segunda-feira, 30 de março de 2009

Agora em dvd: Rede de Mentiras


Ridley Scott e Russel Crowe são uma bela dupla. Do grande vencedor do Oscar® Gladiador ao delicioso Um Bom Ano há uma sintonia inigualável entre o diretor e o ator, que se entendem muito bem. A única coisa ruim é quem criaram-se tantas expectativas sobre os dois (principalmente depois que O Gangster foi lançado nos Eua sendo um grande sucesso) que quando Rede de Mentiras foi lançado, houve um grande desapontamento. Até porque o roteiro é assinado por William Monahan que demonstoru um talento soberano em Os infiltrados. Críticas e expectativas à parte, Rede de Mentiras é sim um bom filme, mas nada que se diga de sublime ou fantástico.
A historia gira em torno de Ferris (Leonardo Di Caprio) um agente da CIA infiltrado na Jordânia onde a guerra está a explodir. Seu chefe, Edward (Russel Crowe, debilitado demais em um papel que poderia ser muito melhor) lhes dá coordenadas dos Eua e vigia cada passo que Ferris dá. No meio disto tudo, Hani Salaam (Mark Strong, de longe o melhor do elenco) faz negociações com Ferris, onde cada passo deve ser dado com muito cuidado e não se pode confiar em ninguém. Este seria então o enredo principal de Rede de Mentiras que em sua primeira hora se mostra entediante, mas que depois dá uma bela guinada ao qual o telespectador se vê preso à trama. O interessante é que, entre Leonardo e Russel o melhor mesmo é Mark Strong, um inglês de descendência italiana que interpreta Hani de modo sublime. Outro aspecto forte do filme é a fotografia de Alexander Witt, ríspida e tênue ao mesmo tempo. Alem da trilha poderosa de Marc Streitenfield, que está sendo utilizada por alguns veículos de comunicação brasileira, como a Rede Globo. Já sobre a direção de Ridley ele não é nada mais do que correta. Nada de impressionante nem de muito belo, que possa ser considerado extraordinário.
Para um diretor que já construiu obras do calibre de Alien, Blade Runner e Gladiador, Rede de Mentiras está bem longe de ser uma de suas grandes obras. Mas também não pode-se dizer que o filme seja ruim por não ser aquilo que se esperava. Há uma boa historia, onde o roteiro só progride ao invés de decair e elementos que são positivos do filme. Para quem for ver o filme sem pretensões e esperando por um filme para arejar a cabeça em um final de semana, Rede de Mentiras com certeza será uma boa opção. Agora para quem espera um grande cinema da dupla dinâmica Scott/Crowe, passe bem longe.
Nota: 7,0

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mega Preview Especial: Começou? Começou! Prévia do Oscar 2010.


Descansados? Ou ainda exaustos da briga Quem Quer Ser Um Milionário?  contra Milk - A Voz da Igualdade (hahaha, alguém realmente achou que eu diaria Benjamin Button?). Pois bem, acabada a esmagadora vitória do favelado que encontra a glória no Show do Milhão, vamos ver o que a temporada 2009/2010 nos reserva?

E sim, eu quis ser muito mais legal do que óbvio, então não vou simplesmente listar os filmes que prometem. Todos eles eu farei breves comentários do que esperar deles como filme e deles em premiações. Óbvio, essas listas de início de ano são, de um modo geral, uma tentativa de se ver se pelo menos 2 ou 3 nós acertamos. Lembremos que nesta época, ano passado, eu dava Benício del Toro e Austrália como certos em grandes eventos (bom, pelo menos um eu acertei mais ou menos...). Vamos sem demoras direto ao nosso preview. Encabeçando a lista? Claro que eu não seria imparcial.

Nine
O que: Adaptação do musical homônimo da Broadway, por sua vez inspirado no filme 8 1/2 de Fellini, dirigido por Rob Marshall (Chicago) tendo no elenco principal Daniel Day Lewis, Marion Cotillard, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Sophia Loren, Judi Dench, Kate Hudson e... Fergie.
Nas alturas: Se for tão bom quanto e tão bem recebido quanto Chicago, pode-se esperar, no mínimo, um récorde de indicações ao Oscar. Chicago já teve 13, sem ter metade da via láctea no seu elenco. E claro, Harvey Weinstein mexendo os pausinhos.
Pode dar errado: Fergie é a preocupação de todos né? Pois bem, eu já me preocupo com um roteiro confuso e um musical pouco conhecido, sem falar no óbvio preconceito em se adaptar algo que é de Fellini.
Estréias: Nos EUA em 25/11/2009. No Brasil sem data definida.

