Anjos e Demônios

Se você não solta um suspiro de felicidade ao ouvir falar sobre Anjos e Demônios, eu até entendo. Aliás, se não visse o filme, eu até concordaria, para ser sincero. Dan Brown para a literatura deve ser pior ainda do que Ron Howard para o cinema. E a primeira junção dos dois foi realmente lastimável, naquilo que se chama O Código da Vinci. Mas as coisas, por incrível que pareça, podem mudar.
Dan Brown pode ser tronco, oportunista, delirado. Mas é divertido. Quem já tentou acompanhar alguma de suas tramas sabe que, por mais estúpido que seja, não abandonamos até chegar no traidor que matava todo mundo. Inclusive, todo livro é exatamente isso: o cara mais apagadinho, que achávamos que era bonzinho, é o vilão. Que seja. Anjos e Demônios tem suas forçadas incríveis, muitas delas herdeiras do livro... Mas suas filosofias agora até são mais compreensíveis e realistas (sim, boa parte das críticas ao Vaticano são honestas, apesar de exageradas).
E Roward soube mexer no que tinha em mãos. Cortou coisas, mudou tantas outras. Basta dizer que, enquanto livro, Anjos é anterior a Código; mas que no cinema, o primeiro é explicitamente uma continuação do segundo. E Roward também mostra que sabe fazer um filme para prender a atenção, agitado, com perseguições, mortes... Há até uns crimes que me lembraram o clima de Seven (veja bem, sem tentar comparar a qualidade de ambos), [SPOILER] o crime do fogo, a claustrofobia que ele nos provoca, e sim, uma tensão bem grande [/SPOILER].
O restante do filme, pouco a destacar. É uma delícia ver as locações italianas, a fotografia é competente, e o elenco não nos repele. Se há algo a ser aplaudido é a fantástica trilha sonora de Hans Zimmer, realmente marcante.
Nota: 7,0
Divã

É raro termos meio-termos no cinema nacional. Ou a coisa é boa ou é ruim. Por isso, quando deparo com um intermediário, fico confuso. Ele é ruim com partes aproveitáveis ou ele é bom, e seria muito melhor com um leve mexer da coisa? Caímos em Divã.
O texto não é nada que nos emociona tamanha inteligência. Tem uma sacada ou outra que os psicólogos acharão mais graça que os outros, mas são poucas, no geral, lida com estereótipos da profissão mesmo. Mas não é nisso que o filme se centra, mas sim na vida de sua protagonista, Mercedes. Mulher em crise de meia idade, marido com amante... Hora para pensar em si.
Se o texto é mezzo mezzo, o elenco é melhor. Ou os atores têm carisma suficiente para sustentar seus personagens, como é o caso de José Mayer, Cauã Reymond e Helena Fernandes; ou eles são realmente talentosos e fazem valer o ingresso, que é o caso de Lília Cabral (uma das atrizes nacionais que mais gosto). Única exceção, claro, é Reynaldo Giannechini, invariavelmente ruim.
A direção volta na contramão, e é ruim. Alguns cortes deselegantes, a invariável péssima escolha em trilha sonora que os filmes nacionais teimam em ter... Várias escolhas que poderiam - e deveriam - ter sido diferentes. Mas não foram. Mas o filme faz rir, diverte, emociona, isso explica o seu sucesso de bilheteria em nossos cinemas...
Nota: 6,0
6 comentários:
Olá
São dois filmes que eu quero ver, acho que vou esperar sair em dvd. O Anjos e Demônios é interessante pois parece que conseguiu ser melhor do que o filme anterior, pois corrigiu diversos erros que são comuns a filmes adaptados de livros (não dá para ser fiel, coisas que são legais nos livros nem sempre ficam boas no cinema). Já Divã é legal ver mais um filme brasileiro fazendo sucesso, temos que valorizar os filmes nacionais.
até mais : )
Dan Brown e Ron Howard? Medo!
São dois filmes pelos quais tenho guardo alguma curiosidade, especialmente por "Divã" que dizem ser um longa bastante agradável...
Estou adiando a chance de ver "Divã". Mas, quero ver se ainda consigo conferir o filme.
Sobre "Anjos e Demônios": o filme é bem melhor que "O Código da Vinci'. O ritmo impresso pelo Ron Howard é ágil e o longa tem uma qualidade técnica impressionante.
Concordo com a Kamila. "Anjos e Demônios" tem erros, mas tem muitos acertos também. Bom entretenimento.
Nota 7.5
Ciao!
Detesto o Dan Brown, mas gosto bastante do filme do DA VINCI, e também gostei desse ANJOS E DEMÔNIOS. Minha única ressalva fica para a excessiva necessidade dos personagens em serem auto-explicativos, sempre propagando discursos sobre o que estão fazendo ... mas acho que isso é meio culpa dos livros também.
Postar um comentário