
Pois é, as indicações do Satelitte, do NBR, e tantas listas de críticos dos EUA deram a largada oficial à corrida ao Ouro 2010. O Cinefilando, como já disse anteriormente, fará cobertura de tudo na medida do possível, inclusive terça que vem terá as indicações ao Globo de Ouro. Junto com isso, claro, um dos filmes que está se tornando um dos assuntos do ano - por bem ou por mal.

Nine é a nova adaptação cinematográfica para um musical da Broadway feita pelo diretor Rob Marshall, responsável pelo premiado e oscarizado Chicago. No elenco, nada menos do que 7 Oscars e muito mais que uma dúzia de indicações quando juntamos os nomes Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Sophia Loren, Judi Dench, Kate Hudson e uma inesperada participação (elogiada) de Stacy Ferguson - a - neste filme sedutoramente corpulenta - Fergie, do grupo Black Eyed Peas. Mas, obviamente, tudo isso vocês já sabiam.
Neste elenco de ouro, localizando quem é quem: Guido Contini (Daniel Day-Lewis) é um diretor de cinema atormentado com seu novo filme. Nessas tormentas, é recordado que a primeira vez que ele entrou em contato com o universo feminino foi com Saraghine (Fergie), uma prostituta italiana, aos nove anos. Não entendendo as mulheres desde então, esta é a idade que sua maturidade atingiu (daí o título Nine), sob a super proteção de sua mãe (Sophia Loren). Hoje é casado com Louisa (Marion Cotillard), sua ressentida esposa que sabe ser abandonada, seja por causa dos filmes ou de outras mulheres. Claudia (Nicole Kidman) é sua musa extrema, estrela de seus filmes, que se envolve de maneira inesperada com o diretor. Também trabalha em seus filmes Lilane (Judi Dench), sua figurinista. Carla (Penélope Cruz) é sua amante, um tanto sem classe; e, por fim, Stephanie (Kate Hudson) é uma jornalista de moda admiradora do diretor.

Muitos devem saber minha paixão por musicais, e minha admiração profunda para quem tenta tocar neste desafio nos dias atuais. Sim, Moulin Rouge, Chicago, e por que não Dançando no Escuro (ah... já sei porque não: von Trier não é Hollywood) abriram as portas, anos atrás. Mas os musicais não tem o apelo comercial e muitas vezes também não tem o apelo dramático para serem filmes fáceis de realizarem. Mas parece que adaptar obras da Broadway está em alta. Nesta década, Nine é curiosamente o décimo filme da safra, sendo que alguns foram grandes sucesso de bilheteria (Mamma Mia! bateu Titanic em vendas de ingresso no Reino Unido, e foi um dos dvds mais vendidos do ano passado), outros conquistaram novos públicos, como os adolescentes que amaram Hairspray. Alguns misturaram seu estilo original com o estilo autoral de alguns diretores - vide o que Tim Burton fez com Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet. Um foi um sucesso nas premiações - Chicago. E alguns tantos ficaram no meio do caminho exclusivo ao público que lhe convém (Os Produtores, O Fantasma da Ópera, Dreamgirls, Rent! - Os Boêmios). Se você está cansado desta safra, sugiro que não vá ao cinema vê-los, pois não pára por aí. Já anunciaram a realização de Miss Saigon, Spring Awakening, Follies, Company, um distante mas confirmado Wicked e as fofocas sempre nebulosas em torno de Sunset Boulevard e Les Miserables.

Mas, falando de Nine, ele é um musical que estreou em 1982 na Broadway, cujo texto é responsabilidade de Arthur Kopit e Mario Fratti, músicas e letras de Maury Yeston, inspirado no filme 8 1/2 de Federico Fellini. Esta última informação é que normalmente dá arrepio nos outros, porém esta não é aprimeira obra de Fellini a resultar num musical da Broadway: Sweet Charity foi inspirado em Noites de Cabíria, virou peça e posteriormente filme dirigido pelo gênio Bob Fosse (em um de seus trabalhos mais fracos, assumo).