Los Abrazos Rotos
O que: Novo filme de Almodóvar, em seguida de Volver - um de seus mais populares. Penélope Cruz novamente encabeçando o elenco.
Nas alturas: Penélope anda em alta em Hollywood. Acabou de levar um prêmio, não leva outro. Mas isso não diz que ela não pode ser indicada. Por outro lado, Almodóvar sempre é Almodóvar. E nem sempre isso quer dizer um sucesso de crítica e de público.
Pode dar errado: Exibições testes já anteciparam que é um belo exercício do diretor, mas não tão aberto ao público geral quanto Volver.
Estréias: 18 de Março na Espanha, 20 de Novembro nos EUA (limitado), no Brasil deve demorar.

Tetro
O que: Filme de Francis Ford Coppola sobre uma familia de artistas italianos imigrantes. Vicent Gallo, Maribel Verdú e Carmen Maura encabeçam o elenco.
Nas alturas: Francis Ford Coppola.
Pode dar errado: Francis Ford Coppola (Me diz o último filme bom dele. Me diz desta década.)
Estréias: Sem previsão.

Shutter Island
O que: Novo policial de época de Scorsese. Di Caprio, Earle Haley, Williams, Ruffalo, Kingsley.
Nas alturas: Alguém duvida de Scorsese?
Pode dar errado: Praticamente nada. Parece ser um bom filme por excelência. Mas enfim, a Academia não vai premiá-lo tão seguidamente assim.
Estréias: 9 de Outubro no Brasil.

The Human Factor
O que: Cinebiografia de Nelson Mandela comandado por Clint Eastwood. Morgan Freeman como Mandela, claro.
Nas alturas: Até um ano atrás eu diria que Eastwood é inquestionável. Mas enfim, Freeman de Mandela já fez parte do imaginário de qualquer pessoa que vai ao cinema, e finalmente acontece. 
Pode dar errado: No entanto, é inegável que em A Troca e Gran Torino Eastwood abusou de clichês. Não faça isso!
Estréias: Dezembro de 2009 nos EUA.

The Lovely Bones
O que: O triste e sangrento livro é adaptado ao cinema por Peter Jackson, com Saoirse Ronan, Rachel Weizs,  Mark Whalberg e Susan Sarandon no elenco.
Nas alturas: Um bom drama, Jackson é perfeccionista, e não tenho reclamações sobre o elenco.
Pode dar errado: Apesar de muito perfeccionismo, sutil e sensível não são as palavras que eu atribuiria ao diretor da trilogia do Anel e de King Kong.
Estréias: 11 de Dezembro de 2009 nos EUA.

Taking Woodstock
O que: Ang Lee vai falar sobre a homossexualidade novamente, desta vez em uma comédia que tem como pano de fundo um dos mais importantes eventos musicais de todos os tempos. No elenco, Imelda Staunton, Emile Hirsch e Paul Dano (feliz por esses dois se encontrarem tão cedo num filme). 
Nas alturas: Ang Lee. Dispensa comentários.
Pode dar errado: Alguém aí disse O Segredo de Brokeback Mountain? Então, o máximo que pode dar errado é o filme ser excelente e sofrer pelo preconceito alheio.
Estréia: 14 de Agosto de 2009 nos EUA.

Up! - Altas Aventuras
O que: Novo Pixar. Um velhinho mal humorado resolve abandonar sua vida sem graça na grande cidade e sair voando com sua casa pendurada em balões. Ele só não esperava que um jovem escoteiro o seguisse por acidente.
Nas alturas: (hum hum pegaram o trocadilho?) Olha, é a Pixar né. E se ele não vier com a pretensão de ser o melhor filme já feito (né, Wall-E?), talvez consiga ser um dos melhores da Pixar. Torço, de coração, que ele não peça um Oscar a cada cena. Isso afunda um filme (né, Wall-E?).
Pode dar errado: Nada, já disse que é o novo filme da Pixar. No máximo uma animação estrangeira pode tentar arranhá-lo. 
Estréias: 4 de Setembro de 2009 no Brasil (aparentemente a Disney amarelou para Ice Age 3, e pela primeira vez lança uma animação sua fora das férias escolar brasileira).

Avatar
O que: Aparentemente, o filme que vai revolucionar a história do cinema, e mostrar o passo que vem depois do "colorido". Seja o que for, ficção científica ultra tecnológica de James Cameron, doze anos depois de Titanic, o maior sucesso da história do cinema.
Nas alturas: Se o filme for 10% do alarde que faz, vai ser uma obra absoluta.
Pode dar errado: No final pode decepcionar e ser um pipoca bem feito, e só.
Estréias: Estréia mundial entre os dias 16 e 18 de Dezembro de 2009.

