneira tão alegórica e original, que acaba por transformar o filme em uma das ficções científicas mais originais e relevantes em muitos, muitos anos. Isso já é um feito e tanto a se reconhecer.

Nota: 7,5

Agora nos Cinemas: O Desinformante


O Desinformante, novo filme do diretor Steven Soderbergh, narra a história - inspirada em fatos verídicos - de um executivo que aplica golpes milionários em sua empresa e tenta enrolar o quanto puder o FBI e seus advogados, em uma espécie de compulsão para mentir. No entanto o filme se apresenta na forma de sucessivas escolhas estranhas e deslocadas, que aliados a uma trama mal trabalhada, acabam por sabotar a película.

É verdade que tenho uma certa dificuldade com Soderbergh, pois realmente não sei definir ou identificar facilmente o seu estilo. É um diretor corajoso, que transita por linguagens, mas até agora não o entendo como autoral. Isso refletiu, de alguma maneira, neste filme: ele não tem um estilo. Sua publicidade apostou no ridículo da situação, em um personagem caricato. Por outro lado, a fotografia do filme (aqui também responsabilidade de Soderbergh) aposta em cores quentes e amareladas, no melhor estilo anos 70 - sendo que o filme se passa na década de 90. A trilha sonora de Marvin Hamlisch aposta no pastelão, conferindo um tom de comédia exagerado ao filme. Por fim, o roteiro - responsabilidade de Scott Z. Burns também se perde em um ritmo arrastado, com uma narração em off cansativa (apesar que poucas das boas piadas do filme aqui se encontram).

Mas nem tudo é só reclamação. O elenco encontra-se bem. Por uma abordagem evidente do diretor, todos no elenco seguem a caricatura, em momento algum nos dando mais do que uma pintura engraçada de personagens óbvios, como os executivos, o detetive perdido, o detetive bonzinho, e por aí vai. É justo falar que Matt Damon carrega o filme nas costas, porém também é correto constatar que ele pouco precisa fazer para isso. Uns quilos mais gordo, o ator comanda muito bem sua postura e voz para o personagem que ora beira o histérico, ora o ridículo. Creio facilmente em uma indicação para o ator na categoria melhor ator em comédia no Globo de Ouro (e lamento uma realmente possível indicação do filme a melhor filme comédia ou musical - sabe-se lá a razão, ele fez sucesso com a crítica americana), no entanto cogitá-lo ao Oscar, como alguns sites de aposta estão fazendo, é um tanto quanto absurdo.

O Desinformante é, no final das contas, mais um trinco na carreira de Steven Soderbergh, a qual ultimamente anda fragilizada (como o próprio diretor disse recentemente). Não é um desastre total, mas para aproveitar melhor seu tempo, eu recomendo tranqüilamente que se alugue os filmes Queime Depois de Ler e Prenda-me Se For Capaz (irmãos Coens e Steven Spielberg, respectivamente), que tratam o assunto de maneira muito mais inteligente e divertida.

Nota: 5,5

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Agora nos Cinemas: 9 - A Salvação

Chega a ser engraçado pensar que 9 - A Salvação seja uma animação que entra em cartaz no feriado do dia das crianças. Ao contrário do que todos os pais desinformados sobre o filmedevem ter pensado, 9 é uma daquelas animações que as crianças deveriam passar longe, como por exemplo o excelente As Bicicletas de Belleville. Infelizmente, o filme também não tem nenhum grande motivo para levar as demais pessoas ao cinema.

9 é a continuação, ou enfim, pelo menos a tentativa de transformar um curta-metragem de 2005 (indicado ao Oscar) em um longa-metragem, produzida por Tim Burton e Timur Bekmambetov. Nela encontramos o mundo após o fim da raça humana, habitado por bonecos de pano (feitos à mão, como vemos no começo do filme) e por uma máquina misteriosa que põe em risco a existência dos bonecos. A plot vazia que eu forneço aqui não é uma tentativa de esconder situações importantes do filme. Pelo contrário, sinto que tenho pouco a acrescentar aqui. Há pouca ação no filme, e ainda assim ele consegue ser completamente confuso. Demora tempo demais para se compreender quem são aqueles bonecos, por que eles têm vida e o que de fato eles fazem ali. Este erro grotesco faz com que fique impossível qualquer relação entre o espectador e os personagens, chegando a um ponto irritante. Se a trama vai mal, o mesmo não pode se dizer da parte técnica da animação, que é bem feita (mas nada marcante também), exceto a trilha sonora, um tanto quanto besta.

