
Indo bem direto ao assunto, (500) Dias com Ela chegou aos cinemas este ano com a pompa do filme independente cool do ano que arrebatou a crítica americana, tendo como antecessores foram Pequena Miss Sunshine, fantástico, e o mediano Juno. Infelizmente o filme do estreante diretor Marc Webb segue à risca os maiores defeitos enfrentados pelo filme da menina grávida. Tom (Joseph Gordon Levitt - o mais elogiável participante do projeto) é um garoto começando a tocar sua vida, em um emprego de criar cartões e mensagens que não faz jus a um suposto talento do garoto para arquitetura. Summer é uma garota consideravelmente perdida em seus sentimentos e suas indecisões. E aí acontece o que a frase do trailer deixa bem claro: ele se apaixona por ela. Ela não.
Não? Pois é. Isso fica evidente tarde demais no filme. Corajosamente estruturado em uma narrativa não-linear, que passeia (em uma certa lógica implícita) entre os bons e os maus dias dentre os tais 500, tendo um contador de dias um dos poucos guias para o público. Apesar de corajosa a escolha, ela não ajuda tanto assim a narrativa. Acompanhamos tantos altos e baixos que em momento alguma frase de abertura do filme parece ser sincera; além disso, tais idas e vindas dificultam uma maior ligação entre o espectador e os personagens.
Mas não mora aí o único ou o maior problema do filme. A sensação final ao assistir ao filme foi resumida em uma única palavra que não me saia da cabeça: excessivo. É um excesso de doce, inclusive nos momentos que o filme tenta ser cruel (o que nunca é tão verdadeiro); fazendo com que Zoey Deschanell soa quase como um pleonasmo cansativo. É um excesso de indecisões, é um excesso de idas e vindas. Até certo ponto é igual à vida de qualquer um, mas extrapola. Mas o pior excesso do filme é na sua tentativa cansativa e irritante em ser cool. De situações excêntricas ('penis' 'penis' 'PENIS') e deslocadas (que, claro, soam facilmente como descoladas) até a um excesso de trilha sonora alternativa (engraçado, vendo a playlist do filme achei a trilha uma delícia, mas ao vê-lo vi que as músicas se encaixaram terrivelmente mal), tudo no filme grita pedindo atenção para uma excentricidade e originalidade que acabam por cair no artificial... excessivo. É exatamente aqui que 500 Dias me lembro imediatamente Juno: um discurso adolescente alternativo que se repete infinitamente até tornar-se desinteressante. Pelo menos 500 Dias não pretende tratar assim nenhum assunto mais tenso do que uma paixão juvenil.
Ainda assim, alguns momentos do filme de fato são divertidos ou interessantes, como o 'número musical' que Tom cria após sua primeira noite com Summer e a tocante montagem em paralelo que exibem as expectativas e a realidade vivida por Tom em um mesmo evento. A trilha sonora, em separado, chega a ser interessante, e Zoey faz naturalmente aquilo que parece ser. O roteiro ainda aposta forte em uma ausência de resposta final como um dos seus maiores sinais de inteligência, enquanto não consegue, com isso, convencer sobre o que se passava.
Curiosamente o filme foi um sucesso estrondoso de crítica - uma das melhores cotações do ano. Isso quase o certifica na categoria de comédia ou musical nos Globos de Ouro, assim como sua indicação ao Oscar de melhor roteiro original é muito provável. Por outro lado, ele não parece ter conquistado a força que seus antecessores conquistaram. Razoavelmente interessante e divertido, é mesmo um dos exemplares mais diferentes do gênero comédia romântica em uns bons anos, mas está longe de ter algum poder revolucionário por isso.
Nota: 6,0
1 comentários:
Já esta crítica me surpreendeu. Amenizou meu interesse, que estava à flor da pele.
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