Bom, os filmes acima são aqueles que eu acredito que têm mais chances em premiações. Lembrando, claro, que The Tree of Life (Terrence Malick) ainda é tido para 2010. Mas agora vamos dar uma sapeada em outros filmes que prometem, e muito, para este ano. Mas estes daqui pra baixo eu creio que vêm com menos fôlego para os prêmios:

Public Enemies
O que: Policial de época de Michael Mann com Christian Bale, Johnny Depp e Marion Cotillard.
Nas alturas: É um diretor bem correto e coerente.
Pode dar errado: Ser apenas mais do mesmo.
Estréias: 3 de Julho de 2009 no Brasil.

Inglorious Basterds
O que: Tarantino visita Holocausto junto com Brad Pitt.
Nas alturas: Tarantino é cool, e o assunto é meio caminho andado para o sucesso.
Pode dar errado: Até gosto de sua estética da violência. No entanto, como o Holocausto já é suficientemente pesado por si, Tarantino corre o risco de perder a mão e criar algo abusivamente violento.
Estréias: 16 de Outubro de 2009.

Antichrist
O que: Suspense reflexivo sobre a decadência da barbárie humana e o apocalipse. Ahn, em palavras mais significativas: próximo filme de Lars von Trier.
Nas alturas: Lars von Trier, apesar de não ser para todos.
Pode dar errado: Basicamente nada, mas fica o eterno apelo: CADÊ WASINGTON? PÁRA DE FAZER FILMES ANTES DE FAZER WASINGTON, PORRA. Precisamos saber como a trilogia americana terminará.
Estréias: 20 de Maio de 2009 na França. Sem previsão americana ou nacional.

Biutiful
O que: Primeiro filme de Alejandro Gonzáles Iñárritu desde a sua trilogia.
Nas alturas: Eu pago um pau terrível para ele. Até Babel que é odiado eu acho um dos melhores filmes desta década. Espero confiante este.
Pode dar errado: Iñárrito não é sinônimo de preferência das massas ou filmes digestivos. 
Estréias: 11 de Dezembro de 2009, nos EUA.

Alguns filmes que parecem merecer uma certa atenção em seu lançamento: Dali and I, Dorian Gray, The Fantastic Mr. Fox, A Serious Man (novo dos irmãos Coens), Sunshine Cleaning, Whatever Works (novo de Woody Allen), The Soloist, The Road, Chéri, Creation, The Imaginarium of Doctor Parnassus (derradeiro de Heath Ledger), e claro, muitos outros a surgir que ainda não sabemos, mas que o Cinefilando atualizará a qualquer novidade.

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Encerramento:

Esta semana saiu o trailer de um filme que, até então, não me despertava profundos interesses. Mas é tranquilamente o mais fofo trailer que eu vi este ano, e nossa, entrou para a lista de um dos meus trailers favoritos de todos os tempos. O que?

Where the Wild Things Are
O que: Spike Jonze (nunca soube se ele era inteligentíssimo ou vivia atrás da sombra de Kaufman) dirige versão cinematográfica de um livro infantil bem famoso. Parece ser algo tanto quanto profundo e belo.
Nas alturas: Se há algo que não podemos negar é que o cara é criativo em sua direção. Sua escolha por bonecos simples e toscos para os monstros parece ter sido genial, ao invés de apelar para cgi. 
Pode dar errado: Jonze para crianças? Já fizeram exibições testes. Já anteciparam que crianças saíram da sala do cinema chorando porque o filme era muito dark. Agora sim, Jonze para crianças!
Estréia: 16 de Outubro no Brasil.
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=01-PqqifyjA  (vale muito a pena, juro, não me canso de ver e já estou atrás desta música).




Bom pessoal, por enquanto é o que temos!



segunda-feira, 23 de março de 2009

Cinefilando 2009: Toda arte é arte.



Pessoal, é com muito orgulho que venho dizer que nós do Cinefilando vamos inovar para este nosso novo ano de blog. Junto com nossas críticas e nossas colunas já existente (Cinema Musical, Cinenews, Cine Cult, Premiações e Mega Preview), novas colunas entrarão no ar, muito em breve.

A primeira, como todos já devem ter reparado, é a Foreign Film, comandada quinzenalmente pelo Kau, nosso amigo e colaborador. Séries da BBC, comandada com excelência pela Vivi, também é outra novidade que já pipocou por aqui. Uma nova, ainda por vir, é Falando em DVD, mensal, na qual faremos comentários sobre os dvds lançados no varejo, seus extras e etc., como um guia de compra. Em Teatro comentará algumas peças de teatro que, por ventura, acreditamos que valem a pena aparecer no blog. E, por fim, a Vivi também abrirá espaço para a literatura, com uma coluna sem nome definido ainda dedicada ao prazer da leitura.