Curioso é que muito tem-se comparado este filme com Wall-E por causa do uso de uma canção antiga em determinado momento da projeção (por sinal, Somewhere Over the Rainbow, depois de já ter sido usada a exaustão neste início de ano por Austrália, mas na animação ficou sem poética nenhuma). Bobagem, as semelhanças são muito maiores. Em ambos o mundo está prestes a entrar em um colapso, por erro humano, raça a qual já não existe mais no planeta. Caso vocês se lembrem da minha crítica ao filme da Pixar, nela eu reclamava da falta de coragem do estúdio em seguir com sua sensacional premissa, rendendo o filme aos apelos comerciais, criando momentos bobos e pouco inspirados para poder agradar as crianças. Neste aspecto, 9 é extremamente oposto: corajoso, assume seu tom do início ao fim sem se preocupar com quem agradar.

Infelizmente forma não é tudo, e 9 falha gravemente em seu conteúdo, que perde-se totalmente em conflitos e premissas confusas e resoluções simplistas. Apesar de acertar no erro de Wall-E, ele erra em todos os outros elementos, tornando-se um filme bem dispensável. Coitada das crianças que foram levadas a vê-lo por engano.

Nota: 4,0

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Especial dia das crianças: Branca de Neve e os Sete Anões

Para comemorar o dia das crianças, resolvi colocar a resenha do grande clássico da Disney que, coincidentemente está chegando agora em dvd- Branca de Neve e os Sete Anões...porque todo mundo tem um pouco de criança em seu coração né galera!

Então, feliz dia das crianças!!!!!!!!!!

O maior clássico de animação existente em todos os tempos é sem sombra de duvidas essa preciosidade, lançada em 1937, que, encantou e encanta gerações com a sua pureza e originalidade.

Branca de Neve e os sete anões é baseado na belíssima fabula dos irmãos Grimm, e para Disney foi a historia certa para iniciar um novo capítulo na historia da animação mundial. Na década de 30, as animações de Disney eram ovacionadas pelo publico que já naquela época curtia as historia de Mickey e sua turma. Mas quando Walt teve a idéia de fazer um longa de animação muitos imaginavam que seria um projeto falho e que as pessoas não agüentariam mais de uma hora assistindo desenhos...mas Disney foi insistente, e, indo além do esperado, não só adaptou a história como criou sete personalidades para os anões, denotando um charme todo especial à história.

O filme, exibido nos cinemas pela ultima vez em 1987 (jubileu de 50 anos do filme) continuou quebrando recordes de bilheteria, e dois anos depois em 1989, a Biblioteca do Congresso dos EUA incluiu o filem no rol dos 25 primeiros filmes a serem honrados e preservados pelo Arquivo Nacional de Cinema.
A historia, clássica, fala sobre Branca de Neve, uma linda princesinha que quase é morta pela bela e terrível madrasta, só porque esta viu no espelho mágico que Branca de Neve era mais bela do que ela. Quando o carrasco que iria matá-la deixa a fugir, ela vai parar na casa de sete anões que passam a protegê-la. Mas, a rainha, ao descobrir que ela está viva, vai à caça da princesa, disfarçando-se de velhinha e dando para ela uma maçã envenenada para comer. Só então o seu príncipe encantado poderá lhe salvar.

O filme é mesmo perfeito, lindo, uma revolução para a época, e com uma trilha fantástica(que foi indicada ao Oscar) composta por Frank Churchill (o rei das melodias fáceis, compositor de “Dumbo”, “Os três porquinhos” e “Bambi”), Paul J. Smith (outro grande compositor do estúdio, compositor de “Pinoquio”, “Cinderella” entre outros) e Leigh Harline (também outro grande compositor do estúdio) que nos deram de presente canções maravilhosas como “Heigh Ho” e “Whistle while you work”. O filme, que foi lançado na época da depressão, causou grande impacto pelo fato de que as pessoas na época criaram grande elo emocional com o longa...detestando a bruxa, amando as canções e os anões...no Oscar, Disney ganhou uma estatueta normal e outras sete pequenas, entregues à ele por Shirley Temple.

