quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Cine Review: Um Violinista no Telhado


Alguns filmes tocam tanto minha alma, que eles mostram claramente que eu preciso falar sobre eles naquele exato momento. Nem pelo fato de falar ou de analisar, mas simplesmente, para passar para aqueles que ainda não viram o incentivo a assistirem.


Estava eu apenas em mais um movimento para conhecer alguns musicais clássicos que eu nunca vi. Um Violinista no Telhado me era um nome exótico, sua sinopse prometia. Fui assistir. Dirigido por Norman Jawinson (um de seus recentes trabalhos com maior destaque foi Hurricane - O Furacão, do qual não sou muito fã), baseado na peça de Joseph Stein (também roteirista do filme) e com coreografias de Jerome Robbins (co-diretor de Amor, Sublime Amor), o filme narra as tradições de um pequeno vilarejo judaico no início do século, e, em especial, uma familia.


Normalmente faço grandes textos, algumas interpretações... Mas este filme merece ser descoberto por cada um de seu público. Pouco revelarei. É uma família tradicional, um patriarcal que, com toda simplicidade, pouco entende do mundo que o cerca, mas tem lá seus diálogos internos com Deus, aquele que é aparentemente o mais justo possível. Ele se vê rodedo de mudanças, em sua família, em seu vilarejo, em seu próprio significado de ser humano.


O filme é concebido com tamanha sensibilidade, que, por vezes, acreditamos que estamos ali, quase num trabalho de campo no meio de um povoado tradicional, esquecido no espaço e no tempo. A simplicidade aparente dos diálogos impressiona. Mostra um excessivo trabalho intelectual, necessário para alcançar tamanha pureza e simplicidade.


E neste mesmo tipo de trabalho, eu não posso deixar de aplaudir de pé e falar sobre o impressionante trabalho de Topol, ator que defende o personagem Tevye, o pai da família. É tão intenso, e ao mesmo tão puro, que sustenta a trama de maneira singular, e nos faz realmente acreditar que não estamos vendo um filme "de mentirinha". E todo o elenco segue o mesmo estilo, com atuações inspiradas, sensíveis e quase imperceptíveis de praticamente todo o casting.


Com canções inspiradas tanto em suas letras quanto em suas músicas (e quem duvida disso, leia a curiosidade que postarei no final do texto), Um Violinista no Telhado conseguiu facilmente, mesmo disputando com nomes de peso como Amor, Sublime Amor; My Fair Lady e A Noviça Rebelde ser o melhor musical tradicional que eu já vi, e um dos melhores filmes que já vi.


Nota: 10


Curiosidade # 1: Se você tem dinheiro, ou estiver de passagem por Las Vegas para visitar um tio distante, a peça está atualmente em cartaz com o mesmo ator Topol, repetindo o seu personagem.


Curiosidade # 2: Alguém sem lembra de uma canção pop dance, de 1994 mais ou menos, chamada If I Were a Rich Girl? Sim! Essa mesma que foi regravada recentemente pela Gwen Stefanie. Pois pasmem. Ela é original deste filme, If I Were a Rich Man. Agora alguém quer discutir comigo sobre a atemporalidade atingida pelas músicas de alguns musicais extremamente bem feitos? Sim, ela foi tirada de contexto, colocaram uma nova roupagem dance, mudou completamente o sentido. Mas 20, 30 anos depois estão lá, cantando, o que Tevye cantou para questionar sua realidade.


Fiddler on the Roof. MUSICAL, EUA, 1971. Dir: Norman Jewison. Com: Topol, Norma Crane, Leonard Frey, Molly Picon, Paul Mann.

7 comentários:

Jonathan Rodrigues (Conta do Orkut) disse...

poxa tiago, uma critica inteira sem ressaltar uma crítica do Jhon Willians, inclusive premiada com o oscar..

bem,, ainda não vi o filme, mas ja tem bastante tempo que quero conferir, valeu por lembrar

diasdechuva disse...

é Ti, vc esqueceu da trilha do John...foi o primeiro oscar dele...mas realmente esse filme é uma obra prima e as peças são lindas!

Tiago Marin disse...

Esqueci em partes... É que eu queria pesquisar isso antes. Afinal, trata-se de um musical anterior, e eu não descobri se Williams escreveu coisa nova ou se simplesmente conduziu.

Tudo bem que a condução foi simplesmente maravilhosa, mas se ele apenas conduziu, tira um pouco os méritos dele.

Yuri César disse...

Sempre quis ver esse filme, mas nunca consegui

Kau Oliveira disse...

Nem eu, Yuri! E pior: Ti conseguiu me deixar com mais vontade!

cinefilapornatureza disse...

Ainda não conferi o filme, mas gostei muito do texto!

Jonathan Rodrigues disse...

me expressei mal, quis dizer "trilha" e nao "critica"