Como pretendemos não peder o foco cinematográfico do nosso amado Cinefilando, as colunas sobre teatro e literatura serão mais esporádicas, e muitas vezes terão vínculos com o tema do cinema. Mas acreditamos ser importante - e prazeroso - nos abrirmos para mais essas discussões. 


Esperamos que gostem das novidades!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cinema Musical: Entrevista com o compositor Michael Wandmacher

Em mais uma incursão como entrevistadora, eu conversei com o compositor Michael Wandmacher, mais conhecidos por seus trabalhos no ramo do suspense, como "Cry Wolf" e nos videos games de "Madagascar" e "Os sem floresta".



Viviana Ferreira - Olá Michael, inicialmente gostaria de dizer que é uma satisfação entrevistá-lo. Bem, vou começar pelo início: quando você descobriu que queria ser um compositor?
Michael Wandmacher - Obrigado! Estou feliz por estar aqui. Creio que meu real interesse em composição veio das canções que escrevia. Antes de compor música em tempo integral passei muitos anos tocando e cantando em várias bandas pop, rock e metal. A mudança para composição aconteceu durante a faculdade, quando comecei a criar músicas para pequenos vídeos infomerciais e industriais, e descobri que gostava desse tipo de trabalho. E também era um meio de ganhar dinheiro por compor músicas! Esse foi um grande incentivo após muitos anos de esforços em vários grupos como cantor/compositor de canções. Meu interesse em trilhas sonoras vem de muito antes. Minha vida caseira, na infância, não era muito rica musicalmente, então muitas das influências que tive vieram do que ouvia em séries de TV e filmes. Também ouvia muitos programas de rádio tipo “The Shadow”. Mesmo quando estava na onda do “rock star”, ainda continuava a colecionar trilhas sonoras.


VF - Em 2001 você compôs música para 'The Hire: Ambush' de John Frankenheimer. Como foi trabalhar com este grande diretor em seu último filme?
MW - Foi uma situação interessante, porque fiz parte de uma equipe de compositores contratados pela agência publicitária que estava produzindo toda a campanha de “The Hire” para a BMW. Após avaliar demos de cada compositor envolvido, a agência e a produtora musical da qual eu era contratado decidiram que os comerciais de “Ambush” eram mais adequados para mim. Apesar de sempre ter sido um grande fã dos filmes de Frankenheimer e de conhecê-lo desde então, durante este projeto em particular eu estava trabalhando sob a direção da agência. É muito comum em comerciais e mesmo em séries de televisão nunca trabalhar pessoalmente com o diretor. Esta experiência é ainda reservada principalmente para os filmes. Nos mundos da TV e da publicidade diretores são sub-contratados, como qualquer uma das pessoas envolvidas na produção.


VF - A trilha incidental de 'Cry Wolf' é extremamente inteligente... como você se inspirou para criá-la?
MW - Obrigado. Jeff Wadlow, o diretor, tinha uma idéia muito clara sobre focar o score mais nas motivações internas dos personagens: no que eles pensam, como estão se sentindo, o contexto emocional de cada cena…e não muito em circunstâncias externas. Isto levou à criação de uma trilha com ritmos discretos, pulsações e melodias claras e reconhecíveis. Era como se a música fosse a representação do estado de espírito de um personagem em determinados momentos, se estava amedrontado, tenso, coagido, etc. Muitas pessoas descreveram o score como inquietante, claustrofóbico, até mesmo um pouco sexy. São palavras acuradas, porque destacam o relacionamento de flerte e perigo entre os dois personagens principais, além de enfatizar o pânico e a ameaça que Owen, o protagonista, sente enquanto a história progride. Foi uma partitura desafiadora e divertida de fazer.


VF - Fale-nos sobre seu recente score para 'Punisher: War Zone'...
MW - Primeiro, devo esclarecer que sempre fui um fã do personagem The Punisher (O Justiceiro), de verdade, então foi muito importante para mim realizar este trabalho da maneira certa. Eu sabia que teria de ter uma natureza sinfônica e que deveria expressar claramente ambos os lados do personagem de Frank Castle/Justiceiro, um sendo o "herói" vigilante amoral, e o outro o pai profundamente atormentado sofrendo pela perda de sua família. Também necessitava de um tema icônico. Decidi criar algo que, dependendo de como fosse vocalizado e orquestrado, pudesse surgir como um tema forte e poderoso, mas que também fluísse sutilmente em momentos mais calmos e pungentes. Eu reservei uma paleta muito dissonante e perturbada para os inimigos do Justiceiro, Jigsaw e Looney Bin Jim, que são completamente insanos e impiedosos.


