domingo, 10 de maio de 2009

Em Teatro duplo: 7 - O Musical e Dona Flor e Seus Dois Maridos.

Se há algo que os cariocas estão sendo conosco neste primeiro semestre é generoso. As peças de maiores sucessos nos palcos cariocas em 2008 trilham caminhos iguais aqui em São Paulo em 2009. Tudo bem, em contrapartida lhes enviamos Hamlet, assombrosamente espetacular. Mas vamos, sem demoras, às peças!

7 - O Musical


A dupla Charles Möeller e Claudio Botelho tomaram muito energético nos últimos dois anos. Em um boom incrível de peças (olha, simultaneamente em cartaz temos A Noviça Rebelde, 7 - O Musical, Avenida Q, Beatles Num Céu de Diamantes e Gloriosa, sendo que Gypsy e Spring Awakening estão em fase de produção). 7 Surge surpreendente num cenário pouco explorado.

O cenário dos musicais 100% brasileiros. Até agora eu havia assistido somente Ópera do Malandro (também da dupla) neste estilo, e convenhamos, apaixonar-se por Chico Buarque não é difícil. Então aparece um misterioso 7, com um elenco invejável, uma improvável composição de Ed Motta. Ousado demais para não testar. E vale a pena. Ed criou uma trilha cinematográfica (basta ver que a trilha não cantada, que no cinema chamamos de "incidental" é simplesmente fabulosa), enquanto Botelho cria letras condizentes com a trama. É importante ressaltar que, ao contrário dos demais musicais, quando normalmente sabemos sua trama ou uma canção ou outra, 7 nos pega de surpresa em tudo.

E agrada muito. Especialmente o delicioso texto de Charles Möeller, que brinca maravilhosamente com a trama de Branca de Neve (e algumas outras referências também notamos). Aqui conhecemos Amélia, mulher amarga que ao perder o marido para Bianca (sim, a Branca), caminha em uma busca obsecada pelo seu amado. Em um texto extremamente feminista (o poder de 7 está nas mulheres), e que nunca opta pelo maniqueísmo barato, nos mostrando vícios recorrentes e perigosos, 7 transforma-se em um suspense dramático extremamente eficiente.

Que funciona graças a um elenco afiadíssimo. Zezé Motta e Rogéria aparecem no gênero com grande classe, enquanto Alessandra Verney, Malu Rodrigues e Suzana Faini também seguem muito bem em seus papéis. Mas o fôlego se perde com a participação da sempre excelente Alessandra Maestrini, que se mostra exuberante com Amélia. Com um canto inquestionável, e uma atuação que toca até os cantos mais escondidos da alma, Maestrini rouba para ela a cena, e olha que é muito difícil competir com aquele todo.

Ainda com um esmero visual, especialmente a cenografia de Rogério Falcão e os figurinos de Rita Murtinho, 7 - O Musical conquistou, merecidamente, o primeiro lugar de melhor peça em cartaz na cidade de São Paulo, de acordo com a revista Veja São Paulo.

Nota: 9,0. Em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso até dia 06/06/2009. R$ 40,00. Informações em: www.7omusical.com.br


Dona Flor e Seus Dois Maridos


Sejamos justos, é difícil quebrar o imaginário que envolve esta trama de Jorge Amado. Sempre nos remetemos à Sônia Braga e José Wilker, quando muito conseguimos imaginar Giulia Gam e Edson Celulari. Por isso, uma nova montagem precisa ser um tanto ousada para conseguir se destacar. Não é o fato. Por outro lado, o texto é tão delicioso, a montagem tão viva e os atores realmente carismáticos (sim, elogio a trinca principal, por mais improvável que isso fosse), que esta nova montagem torna-se altamente recomendável.

Pedro Vasconcellos retoma a Bahia divertida, enérgica. Cenografia e iluminação cativantes. Carol Castro faz de Flor algo muito delicado, meigo. É verdade que em momento algum ela emociona a platéia, mas também é verdade que a moça consegue fazer seu personagem criar uma ligação com o público, quase uma confidência. Duda Ribeiro está impagável como Dr. Teodoro, e Ana Paula Bouzas rouba as cenas nas quais aparece como Dona Norma. Mas a graça da montagem está mesmo em Marcelo Faria. Esqueçam a maldição de que global não atua, só é bonito. Ele faz um Vladinho extremamente debochado, cafajeste, e, sendo assim, naturalmente sedutor. Despe-se sem grandes dificuldades no palco (afinal, sua nudez foi um dos maiores elementos de publicidade da peça), mas não é este seu único trunfo.

Mas enfim, Jorge Amado é Jorge Amado. Vale a pena ser visto.

Nota: 7,5. Em cartaz no Teatro Faap até 14/06/2009. Ingressos a R$ 80,00 (sex e sáb) e R$ 60,00 (dom). Informações em: http://www.donafloreseusdoismaridos.com.br/

5 comentários:

O Cara da Locadora disse...

Só vi o "Dona Flor..." afinal são poucas as peças que chegam na minha terra (Vitória-ES). Achei muito bom mesmo, e realmente uqem carrega o espetáculo é o excelente Marcelo Faria, mesmo me lembrando muito o Wilker em vários momentos, rs. Temos outras atuações muito boas além de ter montagens muito bonitas. É como você diz, Jorge Amado é Jorge Amado... Abraços...

Sérgio Déda disse...

Dona Flor passou um tempo aqui na minha cidade e eu quase cheguei a ir conferi, mas acanei ficando só no quase mesmo hauahuaha.

altieres bruno machado junior disse...

Olá

que demais o teatro brasileiro, nos últimos anos vem ganhando grande força, isso é ótimo tanto para o Brasil quanto para a nossa cultura. Quem uma dessas peças não passa aqui pelo paraná, nunca custa nada sonhar : ).

até mais

Kamila disse...

"Dona Flor e Seus Dois Maridos" passou por aqui, mas eu não fui assistir...

nitzombies disse...

infelizmente eu não tenho muito o costume de ir ao teatro, mas achei interessante essa peça... apesar de eu prefir aquelas mais alternativas...

até!