Enfim, é um clássico, um filme inesquecível, eterno, que ganha sua grande versão em dvd (merecidamente deve-se dizer), e que ficará para sempre no coração de todos aqueles que acreditam no que Disney sempre propôs- acreditarmos, seja o que houver, em nós mesmos, nunca desistindo de nossos sonhos.

Nota: 10,0

sábado, 10 de outubro de 2009

Agora nos Cinemas: Bastardos Inglórios.

Tarantino sempre me agrada com seus filmes. Sim, acho a sua estética da violência divertida bem interessante e, de fato, divertida. No entanto, seus filmes sempre me deixam com um certo gosto de insatisfação na boca, e nunca sei a razão. Isso faz com que eu não seja um dos grandes fãs do diretor, admiro seu estilo mas sempre acho exagerado quem o exalta. Posso dizer tranqüilamente que Bastardos Inglórios é a exceção: ele cumpre o que realmente promete. Sendo assim, me perdoe os [infindáveis] fãs de Pultp Fiction, mas realmente acho Bastardos o melhor filme do diretor até agora.

O diretor sempre foi extremamente inteligente com uma câmera em mãos; sabe fazer imagens marcantes e visualmente belas - algo que se mantém neste filme. Tarantino faz filmagens batidas parecerem geniais (como o velho truque da câmera girando em torno dos personagens, que naquele diálogo ficou impagável), usa de ângulos um tanto inesperado, e sempre nos surpreende de alguma maneira. Seu cuidado com a aparência do filme gera em excelentes fotografia, direção de arte e efeitos especiais.

Como diretor de elenco, ele se mostra competente. Infelizmente Eli Roth não é interessante e abusa da amizade pessoal com o diretor. Brad Pitt diverte, mas também tem uma abordagem forçada do seu personagem que, apesar de ser originalmente um americano caipiria, não deixa de ser um homem internacional. O que surpreende é Diane Kruger, normalmente desinteressante (lembram-se de Tróia) que surge aqui no seu melhor momento. Todo o elenco secundário cumpre bem o que lhes é pedido. No entanto há dois nomes que se destacam. Mélanie Laurent, jovem atriz francesa que faz a heroína Shosanna (cuja seqüência num vestido vermelho olhando pela janela, com símbolos nazistas e um pôster de cinema de fundo, quando então começa a se maquiar é uma das seqüências mais belas do filme) e o impagável Christoph Waltz, vencedor de melhor ator no festival de Cannes deste ano, pelo papel do Coronel Hans Landa, o grande vilão do filme.

Quero ressaltar também que Tarantino é o melhor diretor quando o assunto é aproveitar uma trilha sonora jukebox. De Morricone a David Bowie (em um filme sobre o nazimo!), ele usa de trilhas variadas para chegar no ponto exato que queria.

Agora falemos sobre parte do conteúdo do filme. É, em suma, o filme mais maduro de Tarantino. Ele abandona os excessos, e o que fica é o top. Não há excesso de sangue, mortes e estilismos que estamos acostumado com o diretor, mas nem isso ele deixou de ser autoral. Se concentra em momentos exatos, e faz algo que sempre fez bem: grandes diálogos. O primeiro capítulo do filme é fantástico (o que firma 2009 como o ano das grandes aberturas - junto com Up e Anticristo), e o que se segue não é menos satisfatório.

Daqui para baixo só leia quem já viu o filme:


No entanto muita polêmica foi criada sobre a suposta liberdade poética do filme. Sejamos sensatos: a arte nunca teve compromisso em simplesmente retratar a história. Sim, há aqueles que usam-na para isso, mas não é regra. Se a ficção é possível e plausível, por que não aplicá-la ao passado? Sim, sabemos de cor e salteado como se seguiu a II Guerra e o suicídio de Hitler, e há filmes soberbos que registram historicamente isso (querem ver sobre a verdadeira morte de Hitler, de maneira pedagógica, assistam ao excelente A Queda! - As Últimas Horas de Hitler). O que Tarantino diz aqui, em Bastardos Inglórios, é que ele descarregaria uma metralhadora na testa do Hitler. Quem não o faria? Não houve nenhum erro grosseiro aqui - uma vez que o filme em nenhum momento tenta se vender como um retrato histórico da segunda guerra. A recepção fria do filme em Cannes me lembra muito o que ocorreu com Ensaio Sobre a Cegueira: arrogância demais e conteúdo de menos. Felizmente, dessa vez, a crítica reparou o erro.