VF - Michael, no mundo das trilhas sonoras, quais são os seus compositores preferidos? E quais são seus scores favoritos?
MW - Esta pergunta é muito difícil de responder, porque ouvi muitas trilhas sonoras na minha vida, e o que eu gostava ia mudando enquanto minha vida e estilo de composição também mudavam. Adoro scores tradicionais de Jerry Goldsmith, Bernard Herrmann, Max Steiner, Dominic Frontiere, John Barry, e muitos outros. Minhas maiores influências, contudo, foram Danny Elfman, Alan Silvestri, e James Newton Howard. 'Edward Scissorhands' provavelmente ainda é a minha trilha preferida para só sentar e ouvir. Eu me perco naquelas melodias. É uma obra-prima. Quanto aos compositores contemporâneos, acho John Powell simplesmente brilhiante. Também ouço bastante Marco Beltrami e Clint Mansell. Gosto de uma grande variedade, de fato. Por exemplo, estava escutando o 'Elf' de Debney hoje. É um conjunto muito divertido de faixas! Também gosto de scores híbridos. Samplers bem programados e instrumentos eletrônicos são tão fascinantes para mim como uma música orquestral bem escrita.


VF - Eu adoro o instrumento que toco - violino. Qual é o seu instrumento musical favorito?
MW - Esta também é difícil, porque há muitas variáveis contextuais envolvidas. Toquei guitarra por 30 anos, então eu tenho uma queda por ela, mas especialmente eu gosto de instrumentos tradicionais de cada cultura. Por exemplo, acho o som do erhu chinês fascinante e belo. Bem tocado, ele soa como uma voz humana. Descobrir instrumentos como esse faz parte da diversão deste trabalho! Fiz uma trilha sonora ano passado onde usei bastante o hurdy gurdy. É um tipo de instrumento realmente interessante, muito mecânico.


VF - Você trabalhou nas trilhas sonoras dos videogames 'Madagascar' e 'Over the Hedge'. Como você desenvolve as faixas para os videogames?
MW - O meu caso é um pouco diferente da maioria dos compositores de games, porque trabalhei apenas no que a indústria chama de "ports”. São jogos diretamente ligados a uma marca do cinema ou da TV. Normalmente, o cronograma de seu desenvolvimento é similar ao de um filme, o que significa que pode durar uns 18 meses. Normalmente entro quando o jogo está indo para “Alfa”, que é basicamente sua primeira versão jogável. Muito ainda está incompleto, mas recebo orientações para criar ciclos de música para níveis ou objetivos específicos do jogo. As demandas vêm em blocos, por isso posso trabalhar furiosamente em uma semana e depois, por duas semanas, ficar sem fazer nada enquanto eles implementam e testam a música no jogo. O truque é compor faixas curtas que aumentem a vibração e o ritmo do jogo, sem que distraiam ou irritem. É difícil de atingir esse equilíbrio porque você quer compor melodias e temas memoráveis, mas ao mesmo tempo, em um game, ouvir repetidamente a mesma melodia pode enlouquecer o jogador. Num filme, uma grande melodia ou motivo pode levar toda uma trilha sonora, mas num jogo pode ser de fato um obstáculo para que se obtenha o melhor produto final. Então, há muita tentativa e erro (e jogatina!), o que normalmente não acontece quando você está envolvido com a trilha de um filme.


VF - Seguindo 'Punisher: War Zone', seu projeto seguinte é o score de 'My Bloody Valentine 3-D', refilmagem de um filme de horror cult dos anos 1980. O que você pode nos dizer sobre este trabalho?
MW - Eu descreveria MBV3D como um score clássico de horror com esteróides. É grande, agressivo, implacável e muito divertido! Além disso, pude construir alguns temas principais que reaparecem em diferentes formas ao longo do filme. Minha intenção foi combinar orquestra, samples extensivamente elaborados, e rock and roll, desde o início. Foi tremendamente divertido de fazer. Não queríamos inovar com o estilo, apenas aumentar o valor de entretenimento do filme. O conjunto baseia-se muito nos clássicos filmes slasher do início da década de 1980.


VF - Michael suas trilhas sonoras são mais relacionadas a suspense, horror e ação. Você gostaria de explorar outros campos, como comédia ou romance?
MW - Certamente! Já fiz alguma comédias e o trabalho pode ser muito interessante, tendo a oportunidade de escrever música realmente vibrante, lírica. Um drama sério que implora por um score fortemente temático e tocante também seria um desafio maravilhoso. Gosto de boas histórias em qualquer gênero, então a oportunidade de criar música para um projeto, independentemente do tipo, é algo que anseio fazer.