Para quem não sabe, tanto 8 1/2 quanto Nine narram um momento específico na vida de Guido Contini (Marcelo Mastroianni no filme de Fellini, Raul Julia na versão de 82, Antonio Banderas na de 2003 e Daniel Day-Lewis no filme), diretor de cinema em colapso criativo que não consegue fazer seu filme. Neste contexto, há a o vai-e-vêm emocional e imaginativo acerca das mulheres de sua vida, sua mãe, sua amante, sua musa, sua mulher, sua confidente, e claro, a prostituta de sua infância. Nesta versão de Rob Marshall, o roteiro ficou a cargo de Michael Kopit e do recentemente falecido Anthony Mighella, diretor dos premiados O Paciente Inglês e Cold Mountain.
Sobre a playlist do filme, todas as canções estão disponíveis no site oficial. No filme as músicas aparecerão na ordem abaixo citada, no cd está previsto ainda uma faixa com o remix de Cinema Italiano, uma nova versão de Unusual Way e uma nova canção de Fergie para o filme.
Overture - Elenco
Guido's Song - Daniel Day-Lewis
A Call from the Vatican - Penélope Cruz
Follies Bergères - Judi Dench
Be Italian - Fergie
My Husband Makes Movies - Marion Cotillard
Cinema Italiano - Kate Hudson
Guarda la Luna - Sophia Loren
Unusual Way - Nicole Kidman
Take it All - Marion Cotillard
I Can't Make this Movie - Daniel Day-Lewis
Finale - Elenco

Lamento informar, mas a peça original, apesar de interessante, é pouco memorável. Há algumas boas canções - mas há tantas outras insuportáveis. Isso parecia contar contra o filme. Engano. Rob Marshall simplesmente cortou mais da metade da peça, deixando apenas 8 canções de um total de 19. Cortou inclusive a música-título do musical. É claro que isso condiz com o estilo do diretor, de fazer musicais mais curtos - que não afastam o grande público. Estamos falando da mente por trás de um filme Chicago que cortou canções como Class, Me and My Baby, I'm My Own Best Friend, fazendo do filme um sucesso alcançável ao público e aos críticos. Ao meu ver, Chicago, o filme, é excelente, mas apenas uma amostra daquilo que o musical é de verdade. Por outro lado, realmente acho que várias canções de Nine mereceram o fim que tiveram. Inclusive a canção-título. Saem tantas, entram 3: Take it All, uma nova canção para Louisa (Marion Cotillard0), mulher de Guido, que resultou num dos momentos mais elogiados do filme. Outra nova canção é Cinema Italiano, para Stephanie, personagem de Kate Hudson, numa vibe um pouco mais pop. Por fim, Guarda la Luna é uma canção de ninar cantada pela Mamma Sophia Loren.

O filme já fez exibições para os votantes de diversas premiações. Recebeu aplausos calorosos da Hollywood Foreign Press Association, dos sócios do sindicato dos atores e do sindicato dos diretores de Hollywood. Após isso o filme recebeu algumas críticas negativas - que furaram o embargo imposto pela Weinstein Co. que exigiu aos críticos que publicassem textos apenas a partir do dia 15 de Dezembro, quando teremos noção de como a crítica o recebeu de fato. E agora o filme começou passando em branco nas listas de melhores do ano dos críticos ao redor do mundo. Parece que num ano pós-crise, filmes mais sóbrios e baratos como Precious, The Hurt Locker, Up in the Air e An Education foram melhores recebidos. Emannuel Lévy já levantou a bola: o filme será bem recebido por um público específico, acostumado com outras linguagens e com o material original.
Mas nunca se sabe. O que garanto é que Nine deve ter considerável sucesso no Globo de Ouro, e nas categorias técnicas do Oscar. Como vocês viram pelas fotos, a beleza plástica do filme é indiscutível.

Volto a falar dele em janeiro, com uma crítica - e torço, de coração, para que ela seja positiva. Grandes expectativas podem trazer grandes sustos, eu sei, mas prefiro ficar na torcida.
Se se interessarem, o site oficial contém trailers e todas as faixas do filme para serem ouvidas:
E há no Orkut uma comunidade sobre o filme que sim, sou o dono rs... Mas o pessoal que lá conversa é muito interessante e educado. Com atualizações constantes:

4 comentários:
Maravilhosamente bem feito!
Muito bem feito mesmo, parabéns! Concordo com cada palavra, agora só nos resta esperar dia 15 ...
é um dos mais aguardados, e aquele segundo trailer(trailer mesmo) foi sensacional
como eu já gosto à beça de chicago, ficariam impossivel eu não estar ansioso por este filme
nao gostei
vi aqui em las vegas e achei um repeteco nde chicago (lembrancas musicalizadas) muitas estrelas para um filme so onde pouco se tem para brilhar e quando 'e bom brilha, uma sofia loren sem nome e completamente vazia, um final teatral triste, onde somente os numeros musicais (excluindo o da sophia) que merecem louvor. nikole sobrando, penelope estourando, Marion a melhor, fergie surpreendendo, kate brilhando, judi no seu show normal e o daniel, otimo ator, mas na conclusao, alem do insuportavel cigarro, algo que esperava bem mais.
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