segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Agora nos Cinemas: Do Começo ao Fim


Bom, devo admitir de imediato de que o filme não é fácil nem óbvio em seus questionamentos, e que escrevo agora sem ter muito tempo para pensar sobre. Do Começo ao Fim vem causando polêmica desde o meio do ano, quando seu trailer caiu na net: um filme nacional sobre o relacionamento gay e incestuoso entre dois meio-irmãos. Fácil? Quase nada.

Aluisio Abranches foi extremamente corajoso em sua abordagem, faz dela algo muito natural e óbvio. Seu filme não escandaliza, sequer gasta tempo tentando explicar ou justificar o comportamento dos envolvidos. Ele mostra os eventos como sucessão corriqueira do cotidiano de um casal que se descobre, se apaixona - dando muito mais espaço para discutir o ciúmes e a distância do que a polêmica que ele está propondo. Esta é, inclusive, a principal crítica que a imprensa fez ao filme até agora - sem realizarem de que isto não é só intencional, como uma quase posição política do filme diante seu assunto. No entanto, o mesmo já não pode se esperar da platéia.

Ao tomar esta posição, o roteiro não questiona exatamente o que você acha daquilo, mas uma vez dado os fatos, ele questiona 'por que não?'. Inclusive faz algumas escolhas que parece facilitar a trama, mas ao contrário, eram essenciais para seu desenvolvimento (como uma morte que acontecerá). Algumas pessoas abandonaram a sala do cinema, provavelmente com nojo deste questionamento. Por outro lado, o público gay acatou o filme com heroicidade, por ser um romance gay - algo muito escasso no cinema global, no nacional então nem se fala. No entanto, desta maneira, ligaram um tremendo 'foda-se' para a questão do incesto - o que também não é o essencial que o filme pede. De fato, sem a questão do incesto, Aluisio teria feito um bonito romance gay - mas sem conflito nem razão de ser algum.

Queria deixar claro, não sei exatamente por que, que também não consegui acatar tudo que o filme propunha. Toda aquela naturalidade me soou muito estranha, e sim, o incesto é um tabu que também me prende... No entanto, não sei explicar a razão, não sei o que responder ao filme.

A parte de seus questionamentos, o filme é muito bem realizado, dirigido, e fotografado (por Ueli Steiger). Sua montagem deixa a desejar, o abuso da tela preta entre as cenas irrita. Destaco também a belíssima trilha sonora, apesar de repetitiva. Ainda não descobri, mas creio que é uma faixa do Yann Tiersen (que a Vivi bem observou). Seja como for, apesar de não ser original, foi muito bem utilizada. Os atores estão no geral bem, Júlia Lemmertz (que pensou muito se faria o filme ou não, por também não ter certo nela o que pensava sobre o assunto) se destaca como a mãe das crianças, assim como Lucas Cotrin (que faz Francisco, o filho mais velho, adulto) e João Gabriel Vasconcellos (Francisco criança) estão muito bem. O elo mais fraco fica justamente com os dois atores que interpretam o caçula Antônio, Rafael Cardoso na infância e Gabriel Kaufmann na fase adulta.

É um filme polêmico e sua polêmica provavelmente nunca cessará. Misturar incesto com um relacionamento gay é mexer com coisas demais de uma única vez. As reações provavelmente serão confusas - e isso, ao meu ver, não deixa de ser um dos méritos do filme.

Nota: 7,0

6 comentários:

Kamila disse...

Todo mundo tem falado desse filme, mas eu confesso que não sei o que esperar dele, justamente por ele ter um tema difícil. Acho que é só vendo mesmo pra saber.

Wally disse...

Sua crítica é a mais favorável que li até o momento sobre o filme... minhas esperanças renasceram (ainda que levianamente).

Alyson Xyzyx disse...

Assim como o Wally, esta também é a crítica que melhor fala sobre o filme. Chegaram até a falar que o filme ofende. Mas, enfim, filme polêmico ao menos nos deixa ansiosos, assim como estou.

Abraços!

Vinícius P. disse...

Essa é uma das poucas opiniões favoráveis que vi em relação ao filme. Pretendo ver, mas sem expectativa alguma.

Wallace Andrioli Guedes disse...

Esse eu desanimei de ver por causa das críticas negativas, o que faz com que eu acabe dando prioridade a outros filmes interessantes em cartaz... e esse é o primeiro texto mais elogioso que leio sobre DO COMEÇO AO FIM.

Anônimo disse...

eu acho quem ér gay ñ faz nem uma vergonha acister o filme , pq o sexualismo ,ja desde qui mim entendo de gente ja eziste gay´s axo legal esse filme trasei com meu namorado acistindo kkkk