VF - Bem Michael, obrigado por sua disponibilidade. Desejamos a você muito sucesso no futuro.
MW - Muito obrigado

quarta-feira, 11 de março de 2009

Agora em dvd: Eu, meu irmão e nossa namorada



Existem famílias e famílias. Existem as famílias pequenas, famílias grandes, famílias distantes e famílias com cara de famílias. Embora o tema inicial de Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada não seja a família em si, mas a transição da vida de um homem que quer reconstruir sua vida, a família é algo que chama tanto ou mais atenção que o próprio personagem principal. Dan (Steve Carell, sempre ótimo) é um colunista que dá conselhos aos pais em relação aos filhos. Pai de 3 meninas e viúvo, Dan tenta lidar com a situação de ser totalmente responsável por sua família, e ao viajar para passar um final de semana com sua família em Rhode Island, ele conhece Marie (Juliete Binoche, radiante mais uma vez) uma mulher que o encanta à primeira vista e que o entende perfeitamente. Tudo seria perfeito, com apenas um detalhe: no mesmo dia em que a conhece Dan descobre que Marie é namorada do seu irmão Mitch (Dane Cook). A partir daí tanto Dan quanto Marie passarão por uma mudança de sentimentos e situações pelo fato de “embora proibido” sentirem um sentimento um pelo outro. Pareceria uma comédia romântica normal, se não fosse pelo grande trunfo do filme: a maneira como a família de Dan é descrita no filme. Eles são unidos, verdadeiros e partilham laços fortes...algo que existe sim hoje em dia, mas é raro. Os pais de Dan, Nana (Dianne West) e Poppy (John Mahoney) são os típicos pais corujas que abraçam todo o mundo sem deixar de cultivarem seus valores. As próprias filhas de Dan, Jane (Alison Pill), Cara (Britany Robertson) e até mesmo a pequena Lilly (Marlene Lawston) sentem-se mais confortadas com toda a família reunida do que sozinhas com o pai (com exceção talvez de Lilly que quer agradar o pai de todo jeito), talvez pelo fato de Dan ser o único que, depois da morte da esposa, se sente deslocado naquela situação. Muitos pensariam que Dan está maluco, pelo fato de se isolar, se afastar para colocar a cabeça no lugar, mas na verdade vemos um personagem que não se encaixa em um determinado circulo de relações. O diretor do filme, Peter Hedges é craque nesta área de conflitos de família, já que dirigiu e escreveu Do Jeito que Ela É além de ser o roteirista de Um grande Garoto - onde em todos estes filmes há a semelhança do fato dos personagens principais não se encaixarem de algum modo. E é isso que nos faz pensar em Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada. Vemos que Marie acha Dan muito divertido e engraçado, ela se “identifica” com ele. Mas do mesmo modo nenhum dos dois não quer magoar Mitch, pelo fato dele ser a “vitima” da situação...e além de tudo a família de Dan nota que há algo de errado com ele, tenta conversar com ele (em uma hilária cena onde todos se reúnem na lavanderia) sendo que sua mãe até o “joga” nos braços de sua antiga colega de escola, Ruth (Emily Blunt em uma pontinha muito simpática), o que cria claros sentimentos de ciúme em Marie (que depois se vinga dele, ao preparar panquecas para Dan queimadas no café da manhã)...e tudo isso cria uma historia muito gostosa, inteligente e suave de se ver. É leve? Sim...mas também é emocionante, já que nada no final das contas é mais importante do que a nossa família. Seja ela do jeito que for.

Nota: 8,5

segunda-feira, 9 de março de 2009

Hem? Que? Hã? Watchmen. E viva a assassínio em massa!

As adaptações de quadrinhos seguiram rumos interessantes nesta década. Tudo começou com Sam Raimi e seu Spiderman, cujo conteúdo optava por trazer situações fictícias para o mundo real de adolescentes e jovens. Então o herói sofria por um amor platônico, brigava na escola, se ligava diretamente aos adolescentes (algo que a própria HQ sugeria). Em uma outra vertente vemos Nolan e seus Batmans. Já não é uma mera ligação direta com um subgrupo social, mas sim uma metáfora generalizada de toda a sociedade contemporânea. O Cavaleiro das Trevas não deixa de ser um interessante ensaio sobre crime e justiça. A terceira e última vertente dá as costas para essa necessidade de ligação com o real, e se atenta somente à graphic novel em si. Aqui se encontram Frank Miller, James Mc Teigue e Zack Snyder. E filmes muito interessantes já apareceram, como Sin City e V de Vingança. Até memso 300 é um ótimo pipoca. Pena que Watchmen não consiga ser nada além de um enfadonho teste de paciência.

