
Acho que um dos pontos mais divertidos (e, devo confessar, mais imbecis) das obras-catástrofes de Emmerich (2012, O Dia Depois de Amanhã e Independence Day) é que independente do que vai acontecer, acontecerá em uma semana. Pode ser o derretimento de todo o gelo terrestre, a destruição da sua crosta, uma nova era glacial... Se passar muito de 3 dias já foi incompetente. 2012 também será sustentado por essa postura. Seguindo o ponto dos absurdos, o filme se sustenta na [suposta] profecia maia sobre o final do mundo, mas não gasta nem 30 segundos para explicar em que se baseia tal profecia. Por fim, algo que o diretor já havia feito em 10.000 AC, ele flerta com diversas teorias científicas, esotéricas e conspiratórias que, a fundo, até poderiam ser interessantes, mas de maneira tão superficial que a solução encontrada é a mais honesta possível: assuma logo no começo do seu texto que aquilo que propõe é absurdo ou impossível. Isso contentará a todos.
Por outro lado, se esse amontoado de situações ridículas tiram - claro - boa parte do impacto do filme, o diretor sabe como repor com outras doses. Seu cinema é puro entretenimento, mais vide-game que pipoca. Se você se dá ao trabalho de sair de casa para ver um filme do Emmerich e em seguida reclamar que o filme é cientificamente ou, enfim, artistica e culturalmente inútil, você merece apanhar. O cara assume desde os trailers e as fotos que seu único comprometimento é entreter. E isso faz com gosto. Somos submetidos a prédios, aviões, terremotos, vulcões, tsunamis (bem na moda), de todos os tipos. As cenas de aviões e carros normalmente nos dá a tremenda vontade de estar segurando um controle e fugindo dos obstáculos.
É aqui que mora uma curiosidade minha: se se assume tão fácil este lado da coisa, por que raios se faz tanta questão de dramas pessoais? Eles nunca são convincentes, sempre soam como desnecessários e chatos. É o pai ausente, os filhos que não terão tempo de despedir de seus pais, o casal em crise, e claro, as fraldas com 8 (ou 11, não lembro) anos de idade. É aqui que o filme realmente se perde, muito mais do que em seu descomprometimento com a realidade. Além dos dramas humanos, o filme se perde um tanto em algumas mensagens que ele pretende passar. A sensação final foi de moralista em algumas partes, bem quadradão quando discute família, casamentos e traições. Ao mesmo tempo é um tanto louco ao louvar o trabalho semi-escravo de chineses para a salvação de... americanos. E russos - nada aleatória a escolha de um russo para ser um dos seres mais repugnantes do filme.
Falar de atuações é um tanto difícil, parte porque não gosto tanto assim de John Cusack, parte porque todas elas são um tanto fracas e nada marcantes, e parte porque não perdemos tempo vendo isso quando há todo um prédio espelhado desmoronando enquanto o metrô sai do túnel para cair no nada. Seja como for, vale ressaltar que apesar de sua beleza, Amanda Peet realmente deveria buscar uma nova vocação.
No entanto, a parte que realmente importa se faz presente: os efeitos visuais e sonoros são impressionantes. Sim, Avatar promete chegar no fim do ano para jogar tudo isso no lixo. Que seja. Mas até novembro, 2012 tem os melhores efeitos visuais do ano. Há apenas algumas cenas noturnas do avião na China.
Contando com um terceiro ato totalmente gratuito, 2012 ainda se dá ao luxo de reler algumas cenas de Titanic, o melhor filme recente sobre um desastre. As saídas encontradas para o final do filme soam burocráticas e decepcionantes, mas talvez um dos momentos mais lógicos do filme. A música final também é uma tentativa deslavada de se conseguir alguma coisa com uma música sobre problemas ambientais(seguindo os passos de Wall-E que por sua vez seguiu Uma Verdade Inconveniente). Ao seu final 2012 soa muito mais longo que o necessário, mas em momento algum deixa de divertir. Cabe a nós sermos coerentes com aquilo que buscamos. Quer cultura vá ver outra coisa, fato.
Nota: 6,0
1 comentários:
Esta parece ser a opinião da maioria. Diversão gratuita, e olhe lá...
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