sábado, 12 de setembro de 2009

Agora nos Cinemas: Up! Altas Aventuras


Então vamos lá. Sei que tocar neste assunto é quase um tabu, além de pedir para ser apedrejado. Mas eu vou insistir em cutucar o dedo na ferida: a Pixar, apesar de ser a melhor empresa de animação americana em atividade atualmente, é muito mais um grito do que um fato. Wall-E teve uma campanha publicitária massacrante, os críticos e a própria indústria o venderam como uma das obras primas máximas do cinema contemporâneo. Quem leu minha crítica deve se lembrar a decepção que senti ao ver que Wall-E era uma grande premissa perdida. Por que estou falando isso? Pois bem... Up! - Altas Aventuras é outra grande premissa perdida.

Foi quase reviver o que vivi com o filme do robozinho: um primeiro ato (aqui mais um prólogo) embasbacador de tão apaixonante e um personagem principal apaixonante, rico e complexo, que nos fascina em questão de segundos. Mas então tudo muda: a necessidade de agradar as crianças, um segundo ato patético, um vilão ridículo, algumas pitadas de emoção aqui e ali (só para ficarmos com a leve sensação de que "isso poderia ter sido grande" e, no fim, algo que não pode se recuperar.

Carl Fredriksen é um senhor solitário que vive nostalgicamente num passado simbolizado por sua casinha colorida, no meio de uma enorme construção de modernos edifícios. Sua vida nos é apresentada em um prólogo impressionante, no qual ele conhece uma garotinha tão sonhadora como ele, e um dia eles irão se apaixonar, se casar, planejar um lar juntos, tentar ter um filho, sofrerem um aborto e a impossibilidade da mulher em engravidar, e viverem juntos e sozinhos até o dia que fatalmente a morte levará sua esposa. Triste? Muito. Bastam os primeiro cinco minutos de Up! para nos derretermos. Mas também disso não passa, o que se inicia então é lamentável.

Sentenciado a viver em um asilo por causa da agressão que faz contra um dos construtores, Carl (deliciosamente dublado por Chico Anysio), baloeiro de profissão, resolve partir em um vôo dentro de sua casa com balões de hélio. Sem querer, um pequeno escoteiro obeso (aliás, não foi a obesidade que recebeu uma severa e grosseira crítica em Wall-E?) segue junto na aventura. Até então, sabendo que este é (ou deveria ser) o mote do filme, os balões soam muito mais mágicos que absurdos. O que não prossegue quando eles aterrisam no tal paraíso. Então a trama a se desenrolar se transforma completamente, caindo em uma barata aventura de tentar salvar um raro pássaro das mãos de um caçador implacável. Originalíssimo, não? E uma das frases mais "clássicas" do filme (É um cachorro! Que fala!) foi facilmente adaptada em minha cabeça para algo do tipo "Puta que o pariu, é um cachorro que fala! É o ponto mais baixo da Pixar até agora!". Pois bem, o cachorro falante foi um dos meus maiores problemas com o filme. Não há a menor necessidade nem justificativa narrativa para tal. E não, o cachorro não tem super-poderes. É só uma máquina inventada para traduzir seus sentimentos em fala. Mas ainda assim é absurdamente babaca.

Enquanto a trama segue mal, o resto vai muito bem. A Pixar continua sendo arrebatadora em seu visual, a dublagem é toda muito boa e, claro, o maior destaque fica para a excepcional trilha de Michael Giacchino.

Up! é mais uma prova que a Pixar ainda é a melhor, mas por falta de concorrente. Ainda sinto que ela deveria transformar as premissas ou o primeiro ato de seus filmes em curtas, e aí sim teríamos as obras mais bonitas possíveis. Mas enquanto ela estiver presa a sua responsabilidade de agradar o gênero infantil, e ficar enfiando cachorros falantes e robôs assassinos em meio de tramas mais sérias e que poderiam ser muito mais interessantes, não teremos a tal obra prima máxima que tanto anunciam aos quatro ventos.

Que pena.

Nota: 6,5

7 comentários:

Ricardo Martins disse...

Uau, crítica mesmo!

Concordo com você em partes: Wall e também espera mais, e não gostei tanto!

Up é demais, claro que é um filme infantil, mas diverte todos os públicos não é!
A Pixar é demais, e acho que continuando nessa linha o sucesso será o mesmo, mas claro que se aparecer novidades será tão bom como é!!!
Mas será tirada a prova pelo sucesso que ele fará (mais ainda). Mas você é corajoso hein rss, por criticar esse filme, mas claro que não pode agradar a todos ok?

E visite meu blog!!! E parabéns pelo seu!!!

Kau Oliveira disse...

Ti, eu adorei Up e sendo bem escrachado, achei MUUUITO melhor que o pretensioso e chato Wall-e. A mensagem de vida contida no filme é direcionada aos sonhadores que ainda não acreditam em seus sonhos. Ah, eu chorei demais assistindo hahahahahahahahaha!!!!

T+!

Cintia Carvalho disse...

Oi!
Li seu comentário sobre o filme. Meu último texto fala sobre ele tb (de uma forma bem resumida).
Vc escreve muito bem, de uma forma clara e extremamente detalhista.
Pela forma como vc abordou, sim o filme deixa a desejar em muitos aspectos,relacionados a história.
No entanto, deixando de lado a parte técnica que é impecável, o filme conta uma história tão simples e singela que cativa.
Gostei muito dele. E a mensagem deixada por ele é a de que devemos ter esperança, fé e crença em nossos sonhos e objetivos.
Um abraço.
Cintia Carvalho.

PS. se puder faça uma visita em meu blog. Li seus textos anteriores e vc escreve muito bem mesmo. Parabéns!

www.cintia-carvalho.blogspot.com

Dewonny disse...

Gostei bastante, mais uma ótima animação da pixar q sabe o q faz, adorei as aventuras do velhinho rabujento. nota 8.5!
Abs! Diego!

Wally disse...

Uma pena que não te atingiu em cheio. Saí da sessão de "Up" tão maravilhado que o sentimento ainda paira sobre mim. É tão genuíno, esperto, original e sensível que não tem como resistir. É uma obra belíssima em composição, história e emoção. Me atingiu totalmente.

Nota 9,0

Arthur disse...

eu tbm achei muito irregular.
mas ainda acho muitas animações da Pixar geniais e Wall*E pra mim ainda é o ápice

thicarvalho disse...

Desculpe discordar caro amigo, mas achei Up um dos melhores filmes do ano até então. Concordo que o início é sensacional, e que o nível não foi mantido. Mas com uma primeira parte daquelas, ficaria difícil manter a regularidade. Parabéns pelo blog.