Iniciamos sua [incoerente] trama com o assassinato do [psicopata] Comediante, um herói [?] "aposentado". Rorschach (único personagem realmente interessante da trama) acredita que este não é um mero assassinato, mas o início de uma perseguição ao seu grupo de heróis. Unidos novamente para investigar o crime, os heróis se envolverão em uma ilógica trama para a salvação do mundo ante seu apocalipse pela terceira guerra mundial.


Sem lógica o resumo que fiz? Pois bem, agradeçam ao filme. Fato é que não conheco a graphic novel original, não duvido que talvez ela me agrade. Mas o filme tem seu roteiro extremamente mal trabalhado. Eu, por exemplo, fiquei metade da projeção sem entender se eles eram super heróis, se tinham poderes sobrenaturais (Spiderman) ou se os poderes eram desenvolvidos por treinamento (Batman), ou se era apenas um grupo de loucos que usavam máscaras e eram idiotas (acreditei muito tempo nisso). Em seguida, devo admitir minha dificuldade em aceitar uma fantasia brincando com a história. Logo nos primeiros 60 segundos de projeção, a imagem do Comediante assassinando Kennedy me incomodou demais.


O roteiro continua sua série de catástrofes ao elaborar cada personagem em individual, em diferentes momentos do filme. Cada um tinha um momento para ser acompanhado (algo que vimos recentemente em Sex and the City). Possui umas gags que afunda o filme, de tamanha deselegância. Aliás, é um filme definitivamente problemático com o seu sexo. Há apenas duas cenas, e as duas são catastróficas. Primeiramente vemos uma mulher tentando transar com um boneco azul gigantesco (tido como Deus, se vocês preferirem), e termos que levar a sério eles não conseguindo, e ela tentando discutir relação porque ele trabalha enquanto transa. Com um boneco azul gigante de cgi. É foda. E outra cena, quando outros dois personagens finalmente transam, a música de fundo é Halellujah e, ao gozarem, a nave espacial também o faz, soltando fogo de sua turbina. Resumindo, deixa qualquer O Primo Basílio no chinelo no quesito deselegância (isso sem nem comentar no pênis de cgi azul brilhante).


O elenco segue desconfortável no carnaval que lhes propuseram. O único a se sentir em casa é Jackie Earle Haley, em mais um tipo problemático e estranho. O visual e os efeitos visuais até são interessantes, mas nunca marcantes como os de 300. Nem mesmo aquela nave-relógio de Marte me arrancou imensos suspiros pela sua existência. A trilha sonora é uma das poucas coisas destacáveis. Apesar do terrível mal gosto com a cena de sexo citada, opções como Bob Dylan, The Sound of Silence e Unforggetable (hilária em uma cena de luta) são muito bem vindas. Outro ponto muito forçado por Zack Snyder é o abuso irritante de câmera lenta nas cenas de ação, para vermos caco a caco de vidro voando, socos arrancando gotas de sangue. Enfim, o maior clichê possível no ramo de ação nos dias atuais. Em Matrix era bem legal. 10 anos depois? Deu né.


Mas meu maior problema com o filme reside em sua ideologia. Ele é ambíguo, covarde e psicopata. Tenta se vender como um estudo sobre a decadente e catastrófica civilização humana, que se encontra no fundo do poço ao ser, em todas as análises, violenta e irracional. E qual a solução proposta para isso? Heróis que são ainda mais violentos e irracionais. Ver a cena do Comediante assassinando friamente vietcongs enquanto o filme tenta nos impor seu heroísmo e um luto pela sua morte é nojento. Rorschach é movido pela vingança e ódio, e também é um assassino deliberado. Até os dois heróis que pareciam mais centrados (Nite Owl II e Silk II) não hesitam em sua psicopatia ao assassinar deliberadamente uma gangue de beco na rua. É o que, nas entrelinhas, o filme vende: o assassínio em massa como a solução possível ao mundo. Sabe o Capitão Nascimento, do tão criticado Tropa de Elite? Então, só que agora são 4 assassinos, que quanto mais matar no mundo, melhor. Tudo por uma boa causa.


Não é a toa que, no final do filme, aparece de relance (quase uma mensagem subliminar) a bandeira americana com o escrito You know it's right. Watchmen se finca, finalmente, como uma grande propaganda e louvação ao poderio armamentício e militar dos EUA. Mas não era isso que ele queria criticar mesmo? E também não é à toa a metáfora esquizofrência da resolução para o maior conflito do filme: o que o homem mais inteligente da Terra arquiteta, Deus compreende sem perdoar nem acusar. É o alvará de Deus ao assassínio necessário. Que horror.


E nisso fica a violência absurda do filme. Sem ter uma beleza estética como a de Tarantino, o apelo sádico ao público como dos filmes Jogos Mortais, ou um alicerce contextual como A Paixão de Cristo ou O Lutador, a violência de Watchmen incomoda, e não parece ter razão de ser.


