
Aqueles que acompanham blogs e sites sobre premiações, e já viu uma lista de previsão para o Oscar de 2010, sabe que The Hurt Locker (traduzido aqui como Guerra ao Terror, o que me faz achar o título ambíguo) aparece pipocando em melhor filme e direção, entre outras categorias. No entanto, quando busca informações sobre o filme, descobre que ele é de 2008, que já concorreu a alguns prêmios na temporada 2009 e que foi lançado no Brasil agora, direto em dvd. E aí, como faz? Explicando, o filme passou em alguns festivais em 2008, o que garantiu sua participação em algumas premiações da temporada passada. No entanto, seu lançamento de maior destaque nos EUA foi agora no final de junho, ainda assim em caráter limitado. Aqui no Brasil saiu direto em dvd porque, uma vez que nenhum grande alarde publicitário foi feito (e o único que fizeram é de extremo mal gosto), acharam que o filme não teria bilheteria. E talvez não tivesse mesmo, apesar de merecer. Vamos aos fatos.
A bela e delicada Kathryn Bigelow mostra um olhar crítico sobre a guerra no Iraque - mundialmente conhecida como Guerra ao Terror. Este nome foi dado a uma série de decisões errôneas do governo Bush para diversos outros fins que não apenas esta suposta caçada ao terrorismo, e que se mostrou absurdamente infeliz em sua tentativa. No entanto, apesar de uma visão política da situação, poucos são aqueles que sabem do cotidiano dos soldados em guerra, e é nesta praia que o filme nada. A direção do filme é extremamente precisa, fria, direta, algo que se aparenta extremamente eficaz e preciso para o longa. Kathryn cria momentos de extrema tensão e sufoco, sendo que não há 10 minutos no filme sem uma cena que nos prenda o fôlego. O roteiro, infelizmente, segue no sentido oposto. Não é ruim, mas faz a opção de não perder tempo com artifícios para mostrar de quem estamos falando. Segue-se direto ao ponto, entramos no cotidiano de um grupo de soldados, sem necessariamente sabermos quem são. Isso distancia brutalmente o espectador do filme. Apesar da tensão das situações criadas, não há uma verdadeira preocupação por parte do público com aqueles envolvidos durante boa parte do filme, e quando há já é um pouco tarde.
O elenco é extremamente competente, e aqui mora a absurda má contribuição da campanha do filme: tendo sua força base em atores jovens e pouco conhecidos, o filme destaca nome de atores que aparecem em poucos minutos, sem grande relevância (são eles Guy Pearce, Ralph Fiennes e David Morse). Mas não se enganem, os nomes que merecidamente deveriam se destacar aqui são o de Jeremy Renner e Brian Geraghty, que apesar da deficiência do roteiro anteriormente citada, ainda criam um certo vínculo com o público, além de defenderem seus personagens em momentos de extrema angústia.
Guerra ao Terror poderia ter sido o Platoon desta nova geração (há alguns momentos no filme que é impossível não lembrar da película sobre a guerra no Vietnã), mas não é. Adota um estilo próprio que afasta toda e qualquer possibilidade de catarse, tornando-se mais seco, sem perder a tensão que o gênero e o assunto pedem. Apesar de recomendá-lo tranqüilamente a qualquer um que possa se interessar, reafirmo que este filme terá um pouco de dificuldade para chegar ao Oscar na categoria principal, mesmo com 10 indicados, especialmente devido ao seu lançamento atrapalhado e os nomes pouco conhecidos do elenco e dos realizadores.
Nota: 8,0
PS: Não deixem de ler a postagem abaixo sobre a gripe suína. É um alerta importantíssimo da Vivi.
7 comentários:
Já que o assunto em questão favorece, porque não?
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Espero vocês lá :)
Já que o assunto em questão favorece: tb gostei muito do filme. rs
Gostei do filme. Elenco bom, direção nervosa e tensa, roteiro ora poético... mas achei que se perdeu um pouco no que queria dizer. E teve ecos demais de "Soldado Anônimo". De qualquer forma, é um bom filme. Mas Oscar? Não concordo.
Esse é muito bom msm, grande trabalho da diretora Kathryn Bigelow, infelizmente é um filme pouco visto e comentado, q merece uma maior consideração. nota 7.5!
Mas fica difícil alguma pretensão no oscar, ñ creio!
Abs! Diego!
Incrível como estão elogiando esse filme, mas não vejo maiories dificuldades para ele chegar ao Oscar não...
Parabens pelo blog!
Devido ao tom bom que vejo nele, te indiquei um selo de recoonhecimento!
Sempre que dá, passarei aqui!
Passa la para pega-lo!
Abraços!
opa, bom texto
tenho muita vontade de ver este filme
sempre achei que a guerra do Iraque daria pano para manga para filmes muito interessantes
até o Redacted do Brian DePalma que dividiu muito opniões eu adorei
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