quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Agora nos Cinemas: 9 - A Salvação

Chega a ser engraçado pensar que 9 - A Salvação seja uma animação que entra em cartaz no feriado do dia das crianças. Ao contrário do que todos os pais desinformados sobre o filmedevem ter pensado, 9 é uma daquelas animações que as crianças deveriam passar longe, como por exemplo o excelente As Bicicletas de Belleville. Infelizmente, o filme também não tem nenhum grande motivo para levar as demais pessoas ao cinema.

9 é a continuação, ou enfim, pelo menos a tentativa de transformar um curta-metragem de 2005 (indicado ao Oscar) em um longa-metragem, produzida por Tim Burton e Timur Bekmambetov. Nela encontramos o mundo após o fim da raça humana, habitado por bonecos de pano (feitos à mão, como vemos no começo do filme) e por uma máquina misteriosa que põe em risco a existência dos bonecos. A plot vazia que eu forneço aqui não é uma tentativa de esconder situações importantes do filme. Pelo contrário, sinto que tenho pouco a acrescentar aqui. Há pouca ação no filme, e ainda assim ele consegue ser completamente confuso. Demora tempo demais para se compreender quem são aqueles bonecos, por que eles têm vida e o que de fato eles fazem ali. Este erro grotesco faz com que fique impossível qualquer relação entre o espectador e os personagens, chegando a um ponto irritante. Se a trama vai mal, o mesmo não pode se dizer da parte técnica da animação, que é bem feita (mas nada marcante também), exceto a trilha sonora, um tanto quanto besta.

Curioso é que muito tem-se comparado este filme com Wall-E por causa do uso de uma canção antiga em determinado momento da projeção (por sinal, Somewhere Over the Rainbow, depois de já ter sido usada a exaustão neste início de ano por Austrália, mas na animação ficou sem poética nenhuma). Bobagem, as semelhanças são muito maiores. Em ambos o mundo está prestes a entrar em um colapso, por erro humano, raça a qual já não existe mais no planeta. Caso vocês se lembrem da minha crítica ao filme da Pixar, nela eu reclamava da falta de coragem do estúdio em seguir com sua sensacional premissa, rendendo o filme aos apelos comerciais, criando momentos bobos e pouco inspirados para poder agradar as crianças. Neste aspecto, 9 é extremamente oposto: corajoso, assume seu tom do início ao fim sem se preocupar com quem agradar.

Infelizmente forma não é tudo, e 9 falha gravemente em seu conteúdo, que perde-se totalmente em conflitos e premissas confusas e resoluções simplistas. Apesar de acertar no erro de Wall-E, ele erra em todos os outros elementos, tornando-se um filme bem dispensável. Coitada das crianças que foram levadas a vê-lo por engano.

Nota: 4,0

3 comentários:

Fabio disse...

Por outro lado, achei ótimo, mesmo revisitando conceitos - e apesar do uso apelativo da canção, totalmente fora de conceito.
Acho que se Acker optasse por não tornar o filme didático e recheado de frases clichês, ele seria perfeito. Ou, em outras palavras, se o filme fosse todo mudo, como o curta, baseado apenas em gestos e pantomima, seria um dos filmes do ano. Pena que se inventou a fala.

Ricardo Martins disse...

É não é realmente um filme para crianças!!!

ABRAÇO

Cristiano Contreiras disse...

Eu nem quis ver, as críticas negativas estão detonando ele - mas, devo conferir quando lançar em dvd.