Cruelmente longo em duas horas e quarenta minutos, Watchmen é, em última análise, um desfile para criticar a violência social que defende a violência militar e a psicopatia dos heróis. Resumindo? Esquizofrênico.


Nota: 3,0.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Séries da BBC: Cranford

Uma cidade pacata. Várias histórias que se entrelaçam. E um elenco de primeira linha. Esta é "Cranford", série da BBC do ano passado que concorreu à 3 Globos de Ouro, ganhou 2 Emmy, e venceu 3 Bafta, e mostra como uma boa história, auxiliada por um bom elenco, traz efeitos.
A série é baseada na obra da escritora Elizabeth Gaskell, que além de Cranford escreveu as obras "Norte e Sul" e "Esposas e filhas", todas já adaptadas anteriormente para a BBC. E por mais que Gaskell não seja muito conhecida no Brasil (ao contrário de Jane Austen, muito popular por aqui), suas obras são pura beleza e poesia. A história de baseia nas "Crônicas de Cranford", tendo mais de uma obra obviamente, mas parte da história de duas irmãs, Deborah Jenkins (Eitleen Atkins) e Matty Jenkins (Judi Dench) que vão receber sua sobrinha para passar uma temporada em Cranford. Na mesma época chega lá Dr. Harrison (Simon Woods) um novo médico que causará um rebuliço na cidade, ainda mais com a fofoqueira Miss Pole (Imelda Staunton) para espalhar as novidades...e eis que surge Mr. Holbrook(Michael Gambon), um antigo amor de Matty que vai balançar seu coração. Divertida, inteligente, diferente...assim é esta série que vem com uma atuação magnífica de Judi Dench, como a querida e simpática Matty, que conquista nosso coração à primeira vista. Eitleen Atkins também esta ótima, e Simon Woods mostra que sabe segurar bem um papel. A direção é de Steve Hudson e Simon Curtis, mas a criação da série inclui Susie Conklin (que trabalhou na produção de State of Play, série da BBC que está virando filme nas mãos de Kevin McDonald), e Sue Birtwistle, que produziu a tão aclamada (e até hoje falada) versão de 95 de "Orgulho e Preconceito" para o canal inglês também.
O figurino é lindo...mas também é de se esperar vindo de Jenny Beavan, que capricha nos visuais dos personagens com beleza e sutileza. A trilha é de Carl Davis (que tbm trabalhou na versão da BBC de "Orgulho e Preconceito"), e a direção de arte fica à cargo de Trisha Edwards, que recebeu uma indicação ao Oscar pelo seu trabalho em "Em Busca da Terra do Nunca". É de se esperar então que esta seja uma série adorável. E realmente é. Trazendo o tema de cidades pequenas para o futuro, vejo que as qualidades de um local irretocado pelo mundo valem mais que o progresso avassalador. Uma série de época mas com uma mensagem atual. E que mensagem.
Nota: 8,5

segunda-feira, 2 de março de 2009

Desafio Literário Parte II

Como eu fui desafiada por 2 pessoas que considero muito especiais: A Anita do Cinepink, e o meu pareceiro de Blog, o Arthur, resolvi postar tbm o desafio literário...
vamos aos passos primeiro:

1ª - Agarrar o livro mais próximo;
2ª - Abrir na página 161;
3ª - Procurar a quinta frase completa;
4ª - Colocar a frase no blog;
5ª - Repassar para cinco pessoas;

O mais perto que eu tenho aqui no momento é o livro que eu ganhei de aniversário, pequeno no tamanho, mas grande no sentimento, "Amor", do Gabriel Chalita.
Na verdade esse livro é feito de frases, então pegarei a frase da pagina 161:

"Nada disseram, os que disseram. Passaram"

Vamos aos 5 escolhidos:

João do CineJP
Jonathan, do Bloganimazonando
Wally, do Cinevita
Kami, do Cinefila por Natureza
Kaio, do Cine Fiction.

No mais por hoje é só pessoal.
hehehe
bjokas,
vivi

domingo, 1 de março de 2009

Desafio literário

Fui desafiado pelo Alex do cinema, música e blábláblá nos seguintes termos

- Agarrar o livro mais próximo;
- Abrir na página 161;
- Procurar a quinta frase completa;
- Colocar a frase no blog;
- Repassar para cinco pessoas;

Vamos lá. O mais próximo é "A menina que roubava livros" de Markus Zusa e a frase é

"Escreveu as cartas o melhor que pôde, enquando o resto dos homens entrava em combate"

Eu desafio.
- Vivi, do Cinefilando
- Cleber, do CineClub
- Ewerton, do Cine-Fiction
- Louis, do Louis in New Life
- Paulo, do Why So Serious