
Eu sempre brinco que fazer filmes sobre o sonho americano é fácil. Em partes, é verdade. O tal "sonho americano" pode ser lido, tranquilamente, como "o sonho da classe média ocidental"; o que envolve eu, você, e milhões de espectadores no mundo. A temática nos atinge facilmente, afinal, estamos todos lutando em busca de tal sonho, e sofrendo com as decepções do insucesso.
É muito estranho, então, falar sobre um filme com tal temática que pouco nos toca. O primeiro sinal gritante de que há algum problema com este Foi Apenas Um Sonho, de Sam Mendes - que já trabalhou brilhantemente com o tema em Beleza Americana -, é o fato de ficarmos o filme todos distantes, sem a mínima ligação emocional com os personagens - que tinham um baita potencial. O roteiro é o maior responsável por isso, o que nos mostra um curioso fator da temporada 2008/2009: os roteiros foram, sabe-se lá porque, auto-sabotadores. De grandes filmes esperados e comentados, eu posso dizer que três se afundaram em roteiros perdidos: Foi Apenas Um Sonho, O Curioso Caso de Benjamin Button e Austrália. E já fui avisado que Dúvida e O Leitor sofrem do mesmo mal.
Somos apresentados a April, uma atriz frustrada com seu fracasso, que se relaciona Frank. Na primeira metade do filme, o roteiro se arrasta e nos priva de informações fundamentais, do tipo como um se apaixonou pelo outro, como foi a escolha de April em largar de vez sua profissão e se dedicar apenas à família. Mas não, no lugar disso ele abre com uma briga extremamente mal elaborada entre o casal, mostrando Frank como um animal praticamente, para este traço da personalidade de Frank seja esquecido ao longo do filme. Se a primeira metade nos afunda na cadeira, e já compromete o filme todo, a sua metade final já é bem diferente. Inaugurada com uma revelação que até então parece simples, o filme ganha dinâmica em seu argumento, as atuações podem se desenvolverem melhor e um novo personagem injeta ânimo na coisa.
É aqui que tudo acontece. Leonardo di Caprio mostra mais um bom trabalho - apesar que muito aquém do que já mostrou em O Aviador e Os Infiltrados. Michael Shannon surge fantástico, mas o roteiro ainda o sabota um pouco. Seu personagem fica na tênue linha que separa diálogos indigestos do "mastigar para o público"; ou seja, parte de suas falas é um raciocínio claro, que não precisava ser exposto por palavras para o espectador.
Kate Winslet merece um parágrafo a parte. Sim, sou apaixonado pela moça e nunca escondi isso. Além de ser o auge de sua beleza, ela nos brinda com uma de suas melhores performances. Ressentida, revoltada, mas sempre escondendo seus sentimentos, ela faz de April uma mulher complexa, angustiante. E há duas cenas que destaco - as duas únicas cenas que me marcaram durante todo o filme: na mesa de jantar, quando ela tenta disfarçar sua ira contra as palavras vomitadas por John (Shannon), e, minutos depois, sua fantástica reação à definição de loucura dada pelo seu marido. Inclusive, esta última cena que eu citei é tão incrível, tão bem escrita, que por segundos eu quase esqueci que o filme não estava me agradando. Espero, de coração, que ela me surpreenda mais ainda em O Leitor, e leve finalmente seu merecidíssimo - e atrasado - Oscar.
Mas a constatação final é a mesma que a inicial, Revolutionary foi mal elaborado. Não nos envolvemos, mesmo com seu desfecho. Inclusive, Mendes perde mais uma boa oportunidade de ficar calado. Ao contrário de terminar seu filme no auge, ele adiciona duas cenas gratuitas e dispensáveis e as escolhe para encerrar o filme. Uma pena, 11 anos esperando o casal de Titanic se encontrarem de novo, e o resultado é frustrante assim. A distribuidora nacional não poderia ter sido mais feliz com uma adaptação de nome.
Nota: 6,5.
PS: Não preciso falar que não há nada que justifique sua indicação à direção de arte. Pelo quê? A casa? Poxa hem...
7 comentários:
Ti, faça um filme com carros antigos que vc consegue indicação à Direção de Arte, rsrsrsrsrs.
Ok, vou publicar meu texto na semana que vem, pois tenho alguns desafios na fila. Já disse na comunidade que não vi NADA no roteiro; fiquei imparcial e sem um esboço de emoção durante todo o filme. A direção tem planos bonitos, mas peca na execução de um roteiro que, por si só, já é falho. Kathy e Michael são espetaculres em cada cena!!! Leonardo está exageradíssimo e, por oras, interpreta um bebê birrento e irritante. E Kate, de forma impressionante, me deixa de queixo caído!! E olha que vou achar sua Hannah de O Leitor ainda mais fanomenal. No mais, a nota é 7,0...
Abração!!!!
Um filme como este tem a obrigação de nos tocar, de nos emocionar, de nos envolver em sua história. Ao que tudo indica, isto não aconteceu com "Foi Apenas um Sonho", o que é uma pena, já que eu tinha uma boa expectativa em relação a este filme.
Bom final de semana!
Haha, bem que o nome diz tudo mesmo ;-) Gostei do filme, mas certamente tem seus problemas e esperava bem mais. E acho que a direção de arte mereceu a indicação ao Oscar, não foi apenas a casa...
Abraço!
Ah foi so a casa sim uhahuahuauha
Essa frieza tbm me incomodou afe
bjoooooooo
Como a maioria já disse, o filme é frio, você não consegue se envolver com a história, com os personagens. O roteiro é bem fraquinho. O que salva o filme são suas atuações (aliás esse filme e alguns outros da temporada).
Também não gostei da indicação a direção de arte... e minha nota foi 6.
Abraços.
"PS: Não preciso falar que não há nada que justifique sua indicação à direção de arte. Pelo quê? A casa? Poxa hem..."
Tiago, antes uma casa ser indicada do que o Leotário DiCaprio como melhor (hã?) ator. Eu já estava desconfiado desse filme e os comentários não tão animadores dos blogueiros em geral fazem com que o filme me seja ainda mais desinteressante.
não vi o filme por isso não vou falar sobre a indicação de direção de arte..
mas american gangster mereceu a sua indicação sim
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