Nota: 9,0

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Agora nos Cinemas Duplo: A Onda e Amantes


No semestre que se configurou como provavelmente o mais corrido e desgastante desde 2004 (mas, por outro lado, extremamente produtivo e - por ora - prazeroso), ir ao cinema virou algo raro, um evento. Por isso que, em um fim de semana livre, resolvi ver dois filmes de uma única vez. Ambos recomendados, e muito bem comentados. Vamos às impressões finais...

A Onda

Die Welle é um filme alemão que atualiza no tempo (e, curiosamente, no espaço - pois passa para a Alemanha um evento americano, tocando em uma ferida alemã profunda) os eventos ocorridos na Califórnia da década de 60. A trama narra um professor de história que se torna responsável pelo ensino do sistema político de autocaria. Em um movimento arriscado, passa a dar instruções aos seus alunos como um verdadeiro autocrata, criando um grupo de seguidores obedientes. De alguma maneira, a experiência parece ter como único objetivo a demonstração prática de como um grupo neonazista é possível nos dias atuais, contrariando as idéias dos alunos que insistem que o nazismo é algo isolado e exclusivo a um período histórico. No entanto tal professor perde o controle da situação, especialmente ao gostar dos resultados que a experiência - de uma única semana - lhe rendeu: alunos obedientes, unidos, com boas notas que atestavam a competência do educador.

Apesar de um período extremamente curto de tempo, a experiência da Onda (nome dado ao grupo) vai ganhando gradualmente substâncias que, vistas ali - atualizadas para o período da telecomunicação - parecem absurdas e irreais. São criados nome, regras, símbolos, cumprimentos, comportamentos e posturas, de maneira tal que alguns alunos mais fracos não consigam encontrar um sentido para suas vidas que não o grupo.

Mora aqui um dos poucos defeitos do filme: pedagógico demais ao intercalar os longos discursos sobre o que propicia a origem de uma autocracia (insatisfação social, desemprego, carga tributárias abusivas) com cenas que demonstram as insatisfações pessoais de cada aluno. A mensagem neste momento torna-se tanto quanto simplista, ainda que, em certos aspectos, válida.

O resultado final é um filme surpreendente, e de ótima qualidade, destacand0-se a interpretação de todo o elenco, especialmente o professor e os dois alunos que destacar-se-ão até o final da trama. No entanto, devo ressaltar que o efeito deste filme deve-se à impressionante história real que é aqui retratada - enquanto um exercício cinematográfico ele é bem pouco além de uma trama surpreendente bem contada.

Nota: 8,0

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Amantes

Sabe-se lá como este Two Lovers foi, sem motivo algum, indicado à Palma de Ouro no festival de Cannes em 2008. Do diretor James Gray (que não tem nenhum trabalho destacável no currículo até agora), o filme narra - de maneira extremamente melancólica, o que lhe rende algum charme - episódios interligados na vida de Leonard: a superproteção de seus pais judaicos, o estigma de sua saúde mental (é bipolar), seu relacionamento anterior que não deu certo, suas tentativas de suicídio, a paixão por sua vizinha, um suposto interesse forçado pela filha do homem que irá comprar o negócio de sua família. Resumindo: é um filme que seria mais aceitável se descrevesse um adolescente qualquer. Se o Leonard em questão é o Joaquim Phoenix no auge de seus 35 anos, a ligação com o personagem torna-se impossível, e seus conflitos um tanto quanto monótonos.

É verdade que o filme se destaca em alguns detalhes, como a interpretação do casal principal (o próprio Phoenix e a Gwyneth Paltrow - atriz superestimada que está tentando limpar sua imagem), apesar de ser difícil classificá-los em alguma lista que enumere os melhores em alguma coisa. A fotografia melancólica em alguns ângulos realmente interessantes é o ponto mais destacável do filme, sendo ela a maior responsável pela ligação do público com o clima que o filme propõe.

No entanto são eventos melancólicos em um ritmo melancólico que resulta em algo vazio, cansativo e monótono. Não há razão alguma para indicá-lo a alguém, ao mesmo tempo que ele não é suficiente para causar grandes aversões. Resultado? Inexpressivo.

Nota: 5,5.