
Creio ser este o único vencedor de algum Oscar em 2009 que me faltava ver (a exceção, claro, dos curtas). E parte da motivação era compará-lo com o excelente Valsa com Bashir, e ver quem merecia mesmo. Foi assim que numa segunda feira desmarquei tudo que tinha para ir ao cinema, uma vez que o filme tinha poucos horários (creio que já irá sair de cartaz).
Conheço pouco do cinema japonês, não terei grandes bases de comparação. O filme começa de maneira pacata, em alguns momentos cômicos, e com problemas que deixam os personagens rapidamente tangíveis à nós, mesmo que inseridos em cultura muito, mas muito diferente mesmo. Acompanhamos um homem jovem, perdido em seu futuro, sem um emprego estável, convivendo com sua mulher submissa, e que perde o seu trabalho numa orquestra. Sua paixão pelo violoncelo deverá ser esquecida, ele se muda e começa uma nova vida. Nesta nova cidade, consegue um emprego tanto diferente: o de preparar corpos para o seu funeral.
Obviamente, a cultura japonesa também tem todo um ritual extremamente metódico e diferente para este momento, há uma série de passos a se seguir. Parte do encantamento do filme fica aí: a curiosidade. Em alguns momentos ele é extremamente cômico (ou eu ria em hora errada, como o personagem principal passando mal ao ir atender a senhora que estava há duas semanas morta). No entanto, A Partida é daqueles filmes milimetricamente calculados para fazer chorar. Aliás, deixar isso tão evidente é uma das falhas do filme. Mas ainda assim, emociona. Há algumas passagens belíssimas, eu destacaria ele tocando o celo na natureza intercalada com seu trabalho (que muita gente não gosta, mas eu vejo como um "descobrir do artístico" de sua nova profissão), e a morte de dois personagens importantes. O final do filme, a jogada entre a imagem desfocada e depois sendo focada é simplesmente arrebatadora.
Com algumas outras passagens desnecessárias (especialmente o polvo e o salmão), A Partida é um filme catártico, para nos matarmos de chorar. Isso deve ter lhe rendido o prêmio. Não é um filme ruim, pelo contrário. Mas não é um Valsa com Bashir.
Nota: 8,0
4 comentários:
Um filmaço na minha opinião. A trilha de Joe Hisaishi é um personagem do filme também.
E sim, chorei.
Olá Tiago
Este é um dos vercedores do Oscar que ainda não vi. Mas pelos seus comentários deve valer muito a pena, principalmente pela cena final que você falou, me deixou bastante intrigado. VOU PREPARAR OS LENÇOS (rsrs)
abraços e até mais.
Eu acho a categori de Filme Estrangeiro no Oscar uma bagunça. Nunca vence - ou são indicados - os melhores. Mas algo neste filme me instiga. Veremos...
Ciao!
Puxa, não sabia que era tão dramático assim. Como o amigo acima, acho que já vou preparar os lenços mesmo ;-)
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